Sambas de Enredo 2007 é um álbum com as músicas das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro para o carnaval do ano de 2007. Foi lançado em 24 de novembro de 2006, pela Universal Music em parceria com a Gravasamba. O disco foi gravado entre outubro e novembro de 2006, após as agremiações realizarem suas disputas de samba-enredo. Foi produzido por Laíla e Mário Jorge Bruno, com direção artística de Zacarias Siqueira de Oliveira, e arranjos musicais de Alceu Maia e Jorge Cardoso.

Campeã do carnaval de 2006, a Vila Isabel estampa a capa do álbum e é a faixa de abertura do disco com um samba sobre as transformações históricas e culturais do homem. Vice-campeã do ano anterior, a Grande Rio estampa a contracapa e apresenta um samba em homenagem a Duque de Caxias, cidade-sede da agremiação. A obra da Unidos do Viradouro fala sobre os jogos. O samba da Mangueira tem como tema a língua portuguesa. Pela primeira vez em 20 anos, Jamelão não gravou o samba da escola no CD devido a um acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico, sendo substituído por Luizito. Alcione participa da faixa homenageando o cantor. A canção da Beija-Flor fala sobre o legado do povo africano, da África até o Brasil, retratando o continente africano e suas belezas; o transporte de negros escravizados para o Brasil; os orixás; as tradições afro-brasileiras; e personalidades como Agotime, Chico Rei, Rainha N'Ginga; Zumbi dos Palmares e Tia Ciata. A Unidos da Tijuca falou sobre a história da fotografia.

Sétima faixa do álbum, a Portela falou sobre os esportes e os Jogos Pan-Americanos de 2007, realizados no Rio de Janeiro, meses após o carnaval. O Império Serrano abordou sobre as diferenças e as pessoas com deficiência. Após um ano fora do Grupo Especial, Preto Jóia retornou ao carnaval carioca gravando o samba da Imperatriz Leopoldinense, sobre o bacalhau. O samba da Mocidade tem como tema o artesanato; enquanto a obra do Salgueiro versa sobre as candaces, rainhas da África Oriental, que dominaram o continente antes da era cristã. A canção da Porto da Pedra fala sobre a África do Sul. Campeã do Grupo de Acesso A (segunda divisão do carnaval) de 2006, a Estácio de Sá retornou ao Grupo Especial reeditando o clássico samba-enredo "O Ti-ti-ti do Sapoti", apresentado pela própria agremiação no carnaval de 1987.

Antecedentes

Vice-campeã do carnaval anterior, a Grande Rio foi a primeira escola a definir enredo. Em 17 de abril de 2006, foi anunciada uma homenagem à cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, sede da agremiação. O enredo "Caxias, o Caminho do Progresso, o Retrato do Brasil" é de autoria do carnavalesco Roberto Szaniecki, mantido pelo terceiro carnaval consecutivo. A escola recontratou Wander Pires como intérprete oficial, substituindo Bruno Ribas, que se transferiu para a Mocidade. Após três carnavais com a Unidos da Tijuca, onde conquistou o vice-campeonato em 2004 e 2005, Paulo Barros se desligou da escola acertando sua transferência para a Viradouro. Em 27 de abril de 2006, a escola define o tema "A Viradouro Vira o Jogo", que trata sobre as mais diversas formas de jogo.

Em maio, três escolas anunciaram seus temas. A Imperatriz Leopoldinense escolheu um tema que partia da origem do bacalhau na Noruega e fazia referências ao apresentador Chacrinha, morto em 1988, e ao Carnaval de Pernambuco. O enredo "Teresinha, uhuhuuuu!!!! Vocês querem bacalhau?" foi desenvolvido pela carnavalesca Rosa Magalhães. A escola dispensou o intérprete Ronaldo Yllê após três carnavais. Para seu lugar, contratou Preto Jóia, que retorna à agremiação após 8 anos. A Beija-Flor anunciou um enredo sobre o continente africano e as tradições afro-brasileiras, retomando aos temas de origem afro feita pela última vez no desfile de 2001. O enredo "Áfricas: do Berço Real à Corte Brasileira" foi desenvolvido pela comissão de carnaval da escola, formada por Laíla, Fran Sérgio, Shangai, Ubiratan Silva e Alexandre Louzada – retornando à escola após conquistar o título pela Vila Isabel no desfile anterior. Campeã de 2006, a Vila Isabel anunciou o enredo "Metamorfoses: do reino natural à corte popular do carnaval - As transformações da vida". Para substituir Louzada, a escola contratou o carnavalesco Cid Carvalho, que estava na Beija-Flor.

Sem Paulo Barros, a Unidos da Tijuca optou por formar uma dupla de carnavalescos, efetivando o diretor de carnaval Luiz Carlos Bruno e contratando Lane Santana, egresso da Renascer de Jacarepaguá. No dia 1° de junho de 2006, a escola anunciou o enredo "De lambida em lambida, a Tijuca dá um click na avenida", sobre a história da fotografia. A Estácio de Sá foi campeã do Grupo de Acesso A (segunda divisão do carnaval) de 2006, garantindo seu retorno ao Grupo Especial, de onde estava afastada desde 1997. No dia 4 de junho de 2006, a escola anunciou a reedição de "O Ti-ti-ti do Sapoti", apresentado originalmente no carnaval de 1987. Pelo terceiro ano seguido a agremiação fará uma releitura de um enredo antigo, tendo os anteriores resultado em dois acessos consecutivos – o título do Grupo B em 2005 com "Arte Negra na Legendária Bahia", de 1976, e o campeonato do Grupo A no ano anterior com "Quem é você?", de 1984. A Estácio contratou o carnavalesco Paulo Menezes, demitido pelo Império Serrano, e o intérprete Anderson Paz, que estava na Acadêmicos da Rocinha.

A Mangueira elegeu Percival Pires como seu novo presidente no final do mês de abril. Somente em meados de junho a escola anunciou seu enredo para 2007, que aborda a relação do Brasil com a língua portuguesa, adotada em mais sete países. O enredo "Minha Pátria é minha língua, Mangueira meu grande amor. Meu samba vai ao Lácio colher a última flor" é assinado por Oswaldo Martins e o carnavalesco Max Lopes. No dia 25 de outubro de 2006, às vésperas da gravação do CD, o intérprete Jamelão sofreu um acidente vascular cerebral isquêmico e ficou impossibilitado de defender a agremiação. O cantor de apoio Luizito o substituiu. O Império Serrano anunciou no dia 16 de junho de 2006 o enredo sobre as diferenças, exaltando pessoas com deficiência e se auto apresentando como uma agremiação diferente, pioneira em fantasiar as comissões de frente e introduzir novos instrumentos na bateria. O enredo "Ser Diferente é Normal – O Império Serrano Faz a Diferença no Carnaval" foi sugerido por uma ONG defensora dos portadores de Síndrome de Down. A escola demitiu o carnavalesco Paulo Menezes após ter recusado um enredo autoral. Para seu lugar, contratou Jack Vasconcelos, que no ano anterior esteve na União da Ilha do Governador.

Décima primeira colocada no carnaval anterior, pior resultado de sua história, o Salgueiro anunciou no dia 20 de junho de 2006 seu tema, que narra a história de rainhas da África Oriental, que dominaram o continente antes da era cristã. O enredo "Candaces" é assinado pelo departamento cultural da escola e pelos carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage, mantidos pelo quinto carnaval consecutivo. Dias depois, a Porto da Pedra definiu seu enredo, sobre a África do Sul e o legado de seu ex-presidente, Nelson Mandela. O anúncio foi feito em 29 de junho de 2006 pelo carnavalesco Milton Cunha em sua coluna no jornal carioca O Dia. A escola o contratou após sua saída da Viradouro e Cahê Rodrigues se transferir para a Portela. Inicialmente o título do enredo seria "África do Sul – para cada horror, um esforço heróico", posteriormente alterado para "Preto-e-Branco A Cores".

A Mocidade definiu seu enredo no dia 28 de julho, sobre a história do artesanato. O enredo "O Futuro no Pretérito, Uma História Feita à Mão" recebeu patrocínio da Associação Brasileira de Artesões. A escola trocou o carnavalesco Mauro Quintaes por Alex de Souza (que estava na Rocinha); enquanto o intérprete Wander Pires, que acertou seu retorno à Grande Rio, foi substituído por Bruno Ribas. O intérprete paulistano Freddy Vianna chegou a ser anunciado pela Mocidade para fazer dupla com Ribas, mas o negócio foi desfeito após uma cláusula contratual com a Acadêmicos do Tucuruvi (escola que defendia no Carnaval de São Paulo) impedir sua ida para o Rio de Janeiro. A Portela foi a última escola a definir seu enredo. Inicialmente se especulou possíveis enredos sobre a moda e a história da própria agremiação, mas em 14 de agosto de 2006 foi escolhido o tema sobre os esportes olímpicos, embalando-se pela realização dos Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio de Janeiro. O enredo "Os Deuses do Olimpo na terra do carnaval – Uma festa dos esportes, da saúde e da beleza" foi desenvolvido pelos carnavalescos Amarildo de Mello, em seu segundo ano na escola, e Cahê Rodrigues, contratado após passagem pela Porto da Pedra.

Escolha dos sambas

Com exceção da Estácio de Sá, todas as escolas realizaram disputas de samba-enredo. A Beija-Flor foi a primeira a realizar sua final, na madrugada da sexta-feira, dia 6 de outubro de 2006, na quadra da escola, em Nilópolis. Dos 86 sambas inscritos no concurso da escola, cinco chegaram à final. Venceu a obra assinada por Cláudio Russo, J. Velloso, Carlinhos do Detran e Gilson DR. Gilson assina seu terceiro samba na escola, enquanto Russo assina seu segundo samba, com os demais vencendo pela primeira vez. Campeã de 2006, a Vila Isabel foi a segunda escola a realizar a final da sua disputa na madrugada do sábado, dia 7 de outubro de 2006. Três sambas chegaram a decisão. Venceu a obra dos compositores André Diniz, Carlinhos Petisco, Evandro Bocão, Prof. Wladimir e Serginho 20, também autores do samba do ano anterior (a exceção de Bocão e Wladimir). Diniz e Serginho assinam o samba da Vila Isabel pela sexta vez. Bocão venceu pela quinta vez, enquanto os demais emplacam seu primeiro samba na escola. A Viradouro realizou sua final de disputa na madrugada do domingo, dia 8 de outubro de 2006, em sua quadra, no Barreto. Venceu a obra dos compositores Gusttavo Clarão, Gilberto Gomes, Nando, Pablo Fernandes, P.C. Portugal e Dominguinhos do Estácio. Com a vitória, Portugal assina seu nono samba na Viradouro, enquanto Clarão e Gilberto assinam pela oitava vez. Dominguinhos venceu pela terceira vez, enquanto os demais assinam seu primeiro samba na escola.miniaturadaimagem|270x270px|Diogo Nogueira assina pela primeira vez um samba-enredo na Portela.

Na madrugada da quinta-feira, dia 12 de outubro de 2006, o Salgueiro realizou sua final de disputa em sua quadra no Andaraí. A obra dos compositores Dudu Botelho, Marcelo Motta, Zé Paulo e Luiz Pião venceu pela primeira vez na escola, desbancando a parceria de Moisés Santiago, então bicampeã na disputa. Na madrugada seguinte, Portela e Grande Rio escolheram suas obras. A Portela anunciou seu vencedor por volta das cinco horas da manhã, escolhendo o samba de Diogo Nogueira, Ciraninho e Celsinho de Andrade, vencedores pela primeira vez na escola. Com sua quadra em reforma, a Grande Rio realizou sua final no pátio do Colégio São José, em Duque de Caxias. A obra da parceria de Márcio das Camisas, Professor Elísio, Mariano Araújo e Robson Moratelli derrotou os sambas de outras quatro parcerias. Com exceção de Moratelli, todos venceram pela segunda vez consecutiva.