Artur Duarte de Oliveira (Rio Branco, 27 de dezembro de 1969), mais conhecido apenas como Artur (quando jogava, normalmente como meia-armador) ou como Artur Oliveira (após parar de jogar) e ocasionalmente pelo apelido Rei Artur, é um ex-futebolista e treinador de futebol brasileiro, notabilizado sobretudo no Remo (em ambas as funções) e na dupla portuense Boavista e Porto (ambos, como jogador).

Ivo Amaral, jornalista, radialista, locutor esportivo e comentarista esportivo com mais de cinquenta anos de carreira, opinou em 2008 que Artur foi o maior craque despontado no Remo – tanto pela qualidade de jogo como pelo renome adquirido em Portugal. Em 2020, Artur foi eleito oficialmente pelo clube e torcida como o melhor meia-armador da história remista.

Em Portugal, soube ser campeão pelos dois clubes da cidade do Porto, um feito considerando a disparidade de troféus no Dérbi da Invicta;MARQUES, Zeca (janeiro de 2008). Cidade do futebol e do trabalho. Trivela n. 23. São Paulo: Trivela Comunicações, pp. 44-47 como boavisteiro, Artur foi campeão sobre o próprio Porto, e, como portista, participou ativamente da sequência de títulos que fizeram os alviazuis se tornarem desde o final da década de 1990 o segundo clube mais vencedor do campeonato português, ultrapassando o Sporting. Também seria sondado para naturalizar-se a fim de defender a seleção portuguesa.

No Brasil, destacou-se em especial também no Vitória.

Carreira de jogador Início, no Norte do Brasil

Embora nascido no Acre, Artur, após jogar bola em equipes de várzea locais, iniciou-se no infantil e no juvenil do Amapá, do Estado de mesmo nome. Ainda na base, voltou ao Acre para defender as equipes locais do Juventus e do Piauí acriano (este, no futebol de salão). Esteve também no futebol cearense, com o Sumov. Foi profissionalizado já em 1989, pelo Rio Branco, já o clube mais vencedor do seu Estado natal. Em 1990, rumou ao vizinho Independência.

No primeiro semestre de 1991, pelo Independência, disputou a série B do Brasileirão. O torneio seria ganho pelo Paysandu, que sofreu precisamente na visita ao Independência a mais elástica das cinco derrotas ocorridas na campanha campeã. O clube vinha invicto, com quatro vitórias (incluindo uma de 5-1 sobre o próprio Rio Branco) e um empate nas cinco rodadas inicias, e então foi derrotado por 3-0. Artur marcou duas vezes nesse jogo,DA COSTA, Ferreira (2002). 1991 – Segunda Divisão – Campeão Brasileiro de Futebol. Papão - O Rei do Norte. Belém: Valmik Câmara, pp. 113-119 incluindo um ainda recordado por ele em 2023 como um dos três mais bonitos da carreira: partiu do meio-campo emendando dribles nos bicolores, incluindo o goleiro. Precisamente nessa partida, foi pela primeira vez referido como "Rei Artur", em narração do jornalismo acriano.

Essa exibição logo chamou atenção dos clubes paraenses; o próprio Paysandu buscou sua contratação, mas o arquirrival Remo se antecipou em comprar o passe do acriano, negociado em 20 mil cruzeiros. Trinta anos depois, em 2021, ele assim relembrou sua chegada e identificação instantânea com a nova torcida:

O Remo já vinha de dois títulos seguidos no campeonato paraense e, no segundo semestre de 1991, reforçado com Artur e com o também acriano Luciano Viana, garantiu um tricampeonato. Ambos dividiram a artilharia do elenco, com sete gols de Artur e onze de Luciano embalando uma campanha invicta. Artur, de fato, marcou na rodada de estreia, um 3-0 sobre o Pinheirense do técnico Bira. Embora não marcasse nos quatro clássicos Re-Pa, saiu-se invicto (1-1, 1-0, 2-0 e 0-0); o título foi decidido contra o outro rival, a Tuna Luso, contra quem Artur marcou em dois dos cinco clássicos naquele estadual (vitórias de 3-0 e 4-0, ambas no primeiro turno).DA COSTA, Ferreira (2013). 1991 - Remo traz o técnico Waldemar Carabina, que comanda a conquista do Tricampeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 256-260

Invicto no Re-Pa em 1991,DA COSTA, Ferreira (2015). 1991. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 164-166 Artur manteve-se assim em seu único duelo com o Paysandu em 1992, um 1-1 amistoso em 19 de janeiro.DA COSTA, Ferreira (2015). 1992. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 166-168 No primeiro semestre desse ano, foi um dos protagonistas da campanha 4ª colocada na Série B do Brasileirão, suficiente ao acesso azulino à primeira divisão para 1993: com sete gols, Artur foi o vice-artilheiro do elenco remista.DA COSTA, Ferreira (2018). 1992 - Remo reedita bela campanha, termina em 4º lugar e ascende à 1ª Divisão em 1993. A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, pp. 155-156 Suas exibições pelo Remo ficaram conhecidas em Portugal e o meia-atacante, adquirido por 20 mil cruzeiros, terminou supervalorizado ao fim de um ano no Pará: foi negociado pelo equivalente a 1 trilhão e trezentos bilhões nessa antiga moeda.

Aquela campanha nacional de 1992 foi por mais de trinta anos a última vez em que o Remo subiu à Série A, com o rebaixamento sofrido dela em 1994 sujeitando o "Leão" a aguardar até 2025 para comemorar novamente nova promoção à elite. A respeito disso, Artur declararia o seguinte, ao Globo Esporte do Acre:

Ídolo no Boavista

Foi contratado pelo Boavista para suprir a ausência de João Vieira Pinto, recém-negociado com o Benfica. Em 2018, entrevistado pelo MaisFutebol, Artur detalhou como foi descoberto pelos portugueses e como chegou a interessar desde o início o próprio vizinho Porto; e como seu primeiro gol como boavisteiro deu-se justamente em um Dérbi da Invicta amistoso pelo "Torneio Internacional Cidade do Porto":

Ele, que também era desejado por Vasco da Gama e São Paulo na ocasião em que deixou o Brasil, recontou a história em 2023, com mais detalhes, ao Globo Esporte:

Em 2023, ele rotularia aquele gol amistoso como o segundo mais bonito da carreira: "driblei um defensor do Porto, bati de perna esquerda de fora da área e o Vítor Baía não conseguiu defender". Os dois clubes logo realizaram outro dérbi portuense, pela edição de 1992 da Supertaça Cândido de Oliveira, a Supercopa de Portugal. Embora o Porto detenha ampla supremacia histórica no duelo, o Boavista foi o campeão: no jogo de ida, em 16 de dezembro, Artur entrou no decorrer do segundo tempo e, treze minutos depois, marcou o gol da vitória de virada por 2-1 em pleno Estádio das Antas. No Estádio do Bessa, os vizinhos empataram em 2-2 no jogo da volta, em 6 de janeiro, resultado que premiou os boavisteiros, invictos em dérbis na temporada: nos duelos pela primeira divisão de 1992-93, ganharam de 1-0 em casa e empataram em 1-1 no returno.

O Boavista também foi finalista da Taça de Portugal de 1992–93, derrotado pelo Benfica por 5-2 na decisão, assim lamentada em 2016 por Artur: "apanhámos o Futre numa fase inspiradíssima nesse jogo… Mas o Boavista foi uma escola fundamental para mim. Uma equipa muito competitiva, com muita qualidade do meio-campo para a frente. Aqueles jogadores podiam jogar em qualquer grande, Ricky, Marlon… E atrás deles, o Erwin Sánchez. No meio-campo, o Bobó marcava e o Tavares já era um médio diferente, chegava com facilidade à área. Depois lá atrás Rui Bento, Nogueira, Garrido, o Alfredo na baliza. Paulo Sousa na direita, Caetano na esquerda… Ali tornei-me um jogador melhor e preparou-me para vingar num desafio maior".

Artur permaneceu por quatro temporadas entre os axadrezados, que seguem sendo o time pelo qual ele mais jogou (137 partidas) e mais marcou gols (56 vezes). Na Primeira Liga, destacou-se sobretudo na época de 1994-95, na qual ficou em terceiro na artilharia (com 18 gols, mesmo precisando ficar dois meses sem jogar após um sério acidente automobilístico que rendeu-lhe três costelas e uma clavícula fraturadas e o baço perfurado); e na de 1995-96, na qual acabou eleito o melhor jogador, recebendo propostas dos Três Grandes. Naquele contexto, sua dupla com Erwin "Platini" Sánchez chegava a deixar na reserva o jovem Nuno Gomes. Na mesma entrevista ao MaisFutebol, o brasileiro recordou que:

Em 1996, embora fosse desejado também por Deportivo La Coruña e Galatasaray, a adaptação da família - que já incluía dois filhos - à vida em Portugal preponderou para que permanecesse no país. Trinta anos depois, em 17 de julho de 2026, Artur expressou publicamente tristeza pela falência do Boavista, anunciada dois dias antes: em sua conta no Instagram, afirmou que "sou muito grato a esse clube que fez ser um jogador melhor na minha carreira de atleta profissional. Um clube que formou muitos grandes jogadores para os grandes clubes e para a Seleção Portuguesa. (...) Nunca morreremos, nossa história é gigante"; e, ao Globo Esporte, reiterou: "É triste, eu tenho acompanhado".

Supercampeão pelo Porto

A rivalidade portuense não inviabilizou uma transferência amigável e direta em 1996 entre o major Valentim Loureiro e Jorge Nuno Pinto da Costa, respectivos mandatários de Boavista e Porto - que buscava o acriano inclusive para impedir que este terminasse contratado pelo Benfica, já tido como o principal rival portista. Com efeito, a brasileiro chegara a concluir acerto verbal com os encarnados, embora pendente de formalização, como detalhou na mesma reportagem do MaisFutebol:

O Porto era então bicampeão nacional seguido e jamais havia conseguido um tricampeonato. O tri veio, repercurtindo de modo extra por dois fatores relacionados ao Sporting: tornou alcançável um recorde de décadas que pertencia a este clube, que até 1997 era o único detentor de um tetracampeonato seguido no torneio.Todos contra os tripeiros (setembro de 1997). Placar n. 1131-A. São Paulo: Editora Abril, pp. 26-27 O tricampeonato portista no certame de 1996–97 também foi histórico por igualar os dois times em número de conquistas na liga. Segundo Artur, a crença no tricampeonato ficou forte após os “Dragões” vencerem, com gol dele em jogada na qual deixou no chão o astro adversário Paolo Maldini, o Milan em pleno San Siro - por 3-2 na Liga dos Campeões da UEFA de 1996–97, em 11 de setembro, um dos momentos pelos quais mais costuma décadas depois ser recordado pelos portistas. Pelo torneio europeu, ele também marcaria os dois gols da vitória por 2-1 sobre o IFK Göteborg e fechou o 3-0 sobre o Rosenborg, ambos em casa, também pela fase de grupos; os portugueses acabariam eliminados nas oitavas-de-final pelo Manchester United. Já o triunfo sobre o Milan seguia especialmente recordado em 2023 por Artur, nessas palavras:

Pouco depois do triunfo continental, o acriano também brilhou em famoso dérbi de 5-0 sobre o Benfica em pleno Estádio da Luz, em desempenho que renderia congratulações até mesmo do ídolo benfiquista Eusébio. Foi em 18 de setembro, pela Supertaça Cândido de Oliveira, duelo no qual Artur fez o primeiro gol, logo aos três minutos, em partida precedida por apedrejamento ao ônibus visitante e que voltou a ser rememorado em 2024 após nova vitória alviazul pelo mesmo placar; no de 1996, em meio ao chamado "Vietname benfiquista", outra estatística histórica do evento foi ter marcado a estreia, como jogador portista, de Sérgio Conceição, futuro treinador mais vezes campeão no clube. Artur, que já havia fornecido assistência a Domingos Paciência para o gol alviazul na partida de ida da Supertaça (1-1, ), comentou o seguinte a respeito em 2018, ao MaisFutebol:

Aqueles do 5-0 na Luz foram descritos em 2014 por Artur como "o jogo mais perfeito que fiz diante de um grande clube". Assim, para o segundo semestre de 1997 o Porto chegou a convidar para testes outro egresso do Acre: Da Silva, meia-esquerda de 19 anos trazido diretamente do Rio Branco, equipe acriana que havia se classificado à Copa CONMEBOL de 1997 após surpreender justamente o Remo na decisão da Copa Norte. Com Artur e Jardel juntos para a luta do tetracampeonato na temporada 1997–98, o título veio, ultrapassando-se assim o Sporting.