João Carlos Santos do Amaral (Lages, 25 de agosto de 1967), mais conhecido como Cacaio, é um ex-futebolista e atual treinador de futebol brasileiro.
Notabilizou-se em especial por Itaperuna e no antigo Porto Alegre, clube que o originara; pela dupla Paysandu (no qual terminou campeão e artilheiro da série B do Brasileirão de 1991) e Remo (no qual venceu como jogador e como treinador o campeonato paraense); e pelo América de São José do Rio Preto, com o qual foi recorrente goleador do elenco no campeonato paulista.
Nos demais clubes em que jogou, também teve momentos de brilho por Santa Cruz, Guarani, Vila Nova (vencendo a Série C com a equipe goiana em 1996), Nacional (no qual foi campeão da terceira divisão paulista em 2000) e Treze, no qual integrou o início da campanha campeã paraibana de 2001. Como treinador, obteve reconhecimento sobretudo no futebol do Pará.
Como jogador Características
Chamado desde a infância como Cacaio e sem saber explicar como esse apelido surgiu, na década de 1980 ele tinha a autoavaliação de ser um ponta sem tantos gols, preferindo servir um bom passe a um companheiro; também não se julgava um bom cabeceador. Mas era reconhecido pela velocidade mesmo com porte físico robusto, sendo de especial valia para contra-ataques, dado seu rápido arranque - normalmente, pelo flanco direito.
Embora sua técnica geral fosse apontada como mediana, Cacaio também era visto como grande driblador em velocidade. Essas qualidades o faziam sobressair-se e/ou ser publicamente temido por adversários como Jorginho, que em dado duelo em 1988 teria levado "um banho" do ponta; Mazinho, que em 1989 chegara a prometer marcação cuidadosa sobre o atacante; ou Leonardo, a reconhecer em 1990 que "esse Cacaio é brabo". Esses três adversários viriam a compor a seleção brasileira vencedora da Copa do Mundo FIFA de 1994.
Gradualmente, Cacaio tornou-se centroavante, caracterizado por um posicionamento mais fixo na área, para aproveitar rebotes. Começou a ser reconhecido como goleador, detendo inclusive, pelo Paysandu, a artilharia da série B do Brasileirão de 1991. Seus quatorze gols marcados em uma só edição, naquela, começaram a ser superados somente a partir de 1999.
Brilhos por Pinheiros e Porto Alegre
Cacaio foi revelado pelo antigo Pinheiros. Este clube formaria em 1989 o atual Paraná após fundir-se com o Colorado.RODRIGUES, Márcio Leonardo (abril de 2009). De olho no futuro sempre. Trivela n. 38. São Paulo: Trivela Comunicações, pp. 40-43 No Pinheiros, Cacaio disputou a a Copa São Paulo de Futebol Júnior de 1985, na qual a equipe eliminou o Bayern Munique ao derrota-lo por 3-0, além de destacar-se também contra tradicionais adversários paulistas: contra o Santos, treinado por Del Vecchio, Cacaio e os paranaenses perderam por apenas 1-0 na Vila Belmiro, na estreia; nos mata-matas, Cacaio e colegas foram eliminados apenas na prorrogação pelo São Paulo, em jogo na Vila Belmiro no qual o Tricolor foi beneficiado com a não-marcação de um pênalti devido ainda no tempo normal ao Pinheiros.
Uma vez profissionalizado pelo Pinheiros, chegou a ser emprestado ao Londrina. Deixou o futebol do Paraná ao ser negociado no início de 1987 com o Porto Alegre, por sua vez um dos clubes dariam origem ao atual Itaperuna, após fundir-se dali a uns anos com o time do Unidos e o do Comércio e Indústria. O Porto Alegre estreava naquele ano na primeira divisão carioca. Então ponta-de-lança, Cacaio era considerado uma das principais apostas dos novatos, sendo comprado junto ao Pinheiros por 1 milhão e 300 mil cruzados.
Treinado por Lula, Cacaio era um dos destaques de uma equipe que vinha tendo um início surpreendente no qual se posicionava nas primeiras colocações, derrotando Flamengo e America, clube que havia sido recentemente semifinalista do campeonato brasileiro do ano anterior. Em 2021, Cacaio seguia recordando os desdobramentos do triunfo contra os flamenguistas: "em dia de jogo contra os grandes, o comércio fechava ao meio dia. Era uma festa para a cidade. Vinha gente de toda a região para assistir os jogos". Ao fim, aquele triunfo terminou como ponto alto de uma campanha encerrada sob discreto nono lugar.
Naquele estadual, Cacaio sobressaiu-se mesmo quando perdia, como em duelos contra o Botafogo - autor de gol em derrota de de 3-1, chegou a deixar Mauro Galvão "envolvido em todas as jogadas" em derrota de 1-0; em visita a São Januário para enfrentar o Vasco da Gama, foi a grande figura do Porto Alegre em revés de 3-0. Na vitória sobre o America, foi avaliado como o principal responsável, ao fornecer os cruzamentos para os dois gols de sua equipe. O clube rubro pensava em adquiri-lo para a disputa do Brasileirão de 1987. Contudo, em protesto por ter a campanha semifinalista de 1986 ignorada pelo Clube dos 13, que o deixara de fora da Copa União, o America abdicou de disputar o certame nacional de 1987, considerando humilhante sua alocação no Módulo Amarelo, visto como uma virtual "segunda divisão". Cacaio seguiu no Porto Alegre, inclusive para excursão por África e Oriente Médio.
Para a disputa do campeonato carioca de 1988, a aspiração do Porto Alegre era um sexto lugar. Contra o America, que naquele ano disputaria pela última vez a primeira divisão do Brasileirão, Cacaio tornou o ataque mais ágil ao substituir Luisinho das Arábias e forneceu a assistência para o único gol, no primeiro turno. na sequência dos principais jogos, foi o principal elemento do Porto Alegre em derrota para o Flamengo (3-0); marcou um dos gols em 2-2 com o Bangu, então recentemente vencedor da Taça Rio de 1987; com "dribles que agigantaram a torcida" e apontado como melhor em campo, teve desempenho de "quebrar a estrutura e o acerto" da defesa do Fluminense, a ponto de fazer o Tricolor sair "satisfeito" com empate em 1-1 em Itaperuna; levou "pânico" à defesa do Vasco da Gama em derrota de 1-0, sem que Mazinho conseguisse marca-lo; contra o Flamengo, protagonizou a jogada do primeiro gol, de Alcer. Nas palavras da imprensa, Jorginho "levava um banho de Cacaio", que, contudo, lesionou-se e viu o adversário vencer de forma custosa por 3-1, resultado creditado à sorte maior da equipe da capital. por fim, novamente destacou-se em outra vitória sobre o America, por 4-2: efetuou o cruzamento para o primeiro gol e sofreu o pênalti que Alcer converteu para assinalar o quarto.
Flamengo, Santa Cruz e Itaperuna
Em agosto de 1988, Cacaio foi emprestado pelo Porto Alegre ao Flamengo, em negócio de 5 milhões de cruzados válido até julho do ano seguinte, em negociação solicitada diretamente pelo dirigente George Helal. Após boas atuações contra os grandes no certame estadual, esperava-se que Cacaio rendesse frutos, ainda que precisasse concorrer com Zinho, Bebeto e Alcindo no ataque flamenguista. Acabou por disputar somente duas partidas, ambas pelo Brasileirão daquele ano – vitória de 2-1 sobre o America no Maracanã e derrota de 1-0 para o Bahia na Fonte Nova, sem chegar a marcar gols. Foram válidas ainda pela 2ª e pela 4ª rodadas, respectivamente.
Contra o America, Cacaio foi utilizado pelo treinador Candinho para substituir Paulo Martins no decorrer da partida, mas sem haver tempo para que tocasse na bola, sequer recebendo nota da imprensa. Foi precismanente o primeiro jogo competitivo no qual o clube atuou sem qualquer remanescente do Mundial Interclubes de 1981. Contra o Bahia, futuro vencedor daquele Brasileirão, Cacaio também começou na reserva, vindo a substituir Luís Carlos. Foi reconhecido apenas por mostrar-se com esforço e disposição.
Embora ainda integrasse o elenco rubro-negro em janeiro de 1989, com o Brasileirão de 1988 ainda não finalizado, não se esperava que Cacaio permanecesse na Gávea, acertando-se a rescisão na primeira quinzena de fevereiro. Regressado ao Porto Alegre, reencontraria o Flamengo, novamente como adversário, ainda naquele mês, já pelo campeonato carioca de 1989. Com Cacaio de volta, o Porto Alegre chegou a ser vice-líder da Taça Guanabara naquela edição.
Temido publicamente por Mazinho antes de duelo ainda em fevereiro contra o Vasco da Gama, naquele mesmo mês Cacaio forneceu assistência para empate em 1-0 com o Botafogo. Demandando marcação simultânea de dois zagueiros em boa forma para poder ser anulado, foi, já em março, a figura do Porto Alegre que mais deu trabalho em derrota de 1-0 para o Fluminense. O pequeno clube viria a obter um histórico quinto lugar, a incluir vitória sobre o Flamengo; logo após o fim dessa campanha, o Porto Alegre originou o atual Itaperuna. Cacaio, considerando um dos principais pontas do futebol carioca, terminou na segunda quinzena de março negociado com o Santa Cruz, em empréstimo pactuado para até o final do ano.
O ponta chegou ao Recife a tempo de vencer o primeiro turno do campeonato pernambucano de 1989. Inclusive, integrou a seleção ideal do primeiro turno, junto ao colega Waldir Peres e o treinador Givanildo Oliveira, ambos também tricolores. Naquela fase do estadual, Cacaio destacou-se sobretudo em um primeiro clássico com o Náutico: em jogo já decisivo, além de provocar um pênalti, foi avaliado como de atuação que "contagiava", responsável por desmontar o esquema defensivo adversário.
Em um duelo seguinte contra o rival, acabaria lesionado em partida violenta, tendo a própria camisa rasgada. Já no segundo turno, Cacaio chegou a marcar um gol de bicicleta na vitória sobre o Sete de Setembro, além de empatar (em 1-1) aos 46 minutos do segundo tempo um clássico com o Sport.
Contra o Náutico, contudo, Cacaio viveu sequência de clássicos polêmicos: em um, no qual foi o mais perigoso jogador coral, o rival venceu na prorrogação em noite de arbitragem questionada pela expulsão de Waldir Peres. a imprensa também questionou a arbitragem em triunfo alvirrubro por 3-0, apontando-se a não-marcação de um pênalti devido aos tricolores com a partida ainda em 1-0 e a concessão de uma penalidade máxima ao "Timbu" exatamente no lance que renderia o segundo gol do lado vencedor; o rival venceria o segundo turno e acabaria campeão nas finalíssimas, nos primeiros dias de agosto. Àquela altura, por outro lado, a avaliação era de que o Santa havia chegado "longe demais" e que Cacaio foi ausência sentida, pois contundira o joelho direito ainda aos 15 minutos do jogo de ida (empatado) e terminou barrado pelos médicos de atuar no outro.
Embora a lesão fizesse Cacaio só conseguir voltar a jogar em setembro, já pela Série B de 1989, o Santa Cruz dispunha-se em arcar com os 150 mil cruzados novos para compra-lo em definitivo do Itaperuna. Apesar da eliminação no primeiro mata-mata, para o Treze, em noite na qual Cacaio foi bem anulado, o ponta era visto como a principal figura do elenco coral, a ponto de ser visto como o melhor em campo até mesmo em goleadas nas quais não fazia gols - como no 4-0 sobre o CSA, livrando-se de dois adversários antes de fornecer a assistência para o segundo gol e efetuando também o cruzamento que originou o quarto; ou ser quem jogava bem em alguma atuação coletivamente ruim dos pernambucanos. Contudo, ao fim da temporada, em dezembro, o Itaperuna viria a reavaliar o passe em 500 mil, inviabilizando a negociação.