TV Aratu é uma emissora de televisão brasileira sediada em Salvador, capital do estado da Bahia. Opera no canal 4 (25 UHF digital) e é afiliada ao SBT. Pertence ao Grupo Aratu, um conglomerado de mídia de propriedade do empresário Silvio Roberto Coelho, e do qual também fazem parte a Antena 1 Salvador, a Rádio Cultura de Guanambi, o website Aratu On, as empresas de mídia exterior Ei! e Brasília e a Chaves Outdoor. É a segunda emissora de televisão mais antiga da Bahia, vindo depois da então TV Itapoan, e a terceira mais assistida em Salvador e região metropolitana.
História Rede Globo (1969–1987) 200px|thumb|Logotipo da emissora entre 1976 e 1996. A versão do galo deste logotipo seria reutilizada em uma nova marca entre 1997 e 2004 A emissora foi inaugurada sem nome em 15 de março de 1969, por um conjunto de acionistas que envolviam o paulista Alberto Maluf e os baianos Carlos Alberto Jesuíno dos Santos, Luís Viana Filho, Humberto Castro e Milton Nunes Tavares, como a segunda emissora de televisão do estado da Bahia, que até então só possuía a TV Itapoan, fundada em 1960 pelos Diários Associados. Após vários nomes serem cogitados, é apenas em julho, quatro meses depois de fundada, que a emissora passa a se chamar TV Aratu, que remete ao crustáceo que habita os manguezais do Recôncavo Baiano. Desde a sua fundação, o logotipo da emissora é um galo, ave símbolo da capoeira, e razão pela qual a mesma é conhecida como “emissora do galinho”.
Em seu início, a programação local era feita de forma independente, mas ainda no mesmo ano, a TV Aratu passa a exibir atrações produzidas pela Rede Globo, tornando-se afiliada oficialmente em abril de 1970. Com o apoio da programação da rede, a TV Aratu rapidamente ganhou popularidade e conquistou a liderança de audiência, superando a TV Itapoan. Em 1973, foi a primeira emissora a transmitir à cores, e para comemorar o feito, lançou o slogan A liderança colorida. No seu aniversário de dez anos, em 1979, a emissora levou ao ar um institucional produzido pela DM9 de Duda Mendonça, que ressaltava a religiosidade do povo baiano. Convidado a assistir o filme, o então ministro das comunicações Haroldo Corrêa de Mattos, declarou: “Isso é poesia visual. É o filme mais bonito que vi em toda minha vida!”.
Na década de 1980, a emissora iniciou sua expansão para o interior do estado, instalando retransmissoras que captavam o sinal através de enlaces de micro-ondas. Mesmo com a concorrência que começava a se intensificar com a chegada de novas emissoras no decorrer da década, a TV Aratu continuava líder de audiência na programação local e nacional.
Caso NEC e desfiliação da Rede Globo
Em 24 de fevereiro de 1986, a Rede Globo enviou à TV Aratu uma carta manifestando o interesse de não renovar seu contrato de afiliação com a emissora, prorrogando a expiração para 20 de janeiro de 1987. A motivação seriam problemas técnicos e comerciais da afiliada baiana, que viriam acontecendo desde 1984. A decisão foi oficializada em 10 de novembro, através de uma nova carta, que determinava o fim da retransmissão da programação pela TV Aratu em 20 de janeiro de 1987. A emissora escolhida para substituir a antiga afiliada foi a TV Bahia, que à época tinha pouco mais de um ano de operação e contava com equipamentos mais modernos que os do canal 4.
Com o objetivo de tentar reverter a perda da afiliação, adversários do então ministro das comunicações Antônio Carlos Magalhães e membros do grupo político do então governador Waldir Pires, aos quais a TV Aratu era ligada, levantaram suspeitas de que a decisão da rede teria sido um agradecimento por parte de Roberto Marinho ao político baiano, familiar de parte dos acionistas da afiliada substituta, por um suposto apoio na compra da NEC Brasil pelas Organizações Globo (concluída em 23 de dezembro). Em 13 de janeiro, o senador pela Bahia Jutahy Magalhães e 20 dos 25 deputados do então Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) da Bahia promoveram uma comitiva até Brasília para reclamar ao presidente José Sarney a respeito da perda da afiliação.
Os proprietários da TV Aratu iniciaram uma disputa judicial, e em 15 de janeiro, o juiz Luiz Fux, da 9.ª Vara Cível do Rio de Janeiro, concedeu à emissora uma liminar que impedia a TV Bahia de retransmitir o sinal da Globo. A liminar acabou derrubada em 23 de janeiro, pelo desembargador Hermano Ferreira Pinto, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, após a Globo impetrar um mandado de segurança para assegurar a transmissão da sua programação pela TV Bahia. Esta última, pouco depois de receber a notificação judicial, interrompeu a programação da Rede Manchete (da qual era afiliada desde a inauguração em 1985) às 17h58, para emitir um comunicado aos telespectadores sobre a nova afiliação, e retransmitir o sinal da Globo logo em seguida. O mesmo também foi feito ao vivo na edição do Jornal Nacional daquele dia. No entanto, a TV Aratu se recusou a trocar de afiliação, o que fez com que os telespectadores baianos tivessem dois canais transmitindo a Globo por três dias seguidos em todo o estado.
Por ordem da direção regional do DENTEL, a TV Aratu foi forçada a deixar de transmitir a programação da Globo em 26 de janeiro. Neste dia, logo após o fim do Globo Esporte, às 13h, a âncora do Aratu Notícias 1.ª edição, Lídia Andreatta, leu através de nota oficial que a TV Aratu iria deixar de veicular a programação da Globo por determinação do DENTEL, e agradeceu aos telespectadores pela solidariedade. A emissora então passou a levar ao ar uma programação improvisada, com atrações da TVE Brasil, e pouco depois, passou a retransmitir o sinal da Rede Manchete, ao mesmo tempo que continuou na justiça tentando anular o mandado de segurança da Globo.
No dia seguinte, ao chegar de viagem, o governador Waldir Pires, que também estava empenhado em evitar a perda de afiliação da estação aliada, visitou a sede da TV Aratu em solidariedade à direção, mostrando-se irritado com o encerramento da parceria com a Globo. O gestor chegou a classificar a decisão da rede carioca como "uma agressão à Bahia".
Em 31 de março, os desembargadores Jorge Loretti, Narciso Pinto e Astrogildo Freitas, da 5.ª Câmara Cível do Rio de Janeiro, suspenderam o mandado de segurança da Globo após julgarem que a rede entrou com o recurso fora do prazo. Na manhã do dia seguinte, a TV Aratu retomou a transmissão do sinal da Globo, porém a TV Bahia ignorou a decisão judicial, e mais uma vez ambas continuaram transmitindo a mesma programação até a noite do dia 4 de abril, quando a TV Bahia passou a ter novamente o sinal da Manchete. A disputa dessa vez acabou dividindo os telespectadores, que por um lado, ficaram satisfeitos com a breve vitória do canal 4 na justiça, e por outro, ficaram enfurecidos pela ausência da programação da Manchete, que na época havia acabado de estrear a telenovela Corpo Santo, sucesso de audiência na capital baiana.
A batalha judicial prosseguiu por mais três meses, até que em 6 de julho, o desembargador Nicolau Mary Júnior concedeu a liminar em favor da Globo, e a TV Bahia finalmente pôde retransmitir, em definitivo, a programação da rede. Naquele dia, às 18h, os telespectadores do canal 11 viram pela última vez a programação da Manchete ser substituída pela Globo, com quem está até os dias atuais, e exatamente uma hora depois, o canal 4 fazia o inverso, encerrando os 18 anos de parceria que havia mantido com a rede. Nos tribunais, os advogados da TV Aratu ainda tentaram reverter a decisão nos meses seguintes, sem sucesso, e em 22 de fevereiro de 1988, mais de um ano após o início do processo, o juiz Gérson Arraes, da 9.ª Vara Cível do Rio de Janeiro, deu ganho de causa à Rede Globo, confirmando o direito de transferir a sua programação para a TV Bahia. Mesmo anos após ter perdido a afiliação, a emissora continuou recorrendo da decisão, e 1996, quando já estava arrendada à CNT e pertencia a outros proprietários, o último recurso judicial se esgotou. A emissora se negou a arcar com os honorários, e seus estúdios chegaram a ir a leilão em 19 de abril, sendo arrematados pelo advogado Sergio Zveiter, que havia defendido a Globo na causa.
Rede Manchete (1987–1995) A perda da programação da Globo e da liderança de audiência ocasionou um duro golpe no faturamento comercial da TV Aratu, fazendo as suas receitas caírem 80%. Sem verbas suficientes, a emissora também ficou sem dinheiro para atualizar os já ultrapassados equipamentos, e isso se refletia também na qualidade do sinal levado aos telespectadores, que caía vertiginosamente.
Em completo declínio, a TV Aratu alterou seu quadro societário em 1988. Milton Nunes Tavares, diretor-presidente da emissora, que até então possuía 25% das ações, comprou a parte dos outros sócios pela quantia de 7 milhões de dólares, e em seguida, revendeu-as ao então governador Waldir Pires e o deputado Joaci Góes (proprietário do jornal Tribuna da Bahia). Joaci ficou com 30% das ações, enquanto 40% foi repassado a empresários ligados ao governador.
Em 1992, a emissora é novamente vendida, agora para o ex-governador da Bahia, Nilo Moraes Coelho, que comprou 70% das ações. Silvio Roberto Coelho passa a ser o diretor-presidente da emissora. Joaci Góes, proprietário dos outros 30%, ainda continuaria como sócio da TV Aratu até abril de 2001, quando vendeu a sua parte para Coelho. No inicio de 1995, notas publicadas em jornais baianos davam conta de um arrendamento da emissora para as Organizações Martinez, proprietária da Central Nacional de Televisão, rede em franca expansão no país.
CNT (1995–1997) 200px|thumb|Logotipo utilizado entre 1996 e 1997 Em junho de 1995, após oito anos como afiliada da Rede Manchete, a TV Aratu deixa a rede carioca e torna-se afiliada da CNT, por ocasião do seu arrendamento de dois anos para as Organizações Martinez, na época, sob o comando do dono do Banco Bamerindus, José Eduardo de Andrade Vieira. A qualidade da programação local da emissora e do seu sinal melhora consideravelmente. Com a nova afiliação, a TV Aratu muda seu nome fantasia para CNT Aratu.
Em junho de 1997, quando estava para findar o contrato de arrendamento das Organizações Martinez, os proprietários da emissora assinaram com o SBT, uma vez que a rede ficaria sem sinal no estado com a compra da TV Itapoan pela Rede Record, e sua posterior saída em 16 de junho.
SBT (1997–presente) À meia-noite do dia 16 de junho de 1997, a emissora deixa a CNT e passa a ser afiliada ao SBT, no mesmo dia em que a TV Itapoan também troca de afiliação e vira uma emissora própria da Rede Record. A CNT passava então a ser retransmitida no canal 39 UHF até 2009, quando foi criada a CNT Bahia. A TV Aratu expandiu ainda mais a sua programação local com telejornais e programas populares, e passou a brigar pela vice-liderança de audiência com a TV Itapoan e até mesmo pela liderança com a TV Bahia.
Em 29 de dezembro de 2000, a emissora firma contrato com a Embratel e passa a dispor de um sinal via satélite para ser utilizado pelas retransmissoras no interior do estado, em substituição aos antigos enlaces de micro-ondas que haviam sido desativados em meados dos anos 90. No fim de 2001, a emissora já estava presente em cerca de 80% do estado da Bahia, atingindo cerca de 10 milhões de telespectadores.
Em 2001, começaram a surgir informações na imprensa nacional sobre uma suposta negociação para a TV Aratu voltar a ser afiliada à Rede Globo. As especulações indicavam que a relação entre a TV Bahia e a rede carioca teriam sido abaladas devido ao fato de que a emissora não conseguiu registrar imagens do confronto entre policiais e estudantes na passeata de 16 de maio para a rede. A Globo, no entanto, negou as movimentações e renovou o contrato com a Rede Bahia em 21 de junho do mesmo ano.