O incêndio na Estação Antártica Comandante Ferraz, na Antártida, ocorreu em 25 de fevereiro de 2012 e causou a morte de duas pessoas, além de ter ferido outra. O incêndio destruiu aproximadamente 70% da estação de pesquisa.
Incêndio O incêndio começou na casa de máquinas que abriga os geradores de energia aproximadamente às 2h (horário de Brasília ) do dia 25 de fevereiro de 2012. Nota à Imprensa 3 – Incêndio na Estação Antártica Comandante Ferraz ("Press Release 3 - Fire at Comandante Ferraz Antarctic Station") Marinha do Brasil. Acessado em 26 de fevereiro de 2012.
Danos Em 26 de fevereiro de 2012, a Marinha do Brasil emitiu um comunicado afirmando que, embora cerca de 70% da estação tenha sido destruída pelo incêndio. O prédio principal, que incluía os alojamentos e alguns laboratórios, foi completamente destruído. As unidades que ficavam isoladas da instalação central salvaram-se: laboratórios de meteorologia, química e estudo da alta atmosfera, além de contêineres com material de pesquisa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e o heliporto, que estavam isolados do edifício principal.
Reconstrução e inauguração Após o incêndio de 2012, o governo brasileiro iniciou o planejamento para uma nova estrutura que não apenas substituísse a anterior, mas que posicionasse o país na vanguarda da pesquisa polar. Em 2013, o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e a Marinha do Brasil realizaram um concurso internacional para o projeto arquitetônico, vencido pelo escritório curitibano Estúdio 41. A execução da obra foi concedida à empresa estatal chinesa China National Electronics Import & Export Corporation (CEIEC), após processo licitatório. A construção enfrentou desafios logísticos severos, sendo realizada em etapas durante os curtos verões antárticos, com os módulos da estação sendo pré-fabricados na China e montados na Ilha Rei George.
A nova estação foi projetada com foco em segurança e sustentabilidade. Diferente da estrutura anterior, a atual é composta por blocos isolados para evitar a propagação de eventuais incêndios, utilizando materiais ignífugos e sistemas de vedação térmica de alta performance. O complexo, que ocupa uma área de aproximadamente 4.500 m², foi erguido sobre pilares que podem ser ajustados conforme a movimentação do solo congelado (permafrost), permitindo que o vento passe sob a estrutura para evitar o acúmulo de neve.
A nova Estação Antártica Comandante Ferraz foi oficialmente inaugurada em 15 de janeiro de 2020, com a presença de autoridades do governo brasileiro e da comunidade científica. O custo total da obra foi estimado em cerca de 100 milhões de dólares. A infraestrutura atual representa um salto tecnológico significativo, contando com 17 laboratórios modernos voltados para diversas áreas do conhecimento, como microbiologia, oceanografia, glaciologia e meteorologia. A base possui capacidade para acomodar 64 pessoas, entre pesquisadores e militares do Grupo de Apoio, oferecendo áreas de convivência, academia, biblioteca e uma enfermaria equipada para telemedicina.
Evacuação Cinquenta e nove pessoas estavam na estação quando o incêndio começou. Quarenta e quatro pessoas (30 cientistas, um alpinista, um representante do Ministério do Meio Ambiente e 12 soldados do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro) foram evacuadas de helicóptero para a vizinha estação chilena Base Presidente Eduardo Frei Montalva, enquanto 12 soldados da Marinha Brasileira permaneceram na base tentando combater o incêndio. Fogo em base brasileira na Antártida deixa dois mortos ("Fire at Brazilian base in Antarctica leaves two dead Diario do Grande ABC. Acessado em 27 de fevereiro de 2012.
Os evacuados foram posteriormente embarcados em um voo da Força Aérea Argentina para Punta Arenas, no Chile.Fire at Brazil's Antarctic Base Kills 2, Injures 1 ABC News. Acessado em 2012-03-06. A Força Aérea Brasileira enviou uma aeronave C-130 Hércules para resgatar os 44 evacuados e transportá-los de volta ao Brasil.Loss of Antarctic base deals Brazil a major blow AFP. Acessado em 26 de fevereiro de 2012.
Esforço internacional thumb|Reportagem da TV Nacional do Brasil sobre o incêndio na estação de pesquisa - A estação chilena Frei Montalva foi a primeira base a receber o sinal de socorro enviado pela estação brasileira às 02h40 (horário local). A Marinha do Chile acionou um plano de emergência, enviando ao local duas embarcações com tripulação de combate a incêndios, além de equipamentos e suprimentos, como bombas, mangueiras e extintores. A ajuda chilena chegou às 3h46 (horário local) após navegar por 1 hora. Um terceiro navio, o rebocador Lautaro, chegou às 05h00 (horário local). Ao amanhecer, a Marinha do Chile enviou dois helicópteros Bolkow para evacuar os brasileiros de volta à base de Frei Montalva.Armada combate incendio en base antártica brasileña Chilean Navy. Acessado em 2012-03-07. . - O governo chileno respondeu enviando o navio Puerto Deseado da Marinha Argentina. A Força Aérea Argentina também transportou brasileiros da base chilena para Punta Arenas.Apoyo argentino tras el incendio en la base antártica brasileña Comandante Ferraz Ministry of Defense of Argentina. Acessado em 2012-03-07. . - A Estação Arctowski também enviou uma equipe para apoiar os esforços de combate a incêndios. Médicos poloneses prestaram primeiros socorros ao soldado brasileiro ferido no incêndio. - O navio britânico HMS Protector recebeu o pedido de socorro da estação brasileira e navegou até a Ilha Rei George para prestar assistência à estação de pesquisa. 23 de seus marinheiros foram desembarcados com equipamento de combate a incêndio para combater o grande incêndio.Protector sailors tackle killer blaze at Antarctic base , navynews.co.uk. Acessado em 22 de novembro de 2014.
Vítimas e lesões thumb|Funeral militar realizado na Base Aérea do Galeão Dois soldados, o suboficial Carlos Alberto Vieira Figueiredo e o sargento Roberto Lopes dos Santos, inicialmente dados como desaparecidos pela Marinha do Brasil, foram encontrados mortos nos escombros da estação após o incêndio. Seus restos mortais foram levados de volta para casa em 28 de fevereiro de 2012 e receberam homenagens em um funeral militar realizado na Base Aérea do Galeão.Bodies of 2 killed in Antarctica flown home Arabnews. Acessado em 2012-03-06.
Os militares mortos no incêndio também receberam postumamente o grau de comendador da Ordem do Mérito da Defesa e a Medalha Naval de Serviços Distintos da Marinha. Em dezembro de 2014 foi publicada a lei 13 065/14 que concedeu auxílio especial e bolsa especial de educação aos dependentes dos militares da Marinha falecidos neste acidente.
O sargento Luciano Gomes Medeiros sofreu ferimentos sem risco de morte e recebeu atendimento de primeiros socorros na Estação Antártica Arctowski.Two die in fire at Brazil's Antarctic research station BBC. Acessado em 26 de fevereiro de 2012.
Reações
Resposta governamental A presidente Dilma Rousseff emitiu um comunicado onde expressou sua consternação pelo acidente e pela morte dos dois militares da Marinha do Brasil e reiterou seu “forte compromisso com a reconstrução integral da Estação Antártica Comandante Ferraz”. Nota à imprensa sobre o acidente na Estação Antártica Comandante Ferraz Presidência do Brasil. Acessado em 26 de fevereiro de 2012 O Ministério da Defesa anunciou que os planos de reconstrução começariam em 27 de fevereiro de 2012. Ministro diz que planos de reconstrução da estação na Antártida começarão na segunda-feira ("Minister states that reconstruction plans of the Antarctic station start on Monday") UOL. Acessado em 26 de fevereiro de 2012. O governo brasileiro estimou que levará cerca de dois anos para reconstruir a estação. Base da Marinha na Antártida será reconstruída em 2 anos, diz Amorim ("Navy base in Antarctica will be rebuilt in 2 years, says Amorim") G1. Acessado em 26 de fevereiro de 2012
Mídia internacional O acidente recebeu considerável cobertura da mídia internacional. Na América do Sul, os jornais chilenos e argentinos destacaram a ajuda dos seus respectivos países no esforço de evacuação. O jornal chileno La Nación citou o apelo feito pela presidente Dilma Rousseff ao presidente do Chile, Sebastián Piñera, para que reconhecesse o apoio “no socorro e resgate” dos atingidos pelo incêndio. O diário La Prensa Austral dedicou uma primeira página inteira ao desastre. Na Argentina, o La Nación publicou uma extensa reportagem explicando a localização da estação brasileira e como as forças armadas argentinas participaram do resgate. O Clarín também destacou a ajuda do país ao Brasil. A reconstrução da estação e a solidariedade com o Brasil também foram citadas pelo espanhol El País, pelo português Público e pelo estadunidense The Washington Post.Imprensa estrangeira destaca caso ("International features the accident") Ministério da Defesa (Brasil). Acessado em 26 de fevereiro de 2012 2012-03-06. .
Ver também Programa Antártico Brasileiro
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