Críticas ao marxismo vieram de várias ideologias políticas e disciplinas acadêmicas. Estas incluem críticas gerais sobre a falta de consistência interna, críticas relacionadas ao materialismo histórico, a necessidade de supressão dos direitos individuais, questões com a implementação do comunismo e questões econômicas como a distorção ou a ausência de sinais de preços e incentivos reduzidos. Além disso, problemas empíricos são frequentemente identificados.M. C. Howard and J. E. King, 1992, A History of Marxian Economics: Volume II, 1929–1990. Princeton, NJ: Princeton Univ. Press.Popper, Karl (2002). Conjectures and Refutations: The Growth of Scientific Knowledge. Routledge. p. 49. .John Maynard Keynes. Essays in Persuasion. W. W. Norton & Company. 1991. p. 300 .
A principal crítica feita ao marxismo na atualidade alega que este possui caráter simplista, seja na organização da sociedade em classes (capitalista e proletariado), seja nas diversas interpretações que Marx faz da interrelação direta entre os fatores sociais de consciência (como cultura, religião e política) e os da economia.
Segundo alguns destes críticos, as razões de caráter econômico também são insuficientes para explicar fenômenos modernos como a busca do homem pelo status, ainda que este não venha a representar qualquer vantagem econômica, ou o crescimento da cultura das celebridades. Também depõem contra as ideias de Karl Marx o resultado histórico dos diversos regimes que foram influenciados pelo ideário político-ideológico do Marxismo, como a União Soviética, o regime castrista de Cuba e as chamadas "repúblicas vermelhas" do Sudeste Asiático.Besançon, Alain; A infelicidade do século: sobre o comunismo, o nazismo e a unicidade de Shoah. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000.Koba the Dread - Laghter and the Twenty Million" - Vintage - 2002 - p.85-86Courtois, Stéphane [et al.]; O Livro Negro do Comunismo: crimes, terror e repressão. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.Courtois, Stéphane [et al.]; Cortar o mal pela raiz!: história e memória do comunismo na Europa. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006.
Críticas gerais
De acordo com Leszek Kołakowski, as leis da dialética na base do marxismo são fundamentalmente imperfeitas: algumas são "truísmos sem conteúdo marxista específico", outras "dogmas filosóficos que não podem ser provados por meios científicos", outras são apenas "absurdos". Algumas "leis" marxistas são vagas e podem ser interpretadas de maneira diferente, mas essas interpretações geralmente também se enquadram em uma das categorias de falhas mencionadas anteriormente.Kołakowski, Leszek (2005). Main Currents of Marxism. New York: W. W. Norton and Company. p. 909. .
O economista Thomas Sowell escreveu em 1985:
miniatura|250px|Memorial para as vítimas do comunismo, localizado em Washington (ver: Assassinatos em massa sob regimes comunistas). A estátua representa a deusa da democracia. Victims of Communism Memorial in Washington, D.C. de Thomas Marsh - Washington D.C. memorials, monuments, statues - Acessado em 19/07/2018.President Bush Attends Dedication of Victims of Communism Memorial - White House Archives - Acessado em 19/07/2018
Vladimir Karpovich Dmitriev, no seu livro "Economic Essays on Value, Competition and Utility" escrito em 1898,V. K. Dmitriev, 1974 (1898), Economic Essays on Value, Competition and Utility. Cambridge: Cambridge Univ. Press Ladislaus von Bortkiewicz em duas de suas obras escrita em 1906 e 1907Ladislaus von Bortkiewicz, 1952 (1906–1907), "Value and Price in the Marxian System", International Economic Papers 2, 5–60; Ladislaus von Bortkiewicz, 1984 (1907), "On the Correction of Marx’s Fundamental Theoretical Construction in the Third Volume of Capital". In Eugen von Böhm-Bawerk 1984 (1896), Karl Marx and the Close of his System, Philadelphia: Orion EditionsM. C. Howard and J. E. King. (1992) A History of Marxian Economics: Volume II, 1929–1990, chapter 12, sect. III. Princeton, NJ: Princeton Univ. Press. e críticos subsequentes alegaram que a 'Teoria do valor-trabalho' e a lei de Karl Marx da 'Tendência da Taxa de Lucro a Cair' são internamente inconsistentes. Em outras palavras, os críticos alegam que Marx tirou conclusões que na verdade não seguem suas premissas teóricas. Uma vez que esses erros sejam corrigidos, a conclusão de Marx de que Preço Agregado e Lucro são determinados por - e igual a - Valor Agregado e Mais-valia não se aplica mais. Este resultado põe em causa a sua teoria de que a exploração dos trabalhadores é a única fonte de lucro.M. C. Howard and J. E. King. (1992) A History of Marxian Economics: Volume II, 1929–1990, capítulo 12, parte III. Princeton, NJ: Princeton Univ. Press.
Também há dúvidas de que a taxa de lucro no capitalismo tenderia a cair como Marx previu. Em 1961, Nobuo Okishio desenvolveu um teorema (o teorema de Okishio) mostrando que, se os capitalistas buscam técnicas de corte de custos e se o salário real não aumenta, a taxa de lucro deve subir.M. C. Howard and J. E. King. (1992) A History of Marxian Economics: Volume II, 1929–1990, capítulo 7, parte II–IV. Princeton, NJ: Princeton Univ. Press.
Críticos que alegam que Marx tem sido provado inconsistente incluem economistas marxistas e / ou sraffianos antigos e atuais, como Paul Sweezy,Paul M. Sweezy, 1970 (1942), The Theory of Capitalist Development, p. 15. New York: Modern Reader Paperbacks Nobuo Okishio,Nobuo Okishio, 1961, "Technical Changes and the Rate of Profit," Kobe University Economic Review 7, pp. 85–99. Ian Steedman,Ian Steedman, 1977, Marx after Sraffa, pp. 202, 207. London: New Left Books John Roemer,John Roemer, Analytical Foundations of Marxian Economic Theory, p. 12. Cambridge: Cambridge Univ. Press, 1981 Gary MongioviVulgar Economy in Marxian Garb: A Critique of Temporal Single System Marxism, Gary Mongiovi, 2002, Review of Radical Political Economics 34:4, p. 393. "Marx cometeu vários erros ao elaborar sua teoria do valor e a taxa de lucro." e David Laibman,David Laibman, "Rhetoric and Substance in Value Theory" in Alan Freeman, Andrew Kliman and Julian Wells (eds.), The New Value Controversy and the Foundations of Economics, Cheltenham, UK: Edward Elgar, 2004, p. 17 que propõem que a teoria marxista seja fundamentada em suas versões corretas da economia marxiana e não na forma original em que Marx apresentou e desenvolveu em O Capital.Andrew Kliman, Reclaiming Marx's "Capital": A Refutation of the Myth of Inconsistency, Lanham, MD: Lexington Books, 2007, p. 3 -
O historiador Paul Johnson escreveu: "A verdade é que mesmo a investigação mais superficial sobre o uso de evidências de Marx força a pessoa a tratar com ceticismo tudo o que ele escreveu que se baseia em dados factuais". Por exemplo, Johnson declarou: "A totalidade do capítulo VIII do livro O Capital é uma falsificação deliberada e sistemática para provar uma tese que um exame objetivo dos fatos mostrou ser insustentável"."Intellectuals From Marx and Tolstoy to Sartre and Chomsky by Paul Johnson".
Em A Miséria do Historicismo (1936), Karl Popper discorda de Marx quanto à história ser regida por leis que, se compreendidas, podem servir para se antecipar o futuro. Segundo Popper, a história não pode obedecer a leis e a ideia de "lei histórica" é uma contradição em si mesma.William Outhwaite (1996). Dicionário do pensamento social do século XX. Jorge Zahar Editor. p. 816. . Já em A sociedade aberta e seus inimigos (1945), Popper afirma que o historicismo conduz necessariamente a uma sociedade "tribal" e "fechada", com total desprezo pelas liberdades individuais.Modern Library, 1999. 100 Best Nonfiction, acessado em 30 de maio de 2014 Popper considera Marx como "não-científico" também porque sua teoria não é passível de contestação. Uma teoria científica tem que ser falseável — caso contrário, é incluída no campo das crenças ou ideologias. Resta saber, é claro, se afirmações sobre fatos históricos, necessariamente únicos, podem ser, nos termos de Popper, falseáveis.Stanford Encyclopedia of Philosophy.Karl Popper. Metaphysics Research Lab, CSLI, Stanford University. Publicado em 13 de novembro de 1997, revisado em 2 de agosto de 2016
Supressão de direitos individuais
Alguns teóricos liberais argumentam que qualquer redistribuição de propriedade é uma forma de coerção.
Vários economistas argumentaram que um estado socialista, por sua própria natureza, corroeria os direitos de seus cidadãos. O economista americano Milton Friedman argumentou que, no socialismo, a ausência de uma economia de mercado livre levaria inevitavelmente a um regime político autoritário. A visão de Friedman também foi compartilhada por Friedrich Hayek, que ambos acreditavam que o capitalismo é uma pré-condição para a liberdade florescer em um Estado-nação.
Implementação do comunismo
Os anarquistas sempre argumentaram que o comunismo marxista inevitavelmente levaria à coerção e ao domínio do Estado (ver: Anarquismo e Marxismo). Mikhail Bakunin acreditava que os regimes marxistas levariam ao "controle despótico da população por uma nova e não numerosa aristocracia". Mesmo que essa nova aristocracia tivesse se originado entre as fileiras do proletariado, Bakunin argumentou que seu recém-descoberto poder mudaria fundamentalmente sua visão da sociedade e, assim, os levaria a "olhar com inferioridade para as simples massas trabalhadoras".
O ativista Noam Chomsky explicou brevemente sua posição sobre o marxismo, a partir de uma diretriz ideológica de esquerda que se enquadra entre o anarquismo e o populismo:
Revendo posições anteriores sobre a ideia de reformismo ontológico, o historiador marxista Jacob Gorender afirma que o proletariado é ontologicamente, em si, reformista, e descarta uma teleologia na história, em sua obra Marxismo sem utopia (1999).GORENDER, Jacob. Marxismo Sem Utopia. Editora Ática, 1999. Adicionado em 25 de novembro de 2015.
Economia
A economia marxista tem sido criticada por várias razões. Alguns críticos apontam para a análise marxista do capitalismo, enquanto outros argumentam que o sistema econômico proposto pelo comunismo é impraticável.Shleifer, Andrei, and Robert Vishny. Pervasive shortages under socialism. No. 3791. National Bureau of Economic Research, 1991.Stringham, Edward Peter. "Kaldor-Hicks efficiency and the problem of central planning." (2001).
Teoria do valor-trabalho A Teoria do valor-trabalho é um dos textos do marxismo mais comumente criticados.
A Escola Austríaca argumenta que esta teoria fundamental da economia clássica é falsa e prefere a subsequente e moderna teoria subjetiva do valor apresentada por Carl Menger em seu livro Principles of Economics. A Escola Austríaca não foi a única a criticar a crença clássica e marxista na teoria do valor-trabalho. O economista britânico Alfred Marshall atacou Marx, dizendo: "Não é verdade que a fiação de fios em uma fábrica [...] seja o produto do trabalho dos operários. É o produto de seu trabalho, juntamente com o do empregador e dos gerentes subordinados, e do capital empregado." Bucholz, Todd. New Ideas from Dead Economists. New York: A Plume Book. 1998. pp. 166–67. Marshall aponta para o capitalista sacrificando o dinheiro que ele poderia estar usando agora para investir em negócios, o que, em última análise, produz trabalho. Por essa lógica, o capitalista contribui para o trabalho e a produtividade da fábrica porque atrasa sua gratificação por meio do investimento. Através da lei da oferta e da procura, Marshall atacou a teoria marxista do valor. Segundo Marshall, preço ou valor é determinado não apenas pela oferta, mas pela demanda do consumidor. A mão de obra contribui para o custo, mas também os desejos e necessidades dos consumidores.Ludwig Von Mises. "Socialism: An Economic and Sociological Analysis" 2nd Ed. Trans. J. Kahane. New Haven: Yale University Press, 1951. pp. 111–222.
Segundo Ludwig von Mises em seu livro "Socialismo uma Análise Econômica e Sociológica:
Sinais de preço distorcidos ou ausentes