O HMS Bulwark foi um couraçado pré-dreadnought operado pela Marinha Real Britânica e a segunda embarcação da Classe London, depois do e seguido pelo , e . Sua construção começou em março de 1898 no Estaleiro Real de Devonport e foi lançado ao mar em outubro do mesmo ano, sendo comissionado na frota britânica em março de 1902. Era armado com uma bateria principal composta por quatro canhões de 305 milímetros montados duas torres de artilharia duplas, tinha um deslocamento carregado de dezesseis mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de dezoito nós (33 quilômetros por hora).
O Bulwark teve um início de carreira tranquilo e sem grandes incidentes, com suas principais atividades consistindo em exercícios e manobras de rotina. Passou seus primeiros anos de serviço como a capitânia da Frota do Mediterrâneo, em seguida retornou para casa em 1907 e pelos três anos seguintes atuou na Frota do Canal e Frota Doméstica, em seguida sendo colocado na reserva. A Primeira Guerra Mundial começou em 1914 e o navio foi trazido de volta à ativa, escoltando a Força Expedicionária Britânica até a França. O navio foi destruído em 26 de novembro por uma enorme explosão interna próximo de Sheerness, provavelmente causada pelo aquecimento de cargas de cordite.
Características
thumb|esquerda|250px|Desenho da Classe Formidable; a Classe London era praticamente idêntica Os couraçados da Classe London foram encomendados em 1898 em reposta ao aumento da construção naval da Marinha Imperial Russa. O projeto era praticamente uma repetição da predecessora Classe Formidable, com a maior diferença sendo uma revisão no esquema de blindagem de vante. Em vez de uma antepara transversal tradicional para a extremidade de vante do cinturão principal, o cinturão continuava para a proa com a espessura gradualmente reduzida. A blindagem do convés também foi fortalecida.
O Bulwark tinha 131,6 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 22,9 metros e um calado máximo de 8,59 metros. O deslocamento normal era de toneladas e o deslocamento carregado de toneladas. Seu sistema de propulsão era composto por vinte caldeiras Belleville que alimentavam dois motores verticais invertidos de tripla expansão com três cilindros, cada um girando uma hélice. Este sistema tinha uma potência indicada de quinze mil cavalos-vapor (onze mil quilowatts) para uma velocidade máxima de dezoito nós (33 quilômetros por hora). Carregava carvão suficiente para uma autonomia de milhas náuticas ( quilômetros) a dez nós (dezenove quilômetros por hora). Sua tripulação era formada normalmente por 738 oficiais e marinheiros, mas como capitânia esse número crescia para 789.
A bateria principal consistia em quatro canhões Marco IX de 305 milímetros montados em duas torres de artilharia duplas, uma à vante e outra à ré da superestrutura. O armamento secundário tinha doze canhões Marvo VII de 152 milímetros montados em casamatas nas laterais do casco. A defesa contra barcos torpedeiros consistia em dezesseis canhões de 76 milímetros, oito na superestrutura central e oito no convés principal em embrasuras. Havia seis canhões Hotchkiss de 47 milímetros, três em cada gávea no alto dos mastros. O navio também foi equipado com quatro tubos de torpedo submersos de 450 milímetros, dois em cada lateral. O cinturão principal de blindagem tinha 229 milímetros de espessura, sendo fechado em cada extremidade por anteparas transversais de 229 a 305 milímetros. As torres de artilharia tinham frentes de 203 milímetros e ficavam em cima de barbetas de 305 milímetros, enquanto as casamatas tinham 152 milímetros. A torre de comando era protegida por laterais de 356 milímetros e o navio tinha três conveses blindados entre 25 e 64 milímetros.
Carreira O Bulwark foi nomeado em homenagem à "parte sólida da lateral de um navio que se estende acima do convés", sendo o quarto navio da Marinha Real Britânica com esse nome. Foi um de três couraçados encomendados como parte das Estimativas Navais de 1898–1899. Seu batimento de quilha ocorreu em 20 de março de 1899 no Estaleiro Real de Devonport e foi lançado ao mar em 18 de outubro, sendo batizado por Harriet Fairfax, esposa do almirante sir Henry Fairfax. O navio foi finalizado em março de 1902 ao custo de libras esterlinas, mais libras para seu armamento. Foi comissionado no dia 18 para serviço na Frota do Mediterrâneo, com seu primeiro comandante sendo o capitão Frederick Hamilton. Se tornou em 1º de maio a capitânia do almirante sir Compton Domvile, o comandante da Frota do Mediterrâneo.
Primeiros anos thumb|270px|O Bulwark no início de sua carreira Deixou Plymouth cinco dias depois, chegando em Gibraltar em 10 de maio e seguindo viagem para Malta. Foi feito a capitânia de uma esquadra que em agosto visitou o Mar Egeu para manobras combinadas e visitas a Lemnos e Náuplia, na Grécia, sendo levemente danificado durante os exercícios quando o couraçado julgou mal a distância enquanto rebocava o Bulwark e colidiu com ele. As manobras anuais da Frota do Canal começaram no mês seguinte perto do litoral da Grécia e Itália. Visitou Cagliari em outubro durante os exercícios. O rei Eduardo VII visitou o couraçado em 18 de abril de 1903 e fez uma revista da frota dois dias depois. O navio foi visitado pelo rei Carlos I de Portugal durante manobras de frota em agosto perto de Portugal. O imperador Guilherme II da Alemanha visitou Malta em abril de 1904 e assumiu temporariamente o comando do Bulwark no dia 11 como um almirante de frota honorário da Marinha Real. Domville e o navio algumas vezes serviram de observadores em maio de 1905 durante manobras da Frota do Canal em vez de participar delas. A Frota do Mediterrâneo estava no Mar Adriático em outubro, mas voltou para Malta depois do Incidente de Dogger Bank, quando navios russos atiraram erroneamente contra pescadores britânicos enquanto passavam pelo Mar do Norte à caminho da Guerra Russo-Japonesa. A frota chegou em 29 de outubro e começou a embarcar carvão e munição em preparação para uma guerra, mas situação se acalmou em 2 de novembro depois dos russos concordarem com uma investigação. O Bulwark recebeu em 10 de dezembro ordens de voltar para o Reino Unido, com Domville transferindo sua capitânia para outra embarcação três dias depois. O couraçado partiu em 14 de dezembro e chegou em Devonport em 21 de dezembro, sendo tirado de serviço dois dias depois.
Foi recomissionado em 3 de janeiro de 1905 com o comandante Edward Philpotts como capitão interino, partindo dois dias depois para Malta, onde chegou em 12 de janeiro e novamente se tornou a capitânia de Domville. Foi para Gênova, na Itália, em 9 de junho, com Domville desembarcando e o capitão Osmond Brock assumindo o comando. Voltou para Malta dois dias depois e se tornou a capitânia do almirante lorde Charles Beresford, o novo comandante da Frota do Mediterrâneo. O Bulwark passou por manutenção em Malta entre 30 de outubro e 5 de fevereiro de 1906, com os trabalhos incluindo a adição de gáveas equipadas com telêmetros de coincidência Barr & Stroud de 1,37 metro. Zarpou para Lagos, em Portugal, em 10 de fevereiro a fim de se encontrar com as Frotas do Canal e do Atlântico para manobras que duraram pelo restante do mês. As manobras anuais começaram em 24 de junho e foram pensadas para avaliar a eficácia de uma estratégia de guerra corsária, com o Bulwark servindo de capitânia para a frota bloqueando Lagos antes das ações gerais três dias depois. Todos os canhões de 76 milímetros no convés principal foram reposicionados na superestrutura entre 1906 e 1907.
O navio partiu para Portsmouth em 19 de janeiro de 1907, chegando no dia 26 e Beresford transferindo sua capitânia, porém só foi ser descomissionado em 11 de fevereiro em Devonport. Foi recomissionado no dia seguinte sob o comando do capitão Bertram Chambers para servir de capitânia para o contra-almirante Frank Finnis, o comandante da Divisão de Nore. Visitou Trondheim, na Noruega, em 18 de junho e então Invergordon, na Escócia, no dia 26. Esteve presente em 3 de agosto em Cowes para uma revista naval realizada para o rei. Participou das manobras anuais em outubro e encalhou duas vezes no dia 26 perto de Lemon Light enquanto tentava desviar de barcos pesqueiros neerlandeses, porém em ambas as ocasiões conseguiu se libertar. O fundo do seu casco ficou levemente danificado e assim foi em 31 de outubro para o Estaleiro Real de Chatham passar por reparos e manutenção que duraram até 9 de março de 1908. Durante este período, Finnis foi substituído pelo contra-almirante Stanley Colville. O Bulwark realizou treinamentos e testes de artilharia e torpedo pelo meses seguintes, com o capitão Robert Falcon Scott assumindo o comando em 18 de maio. Foi para o Estaleiro Real de Sheerness em 1º de agosto para que sua tripulação desembarcasse, com alguns sendo transferidos para os couraçados e , sendo descomissionado em 17 de agosto. Foi recomissionado no dia seguinte com uma tripulação mínima vinda do couraçado . Foi transferido para a Frota do Canal em 3 de outubro. Entrou no Estaleiro Real de Devonport em 21 de dezembro para passar por reparos em suas torres de artilharia e substituir canos desgastados, com os trabalhos terminando em 3 de março de 1909. O capitão Bentinck Yelverton assumiu o comando neste mesmo dia. A Marinha Real reorganizou todas as suas frotas no dia 24 e a Frota do Canal se tornou a 2ª Divisão da Frota Doméstica. O Bulwark esteve presente em 12 de julho para uma revista de frota ocorrida em Spithead para os Lordes do Almirantado.
Pré-guerra thumb|esquerda|250px|O Bulwark antes de 1914 Passou por manutenção em Devonport entre 25 de agosto e 17 de dezembro e foi tirado de serviço em 28 de fevereiro de 1910, sendo recomissionado no dia seguinte com uma tripulação mínima. O capitão George Hope assumiu o comando em 18 de março. O Bulwark participou das manobras anuais em julho e depois ficou sob manutenção de 30 de dezembro até 25 de fevereiro de 1911. O capitão Edmund Hyde Smith substituiu Hope em 24 de março e o navio virou a capitânia do vice-almirante príncipe Luís de Battenberg, o comandante da 3ª e 4ª divisões da Frota Doméstica. O couraçado foi descomissionado em 25 de abril e Luís transferiu sua capitânia, mas recomissionado no dia seguinte com uma tripulação mínima. Esteve presente em Spithead no dia 24 de junho para a revista naval para marcar a coroação do rei Jorge V. O navio chegou em Chatham em 23 de julho para desembarcar munição e suprimentos em preparação para uma grande manutenção que começou em 1º de setembro e durou até 1º de maio de 1912.
O Bulwark encalhou duas vezes no estuário do rio Tâmisa em 4 de maio enquanto realizava testes marítimos pós-manutenção, com o fundo do seu casco sendo danificado, porém os reparos só foram realizados no final do mês. Foi recomissionado em 4 de junho sob o comando do capitão Herbert Chatterton, sendo designado para a 5ª Esquadra de Batalha da Segunda Frota. Serviu brevemente como capitânia do segundo em comando da esquadra de 20 de agosto até setembro quando a antiga capitânia voltar a ficar disponível. O navio passou o resto do ano inativo, com exceção de exercícios de artilharia; por exemplo, não saiu de Spithead entre 18 de novembro de 1912 até 25 de fevereiro de 1913. Passou por manutenção em Portsmouth de 14 de abril a 4 de junho, em seguida participou das manobras anuais da frota em agosto. Retornou para Spithead em 30 de outubro, onde permaneceu até o fim do ano.
O Bulwark foi visitado em 9 de maio de 1914 pelo rei Cristiano X da Dinamarca, que estava inspecionando a esquadra. Ficou sob manutenção em Chatham de 22 de maio a 9 de julho, sendo notificado logo no dia seguinte para se preparar para um teste de mobilização em vez das manobras anuais da frota, uma resposta da Marinha Real à Crise de Julho se desenvolvendo na Europa. A ordem de mobilização foi dada no dia 15 e a frota fez uma revista em Spithead dois dias depois, em seguida realizando exercícios.
Primeira Guerra