miniaturadaimagem|394x394px|Mapa dos munícipios participantes do Território Identidade Sudoeste Baiano Sudoeste Baiano é um Território de Identidade do estado da Bahia, está localizado no Centro Sul Baiano e engloba 24 municípios: Anagé, Aracatu, Barra do Choça, Belo Campo, Bom Jesus da Serra, Caetanos, Cândido Sales, Caraíbas, Condeúba, Cordeiros, Encruzilhada, Guajeru, Jacaraci, Licínio de Almeida, Maetinga, Mirante, Mortugaba, Piripá, Planalto, Poções, Presidente Jânio Quadros, Ribeirão do Largo, Tremedal e Vitória da Conquista.
Originalmente criado como Território de Identidade Vitória da Conquista, teve o nome alterado para TI Sudoeste Baiano, mas não deve ser confundido com a Região Econômica do Sudoeste da Bahia, antiga organização territorial do Estado da Bahia. Os municípios mais populosos da região, segundo o censo 2022, são Vitória da Conquista (370.879) e Poções (48.293).
Características físicas Relevo e clima O sudoeste baiano apresenta uma diversidade geomorfológica, influenciada por sua localização entre 14° a 15°45’ de latitude sul e 40°15’ a 42°45’ de longitude oeste. Com uma área aproximada de 27.275,6 km², que corresponde a cerca de 4,8% do território baiano. A região é caracterizada por uma topografia variada, com altitudes que oscilam entre 600 m e mais de 1.000 m. Nos extremos leste e oeste, o relevo é mais acidentado, enquanto na parte central predominam áreas aplanadas, configurando platôs e chapadas. Esse relevo influencia diretamente no clima, que varia de subúmido a seco, semiárido e úmido a subúmido, com temperaturas anuais que oscilam entre 18°C e 24°C. Hidrologia A Região Hidrográfica (RH) do Atlântico Leste, na qual está inserido o território de identidade do Sudoeste Baiano, apresenta a segunda menor disponibilidade hídrica entre as doze regiões hidrográficas do Brasil. Essa escassez de água é atribuída à baixa vazão dos rios e à alta frequência de rios intermitentes. A situação é agravada pela localização no semiárido nordestino, onde a ocorrência de secas prolongadas são comuns. Isso leva a uma criticidade quantitativa em 46% da extensão dos principais rios, indicando que a oferta natural de água não atende à demanda atual, potencializando conflitos pelo uso da água. A Bacia do Rio de Contas, ao norte, e a Bacia do Rio Pardo, ao sul, possuem a maioria dos seus cursos d'água com regime intermitente, exceto nas áreas de nascentes da Bacia do Rio de Contas, como os rios do Antônio, Gavião e Verruga. A rede hidrográfica inclui diversos corpos d'água, como a Barragem de Anagé, também conhecida como Deputado Elquison Soares, localizada nos limites dos municípios de Caraíbas, Belo Campo e Anagé, a Barragem Água Fria, no município de Barra do Choça. E a Barragem de Morrinhos, em Poções.
Bacias hidrográficas importantes
Bacia Hidrográfica do Rio Pardo: Esta bacia cobre 32.627 km² e é essencial para o abastecimento e agricultura na região. É administrada pela Agência Nacional de Águas (ANA), abrange 35 municípios (22 na Bahia) e é crucial para o abastecimento e agricultura, mas enfrenta desafios significativos devido à baixa disponibilidade hídrica e intermitência dos rios. Bacia Hidrográfica do Rio de Contas: Vital para a agricultura irrigada, esta bacia enfrenta limitações na expansão devido à baixa disponibilidade hídrica e intermitência dos rios, sendo essencial para a produção agrícola da região.
A infraestrutura de abastecimento de água no Sudoeste Baiano necessita de melhorias significativas. Atualmente, 96% dos municípios estão cobertos por redes gerais de abastecimento, uma porcentagem acima da média nacional. No entanto, projeções indicam que até 2025, 10% dos municípios precisarão de ampliação dos sistemas existentes e 63% necessitarão de novos mananciais para complementar o abastecimento. A deficiência na infraestrutura pode comprometer a disponibilidade de água para a população crescente e para as atividades econômicas da região.
A região enfrenta desafios significativos relacionados à escassez hídrica, exacerbados pelas mudanças climáticas e eventos de seca. A gestão sustentável dos recursos hídricos, incluindo melhorias na infraestrutura de abastecimento e estratégias de conservação, é essencial para garantir o desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida na região. Políticas integradas e investimentos em infraestrutura hídrica são fundamentais para enfrentar os desafios e assegurar a disponibilidade de água para as gerações futuras.
Biodiversidade A biodiversidade, também conhecida como diversidade biológica, é a ampla gama de vida presente no nosso planeta, abrangendo ecossistemas diversos, espécies variadas e genes únicos. Ela engloba a diversidade dentro das populações de uma mesma espécie (diversidade genética), entre diferentes espécies (diversidade de espécies) e nos variados tipos de habitats (diversidade de ecossistemas).
Fitofisionomias miniaturadaimagem|Mata de cipóminiaturadaimagem|Floresta Estacional DecidualO Território de Identidade Sudoeste Baiano apresenta três ambientes vegetacionais distintos em diferentes proporções: Caatinga, no Centro-Norte, Floresta Estacional Decidual, na porção Sul-Sudeste e Cerrado em algumas regiões do extremo Oeste do Território. O Sudoeste Baiano é caracterizado por ambientes vegetacionais de transição, como Caatinga- Floresta Estacional, Cerrado- Floresta Estacional e Cerrado - Caatinga - Floresta Estacional, principalmente na porção Oeste, onde existem áreas de tensão ecológica. Uma típica Floresta Estacional importante para o território em termos de biodiversidade e emblemática do ponto de vista conservacionista é a Mata de Cipó, vegetação caracterizada por muitas lianas em sua composição e sub-bosque denso.
Diversidade de espécies O Sudoeste Baiano apresenta lacunas de conhecimento sobre a diversidade e distribuição das espécies. Nesse sentido, a região da Serra do Periperi em Vitória da Conquista, por ser uma Unidade de Conservação, desperta interesse para estudos e é a área com maior registro de fauna e flora. Os ambientes do Território possuem ocorrência de espécies nativas como, Syagrus coronata (Licuri), Ceiba glaziovii (Barriguda), Tabebuia impetiginosa (Ipê-roxo).
Fauna do Parque da Serra do Periperi
Mamíferos Bradypus variegatus (Preguiça-comum); Sylvilagus brasiliensis (Tapiti); Didelphis albiventris (Saruê); Marmosops sp (Ratinho-da-mata); Sapajus apella apella (Macaco-prego); Sapajus xanthosternos (Macaco-prego-do-peito-amarelo); Callithrix penicillata (Sagui-de-tufos-pretos); Coendou insidiosus (ouriço-cacheiro); Dasyprocta sp. (Cutia).
Aves Agelaiodes badius (Asa-de-telha); Amazilia lactea (Beija-flor-de-peito azul); Anthracothorax nigricollis (Beija-flor-de-veste preta); Athene cunicularia (Coruja-buraqueira); Brotogeris chiriri (Periquito-de-asa amarela); Caracara plancus (Carcará); Cathartes burrovianus (Urubu-de-cabeça amarela); Chlorostilbon lucidus (Besourinho-de-bico-vermelho); Coereba flaveola (Cambacica); Columbina picui (Rolinha-picuí); Columbina squammata (Rolinha-fogo- apagou); Columbina talpacote (Rolinha-caldo-de feijão); Coragyps atratus (Urubu-de-cabeça-preta); Coryphospingus pileatus (Cristinha); Crysomus ruficapillus (Garibalde); Cyanocorax cyanopogon (Gralha-cancã); Cyclarhis gujanensis (Pitiguari); Dacnis cayana (Saí-azul); Elaenia flavogaster (Guaracava-de-barriga-amarela); Eupetomena macroura (Beija-flor-tesoura); Eupsittula cactorum (Periquito-vaqueiro); Falco sparverius (Quiriquiri); Fluvicola nengeta (Lavadeira- mascarada); Furnarius rufus (João-de-barro); Gnorimopsar chopi (Pássaro-preto); Guira guira (Anu-branco); Lepidocolaptes angustirostris (Arapaçu-do-cerrado); Megarynchus pitangua (Bem-te-vi-de-bico- chato); Milvago chimachima (Gavião-carrapateiro); Mimus saturninus (Sabiá-do-campo); Molothrus bonariensis (Chupim); Molothrus rufoaxillaris (Vira-bosta-picumã); Myiarchus ferox (Maria-cavaleira); Myiarchus tyrannulus (Maria-cavaleira-de rabo-enferrujado); Myiophobus fasciatus (Filipe); Myiothlypis flaveola (Canário-do-campo); Myiozetetes similis (Bentevizinho-de-penacho-vermelho); Nystalus maculatus (Rapazinho-dos-velhos); Ortalis guttata (Araquã); Phacellodomus rufifrons (João-de-pau); Phaeomyias murina (Bagageiro); Piaya cayana (Alma-de-gato); Pitangus sulphuratus (Bem-te-vi); Polioptila plumbea (Balança-rabo-de-chapéu-preto).
Insetos (Gêneros da Família Formicidae) Acropyga; Anochetus; Apterostigma; Atta; Azteca; Brachymyrmex; Camponotus; Cephalotes; Crematogaster; Cyphomyrmex; Dolichoderus; Dorymyrmex; Eciton; Ectatomma; Gnamptogenys; Heteroponera; Hypoponera; Hylomyrma; Labidus; Linepithema; Megalomyrmex; Myrmelachista; Ochetomyrmex; Octostruma; Odontomachus; Oxyepoecus; Pachycondyla; Paratrechina; Pheidole; Pseudomyrmex; Pyramica; Quadristruma; Solenopsis; Stegomyrmex; Thaumatomyrmex; Trachymyrmex; Wasmannia.
Répteis Chelonoidis carbonaria (Jabuti-piranga); Phrynops geoffroanus (Cágado-de-barbicha); Psilops paeminosus (Lagarto-de-cauda-vermelha); Ameiva ameiva (Calango-verde); Oxyrophus trigeminus (Cobra-coral-falsa); Micrurus ibiboboca (Cobra-coral-verdadeira); Bothrops (Cobra-jararaca); Liophis sp (Cobra-verde); Boa constrictor (Jiboia); Pseudoboa nigra (Cobra-preta); Tupinambis teguixin (Teiú); Waglerophis merremii (Cobra-poipeba).
Flora do Parque da Serra do Periperi
Angiospermas (famílias) Anacardiaceae; Anonaceae; Aquifoliaceae; Araliaceae; Arecaceae; Asteraceae; Bignoniaceae; Boraginaceae; Burseraceae; Cactaceae; Caryocaraceae; Cecropiaceae; Celastraceae; Clusiaceae; Commelinaceae; Connaraceae; Convolvulaceae; Cyperaceae; Dicksonaceae; Ebenaceae; Ericaceae; Erythroxylaceae; Euphorbiaceae; Fabaceae; Lamiaceae; Lauraceae; Magnoliaceae; Malpighiaceae; Malvaceae; Melastomataceae; Myrsinaceae; Myrtaceae; Nyctaginaceae; Ochnaceae; Olacaceae; Orchidaceae; Passifloraceae; Phytolaccaceae; Polygaleaceae; Portulacaceae; Proteaceae; Rhamnaceae; Rubiaceae; Rutaceae; Salicaceae; Sapindaceae; Solanaceae; Styracaceae; Verbenaceae; Vochysiaceae.
Briófitas (famílias) Aneuraceae; Calymperaceae; Caphaloziellaceae; Dicranaceae; Hypnaceae; Jubulaceae; Lejeuneaceae; Lepidoziaceae; Metzgeriaceae; Meteoriaceae; Myrsinaceae; Neckeraceae; Orthotrichaceae; Phyllogoniaceae; Pilotrichaceae; Plagiochilaceae; Porellaceae; Pottiaceae; Pterobryaceae; Radulaceae; Rhizogoniaceae; Sematophyllaceae.
Espécies endêmicas No Território há algumas espécies endêmicas e ameaçadas como o Melocactus conoideus e o Rhopornis ardesiacus (Gravatazeiro).
Aspectos genéticos Com relação aos aspectos genéticos, existe uma certa variedade de estudos realizados, em sua maioria estas pesquisas estão presentes no município de Vitória da conquista, no entanto, é possível encontrar: estudos sobre variabilidade genética do umbuzeiro (Spondias tuberosa) em Anagé, estudos em Barra do Choça com análise de fungo (Fusarium oxysporum f. sp. cubense) e café (Coffea arabica), estudos sobre clones de mandioca (Manihot esculenta Crantz) em Cândido Sales, análise de genes de caprinos autóctones em Caraíbas, e por fim estudos diversos no âmbito genético sobre o maracujá (Passiflora sp.) em Anagé, Belo Campo, Cândido Sales, Condeúba, Cordeiros, Encruzilhada, Jacarací, Licínio de Almeida, Mortugaba, Piripá, Poções e Tremedal.