Alexander Gottlieb Baumgarten (Berlim, 17 de julho de 1714 – Frankfurt an der Oder, 27 de maioJan Lekschas, The Baumgarten Family de 1762) foi um filósofo alemão. Ele estabeleceu a estética como uma disciplina filosófica. Foi irmão do teólogo Siegmund Jakob Baumgarten (1706–1757).

Biografia Baumgarten nasceu em Berlim como o quinto dos sete filhos do pastor pietista da guarnição, Jacob Baumgarten, e de sua esposa Rosina Elisabeth. Ambos os pais morreram cedo, e ele foi ensinado por Martin Georg Christgau, onde aprendeu hebraico e se interessou pela poesia latina.

Em 1733, durante seus estudos formais na Universidade de Halle, Baumgarten também frequentou palestras sobre a filosofia de Christian Wolff com na Universidade de JenaRobert Theis, Alexander Aichele (eds.), Handbuch Christian Wolff, Springer-Verlag, 2017, p. 442.Alexander Gottlieb Baumgarten (1714-1762) (o próprio Reusch havia estudado com Wolff).

Filosofia miniaturadaimagem|Aesthetica (1750) por Alexander Gottlieb Baumgarten Baumgarten apropriou-se da palavra estética, que sempre significara "sensação", para significar gosto ou "sentido" da beleza. Ao fazê-lo, deu à palavra um significado diferente, inventando assim seu uso filosófico moderno. A palavra havia sido usada de forma diferente desde a época dos antigos gregos para significar a capacidade de receber estímulos de um ou mais dos cinco sentidos corporais. Em sua Metaphysica (1739), § 607, Baumgarten definiu o gosto, em seu sentido mais amplo, como a capacidade de julgar de acordo com os sentidos, em vez de acordo com o intelecto. Ele via esse julgamento de gosto como baseado em sentimentos de prazer ou desprazer. Uma ciência da estética seria, para Baumgarten, uma dedução das regras ou princípios da beleza artística ou natural a partir do "gosto" individual.Alexander Gottlieb Baumgarten, Metaphysics: A Critical Translation with Kant's Elucidations, Bloomsbury, 2013, p. 224.

Anteriormente, a palavra estética significava meramente "sensibilidade" ou "capacidade de resposta à estimulação dos sentidos" no uso de escritores antigos, mas com o desenvolvimento da arte como um empreendimento comercial ligado à ascensão de uma classe nouveau riche em toda a Europa, a compra de arte inevitavelmente levou à pergunta: "o que é boa arte?". Baumgarten desenvolveu a estética para significar o estudo do "gosto" bom e mau, portanto, da arte boa e má, ligando o bom gosto à beleza. Ao tentar desenvolver uma ideia de bom e mau gosto, ele também gerou, por sua vez, um debate filosófico em torno desse novo significado de estética. Sem ele, não haveria base para o debate estético, pois não haveria critério objetivo, base de comparação ou razão a partir da qual se pudesse desenvolver um argumento objetivo.

Recepção miniaturadaimagem|Placa em memória de Baumgarten em Frankfurt an der Oder, seu último local de residência e trabalho Kant

Em 1781, Immanuel Kant declarou que a estética de Baumgarten nunca poderia conter regras, leis ou princípios objetivos de beleza natural ou artística.

Nove anos depois, em sua Crítica da Faculdade do Juízo, Kant se conformou com o novo uso de Baumgarten e empregou a palavra estética para significar o julgamento do gosto ou a apreciação do belo. Para Kant, um julgamento estético é subjetivo, pois se relaciona ao sentimento interno de prazer ou desprazer e não a quaisquer qualidades em um objeto externo.

Por muitos anos, Kant usou a Metaphysica (1739) de Baumgarten como um manual ou guia para suas palestras sobre esse tópico.

Tolstói

Em 1897, Liev Tolstói, em seu O que é arte?, criticou o livro de Baumgarten sobre estética. Tolstói se opôs à "trindade de Baumgarten – Bom, Verdade e Beleza…."Liev Tolstói, O que é arte?, VII Tolstói afirmou que "essas palavras não só não têm um significado definido, mas nos impedem de dar qualquer significado definido à arte existente…." Baumgarten, disse ele, afirmava que há três maneiras de conhecer a perfeição: "A Beleza é o perfeito (o absoluto) percebido pelos sentidos. A Verdade é o perfeito percebido pela razão. O Bom é o perfeito alcançado pela vontade moral."Liev Tolstói, O que é arte?, III Tolstói, no entanto, contradisse a teoria de Baumgarten e afirmou que o bom, o verdadeiro e o belo não têm nada em comum e podem até se opor mutuamente.

Quaisquer que sejam as limitações da teoria estética de Baumgarten, Frederick Copleston o credita por ter desempenhado um papel formativo na estética alemã, estendendo a filosofia de Christian Wolff a tópicos que Wolff não considerou e demonstrando a existência de um tópico legítimo para a análise filosófica que não poderia ser reduzido à análise lógica abstrata.Frederick Copleston, A History of Philosophy, vol. VI.

Heidegger

Baumgarten recebe um tratamento completo e sustentado como um dos pensadores precedentes a Kant no seminário de Martin Heidegger no semestre de verão de 1933 e no semestre de inverno de 1933–34.

Obras

Dissertatio chorographica, Notiones superi et inferi, indeque adscensus et descensus, in chorographiis sacris occurentes, evolvens (1735) Meditationes philosophicae de nonnullis ad poema pertinentibus ("Meditações filosóficas sobre algumas questões relativas à poesia", tese de doutorado, 1735) De ordine in audiendis philosophicis per triennium academicum quaedam praefatus acroases proximae aestati destinatas indicit Alexander Gottlieb Baumgarten (1738) Metaphysica (1739) Ethica philosophica (1740) Alexander Gottlieb Baumgarten eröffnet Einige Gedancken vom vernünfftigen Beyfall auf Academien, und ladet zu seiner Antritts-Rede [...] ein (1740) Serenissimo potentissimo principi Friderico, Regi Borussorum marchioni brandenburgico S. R. J. archicamerario et electori, caetera, clementissimo dominio felicia regni felicis auspicia, a d. III. Non. Quinct. 1740 (1740) Philosophische Briefe von Aletheophilus (1741) Scriptis, quae moderator conflictus academici disputavit, praefatus rationes acroasium suarum Viadrinarum reddit Alexander Gottlieb Baumgarten (1743) Aesthetica (1750) Initia Philosophiae Practicae. Primae Acroamatice (1760) Acroasis logica in Christianum L.B. de Wolff (1761, 2ª ed. 1773) Ius naturae (póstumo 1763) Sciagraphia encyclopaedia philosophicae (ed. Johs. Christian Foerster 1769) Philosophia generalis (ed. Johs. Christian Foerster 1770) Alex. Gottl. Baumgartenii Praelectiones theologiae dogmaticae (ed. Salomon Semmler; 1773) Alexander Gottlieb Baumgartens Metaphysik (traduzido por Georg Friedrich Meier 1766) Gedanken über die Reden Jesu nach dem Inhalt der evangelischen Geschichten (ed. F.G. Scheltz & A.B. Thiele; 1796–1797)

Traduções para o inglês

Alexander Baumgarten, Reflections on Poetry: Alexander Gottlieb Baumgarten's Meditationes philosophicae de nonnullis ad poema pertinentibus traduzido por Karl Aschenbrenner e William B. Holther, Berkeley e Los Angeles: University of California Press, 1954. Alexander Baumgarten, Metaphysics. A Critical Translation with Kant's Elucidations, Selected Notes, and Related Materials traduzido e editado por Courtney D. Fugate e John Hymers, Londres, Nova York: Bloomsbury Publishing, 2013. Alexander Baumgarten, Immanuel Kant, Baumgarten's Elements of First Practical Philosophy: A Critical Translation with Kant's Reflections on Moral Philosophy traduzido e editado por Courtney D. Fugate e John Hymers, Londres, Nova York: Bloomsbury Academic, 2020. Alexander Baumgarten, Baumgarten's Philosophical Ethics: A Critical Translation traduzido, editado e anotado por John Hymers, Londres, Nova York: Bloomsbury Academic, 2024.

Notas

Referências

Leitura adicional

Eric Watkins (ed.), Kant's Critique of Pure Reason: Background Source Materials, Cambridge University Press, 2009 (O Capítulo 3 contém uma tradução parcial da 'Metafísica').

Ligações externas

Baumgarten and Kant on Metaphysics 2018 Courtney D. Fugate (Editor), John Hymers (Editor) Jan Lekschas, The Baumgarten Family (em alemão) Alexander Gottlieb Baumgarten (1714-1762) (em alemão)

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