220px|thumb|Ilustração promocional por Kazuya Takahashi do elenco de Final Fantasy XVI. De cima, esquerda para direita: Benedikta Harman, Barnabas Tharmr, Hugo Kupka, Joshua Rosfield com Torgal, Dion Lesage, Clive Rosfield, Cidolfus Telamon e Jill Warrick. Final Fantasy XVI é um jogo eletrônico de RPG de ação desenvolvido e publicado pela Square Enix. É o décimo sexto título principal da série Final Fantasy e foi lançado mundialmente em 22 de junho de 2023. O desenvolvimento do projeto de seu mundo de jogo foi um esforço colaborativo entre o produtor Naoki Yoshida, o co-diretor Hiroshi Takai, o co-diretor e roteirista chefe Kazutoyo Maehiro e o diretor de arte Hiroshi Minagawa. Os personagens e os monstros convocáveis chamados Eikons foram desenhados por Kazuya Takahashi, enquanto o diretor de localização Michael-Christopher Koji Fox lidou com a localização para o inglês e também ajudou no roteiro.
O enredo se foca em uma guerra por recursos no mundo ficcional de Valisthea, com monstros mágicos Eikons e seus hospedeiros humanos, conhecidos como Dominantes, desempenhando papéis importantes. O protagonista principal é Clive Rosfield, o Dominante do misterioso Eikon Ifrit, que parte em uma missão de vingança depois de sua vida ter sido destruída por traição. Seus companheiros são Jill Warwick, ex-princesa dos Territórios do Norte e Dominante de Shiva; e Cidolfus Telamon, um defensor dos usuários de magia e Dominante de Ramuh. Outros personagens importantes são Joshua Rosfield, irmão caçula de Clive e Dominante de Fênix; Dion Lesage, príncipe herdeiro do Império de Sanbreque e Dominante de Bahamut; Hugo Kupka, figura política da República de Dhalmekia e Dominante de Titã; Barnabas Tharmr, Rei de Waloed e Dominante de Odin; e Benedikta Harman, uma espiã de Waloed e Dominante de Garuda.
O objetivo da equipe de desenvolvimento era criar uma narrativa de fantasia sombria focada em temas como amor, interdependência do bem e mau e choque de valores. Maehiro criou o mundo primeiro baseado no papel central dos Eikons. A equipe se inspirou bastante na série de televisão Game of Thrones e em animes clássicos e contemporâneos. Os desenhos de Takahashi tinham um estilo bem leve e precisaram ser ajustados para serem mais sombrios e se encaixarem na estética do mundo. A dublagem se focou em atores europeus, com a versão em inglês sendo gravada antes que a japonesa. A recepção dos personagens foi em sua maior parte positiva, com elogios sendo direcionados principalmente para o desenvolvimento de Clive e as interpretações dos atores. Críticas se focaram na representação de alguns de seus temas, existindo também discussões sobre a falta de diversidade étnica no mundo e inclusão de personagens LGBT.
Desenvolvimento
O conceito e ambientação de Final Fantasy XVI foram criados pelo produtor Naoki Yoshida, co-diretor Hiroshi Takai, co-diretor e roteirista chefe Kazutoyo Maehiro e diretor de arte Hiroshi Minagawa. Títulos recentes de Final Fantasy tinham usado elementos de ficção científica, porém XVI retornou para uma ambientação de alta fantasia em um mundo medieval como os primeiros jogos da série. Takai queria uma narrativa madura de fantasia sombria que abordaria temas difíceis. Yoshida queria um jogo que não fosse direcionado para crianças ou adultos, mas sim algo que alcançasse "jogadores de todas as gerações". Ele também queria separar o jogo de estereótipos comumente associados, como um estilo artístico inspirado em anime e uma história focada em adolescentes. A narrativa e mundo criados por Maehiro se inspiraram na mitologia grega.
Uma das primeiras decisões foi dar papel proeminente aos Eikons, a versão de XVI dos recorrentes monstros convocáveis de Final Fantasy. Maehiro criou primeiro o mapa de Valisthea com isso em mente, estabelecendo as localizações dos Eikons e países, em seguida escrevendo a história do protagonista Clive se passando dentro dessas áreas. Usar dois Eikons de fogo fazia referencia a ideias gregas de que o original da vida estava no fogo, com os Eikons Fênix e Ifrit sendo pensados como uma dupla contrastante. Cristais são um elemento recorrente da série e foram retratados como uma analogia a combustíveis fósseis esgotados, enquanto Dominantes e Eikons serviram de analogia para armas de destruição em massa. A tagline "O legado dos cristais definiu o destino da humanidade por tempo demais", recorrente na divulgação de XVI, tinha a intenção de simbolizar uma quebra com o estilo de ficção científica e um questionamento sobre o papel dos cristais de conceder poderes aos humanos. Chocobos e Moogles, mascotes recorrentes de Final Fantasy, inicialmente foram omitidos, porém protestos de membros da equipe fizeram Maehiro ajustar sua criação de mundo para que pudessem ser incluídos.
A narrativa inicial se inspirou nas primeira temporadas de Game of Thrones. Outras inspirações incluíram animes clássicos e contemporâneos a fim de impedir que houvesse muitas similaridades entre o jogo e a série de televisão. As batalhas dos Eikons foram especificamente inspiradas em Ultraman e Neon Genesis Evangelion. Maehiro escreveu o roteiro original, que então foi revisado e finalizado pelo diretor de localização Michael-Christopher Koji Fox. Os diálogos foram escritos antes que qualquer projeto de jogo estivesse finalizado. Apesar da história geral ter um tom sombrio, momentos de maior leveza também foram incluídos. A equipe levou em conta as críticas feitas contra Final Fantasy XV ao criarem o projeto de mundo e história de XVI, especificamente os problemas do projeto de mundo aberto e narrativa. A equipe frequentemente considerou cortar um dos dois continentes que formam o mapa de jogo. Estes acabaram sendo mantidos com o objetivo de evitar que uma boa parte do roteiro precisasse ser reescrito, mas tanto Takai quanto Maehiro descreveram o esforço de fazer os dois continentes funcionarem como um "inferno". Diferentemente de outros títulos Final Fantasy recentes, não foram criados planos para "conteúdos terciários" como conteúdos para download e livros, com o objetivo da equipe sendo contar uma história completa em um único jogo.
Apesar do jogo ter um grande elenco de personagens diferentes, a equipe sempre considerou que XVI era uma história de Clive e os relacionamentos que ele forma com diferentes pessoas das diversas nações. O tema central era o choque de valores mantidos por pessoas diferentes, mais a escolha sobre aceitar o rejeitar seu destino. Outros dois temas foram a interdependência e ambiguidade de bem e mau, inspirados na trilogia The Dark Knight; mais as diferentes formas de amor, seja por uma nação ou pessoa. O enredo inicial se focava na busca de Clive por vingança, mas depois mudou para rivalidades políticas e então para auto-identidade, refletindo a visão de mundo em evolução de Clive. Yoshida comentou que a falta de diversidade étnica dos personagens seu deu porque isso se encaixava com a ambientação europeia medieval e com o isolamento de Valisthea dentro do mundo de jogo. Ele admitiu potenciais questões de representatividade, mas enxergou que haveria problemas sobre quebrar a imersão dos jogadores e de estereótipos problemáticos sendo associados com protagonistas e antagonistas. A equipe decidiu se focar em nas personalidades e narrativas dos personagens sobre suas aparências. Ele depois afirmou que o mundo de XVI era inspirado por muitas culturas do mundo real, mas reconheceu que alguns poderiam discordar da abordagem empregada.
O projeto visual foi similarmente inspirado em Game of Thrones, com Minagawa tirando inspirações diretas das paisagens do Norte da Inglaterra, Eslovênia, Oriente Médio, África e a ficcional Dalmasca de Final Fantasy XII. Os personagens e Eikons foram desenhados por Kazuya Takahashi, um artista que tinha trabalhado antes em Final Fantasy XIV. Minagawa afirmou que seu maior desafio na finalização do desenho artístico foi misturar o estilo de ilustração leve de Takahashi com o tom sombrio do jogo. Funções clássicas de Final Fantasy foram usadas como inspiração de desenho para inimigos e alguns personagens não jogáveis. Os Eikons foram baseados em monstros convocáveis populares e estabelecidos da franquia, com Ifrit recebendo um papel de destaque em contraste com sua representação prévia de um monstro convocável para iniciantes. Suas características físicas estabelecidas de jogos anteriores e possíveis estilos de combate influenciaram seu desenho. Eles foram inspirados nas antigas versões em sprites dos primeiros títulos de Final Fantasy. Os Eikons Ifrit e Fênix aparecem no logo de XVI ilustrado por Yoshitaka Amano. Esta arte foi baseada nos temas e história do jogo.
Apesar do roteiro ter sido escrito originalmente em japonês, ele foi em seguida localizado e reescrito por Fox para inglês, com o roteiro final japonês sendo então ajustado para se enquadrar com a versão em inglês. Todas as cenas foram gravadas primeiro em inglês usando a tecnologia de captura de movimentos, diferentemente dos jogos anteriores da franquia em que a versão japonesa era gravada primeiro. Por isto não houve sincronia labial na dublagem japonesa, porém a equipe tentou e desistiu de usar um sistema automático para sincronizar a dublagem com os personagens. Yoshida não participou do processo de gravação devido a políticas da publicadora e desenvolvedora Square Enix e por "respeito" aos roteiristas, pois ele admitiu que provavelmente iria contradizer suas decisões e causar problemas. Toda a gravação em inglês foi feita por atores europeus, uma abordagem incomum para deixar XVI mais interessante para o mercado norte-americano. Os sotaques dos personagens foram escolhidos para comunicar de onde eles vinham no mundo; por exemplo, sotaques do Nordeste da Inglaterra foram usados para personagens do norte de Valisthea. Gravações de dublagem e captura de movimentos começaram em 2019, com os papéis sendo mantidos em segredo usando gravações em datas espalhadas e codinomes para os personagens.
Personagens principais
Clive Rosfield é o protagonista de Final Fantasy XVI. Filho primogênito de Elwin Rosfield, o Arquiduque de Rosaria, porém foi preterido na sucessão por não ter despertado como o Dominante de Fênix. Em vez disso, ele treina como guerreiro e se torna o defensor de seu irmão Joshua, que herdou o poder da Fênix. Joshua compartilha parte desse poder com Clive, que é capaz de usar poderes mágicos. Sua mãe Anabella trai Rosaria para Sanbreque e Ifrit aparentemente mata Joshua. Clive é escravizado no exército de Sanbreque e jura vingança contra Ifrit, porém mais tarde descobre que ele próprio é o Dominante de Ifrit. Clive deserta do exército para resgatar Jill e se junta ao rebelde Cid. Seu objetivo passa ser destruir os Cristais-Máter e acabar com a Praga que consome Valisthea. Ele assume o nome Cid depois deste ser morto e continua a trabalhar com Jill, desenvolvendo um romance com ela. É revelado que Clive é um receptáculo para carregar o ser alienígena Ultima e cumprir a planejada ressurreição do povo deste. Entretanto, Clive destrói Ultima e o último Cristal-Máter, removendo a magia de Valisthea.