A história genética do Oriente Médio e Norte da África é objeto de estudo nas áreas de Genética Populacional e Arqueogenética do Oriente Médio e Norte da África. Os pesquisadores usam haplogrupos de cromossomo Y, haplogrupos de DNA mitocondrial e DNA autossômico para identificar a história genética de populações antigas e modernas do Norte da África, Irã, Mesopotâmia, Anatólia, Arábia, Levante e outras áreas.
Norte da África Os povos que habitavam o Norte da África entre 20 e 15 mil anos atrás tinham aproximadamente dois terços de sua ancestralidade derivada de povos do Levante e cerca de um terço oriunda de populações da África Subsariana.
Por volta de 15 mil anos atrás e, posteriormente, há cerca de 8 mil anos, dois grupos populacionais vindos do Oriente Próximo migraram e se fixaram no Norte da África. Essas migrações acabaram por diluir a genética oriunda dos norte-africanos de antes de 15 mil anos atrás.
Por volta de seis mil anos atrás, agricultores da Península Ibérica se fixaram no Magrebe e se mesclaram às populações locais.
Os aborígenes canários descendem de populações berberes que se fixaram nas Canárias por volta do século V a.C. Os primeiros habitantes dessas ilhas hoje são um povo extinto, mas deixaram legado genético nos canarinos.
A conquista árabe, no século VII, deixou algum legado genético da Península Arábica nas populações norte-africanas, além de arabizar grande parte dos seus indivíduos. O tráfico árabe de escravos da África Subsaariana, a partir do século IX, deixou algum pouco legado genético nos norte-africanos.
A ancestralidade africana subsaariana no pool genético dos egípcios modernos é de 14 a 21%, enquanto que, nos magrebinos (marroquinos, argelinos, tunisianos e líbios), essa ancestralidade é de 10 a 15%, sendo o restante da ancestralidade desses povos norte-africanos oriunda da Eurásia Ocidental (Europa e Oriente Médio).
Irã Estudos genômicos populacionais em indivíduos do Irã, pertencentes a etnias como persas, azeris iranianos e árabes iranianos, descobriram que o pool genético da população iraniana já estava formado há cerca de cinco mil anos e mostra alta continuidade desde então, sugerindo que não foi afetado por eventos de migração de grupos externos.
Ligações com a Anatólia calcolítica Um estudo de 2017 analisou o genoma de uma amostra iraniana da Idade do Ferro retirada de Teppe Hasanlu datada de 971 a 832 a.C. e revelou que tinha afinidades próximas com um indivíduo da Idade do Cobre de Kumtepe, no noroeste da Anatólia, ainda mais próximo do que os iranianos neolíticos. Isso implica que ocorreu mistura entre as populações antigas do Irã e da Anatólia.
Guiláquis e Mazandaranis Os mazandaranis e os guiláquis ocupam a costa sudoeste iraniana do Mar Cáspio, próximo à fronteira com o Azerbaijão, e falam línguas pertencentes ramo noroeste das línguas iranianas. Foi sugerido que seus ancestrais vieram da região do Cáucaso, talvez deslocando um grupo anterior. A evidência linguística apóia este cenário, em que as línguas guiláqui e mazandarani (mas não outras línguas iranianas) compartilham certas características tipológicas com as línguas caucasianas.
Foram analisados padrões de DNA mitocondrial e variação do cromossomo Y em mazandaranis e os guiláquis e foi constatado que, com base nas sequências do haplogrupo do DNA mitocondrial HV1, ambas as etnias se assemelham a outros povos iranianos, mas os tipos de cromossomos Y desses dois grupos étnicos se assemelham mais aos encontrados em grupos do sul do Cáucaso. Os pesquisadores interpretaram essas diferenças como demonstrando que povos do Cáucaso se estabeleceram na área do sul do Cáspio e se miscigenaram com povos de grupos iranianos locais, possivelmente por causa da patrilocalidade. Os guiláquis e mazandaranis estão intimamente relacionados no lado masculino com populações do sul do Cáucaso, como georgianos, armênios e azeris.
Azeris iranianos Um estudo comparativo de 2013 sobre a diversidade completa do DNA mitocondrial em iranianos indicou que os azeris iranianos estão mais relacionados aos georgianos do que a outros povos iranianos, enquanto, por outro lado, os persas, armênios e qashqais eram mais relacionados entre si. Além disso, mostrou que, em geral, a análise completa da sequência do DNA mitocondrial revelou um nível extremamente alto de diversidade genética nas populações iranianas estudadas, comparável a outros grupos do sul do Cáucaso, Anatólia e Europa. A mesma pesquisa observou ainda que "os resultados das análises AMOVA [análise de variância molecular] e MDS [escala multidimensional] não associaram nenhum grupo regional e/ou linguístico de populações na região da Anatólia, Cáucaso e Irã, apontando para uma forte afinidade genética entre persas [...] e [...] qashqais, sugerindo, assim, sua origem a partir de um pool genético ancestral materno. A influência pronunciada das populações do sul do Cáucaso na diversidade materna dos azeris iranianos também é evidente nos resultados da análise MDS." O estudo também afirma que "vale ressaltar a posição dos azeris do Cáucaso, que, apesar de sua suposta origem comum com os azeris iranianos, agrupam-se de forma bastante separada e ocupam uma posição intermediária entre o agrupamento azeris/georgianos e turcos/iranianos". Os resultados do DNA mitocondrial das amostras em geral, em média, assemelham-se muito aos encontrados nas regiões vizinhas do Cáucaso, Anatólia e, em menor grau, da Mesopotâmia.
Entre as linhagens de DNA mitocondrial mais comuns no país, U3b3 parece estar restrita às populações do Irã e do Cáucaso, enquanto o sub-cluster U3b1a é comum em toda a região do Oriente Próximo.
Iraque Estudos recentes indicam que os diferentes grupos étnico-religiosos do Iraque (antiga Mesopotâmia) compartilham semelhanças genéticas significativas, provavelmente devido a séculos de assimilação entre as populações invasoras e os grupos étnicos autóctones.
Os árabes iraquianos são geneticamente muito próximos às populações do Levante, enquanto os curdos iraquianos se agrupam junto aos povos iranianos.
Ligações com o Sul da Ásia Um estudo de 2013, baseado na análise do DNA extraído dos restos dentários de quatro indivíduos de diferentes épocas (200–300 d.C., 2.650–2.450 a.C. e 2.200–1.900 a.C.) desenterrados em Tell Ashara (antiga Terqa, na Síria moderna) e Tell Masaikh (antigo Kar-Assurnasirpal) sugeriu uma "possível" ligação genética entre alguns indivíduos da Mesopotâmia da Idade do Bronze e do norte da Índia. Essas ligações foram encontradas apenas em um punhado de pessoas e provavelmente se devem ao comércio entre o Oriente Médio e o Sul da Ásia. Um estudo de 2014, expandindo o do ano anterior e com base na análise de 15.751 amostras de DNA, chegou à conclusão de que "haplogrupos M65a, M49 e/ou M61 portado por antigos mesopotâmios podem ter sido de mercadores da Índia".
Assírios No livro The History and Geography of Human Genes (1995), os autores escreveram que "os assírios são um grupo bastante homogêneo de pessoas que acredita-se terem se originado na região da antiga Assíria, no norte do Iraque [...], eles são cristãos e são genuínos descendentes de seus antigos homônimos." Em um estudo de 2006 do cromossomo Y de seis populações da região, incluindo, para comparação, assírios e sírios, os pesquisadores descobriram que "as duas populações semitas [assírios e sírios] são muito distintas uma da outra de acordo com os dois eixos [comparativos] . Essa diferença, apoiada também por outros métodos de comparação, aponta a fraca afinidade genética entre as duas populações com destinos históricos diferentes."
Um estudo de 2008, sobre a genética de antigos grupos étnicos na Mesopotâmia, incluindo 340 indivíduos de sete comunidades étnicas, sendo estas os assírios, judeus iraquianos, zoroastrianos, armênios, árabes e turcomanos, e as populações iraquiana e kuwaitiana, descobriu que os assírios eram homogêneos em relação a todos os outros grupos étnicos amostrados no estudo, independentemente da afiliação religiosa.
Árabes dos pântanos Um estudo de 2011, analisando a relação entre os árabes dos pântanos do Iraque e os antigos sumérios, concluiu que "os modernos árabes dos pântanos [...] abrigam DNAs mitocondriais e cromossomos Y que são predominantemente oriundos do Oriente Médio. Portanto, certas características culturais da área, como a criação de búfalos e o cultivo de arroz, que provavelmente foram introduzidas do Subcontinente Indiano, afetaram apenas marginalmente o pool genético dos povos autóctones da região. Além disso, uma origem ancestral da população moderna dos pântanos do sul do Iraque [...] implica que, se os árabes dos pântanos são descendentes dos antigos sumérios, também os sumérios não eram de ascendência indiana ou do sul da Ásia." O mesmo estudo de 2011, ao se concentrar na genética dos árabes dos pântanos, identificou haplótipos do cromossomo Y compartilhados por esta etnia, árabes iraquianos, assírios e mandeanos, o que apoia uma história local em comum.
Levante miniaturadaimagem|Verde representa componente ancestral do Oriente Médio da Arábia. O azul representa o componente ancestral levantino do Levante. Durante os períodos Natufiano (13.000-10.000 a.C.) e Neolítico Pré-Cerâmico A (10.000-8.000 a.C.), o Levante era habitado por populações que eram geneticamente similares aos atuais árabes da Península Arábica, seguidos em semelhança pelos atuais egípcios e berberes. A ancestralidade levantina do início do Holoceno decaiu a uma taxa de 8% por milênio, entre mil e dez mil anos atrás, atualmente compondo em torno de 20% do pool genético das populações autóctones levantinas modernas, como sírios, libaneses e palestinos.
Ao longo do Neolítico e Idade do Cobre, populações oriundas da Anatólia, Cáucaso e Irã migraram para o Levante e mesclaram-se às populações locais. A genética desses migrantes compõe a maioria do pool genético das populações autóctones modernas do Levante.
Em torno de 10% da genética dos povos autóctones levantinos provém da mistura com as seguintes populações, ocorrida nos seguintes momentos: povos do sul da Europa e Anatólia (c. 1.000 a.C.), gregos (c. 300 a.C.) e povos do Cáucaso (domínio otomano) e, em menor escala, dos conquistadores romanos e árabes.
Os levantinos do início do Holoceno possuíam em torno de 7% de sua genética oriunda de populações da África Oriental, tendo esse fluxo genético ocorrido no Mesolítico; atualmente, entre 1 e 3% da genética dos povos autóctones levantinos modernos é africana subsaariana.
As línguas semitas se originaram no Levante por volta de 3.700 a.C. e se expandiram para a Península Arábica e Mesopotâmia e, mais tarde, para o Chifre da África. Junto com essa família linguística, houve a dispersão da genética levantina.
Chipre Um estudo de 2016, com 600 homens do Chipre, afirma que "a afinidade genética do Chipre é mais próxima das populações atuais do Levante". As análises dos dados dos haplogrupos cipriotas são consistentes com dois estágios de assentamento pré-histórico. Os haplogrupos de cromossomo Y E-V13 e E-M34 são difundidos, e a PCA [análise de componentes principais] sugere fornecê-los para os Bálcãs e Oriente Próximo, respectivamente. Haplogrupos contrastantes na PCA foram usados como substitutos das populações parentais. As análises de mistura sugeriram que a maioria dos componentes G2a-P15 e R1b-M269 foram fornecidos pelas fontes do Oriente Próximo, enquanto os Bálcãs forneceu a maioria dos haplogrupos E-V13 e J2a-M67. Os tempos de expansão baseados em haplótipos estavam em níveis históricos sugestivos de demografia recente.