Guilherme II (Haia, – Tilburg, ) foi o Rei dos Países Baixos, Grão-Duque de Luxemburgo e Duque de Limburgo de 1840 até sua morte.

Era o filho mais velho do rei Guilherme I e sua esposa, a princesa Guilhermina da Prússia. Quando o seu pai se proclamou rei dos Países Baixos em 1815, Guilherme tornou-se Príncipe de Orange e herdeiro aparente do Reino dos Países Baixos. Quando o seu pai abdicou a 7 de outubro de 1840, Guilherme II tornou-se rei. Durante o seu reinado, os Países Baixos tornaram-se uma democracia parlamentar após a aprovação de uma nova constituição em 1848.

Guilherme II era casado com a grã-duquesa Ana Pavlovna da Rússia. Juntos, tiveram quatro filhos e uma filha. Guilherme II morreu em 17 de março de 1849, sendo sucedido pelo seu filho mais velho, o rei Guilherme III.

Primeiros anos e educação Guilherme Frederico Jorge Lodewijk nasceu a 6 de dezembro de 1792 em Haia. Foi o primeiro filho do rei Guilherme I dos Países Baixos e da princesa Guilhermina da Prússia. Os seus avós maternos eram o rei Frederico Guilherme II da Prússia e a sua segunda esposa, a princesa Frederica Luísa de Hesse-Darmstadt.

Quando Guilherme tinha dois anos de idade, a sua família fugiu para a Inglaterra depois das tropas aliadas da Grã-Bretanha e de Hanôver terem abandonado a República e o exército francês ter derrotado o exército das Províncias Unidas que defendia a liberalização do país em conjunto com os patriotas que estavam contra a família de Orange. Guilherme passou a sua juventude em Berlim, na corte prussiana, onde teve uma educação militar e prestou serviço no exército da Prússia. Depois, estudou na Universidade de Oxford e teve uma carreira militar magnífica ao lado de Wellington. Guilherme II teve uma série de relações tanto com homens como mulheres. O jornalista Eillert Meeter escreveu sobre as relações homossexuais que Guilherme teve enquanto príncipe-real e rei. Guilherme rodeava-se de criados masculinos que, depois, não podia dispensar devido ao "motivo abominável" pelo qual os contratava inicialmente.

Carreira militar esquerda|miniaturadaimagem|Guilherme II por Nicaise de Keyser. Guilherme entrou no Exército Britânico e, em 1811, quando tinha dezanove anos de idade, tornou-se ajudante-de-campo no quartel-general de Arthur Wellesley, 1.º Duque de Wellington, o que lhe permitiu assistir a várias campanhas de Wellington durante a Guerra Peninsular. Embora ainda não tivesse sequer vinte anos, seguindo a tradição da época, Guilherme foi nomeado tenente-coronel a 11 de junho de 1811The London Gazette: no. 16494. p. 1068. 11 de Junho de 1811. e coronel a 21 de outubro do mesmo ano.The London Gazette: no. 16533. p. 2033. 22 de Outubro de 1811. A 8 de Setembro de 1812 foi nomeado ajudante-de-campo do príncipe-regenteThe London Gazette: no. 16642. p. 1812. 8 de Outubro de 1812. e, a 14 de dezembro de 1813, foi promovido a major-general.The London Gazette: no. 16824. p. 2528. 14 de Dezembro de 1813. A sua coragem e gentileza tornaram-no muito popular junto dos britânicos que lhe deram a alcunha de "Slender Billy" (Billy Elegante). Regressou aos Países Baixos em 1813, quando o seu pai foi nomeado príncipe soberano e, em Maio de 1814, sucedeu a Sir Thomas Graham na posição de oficial com a patente mais elevada entre as tropas britânicas que se encontravam nos Países Baixos.Andrew Bamford (2014). "The British Army in the Low Countries, 1813-1814" (PDF). 

A 8 de julho de 1814, foi promovido a tenente-general do Exército BritânicoThe London Gazette: no. 16915. p. 1393. 9 de Julho de 1814. e, a 25 de julho, a general.The London Gazette: no. 16924. p. 1609. 9 de Agosto de 1814. Nessa posição, tornou-se no oficial mais importante do exército aliado nos Países Baixos, quando Napoleão I de França fugiu de Elba em 1815. Guilherme abriu mão do comando após a chegada do duque de Wellington e, apesar de esta ter sido a sua primeira batalha a sério, lutou com o título de general do I Corpo de Aliados na Batalha de Quatre Bras (16 de junho de 1815) e na Batalha de Waterloo (18 de junho de 1815), durante a qual foi ferido.Hofschröer, Peter, 1815, The Waterloo Campaign, The German Victory p137, p200. Na altura, tinha vinte-e-três anos de idade- Como gesto de gratidão pela sua bravura em Waterloo, o povo dos Países Baixos ofereceu o Palácio de Soestdijk a Guilherme."Willem II, Koning (1792-1849)" . Het Koninklijk Huis (em holandês)."Geschiedenis van het Paleis Soestdijk" . Paleis Soestdijk (em holandês).

William Siborne, um tenente e historiador militar do exército britânico, afirmou que Guilherme foi responsável por várias baixas na Campanha de Waterloo devido à sua falta de experiência, incompetência, desespero por manter a sua reputação e por achar que as suas capacidades militares estavam muito acima da realidade.Siborne, William. "History of the War in France and Belgium in 1815", 1844 Em resposta, o tenente-general Willem Jan Knoop acusou Siborne de vários erros e contradições no seu depoimento.Knoop, Willem Jan. "Beschouwingen over Siborne’s Geschiedenis van den Oorlog van 1815", 1846 Em 1897, o general François de Bas inspeccionou os arquivos de Siborne e confirmou que o tenente tinha utilizado as suas fontes de forma arbitrária e de ter escrito "vários erros e mentiras".Historisch Nieuwsblad, June 2015: "Willem II en de Slag bij Waterloo - 1815" Alguns atribuem a difamação do príncipe de Orange e falta de reconhecimento pelo papel que desempenhou na Batalha de Quatre Bras a um esforço, principalmente ao longo do século XIX, para enaltecer demasiado e exagerar as conquistas militares britânicas nas Guerras Napoleónicas.

Pretendentes e casamento Noivado com a princesa Carlota de Gales miniaturadaimagem|Carlota de Gales por James Lonsdale. Em 1813, quando o rumo das Guerras Napoleónicas começou a mostrar-se, finalmente, mais favorável para a Grã-Bretanha, o futuro rei Jorge IV do Reino Unido (na altura príncipe-regente) começou a considerar seriamente a questão do casamento da sua única filha, a princesa Carlota de Gales. O príncipe-regente e os seus conselheiros decidiram que o melhor candidato era o príncipe-herdeiro Guilherme de Orange, filho e herdeiro do príncipe Guilherme Frederico de Orange. Tal casamento aumentaria a influência da Grã-Bretanha no noroeste europeu. Guilherme não impressionou Carlota quando os dois se conheceram na festa de aniversário de Jorge, celebrada a 12 de Agosto desse ano, na qual o príncipe holandês ficou bêbado na companhia do próprio príncipe-regente e de vários outros convidados. Apesar de ninguém ter falado oficialmente com Carlota sobre os planos de casamento, a princesa sabia deles através de rumores que corriam pelo palácio.Chambers, pp. 68–69 O doutor Henry Halford, foi encarregue de perguntar a Carlota o que ela achava sobre o casamento, mas achou-a relutante e a princesa afirmou que a futura rainha de Inglaterra não devia casar-se com um estrangeiro.Plowden, pp. 130–131 Acreditando que a sua filha tinha a intenção de se casar com Guilherme, Duque de Gloucester e Edimburgo, o príncipe-regente abusou verbalmente dos dois. Segundo Carlota, "ele falou como se tivesse as ideias mais impróprias em relação às minhas predesposições. Vejo que está completamente envenenado contra mim e que nunca vai mudar de ideias."Plowden, p. 132 Escreveu ao Conde de Grey, pedindo-lhe conselhos e ele sugeriu-lhe que fosse adiando o assunto o maior tempo possível.Holme, pp. 122–123 O assunto não demorou a surgir nos jornais que se questionavam se Carlota se iria casar com "o Orange ou com o Queijo" (uma referência ao queijo de Gloucester), o "Billy Magricelas" de Orange ou o "Billy Tolo".Chambers, p. 73 O príncipe-regente tentou abordar a filha mais gentilmente, mas não conseguiu convencê-la e Carlota escreveu que "nunca poderia deixar este país, e como rainha de Inglaterra ainda menos", e que, se eles se casassem, o príncipe de Orange teria de "visitar os seus sapos sozinho".Chambers, pp. 81–82 Contudo, no dia 12 de Dezembro, o príncipe-regente fez com que Carlota e o príncipe de Orange se encontrassem durante um jantar e pediu uma resposta a Carlota. A princesa disse que tinha gostado do que tinha visto até à altura e Jorge pensou que isso significava que a filha aceitava o casamento, por isso chamou rapidamente o príncipe de Orange para o informar.Plowden, pp. 134–135

As negociações para o contrato de casamento arrastaram-se durante vários meses porque Carlota insistia que não queria deixar a Grã-Bretanha. Os diplomatas não desejavam ver estes dois tronos unidos, e por isso o acordo determinava que o trono britânico iria para o filho mais velho do casal, enquanto que o segundo filho iria herdar o trono holandês. Se houvesse apenas um filho, os Países Baixos passariam a ser reinados pelo ramo alemão da Casa de Orange.Chambers, pp. 82–83 A 10 de junho de 1814, Carlota assinou o contrato de casamento.Chambers, p. 91 Carlota ficou enamorada de um príncipe prussiano cuja identidade não é certa. Segundo Charles Greville, tratava-se do príncipe Augusto da Prússia,Greville's Diary, 18 de setembro de 1832, citado em Aspinall, p. xvii mas o historiador Arthur Aspinall discorda e pensa que faria mais sentido que a princesa estivesse apaixonada pelo príncipe Frederico da Prússia, que era mais novo.Aspinall, p. xvii Numa festa realizada no Hotel Pulteney em Londres, Carlota conheceu o tenente-general da cavalaria russa, o príncipe Leopoldo de Saxe-Coburgo-Saalfeld.Williams, pp. 88–89 A princesa convidou Leopoldo a visitá-la, um convite que o príncipe aceitou, tendo passado três quartos de hora com Carlota. Depois escreveu uma carta ao príncipe-regente, onde pedia desculpa se tinha cometido alguma indiscrição. A carta deixou Jorge muito impressionado, apesar de nunca ter considerado Leopoldo como possível pretendente para a sua filha devido ao seu rendimento reduzido.Holme, pp.196–197

A mãe de Carlota opôs-se ao casamento da filha com o Príncipe de Orange e tinha o apoio do público: sempre que Carlota aparecia em público, as multidões pediam-lhe que não abandonasse a mãe ao casar-se com o Príncipe de Orange. A princesa informou o Príncipe de Orange que, caso se casassem, a mãe dela teria de ser bem-vinda na sua casa, uma condição que iria certamente desagradar o príncipe-regente. Quando o Príncipe de Orange não concordou, Carlota rompeu o noivado.Plowden, pp. 149–150 A resposta do seu pai foi ordenar que Carlota não saísse de Warwick House, ao lado de Carlton House, até ser enviada para Cranbourne Lodge, em Windsor, onde não teria permissão para ver mais ninguém além da avó. Quando soube disto, Carlota correu para a rua. Um homem, ao vê-la tão perturbada da sua janela, ajudou a princesa, que não tinha experiência no mundo exterior, a encontrar uma carroça que a levou para casa da sua mãe. Carolina estava a visitar amigas, mas voltou rapidamente para casa quando soube o que tinha acontecido, ao mesmo tempo que Carlota chamava políticos liberais para a aconselharem. Um grande número de familiares também se juntou a ela, incluindo o seu tio, o príncipe Frederico, duque de Iorque, que trazia um mandato no bolso para assegurar que ela regressava se tal fosse necessário. Depois de uma longa discussão, os liberais acharam que seria melhor se Carlota voltasse a casa do pai, o que ela fez no dia seguinte.Plowden, pp. 156–160

Casamento miniaturadaimagem|Guilherme II e Ana Pavlovna da Rússia.