Gilberto Mendonça Teles (Bela Vista de Goiás, 30 de junho de 1931 – Rio de Janeiro, 4 de dezembro de 2024) foi um poeta, crítico literário e professor universitário brasileiro, tendo ensinado e orientado e feito conferência na pós-graduação das PUCS-Goiás, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e em 90% das Universidades Federais do Brasil É professor aposentado pela UFF e UFRJ. E conhecido, tanto pela sua produção poética como pelo seus importantes estudos sobre a poesia (obra de Carlos Drummond de Andrade), o modernismo e a vanguarda na literatura, produzindo trabalhos de pesquisa que apresentaram em ordem cronológica, inclusive, absolutamente todos os chamados "ismos" europeus e latino-americanos e seus respectivos manifestos, desde o final do século XIX aos estudiosos e escritores brasileiros do século XX. Por trabalhos como este e pela sua atividade universitária assumiu importante função na difusão das ideias de vanguarda nas letras brasileiras. Não possui, no entanto, na sua poesia uma obra que possa caracterizá-lo como vanguardista, no sentido da vanguarda europeia do início do século XX. Embora em livro como Improvisuais (2012) exprime-se com poemas visuais e espaciais, nos moldes da poesia do helenista Teócrito (III séc. a.C.). Na sua Retórica do silêncio (1986),vê-se que, para ele, existem dois tipos de vanguarda: uma natural, que provém do experimentalismo tradicional de cada geração; outra provocada, que, com os seus manifestos, procura destruir a tradição, à qual acaba acrescentando alguma novidade de forma, técnica, tema e linguagem. No poema "Prece", de Arte de armar (1977) Gilberto brinca com essa diferença entre a teoria e a prática: "Ah! Meu anjo bom,/ meu anjo da guarda,/ livrai-me do mal.../ dos maus da vanguarda."
.Ele costuma dizer nas suas entrevistas (Cf. Memórias Entrevistas: O Livro das 111 Entrevistas. Goiânia / Rio de Janeiro. Elysium / Batel, 2017, 612 p), que o seu trabalho intelectual se dá em três situações que se tocam, mas se mantêm individualizadas -- a da Poesia; a do Magistério (Universitário); e a da Crítica. Um triângulo isósTeles (sic), cujo ângulo superior (alpha) é o da Poesia; o do lado esquerdo da base (beta) é o do Magistério (Ensino Superior): e o da Crítica, o lado direito (gamma). Embora iniciado nas universidades de Goiânia (hoje PUC-Goiás e UFG e com a experiência frustrada por ele mesmo na Universidade de Brasília (desistiu em 1961 do cargo de professor que conquistou com seu currículo), Gilberto adquiriu notável aproveitamento no seu trabalho de professor com uma bolsa de estudo em Portugal, em 1965, quando obteve na Universidade de Coimbra o diploma de Curso Superior de Língua Portuguesa. Somam-se a esse crescimento os quatro anos de professor de Literatura Brasileira no Instituto de Cultura Uruguaio-Brasileiro, em Montevidéu. Mas o alto do progresso na sua atividade de Magistério verificou-se quando se mudou para o Rio de Janeiro, em 1970, vindo do Uruguay. (Em 1965, quando deixou Goiânia e foi para Portugal, deu uma conferência na Universidade de Lisboa e o Embaixador do Brasil em Portugal lhe perguntou na ocasião se não gostaria de trabalhar no Itamaraty divulgando a cultura brasileira na América do Sul. Aceitou e foi ser professor por quatro anos em Montevideu.
Chegando ao Rio de Janeiro em 1970 foi contratado como professor titular de Literatura Brasileira e de Teoria da Literatura pela PUC-Rio, onde trabalhou /trabalha por mais de 50 anos e continua como Professor Emérito. Foi professor catedrático visitante de literatura brasileira nas universidades de Lisboa, de Haute Bretagne (Rennes) e de Nantes, na França; de Chicago, nos EEUU; de Salamanca, na Espanha; e em Rosário, na Argentina; Como poeta e crítico literário pertence a várias instituições especializadas, dentre elas, Société de Linguistique Romane, em Paris; Sociedade de Língua Portuguesa, em Lisboa; Asociación de Estudios Lingüísticos, em Montevidéu; Academia Goiana de Letras (em Goiânia), Academia Brasileira de Filologia (no Rio de Janeiro) Academia Carioca de Letras e PEN Clube do Brasil (no Rio de Janeiro) É também membro da Academia Brasileira de Filosofia, cujo patrono da cadeira é Gustavo Corção. É também sócio da Academia Luso-Brasileira de Letras e da Academia Brasileira de Artes, no Rio de Janeiro.
Com a sua atividade na PUC-Rio, na Universidade Federal Fluminense e em seguida na Universidade Federal do Rio de Janeiro, o seu desenvolvimento está associado à sua vida literária que adquire grande repercussão com artigos sobre sua obra em O Globo, Jornal do Brasil, O Estado de São Paulo e Suplemento Literário de Minas Gerais, além de prêmios, entrevistas e conferências e das inúmeras dissertações e teses universitárias sobre o seu trabalho literário. Associada também ás edições de suas obras (de Poesia e Crítica) pelas grandes editores do país e no exterior, Gilberto passa a ser convidado pela maioria das universidades brasileiras e por universidades no exterior.
Deu curso, fez conferência ou deu aula na maioria das universidades federais e particulares do Brasil, O mais importante de seu trabalho como professor foi o de 50 anos na PUC-RJ, onde ajudou a formar a Pós-Graduação, deu cursos e orientou 50 mestrandos, 28 doutorandos e 10 pós-doc. Na PUC de Goiás, além de fundador (Cf. título de Doutor Honoris Causa), deu cursos e orientou Mestrado. Na PUC-RS participou da confirmação do Mestrado, examinou e orientou, além dos vários cursos e conferências ministrados. Na de Belo Horizonte e do Recife, fez conferência. Na Universidade Federal do Rio de Janeiro deu curso, orientou 10 dissertações e 10 doutoramentos. Assim,Gilberto ajudou a formar professores pós-graduados do Amazonas ao Rio Grande do Sul.. O quadro de seus cursos e orientações e exames em universidades brasileiras, portuguesas, francesas e norte-americana reflete o sentido espacial de seu trabalho no magistério superior do Brasil e no exterior:
1. PUC Rio -- Deu curso e orientou 50 Mestrados, 28 Doutorados e 10 Pós-Doc;
2. PUC-RS -- Deu curso e orientou 03 Mestrados.
3. PUC Goiás -- Deu curso e orientou 04 Mestrados
4. UFSC -- Deu curso e orientou 01 Mestrado.
5. UFRJ --Deu curso e orientou 10 Mestrados e 10 Doutorados
6. UFF -- Deu curso e orientou 01 Mestrado
7. UFPB -- Deu curso e orientou 01 Mestrado
8. CSJF -- Centro Superior de Juiz de Fora Deu curso e orientou -- 03 Mestrados.
9. Universidade Clássica de Lisboa deu curso e orientou -- 01 Mestrado
10. Examinou Mestrado, Doutorado e Concurso em 25 universidades brasileiras entre as
quais Universidade Federal do Pará, da Bahia de Minas Gerais, Ceará, Paraná, PUC de São Paulo,, USP e UNESP. No exterior: em Portugal (2), na França (3) e uma nos Estados Unidos.
Uma pesquisa vertical e uma leitura crítica a partir do lugar de cada aluno (mestre ou doutor) revelam a extensão do sentido espacial que Gilberto Mendonça Teles, nos seus sessentas anos de magistério superior, soube espalhar, ajudando a formar professores de professores em vários cantos do País. A expansão do seu trabalho acadêmico de cursos e conferências pela maioria dos estados do Brasil motivou o seu convite para cursos e conferências em universidades dos seguintes países: Portugal, Espanha, França (2 universidades), Dinamarca, (Alemanha), Espanha, Itália, Estados Unidos, México, Uruguay e Argentina.
BIOGRAFIA
Gilberto Mendonça Teles nasceu em 30 de junho de 1931 na cidade de Bela Vista de Goiás, na época uma cidade de pouco mais de 60 mil habitantes localizada a 45 km de onde seria construída Goiânia em 1942. No passado, seus habitantes costumavam denominá-la poeticamente por um verso de Leo Lynce: 'terra dos buritizais sussurrantes'. Porque as folhagens dos buritizais de lá pareciam sussurrar entre si, uma vez tocadas pelo vento, quando então emitiam aquele cicio tão característico. Ora, designação verdadeiramente bela e lírica para o berço natal de um poeta e ensaísta como Gilberto Mendonça Teles. Gilberto formou-se em Direito e Letras Neolatinas pela Faculdade de Filosofia da Universidade Católica de Goiás e pela de Direito (UFG), sendo professor-fundador destas duas universidades. Em 1965, obtém o título de Especialização em Língua Portuguesa pela Universidade de Coimbra, em Portugal. Após isso, concluiu o seu doutorado em letras e livre-docente em literatura brasileira na PUC-RS. Gilberto é o ocupante, desde 11 de março de 1962, da cadeira de número 11 da Academia Goiana de Letras, que fora originalmente destinada ao Príncipe da Poesia Goiana, Leo Lynce. Por grata coincidência, o próprio Gilberto Mendonça Teles foi eleito como atual Príncipe dos Poetas Goianos. Em Goiás, foi, durante 14 anos, funcionário do IBGE e, ao mesmo tempo, professor do Colégio Estadual de Goiânia antes de iniciar sua carreira de professor-universitário. Foi professor-fundador da Universidade Católica e da Universidade Federal de Goiás, onde estruturou e dirigiu o Centro de Estudos Brasileiros, fechado pelos militares em 1964. Por duas vezes presidiu a União Brasileira de Escritores, secção de Goiás, e o Instituto Histórico e Geográfico de Goiás. Atingido pelo AI-5, quando professor de literatura brasileira no Instituto de Cultura Uruguaio-Brasileiro, de Montevidéu (onde esteve a convite da Divisao de Cooperação Intelectual do Itamaraty), veio para o Rio de Janeiro em janeiro de 1970, sendo saudado por Carlos Drummond de Andrade, que lhe dedicou na primeira edição de Boitempo, os versos
“Repito aqui — repetição / é meu forte ou meu fraco? -- tudo / que floresce em admiração / no itabirano peito rudo / (e em grata amizade também) / ao professor, melhor, ao poeta / que de Goiás ao Rio vem, / palmilhando rota indireta, / mostrar -- com um ou com dois eles / no nome -- que ciência e poesia / em Gilberto Mendonça Teles / são acordes de uma harmonia.”
Com a anistia, transferiu de Goiás seus cargos públicos para as Universidade Federal Fluminense e Federal do Rio de Janeiro, aposentando-se em 1988 e 1990, respectivamente.
Entre os seus prêmios literários contam-se: o “Álvares de Azevedo” [Poesia], da Academia Paulista de Letras, 1971; o “Olavo Bilac” [Poesia], da Academia Brasileira de Letras, 1971; “Sílvio Romero” [Ensaio], da A. B. L., 1971; “IV Centenário de Os Lusíadas” [Literatura Comparada], da Comissão do IV Centenário de Camões, 1972; “Prêmio de Ensaio”, da Fundação Cultural do Distrito Federal, 1973; “Prêmio Banco Bandeirantes, de Minas Gerais, 1976; “Brasília de Poesia”, do XII Encontro Nacional de Escritores, 1978; “Cassiano Ricardo” [Poesia], do Clube de Poesia de São Paulo, 1987; “Machado de Assis” [Conjunto de Obras], da Academia Brasileira de Letras, 1989; “Juca Pato”, da UBE de São Paulo, 2003; “Jabuti”, 2011; e “Fundo de Cultura de Goiás”, 2015. Gilberto é, também, Académico Correspondente da Academia das Ciências de Lisboa. Além disso, foi eleito, em 1979, pela Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás, o Príncipe dos Poetas de Goiás. A 26 de Novembro de 1987 foi feito Comendador da Ordem do Infante D. Henrique de Portugal.
É considerado o escritor goiano mais famoso na Europa, tendo os seus livros escrito em 12 línguas. Recebeu pelo conjunto de sua obra, o prêmio Machado de Assis, considerado o maior prêmio literário do Brasil, pela Academia Brasileira de Letras. Em 31 de janeiro de 1999, teve duas obras suas, A Raiz da Fala (1972) e Hora Aberta (1986), incluídas, por um seleto júri escolhido pelo jornal O Popular de Goiânia, dentre as 20 obras obras literárias mais importantes do século XX em Goiás, sua terra.