thumb|300px|Balneário de Santa Maria de Galegos, Barcelos
O balneário da Cultura castreja é uma construção megalítica que consistia num sauna de uso ritual, de banhos de vapor e água fria localizados na antiga Galécia ou seja na Galiza, Astúrias e Norte de Portugal.
Descoberta Dentro das construções simples dos castros, os balneário são construções com relativa monumentalidade e complexidade. O primeiro elemento conhecido foi uma pedra formosa, grande pedra decorada, que estava no adro da Igreja de Santo Estêvão de Briteiros em Guimarães; em 1876 mandada reconduzir por Francisco Martins Sarmento para a Citânia da freguesia, e em 1897 deu entrada no Museu de Guimarães. Martins Sarmento pensou inicialmente que se tratava de uma ara de sacrifícios. Mas em 1930, ele encontrou nessa mesma citânia de Briteiros outra grande pedra decorada, que manteve a sua posição original, estava no meio dum edifício retangular, diferente das demais construções dos castros, e funcionava como divisória. Pelo que o mistério ainda não estava resolvido, conhecia-se a função da pedra mas não do monumento. Desde então houve várias hipóteses: Um mausoléu: Martins Sarmento pensou que era um sepulcro e a Pedra Formoso o seu frontispício. Santuário ou santuário de culto das águas, dedicado a Nabia, divindade feminina da guerra.Lorenzo Fernández, J. (1948), “El monumento proto-histórico de Águas Santas y los ritos funerarios de los castros”, Cuadernos de Estudios Gallegos, 2 (10), pp. 157-211. Forno crematório: A monumentalidade e as decorações da pedra formosa, o facto do edifício estar um pouco afastado do povoado, os tanque ou pias desgastados na parte superior supostamente ao afiar instrumentos metálicos, foram interpretados por alguns como local de sacrifícios e o forno no fundo do edifício como um forno de cremação dos cadáveres.Alain Tranoy, La Galice Romaine, Paris 1981; Romero Massiá, El Habitat Castreño, Santiago de Compostela 1976, entre outros Forno de cozer o pão.Gomez-Tabanera, J. Aspectos de la cultura castreña en sus manifestationes en Asturias y de los modos de producción en las sociedades protohistóricas del NW de la Peninsula Ibérica, 1980 Guimarães. Forno de cozer cerâmica.Fernández Fuster, L. Sobre la interpretación de los monumentos con “Pedras Formosas”. Archivo Español de Arqueología, 1953 Forno metalúrgico.Monteagudo, L. Monumentos propriedad de la Sociedad Martins Sarmento. Archivo Español de Arqueología, 1952 Matadouro de animaisAzevedo, A. O “Monumento Funerário” da Citânia (Nova Interpretação). Revista de Guimarães, 1946 Foi o estudo dos balneários de Santa Maria de Galegos, relativamente bem conservado e o de Tongóbriga, junto às antigas termas romanas, que dissipou algumas dúvidas ainda que não seja completamente consensual, mas a grande maioria dos investigadores pensam que se trata bem dum balneário. Num primeiro momento pensou-se que na origem destes balneários houvesse uma influência romana com as termas romanas, mas sabe-se hoje que já existiam nos castros um pouco em antes dos primeiros contactos com o mundo romano. Começaram a ser construídos no final do Século V a.C. ou inícios do Século IV a.C.Informação sobre balneários na web do Colexio Rural Agrupado de Rianxo
Já Estrabão relatou este costume do povo galaico:
Descrição e princípio de funcionamento thumb|450x450px| Vista do Balneário de Santa Maria de Galegos, Barcelos. Todas os balneários da Galiza, Astúrias e Norte de Portugal têm características comuns. As suas dimensões variam de 12,5 m de Briteiros a 9.6 m do Monte da Saia. A maioria deles estão curiosamente fora do castro ou da citânia, um pouco mais abaixo, numa via de acesso e perto de fontes ou pequenas linhas de água. O edifício era semienterrado, em parte por motivos arquitetónicos, para facilitar a construção, usando a terra como contraforte de paredes mais finas. Também reforçava o isolamento do edifício. Mas em contra partida, obrigava a construção a situar-se fora do recinto da povoação, num local mais baixo com um solo mais fundo, que no castro construído sobre pouco solo, no meio de penedos. De planta retangular com cabeceira geralmente em abside, internamente, aparecem diferentes salas sucessivas:
um forno circular com o tecto em falsa cúpula, e cobertura por uma grande pedra furada que serve de chaminé e que talvez podia ser removida para alimentar o forno em lenha, uma larga porta dissipava o calor para a sala seguinte. thumb|100px|Cobertura O Sauna, era uma sala de vapor com um temperatura muito quente, a cobertura é de pedra de dois declives. O chão é particularmente bem aperfeiçoado, feito de pedras grandes lisas e bem encaixadas. É separada da sala intermédia pela Pedra Formosa com uma pequena abertura semicircular, o que faz que a única luz provém da fogueira do forno e da abertura na base da pedra de separação. Embora como a laje destinava-se a reter o calor proveniente da sala de sauna a abertura podia ser tapada por uma portinha de madeira. Na Espanha, a separação entre a sala central e o sauna fazia-se talvez através de painéis de madeira. O vapor era produzido por aspersão de água em cima de pedras muitas quentes aquecidas no forno. thumb|esquerda|100px|Pormenor da Pedra Formosa A sala intermédia, com uma temperatura mais amena, tem em alguns casos bancos de pedra nas laterais (Braga, Galegos...) talvez por ser a sala em que se permanecia mais tempo eventualmente para aclimatar-se ao calor do sauna e em sentido inverso ao frio do átrio. A pedra formosa tem em alguns casos pequenos rasgos para colocar as mãos molhadas e assim agarrar-se firmemente para deslizar o corpo pela pequena abertura. Um pátio ou átrio ao ar livre, com pelo menos um tanque, feito de grandes pedras, para banhos de água fria e um canal com caleiras de pedra.
Pedra formosa miniaturadaimagem|230x230px|Pedra Formosa da Citânia de Briteiros (Guimarães, Portugal).
Uma pedra formosa é um monólito de grandes dimensões localizado no interior dos balneários, e que dividia a sala intermédia e o sauna de vapores quentes no entanto permitia a passagem por uma pequena abertura. São conhecidas onze Pedras Formosa em Portugal e só uma na Galiza, dessas todas, nove são decoradas. As pedras formosas mais decoradas com motivos geométricos são as Bracarenses: como Briteiros, Alto das Eiras ou Alto das Quintas. As gravuras além da sua função decorativa tem mais interpretações porque os motivos geométricos represente certamente forças da natureza e outra simbologia religiosa que não entendemos. As hipóteses para esse duplo discurso são no caso de discos, astros como o sol ( tríscele) e lua, e para os motivos em SSS as ondas da água. A mensagem dessas pedras seria reservada a um numero limitado de iniciados, do qual não fazemos parte.
Função A exata função dos balneários não é conhecida. Obviamente serviam para banhos de vapor não lúdicos, e par tratamento medicinal das vias respiratórias, mas desconhece-se o ritual em si. A presença de gravuras na Pedra Formosa e na entrada do balneário, a presença de monólitos como em Braga, a passagem tão estreita da Pedra Formosa (renascimento), deixa pensar que havia um ritual de purificação associado a religião/magia para aumentar o poder de cura, ou algum rito de iniciação praticado por sociedades guerreiras.Almagro-Gorbea, M. e Moltó, L. (1992), “Saunas en la Hispania prerromana”, Espacio, Tempo y Forma, 3 (5), pp. 67-102. Enquanto outros acreditam que era uma forma de enaltecer divindades indígenas como Nabia e outras divindades de natureza aquática. Información das saunas en Culturagalega.gal Outros especialistas, como Felipe Arias, acreditam que poderia ter um valor iniciático para os jovens, como passagem para a vida adulta. García Quintela interpreta os balneários como uma ferramenta que permitia acumular os quatro poderes da física antiga: fogo, água, terra e ar.
Exemplos Espanha Balneário de Castelón de Castañoso, localizado num outeiro de difícil acesso conhecido como Campo do Castro em Castelón de Castañoso em Maderne, A Fonsagrada (Lugo), sendo um dos poucos exemplos desta construção no atual território galego. A Pedra Formosa está fraturada Balneário de Castro da Atalaia, descoberto em 1974 em Cervo (Lugo).Información das saunas en Culturagalega.gal Balneário do Castro de Borneiro, em Borneiro, Cabana de Bergantiños, na Corunha. Balneário do Castro de Armeá em Águas Santas, Allariz, em Ourense. Em 2017 na península do Sarridal, na zona conhecida como Campo do Castro, na Comarca de Cedeira foi encontrado um monumento com um forno. Aparece unha nova sauna castrexa en Cedeira, ao carón do mar, historiadegalicia.gal
Norte de Portugal Os Balneários portugueses destacam-se pela beleza das suas Pedra Formosa. Alguns exemplos: Citânia de Briteiros, situada na freguesia de Salvador de Briteiros ( Guimarães ), uma pedra formosa está exposta na Sociedade Martins Sarmento. É um monólito granítico, trabalhado há cerca de três mil anos. Tem quase três metros de largura e mais de dois metros de altura, pesando aproximadamente cinco toneladas. Castro das Eiras, na freguesia de Pousada de Saramagos ( Vila Nova de Famalicão ) foi identificado em 1880 por Martins Sarmento. Em 1990, o gabinete de arqueologia do concelho de Vila Nova de Famalicão retomou as escavações. "Um balneário milenar em Lisboa", Diário de Notícias (Portugal), 29 de março de 2007 . Citânia de Sanfins, um dos principais sítios arqueológicos da Península Ibérica, situado na freguesia de Sanfins de Ferreira ( Paços de Ferreira ). Nele, o edifício destinado aos banhos destaca-se pela sua técnica e equipamentos. Os primeiros estudos desta Citânia devem-se a Martins Sarmento e Leite de Vasconcelos . Balneário de Tongóbriga encontrada nos vestígios de uma cidade romana situada na freguesia de Freixo (Marco de Canaveses) ( Marco de Canaveses ), junto às antigas termas romanas Estação Arqueológica do Freixo, ficha en www.tongobriga.net . Balneário de Santa Maria de Galegos, Barcelos. É o balneário mais bem conservado até hoje descoberto.
Localização
1 Sardoura, Castelo de Paiva 2 Tongóbriga Freixo, Marco de Canaveses 3 Ribalonga, Alijó 4 Citânia de Sanfins, Paços de Ferreira 5 Castro do Monte Padrão, Santo Tirso 6 Vermoim, Vila Nova de Famalicão 7 Eiras, Vila Nova de Famalicão 8 Saia, Barcelos 9 Citânia de Sabroso, Guimarães 10 Citânia de Briteiros, Guimarães (2 balneários) 11 Braga 12 Calvos, Póvoa de Lanhoso 13 Galegos, Barcelos 14 Castro de Roques, Viana do Castelo 15 Eiras, Arcos de Valdevez 16 Santa Mariña de Augas Santas, Orense 17 Monte Borneiro, Corunha 18 Punta dos Prados, Espassante 19 Os Castros, Taramundi 20 Castelón de Castañoso, Maderne 21 Cuaña, Villacondide (2 balneários) 22 Pendia, Boal (2 balneários) 23 Chao Samartín 24 Monte Castelo de Pelóu 25 Castro de Cecos? 26 Casteliu de Llagú, Trevias? 27 Castro de Ulaca, Solosancho? 28 Monte Ornedo, Valdeolea 29 Monte Murado, Vila Nova de Gaia
As ruinas de Castro de Cecos (25), Casteliu de Llagú (26), Castro de Ulaca (27) poderão ser eventualmente balneários.
Galeria de imagens
Ver também Balneário de Santa Maria de Galegos Balneário Pré-Romano de Bracara Pedra Formosa sauna Termas romanas
Ligações externas Balneários da periferia de Braga Museu Virtual da Cultura Castreja (em espanhol).
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