Ilda Teresa Castro (também conhecida por Ilda Castro e por Ilsa Dorzac), é uma artista, investigadora e curadora portuguesa. A sua carreira artística abrange a música, o cinema, as artes visuais e a escrita. É conhecida também pelo seu trabalho na investigação sobre consciencialização ecológica. É fundadora da plataforma e revista online Animalia Vegetalia Mineralia , lançada em 2014, e a curadora do Festival de Ecocinema Lisboa Natura https://arquivomunicipal.lisboa.pt/fileadmin/arquivo_municipal/difusao/projetos/ln_catalogo_pt.pdf entre outros eventos de cinema e video.

Percurso

Nasceu em Vila Cova de Alva, de onde saiu aos 16 anos para estudar Artes no liceu, em Coimbra. Em 1986, ingressa em Cinema, na Escola Superior de Teatro e Cinema, de Lisboa, e em 1995, conclui na mesma cidade, o CESE de Peritos em Arte, da Escola Superior de Artes Decorativas, da Fundação Ricardo do Espírito Santo e Silva. Em 2012, termina o doutoramento em Cinema e Ecologia, com a tese “Eu Animal – a ordem do fílmico na consciencialização ecocritica e na mudança de paradigma”, e em 2019, o pós-doutoramento, “Paisagem e Mudança — Movimentos”, em Arte e Ecologia, ambos na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa.

Música

Na música, integra as bandas Telectu e The Banksy´s/, e é compositora de bandas sonoras de filmes, ecofilmes e instalações que realiza.

No início dos anos 1980, em Coimbra, é co-fundadora do grupo de improvisação e ruído, Divisão (com Luiz Morgadinho, posterior vocalista dos Bastardos do Cardeal e com Toquim, depois na génese dos M´as Foice, Tédio Boys e Neblina), com que sobe ao palco em 1983. Em 2007, apresenta-se ao vivo no Musicbox, em Lisboa, no grupo dirigido por Vitor Rua, Ressoadores. Em 2010, apresenta a performance acusmática Ruído, na Associação 25 de Abril, em Lisboa, e no espectáculo Amigos Coloridos, no Teatro São Luiz. Em 2011, integra o cd Femmes Experimentelles e em 2013, compõe a banda sonora da sua instalação Ecceidade, no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, em Coimbra, lançada em cd. A partir de 2018, integra os Telectu, no Arco 8, em Ponta Delgada e no Palácio de La Prensa, em Madrid, e depois em diversos concertos nacionais e internacionais, como no mítico Café Oto, em Londres, em 2019 ou no DIY Braille Satellite, na Lituânia, em 2022. É também co-fundadora dos The Banksy´s.

É co-autora (libreto) de Virino kaj Naturo#, (2023), eco-ópera filmada da qual também é co-realizadora, e co-autora (libreto) de Descartes Nunca Viu Um Macaco (2017), eco-ópera na qual também toca electrónica, apresentada no Festival Insubmissos, no Funchal, em 2017.

Tem editado composições musicais a solo e em parceria, tais como Young Yang, The Banksy´s, 2022; Song for Swallows, 2022; Requiem for Ukraine, 2022; Telectu Live at Cafe Oto, Telectu, 2019; Je Suis Toi, The Banksy´s, 2019; Guitar Solo, 2017; Music From Angry Girls, 2015; B Bird B Boy, 2014; Ecceidade, 2013; So Stupid Life This Is, 2011; Noise, 2010.https://ildateresacastro.bandcamp.com.

Participou nas colectâneas, Les Femmes Experimentelles, 2011 (faixa) e Corte de Cabelo, 2008 (faixa).Chttps://www.discogs.com/es/artist/7867935-Ilda-Teresa-Castro

E também, em colaborações radiofónicas com o músico e produtor inglês Chris Cutler, de que são exemplo Cry at Christmas, in A Day In Other People Ears, Radio Art Zone Broadcast, volume 1, Chris Cutler, 2022 https://www.discogs.com/release/26085232-Chris-Cutler-Compositions-And-Collaborations-1972-2022https://radioart.zone/tuesday-12-july Dog and Fowl, in A Day In Other People Ears, Radio Art Zone Broadcast, volume 1, Chris Cutler, 2022.https://www.discogs.com/release/26085232-Chris-Cutler-Compositions-And-Collaborations-1972-2022 https://radioart.zone/tuesday-12-july

Artes Visuais

Nas artes visuais conjuga e desenvolve técnicas e práticas artísticas distintas.

Entre 1990 e 1994, foi ilustradora free-lance nos jornais e revistas Público (jornal), Sete (jornal), Elle, Estética e Indústria.http://www.ildacastro.net/metal%20pub.htm Publicou banda desenhada no jornal satírico O Inimigo, em 1993.http://www.ildacastro.net/metal%20pub.htm Em 2005, participou com a banda desenhada Amélia (com argumento de Sandy Gajeiro) na edição colectiva 10, coordenada por Zepe, no CITEN, do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian.http://www.ildacastro.net/metal%20pub.htm

Em 2009, construiu o guarda-roupa e a joalharia de grande formato, da ópera Uma Vaca Flaterzunge, de Vítor Rua, apresentada na Culturgest, em Lisboa.

É autora da fotografia de capa de “Trunfos de uma Geografia Activa” (book), coord. Norberto Santos e Lúcio Cunha, Imprensa da Universidade de Coimbra, 2011, https://www.academia.edu/6692845/Trunfos_de_uma_Geografia_Activa_Desenvolvimento_local_ambiente_ordenamento_e_tecnologia e da fotografia de capa dos cd´s, Of Serenity, Vitor Rua, 2013 https://www.discogs.com/release/6444947-Vitor-Rua-Of-Serenity e Of Melancholy, Vitor Rua, 2013.https://www.discogs.com/release/5244079-Vitor-Rua-Of-Melancholy

Desenhou as capas e ilustrações dos livros, Eu Animal − argumentos para uma mudança de paradigma – cinema e ecologia, de Ilda Teresa Castro, 2015, Eu Só Queria Dizer O Seguinte, de Vítor Rua, ed. 9musas, 2022 , e Ecofeminismos e o ecofeminismos da bruxa, de Ilda Teresa Castro, 2023.

É também autora da capa do catálogo Uma Caixa Aberta Ao Céu, ed. VideoBox da Ev.Ex. Évora Experimental, 2022, e da capa do livro Eu Sou Tu – Experiências Ecocriticas, ed. José Pinheiro Neves, Pedro Rodrigues Costa, Paula de Vilhena Mascarenhas, Ilda Teresa de Castro & Virginia Roman Salgado, Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) Universidade do Minho, 2020, ISBN 978-989-8600-96-7.https://run.unl.pt/bitstream/10362/127606/1/3309_12301_1_PB.pdfhttps://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/68550/3/2020_%20Neves_Costa_Mascarenhas_Castro_Salgado_Eu-sou-tu.pdf

Na fotografia desenvolve projectos-séries em pesquisas de campo sobre elementos naturais, como Água / Water, 2016; Pau_Pedra_Vida / Wood_Stone_Life, 2017; e Terra_Vista Do Céu /  Earth_Seen From The Sky, 2019.https://animaliavegetaliamineralia.org/projects/

Investigação Científica

Em 2012, na conclusão do doutoramento e sob o pseudónimo de Ilsa Dorzac, criou a rubrica Em Busca do Paraíso — uma rubrica de enfoque no pensamento ecológico e nas novas abordagens científicas do vivo — com que participou na série de episódios do programa Riding On The Land: O Paraíso, que juntava Manuel João Vieira, Vítor Rua e Cláudia Efe, no Canal Q.

Prosseguindo a missão de disseminação do pensamento ecológico durante a investigação que leva a cabo no pós-doutoramento que então inicia, apresentou a sua primeira instalação de eco-arte no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, em Coimbra, em 2013, a que se seguem diversas outras em várias cidades portuguesas nos anos seguintes, como é o caso no Museu Geológico de Lisboa e no Teatro de Marionetas do Porto , na Bienal Jorge Lima Barreto , na Galeria Flores do Cabo https://ildateresacastro.wordpress.com/eco-art/ e na Ev.Ex Évora Experimental.

Em 2014, fundou a plataforma online Animalia Vegetalia Mineralia, com a edição de uma revista online bilingue internacional, que reúne investigadores, artistas e activistas, sob o tópico comum do ecomedia, da ecocritica e do ecocinema.

Doravante, alia a investigação científica às artes, na realização de instalações artísticas ecocríticas e ecofilmes https://www.rotaterrafria.com/pages/263/?geo_article_id=8057, a par de ensaios em livros e revistas da especialidade https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/33789/1/49_Ilda_Castro_147_161_Philosophica.pdf e comunicações em conferências, nacionais e internacionais https://ildateresacastro.wordpress.com/1-2/.

As suas instalações conjugam o Vídeo com peças de EcoArte, nomeadamente as séries Herbários-Relicários, Oxigenários, Silos de Sementes e Esculturas de Terra. Em 2025 e 2016, criou esculturas de terra para coreografia de Isabel Barros (Teatro Rivoli, Porto, 2015) e em espectáculo conjunto com Isabel Barros e JP Simões (Centro Cultural Condes de Vinhais, 2016). Em 2016, apresentou o tríptico Homo-Humus, na galeria Flores do Cabo.https://animaliavegetaliamineralia.files.wordpress.com/2016/12/avm8winterpdf1.pdf

Filmes

No cinema e vídeo, é co-autora e co-realizadora dos filmes Sonosfera Telectu (2022), documentário premiado com Menção Especial do Júri no Indie Music, do festival Indie Lisboa https://www.ica-ip.pt/fotos/downloads/catalogo_ica_digital_2023_com_links17_02_5459642ec3ee27593.pdf , e Virino kaj Naturo# (2023), eco-ópera filmada da qual também é autora do libreto. É autora e realizadora dos ecofilmes e video-instalações, Hope Esperanza (2018); Diários de Uma Pesquisa (2016); Vegetal Shadows (2014); Herbarium (2014); Ecceidade (2014).https://ildateresacastro.wordpress.com/f-films/ e do ensaio, B Bird B Boy (2014), curta-metragem.https://ildateresacastro.wordpress.com/g-art-films/

Curadoria

Entre 1996 e 2005, enquanto curadora, desenvolveu inúmeros projectos na programação e produção de Encontros Cinematográficos e Audiovisuais, entre os quais as Mostras de Video Português Contemporâneo (1996 e 1998) http://www.ildacastro.net/imag%20pdf/mostravideo96.pdf e as Retrospectivas de Realizadores Portugueses (1998), na Videoteca de Lisboa https://www.academia.edu/6748224/Retrospectivas_de_Autores_Portugueses_conversa_com_Rui_Goulart_José_Álvaro_Morais_Rui_Simões_Edgar_Pêra_Câmara_Municipal_de_Lisboa_1998, e no Fórum Lisboa, as Mostras de Curtas-Metragens Portuguesas (1999 a 2003) , um festival-não-competitivo que divulgou este género na cultura lisboeta, ou o ciclo Cineastas Portuguesas (2001), que promoveu a divulgação de obras cinematográficas realizadas por mulheres https://www.livraria-ler-com-gosto.com/es/cineastas-portuguesas-1874-1956 ou ainda de Cinema de Animação Português, na Cinemateca Portuguesa (2004).

A par da documentação em catálogos de todos os ciclos realizados, editou uma trilogia de História Oral dedicada ao cinema português. São de interesse nos Estudos Fílmicos e nos Estudos de Género nacionais e internacionais, os registos que realizou com enfoque nas Mulheres Cineastas no Cinema Português.https://www.academia.edu/6748241/Cineastas_Portuguesas_1874_1956_conversas_com_Noémia_Delgado_Teresa_Olga_Margarida_Cordeiro_Monique_Rutler_Paola_Porru_Solveig_Nordlund_Renée_Gagnon_Manuela_Serra_Margarida_Gil_Rosa_Coutinho_Cabral_Cristina_Hauser_e_Rita_Azevedo_Gomes_Câmara_Municipal_de_Lisboa_2001), (https://apaladewalsh.com/2021/06/o-movimento-das-coisas-por-uma-politica-da-reparacao/) (https://cinemaportuguesmemoriale.pt/DeskTopModules/CinemaPortugues/API/Documents/DownloadDocument?sourceId=1075&sourceType=Movie Também a sua História Oral dedicada à Animação Portuguesa é referida em ensaios da especialidade. https://ria.ua.pt/bitstream/10773/1258/1/2008001315.pdf

Em 2020, criou o Festival de Ecocinema Lisboa Natura https://animaliavegetaliamineralia.org/2020-2021/, dedicado especificamente aos domínios animal, vegetal e mineral da cidade de Lisboa, e o Arquivo Ecovideográfico Lisboa Natura.https://vimeo.com/showcase/7617282Encontra-se disponível online um catálogo bilingue.https://arquivomunicipal.lisboa.pt/fileadmin/arquivo_municipal/difusao/projetos/ln_catalogo_pt.pdf

Em 2023, programou, produziu e comentou o ciclo de cinema e conversas, Do Punk ao Near Silence, no Teatro São Luiz e na Videoteca de Lisboa https://arquivomunicipal.lisboa.pt/atividades-e-difusao/projetos/topografias-imaginarias/do-punk-ao-near-silence, a par de outras programações.

Livros

A trilogia de registos orais dedicada ao cinema português que realizou enquanto curadora é composta pelos livros,