Isabel, Elizaveta, ou ainda, Elizabeth (Moscou, – São Petersburgo, ) foi a Imperatriz da Rússia de 1741 até sua morte. Era filha do imperador Pedro I da Rússia com sua segunda esposa a imperatriz Catarina I da Rússia, tendo ascendido ao trono em um golpe de Estado contra seu primo distante Ivã VI da Rússia, neto de sua prima Catarina Ivanovna da Rússia e sobrinho-neto de sua prima a Imperatriz Ana da Rússia.

Realizou numerosas reformas: abolição da pena de morte, estabelecimento do senado em 1743, criação de um conselho político supremo no mesmo ano, supressão das aduanas interiores em 1754, fundação da Universidade de Moscou no ano seguinte 1755 e da Academia de Artes da Rússia em 1757 e reorganização do comércio interno. Isabel também ampliou os poderes da nobreza — restringidos por Pedro I —, o que piorou a situação do campesinato.

Na política externa, apoiou militarmente Maria Teresa da Áustria durante a Guerra de Sucessão Austríaca. Durante a Guerra dos Sete Anos, integrou a coalizão entre Áustria, França, Saxônia, Suécia e Espanha contra o rei Frederico II da Prússia e seus aliados (Grã-Bretanha, Portugal e Hanôver). Sua aliança com Maria Teresa favoreceu a Áustria em sua disputa com a Prússia pela supremacia sobre os Estados Alemães e pela posse da Silésia. Sob seu comando, o poderio russo infligiu pesadas perdas ao exército prussiano. Entretanto, sua morte, em 1762, mudaria completamente os rumos do conflito, levando ao chamado Milagre da Casa de Brandemburgo.

Primeiros anos Isabel era a segunda filha do Imperador Pedro, o Grande e de Catarina I da Rússia.Russian Tsars by Boris Antonov, p.104. Seus pais casaram-se secretamente na Catedral da Divina Trindade, em São Petesburgo, em novembro de 1707.Elizabeth and Catherine, Robert Coughlan, p.46. A cerimônia pública aconteceu em Fevereiro de 1712. Como o casamento de seus pais não havia sido reconhecido publicamente à época de seu nascimento, Isabel poderia ser considerada ilegítima por seus adversários políticos para contestar seu direito ao trono. Foi proclamada princesa em 6 de março de 1711 e Csesarevna em 23 de dezembro de 1721.thumb|left|Retrato de Isabel como Vênus, pintado por volta de 1710 (Peterhof).Dos doze filhos de Pedro e Catarina, cinco meninos e sete meninas, apenas duas, Ana e Isabel, sobreviveram à infância.Elizabeth and Catherine, Robert Coughlan, p.50. Sua irmã Ana Petrovna foi prometida a Carlos Frederico, Duque de Holsácia-Gottorp, sobrinho do rei Carlos XII da Suécia, antigo adversário de seu pai. Pedro também tentou encontrar um bom pretendente para Isabel na corte real francesa, quando visitou o país. Sua intenção era casar sua segunda filha com o jovem Luís XV de França, mas os Bourbon recusaram a oferta. Isabel foi então prometida ao príncipe Carlos Augusto de Holsácia-Gottorp.Elizabeth and Catherine, Robert Coughlan, p.58. Politicamente era uma aliança útil e respeitável. Porém, poucos dias antes do noivado, Carlos Augusto morreu e, até a morte de Pedro, nenhum plano de casamento para Isabel havia se concretizado.

Isabel foi uma criança inteligente e só não tornou-se brilhante intelectualmente porque sua educação formal foi imperfeita e inconstante. Ela era adorada por seu pai, que a via como uma espécie de "réplica feminina" de si próprio, tantas eram as semelhanças físicas e de temperamento entre eles.Elizabeth and Catherine, Robert Coughlan, p.23. Entretanto, Pedro não tinha tempo disponível para dedicar à sua formação e sua mãe era demasiado simples e iletrada para supervisionar seus estudos. Isabel teve uma preceptora francesa e era fluente em italiano, alemão e francês, além de excelente dançarina e amazona. Desde a infância, ela encantava a todos com sua extraordinária beleza e vivacidade, sendo popularmente conhecida como a maior beleza do Império Russo. miniaturadaimagem|Isabel Petrovna na década de 1720, por Ivan Nikitich Nikitin Enquanto Alexandre Danilovitch Menchikov esteve no poder, Isabel foi tratada com generosidade e distinção por parte do governo de seu "meio-sobrinho", o adolescente Pedro II da Rússia. Porém, os Dolgoroukov, uma antiga família boiarda, tinham um profundo ressentimento de Menchikov.Elizabeth and Catherine, Robert Coughlan, p.52. Pedro II aliou-se ao príncipe Ivã Dolgorukov que, contando com dois outros membro de sua família no Supremo Conselho de Estado, criou o ambiente ideal para um golpe bem sucedido. Menchikov foi preso, despojado de todas as suas honras e propriedades e exilado na Sibéria, onde morreu em novembro de 1729. Os Dolgoroukov odiavam a memória de Pedro I e praticamente baniram sua filha da corte.

Com a morte de seu pai e a ascensão de sua prima a czarina Ana da Rússia, que era sua adversária política, nenhuma corte real ou casa nobre da Europa poderia permitir que um filho cortejasse Isabel, pois poderia ser interpretado como um ato hostil à soberana Ana Ioannovna.Elizabeth and Catherine, Robert Coughlan, p.59. Casar-se com um plebeu não seria possível, pois custaria à Isabel não apenas seu título, mas seus direitos às propriedades e ao trono. A princesa, então, tornou-se amante de Alexis Shubin, um belo sargento do Regimento Semenovsky. Shubin teve sua língua arrancada e foi banido para a Sibéria por ordem da czarina Ana da Rússia, fazendo com que Isabel, em represália, se envolvesse com um cocheiro e até mesmo com um garçom. Finalmente, ela encontrou consolo em um jovem cossaco ucraniano, com uma bela voz de baixo, que havia sido levado por um nobre a São Petesburgo para integrar o coro de uma igreja. Isabel adquiriu-o para seu próprio coro; seu nome era Alexei Grigorievich Razumovsky, um homem bom e simplório, mas perturbado pela ambição. Isabel foi dedicada a ele e não há indícios de que tenham se casado secretamente. Mais tarde, Razumovsky ficaria conhecido como o Imperador da Noite e Isabel (já como czarina) faria dele Príncipe e Marechal de campo. O imperador da Áustria também o tornaria Conde do Sacro-Império.

Revolução palaciana de 1741 thumb|Procissão da coroação da czarina Isabel, Moscou, 1742, por Ivã Sokolow Durante o reinado de sua prima Ana (1730-1740) e a regência de Ana Leopoldovna (em nome do recém nato Ivã VI, um período marcado por altos impostos e problemas econômicos), Isabel procurou conquistar aliados nos bastidores da corte. O curso dos acontecimentos compeliram-na a derrubar o governo fraco e corrupto. Sendo filha de Pedro, o Grande, ela contava com grande apoio dos regimentos de guardas.The Russian Tsars, Boris Antonov, p.105. Isabel visitava frequentemente esses regimentos, organizando eventos especiais com os oficiais e tornando-se madrinha de seus filhos. Sua bondade foi recompensada quando, na noite de 25 de novembro de 1741, Isabel assumiu o poder com a ajuda do Regimento Preobrazhensky. Chegando à sede do regimento, vestindo uma couraça de metal sobre seu vestido e segurando uma cruz de prata, ela declarou: Quem vocês querem servir: Eu, a soberana natural, ou aqueles que têm roubado a minha herança? De lá, as tropas marcharam para o Palácio de Inverno, onde prenderam o jovem czar, seus pais e seu próprio comandante, o Conde von Munnich. Foi um golpe ousado, que transcorreu sem derramamento de sangue. Isabel prometeu que, se fosse czarina, não assinaria uma única sentença de morte; uma promessa inusitada que ela, de forma notável, manteve ao longo de sua vida.

Aos 33 anos de idade, aquela mulher naturalmente indolente e autoindulgente, com pouco conhecimento e nenhuma experiência nos assuntos de Estado, viu-se como a cabeça de um grande império num dos períodos mais críticos de sua existência. Sua proclamação como tsarina Isabel I mostra porque os reinados anteriores levaram a Rússia à ruína:

O povo russo gemia sob os inimigos da fé cristã, mas ela o livrou da degradante opressão estrangeira.Russian Tsars, Boris Antonov, p.106.

A Rússia era dominada por conselheiros alemães e Isabel exilou os mais impopulares, entre eles Heinrich Ostermann, Burkhard von Munnich e Carl Gustav Lowenwolde. Isabel coroou a si própria na Catedral da Anunciação, em 25 de abril de 1742.

Felizmente, para si mesma e para a Rússia, mesmo com todos os seus defeitos (como demorar meses para assinar documentos),Russian Tsars, Boris Antonov, p.107. ela havia herdado algo do tino paterno para os assuntos de governo. Seu julgamento aguçado e seu tato diplomático também lembravam Pedro, o Grande. As atitudes que, eventualmente, pudessem denotar indecisão ou procrastinação de sua parte eram, na maioria das vezes, uma sábia suspensão de juízo em circunstâncias excepcionalmente difíceis.

As consideráveis mudanças introduzidas por seu pai não haviam exercido uma real influência no pensar das classes dominantes.The Evolution of Russia, Otto Hoetzsch, p.83. Isabel teve mais sucesso nesse quesito e lançou as bases que seriam concluídas por Catarina II.

A política de Bestuzhev Após a substituição do sistema de conselho de ministros, favorável à czarina Ana da Rússia, pelo senado com chefes de departamento, como nos tempos de Pedro, o Grande, a primeira tarefa da nova soberana foi resolver a disputa com a Suécia. Em 23 de janeiro de 1743, iniciaram-se as negociações, que culminaram com o Tratado de Turku, firmado em 7 de agosto, onde a Suécia cedeu à Rússia toda a parte sul da Finlândia a leste do rio Kymmene que, posteriormente, tornou-se a fronteira entre os dois países. As disposições do tratado incluíam também as fortalezas de Villmanstrand e Fredricshamn.

Esse triunfo pode ser creditado à habilidade diplomática do novo vice-chanceler, Alexey Bestuzhev-Ryumin. Mas, suas políticas teriam sido impossíveis sem o apoio de IsabelElizabeth and Catherine, Robert Coughlan, p.57. que, sabiamente, o colocou à frente das Relações Exteriores imediatamente após ter assumido o trono. Ele representou a parte anti franco-prussiana de seu conselho e seu objetivo era conseguir uma aliança anglo-austro-russa, algo que, na época, seria bastante vantajoso para a Rússia. Isso motivou a chamada Conspiração Lopukhina e outras tentativas de Frederico II da Prússia e Luís XV de França para se livrarem de Bestuzhev (fazendo da corte russa o centro de um emaranhado de intrigas durante os primeiros anos de reinado de Isabel).

thumb|"Promenade de Elizaveta Petrovna pelas ruas de São Petesburgo" (1903), aquarela de Alexandre Benois

Bestuzhev, no entanto, mereceu ainda mais apoio de Isabel, que o manteve no cargo. Seu talento diplomático, amparado pelo envio de 30 mil homens das tropas auxiliares russas ao Reno, acelerou bastante as negociações de paz, culminando com o Tratado de Aquisgrão, em 18 de outubro de 1748. Pela tenacidade, Bestuzhev conseguiu livrar a Rússia do imbróglio sueco, reconciliando a tsarina com as cortes de Viena e Londres e permitindo à Rússia afirmar-se efetivamente na Polônia, Turquia e Suécia e isolar o rei da Prússia, que foi forçado a aderir à alianças hostis. Nada disso seria possível sem o apoio constante de Isabel, que confiou implicitamente nele, apesar das insinuações dos numerosos inimigos do chanceler (a maior parte deles, amigos pessoais da czarina).

Em 14 de fevereiro de 1758, Bestuzhev foi afastado do cargo. A futura Catarina II registrou: Ele foi despojado de todas as suas condecorações e títulos, sem uma alma que pudesse revelar quais crimes ou transgressões o primeiro cavalheiro do império havia cometido, sendo enviado de volta à sua casa como um prisioneiro.Catherine the Great, Virginia Rounding, p.118–119. Bestuzhev jamais foi acusado de nenhum crime específico que justificasse sua prisão. Especulou-se que o chanceler teria tentado semear a discórdia entre a czarina, seu herdeiro e a esposa deste.Catherine the Great, Virginia Rounding, p.119. Quem tinha interesse em levar Bestuzhev à ruína eram seus rivais: os Shuvalov, o vice-chanceler Mikhail Illarionovich Vorontsov e os embaixadores de Áustria e França.

O herdeiro