miniaturadaimagem|A Ordem do Tribunal Internacional de Justiça na “Aplicação da Convenção sobre a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio na Faixa de Gaza (África do Sul v. Israel)”, datada de 26 de janeiro de 2024, com declarações e opiniões divergentes. Crimes de guerra israelenses são as violações do Direito Penal Internacional, incluindo crimes de guerra e crimes contra a humanidade, que o Forças de Defesa de Israel, o ramo militar do estado de Israel, foi acusado de cometer desde a fundação de Israel em 1948. Entre eles estão assassinato, ataques intencionais contra civis, execução de prisioneiros de guerra e combatentes que se renderam, ataques indiscriminados, punição coletiva, privação de alimentos, perseguição, uso de escudos humanos, violência sexual e estupro, tortura, pilhagem, transferência forçada, violação da neutralidade médica, desaparecimento forçado, ataques contra jornalistas, ataques a alvos civis e objetos protegidos, destruição gratuita, incitação ao genocídio e genocídio.

Israel ratificou as Convenções de Genebra em 6 de julho de 1951, e, em 2 de janeiro de 2015, o Estado da Palestina aderiu ao Estatuto de Roma, conferindo ao Tribunal Penal Internacional (TPI) jurisdição sobre crimes de guerra cometidos nos territórios palestinos ocupados. Especialistas em direitos humanos argumentam que as ações realizadas pelas Forças de Defesa de Israel (FDI) durante conflitos armados nos territórios palestinos ocupados se enquadram na categoria de crimes de guerra. Relatores especiais das Nações Unidas, organizações como a Human Rights Watch, Médicos Sem Fronteiras, Anistia Internacional e especialistas em direitos humanos acusou Israel de crimes de guerra. miniaturadaimagem|Munições israelenses, chamas brancas e fumaça que grupos de direitos humanos dizem indicar o uso de fósforo branco na Faixa de Gaza em janeiro de 2009. As violações demonstradas e citadas em acusações ao longo da história militar do país incluem: assassínio em massa, estupros, usos de escudo humano, bombardeio indiscriminado, alvejamento de instituições agentes na área de saúde, perseguição à jornalistas, limitação de instituições humanitárias independentes (considere como ataque proposital à civis), uso de armas químicas (do fósforo branco, em especial), punição coletiva, desaparecimento forçado, demolição indiscriminada, ataques à propriedades civis, saque e pilhagem, perseguição étnica, realocação forçada e fortes sinais de busca de um genocídio.https://www.google.com/url?sa=i&source=web&rct=j&url=https://www.hrw.org/news/2024/06/05/lebanon-israels-white-phosphorous-use-risks-civilian-harm&ved=2ahUKEwj4o9qN5PWQAxXiIbkGHcpQA6IQqYcPegQIAxAG&opi=89978449&cd&psig=AOvVaw0aXOiimQYAWE7rZYJbkrsf&ust=1763351966118000 Em particular, encontram-se o Massacre de Deir Yassin, ainda negado por diversos movimentos sionistas, em especial a Liga Sionista da América, e a Guerra Israel-Hamas de 2023.

Desde 2006, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas encarregou várias missões de apuração de fatos sobre violações do direito internacional, incluindo crimes de guerra, nos territórios palestinos ocupados, e, em maio de 2021, instituiu uma investigação permanente e contínua. Desde 2021, o TPI mantém uma investigação em andamento sobre os crimes de guerra israelenses cometidos nos territórios palestinos ocupados. Israel se recusou a cooperar com as investigações. miniaturadaimagem|Tribunal Penal Internacional em Haia, 2024. Em dezembro de 2023, a África do Sul invocou a Convenção sobre Genocídio de 1948 e acusou Israel de crimes de guerra e atos de genocídio cometidos nos territórios palestinos ocupados e na Faixa de Gaza. O caso, África do Sul contra Israel, foi marcado para ser julgado no Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), e a África do Sul apresentou suas alegações ao tribunal em 10 de janeiro. Em março de 2024, o relator especial da ONU sobre a situação dos direitos humanos nos territórios palestinos ocupados concluiu que havia “motivos razoáveis para acreditar que o limiar indicando a prática” de atos de genocídio havia sido atingido. Em novembro de 2024, o TPI emitiu mandados de prisão contra Benjamin Netanyahu e o ex-ministro da Defesa de Israel Yoav Gallant por crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Em dezembro de 2024, a Anistia Internacional e a Human Rights Watch acusaram Israel de genocídio.

1948 – 1966

Colonização, massacres e discriminação de civis Um dos primeiros massacres envolvendo forças judaicas durante a Guerra Civil no Mandato da Palestina ocorreu na vila de Balad al-Shaykh, na noite de 31 de dezembro de 1947 para 1.º de janeiro de 1948. A operação foi conduzida por integrantes da Palmach, força de elite da Haganah, em represália ao ataque contra trabalhadores da refinaria de Haifa ocorrido no dia anterior, que resultou na morte de dezenas de judeus.Morris, pp. 103 O ataque deixou entre dezenas e cerca de 70 mortos, segundo diferentes estimativas historiográficas, a maioria deles habitantes da vila, embora o número exato permaneça objeto de debate.

Naquele período, a Haganah mantinha oficialmente uma política predominantemente defensiva (havlagah), embora essa postura tenha sido gradualmente substituída por operações ofensivas após a escalada da violência entre as comunidades judaica e árabe no final de 1947. Historiadores divergem quanto aos objetivos da operação em Balad al-Shaykh: alguns a interpretam como uma ação de represália destinada a atingir combatentes árabes, enquanto outros argumentam que o ataque resultou na morte deliberada de civis e constitui um dos primeiros episódios de violência em massa perpetrados por forças judaicas durante o conflito.

Outro episódio amplamente documentado foi o massacre de Deir Yassin, ocorrido em 9 de abril de 1948. Antes do ataque, a vila havia firmado um acordo de não agressão com comunidades judaicas vizinhas e, segundo diversas fontes, procurava manter-se neutra durante o conflito. Contudo, combatentes árabes utilizaram ocasionalmente a região, tornando a vila um objetivo militar para organizações paramilitares judaicas.

A operação foi conduzida principalmente pelos grupos Irgun e Lehi, com apoio logístico e posterior cobertura da Haganah e da Palmach. Após intensos combates, entre 100 e 120 habitantes da vila foram mortos, incluindo mulheres e crianças, embora as estimativas variem entre os historiadores. O episódio provocou forte repercussão internacional e foi condenado por diversas lideranças judaicas da época.

Entre os críticos do massacre estava Albert Einstein, que, juntamente com outras personalidades judaicas, assinou uma carta publicada no The New York Times em dezembro de 1948 condenando o partido Herut, liderado por Menachem Begin, e associando o massacre de Deir Yassin às ações do Irgun. O episódio tornou-se um dos acontecimentos mais emblemáticos da guerra de 1947–1948 e permanece objeto de intenso debate historiográfico quanto às suas circunstâncias, responsabilidades e impacto no êxodo da população palestina.

Guerra da Palestina de 1948

miniaturadaimagem|Refugiados palestinos sentam-se dentro de sua tenda no recém-formado campo de refugiados de Ein El Hilweh, em Beirute, no Líbano, nesta foto que se acredita ter sido tirada em 1948. UNRWA/Myrtle Winter Chaumeny/Folheto via REUTERS Durante a guerra da Palestina de 1948 , na qual o Estado de Israel foi estabelecido, cerca de 700.000 árabes palestinos, ou 85% da população total do território capturado por Israel, foram expulsos ou fugiram de suas casas. As causas do êxodo incluem expulsões diretas pelas forças israelenses, destruição de aldeias árabes, guerra psicológica, incluindo terrorismo, dezenas de massacres, queima de plantações, privação de água, e epidemias de tifo em algumas áreas causadas pelo envenenamento de poços israelenses.

Esse evento se tornou conhecido como Nakba, ou "Grande Desastre". O evento é reconhecido pela maioria dos historiadores como uma limpeza étnica promovida por Israel ao longo de décadas, gerando a mais "perdurante" crise humanitária, cultural e social dos tempos modernos. A Nakba seria a culminação dos anos de tensão e o ponto que realmente voltou os olhos do mundo para a real proporção do conflito étnico. Apesar da crença de muitos, existem argumentos que defendem a teoria de que o evento histórico e a perseguição massiva ainda não se encerraram.

Entre 10 e 70 massacres ocorreram durante a guerra de 1948. De acordo com o historiador Benny Morris, os soldados do Yishuv (ou posteriormente israelenses) mataram aproximadamente 800 civis árabes e prisioneiros de guerra em 24 massacres. Aryeh Yizthaki lista 10 grandes massacres com mais de 50 vítimas cada.Esber, Rosemarie (2009). Under the Cover of War: The Zionist Expulsion of the Palestinians. Arabicus Books and Media. O pesquisador palestino Salman Abu-Sitta lista 33 massacres, metade deles ocorrendo durante o período da guerra civil. Saleh Abdel Jawad lista 68 aldeias nas quais ocorreu o assassinato indiscriminado de prisioneiros e civis, sem que houvesse qualquer ameaça aos soldados do Yishuv ou israelenses.

Segundo Rosemarie Esber, tanto os arquivos israelenses quanto os depoimentos palestinos confirmam que ocorreram massacres em inúmeras aldeias árabes. Soldados israelenses estupraram mulheres palestinas em pelo menos uma dúzia de incidentes, muitas vezes assassinando suas vítimas em seguida.

Período entre guerras (1949–1955) Após o fim da Guerra Árabe-Israelense de 1948, Israel e seus vizinhos permaneceram em um estado de tensão permanente, marcado por infiltrações fronteiriças, ataques de fedayeen palestinos e operações de represália conduzidas pelas FDI, muitas delas realizadas contra localidades sob administração jordaniana e egípcia. Diversas dessas operações resultaram em elevado número de vítimas civis e foram condenadas pela Comissão Mista de Armistício das Nações Unidas (Mixed Armistice Commission) e por outros organismos internacionais. miniaturadaimagem|Beit Jalla, visto da rua Haanafa, Gilo.

Massacre de Beit Jala Em 6 de janeiro de 1952, forças israelenses realizaram uma incursão contra a cidade de Beit Jala, na Cisjordânia, então administrada pela Jordânia. Durante a operação, três residências foram demolidas com explosivos, causando a morte de sete civis palestinos, entre eles uma mulher e seus quatro filhos.

Panfletos deixados pelos militares afirmavam que a ação constituía uma represália ao assassinato da jovem israelense Leah Feistinger, ocorrido em Jerusalém semanas antes. A Organização das Nações Unidas para a Supervisão da Trégua (UNTSO) classificou a operação como uma grave violação dos Acordos de Armistício de 1949 e criticou o ataque indiscriminado contra civis.

Massacre do campo de refugiados de Bureij Na noite de 28 de agosto de 1953, a Unidade 101 das Forças de Defesa de Israel, comandada por Ariel Sharon, atacou o campo de refugiados palestinos de Bureij, na Faixa de Gaza, então administrada pelo Egito.

Segundo observadores da ONU, soldados israelenses lançaram explosivos contra abrigos onde refugiados dormiam e dispararam contra pessoas que tentavam fugir. Pelo menos 20 civis palestinos foram mortos. A Comissão Mista de Armistício descreveu o episódio como um "caso estarrecedor de assassinato deliberado em massa".

Massacre de Qibya miniaturadaimagem|Um residente de Qibya nas ruínas de sua casa. Em 14 de outubro de 1953, a Unidade 101 e tropas paraquedistas israelenses atacaram a vila de Qibya, na Cisjordânia, então sob controle jordaniano.Morris, Benny (1994). Israel's Border Wars, 1949–1956: Arab Infiltration, Israeli Retaliation, and the Countdown to the Suez War. Oxford University Press. ISBN 978-0198278504.