Heitor Sant’Anna Martins (Marília, 6 de novembro de 1967) é um consultor de empresas, colecionador de arte e gestor cultural brasileiro. É sócio sênior da consultoria McKinsey & Company. De 2014 a 2025, exerceu a presidência do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP). Presidiu a Fundação Bienal de São Paulo entre 2009 e 2013. Foi vice-presidente da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) entre 2013 e 2016. Integra conselhos de diversas instituições culturais e educacionais no Brasil.
Vida pessoal
Heitor Martins é casado com a advogada e empresária Fernanda Feitosa, fundadora da SP-Arte, com quem tem dois filhos. Ele é filho de Antônio Guerzoni Martins, médico, e de Nilce Sant’Anna Martins, professora universitária e linguista.
Formação e carreira Formou-se em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 1989 e concluiu, em 1993, o MBA na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.
Iniciou sua carreira na consultoria McKinsey & Company em 1993, no escritório de São Paulo, e desde então atua como consultor de empresas nos setores financeiro e de tecnologia. Ao longo de sua trajetória na McKinsey, ocupou cargos de liderança, incluindo a direção do escritório de Buenos Aires entre 2000 e 2004. Desde 2005, Martins é sócio sênior da firma.
Paralelamente à carreira corporativa, Martins envolveu-se em iniciativas do terceiro setor, especialmente em educação e cultura, refletindo um perfil voltado tanto para negócios quanto para o terceiro setor.
Bienal de São Paulo Heitor Martins assumiu a presidência da Fundação Bienal de São Paulo em 2009, logo após a polêmica 28ª Bienal de 2008, conhecida como a “Bienal do Vazio”, na qual um piso inteiro do pavilhão permaneceu sem obras como provocação artística.
Ao iniciar seu mandato, deparou-se com uma dívida superior a R$ 5 milhões e o desafio de organizar a 29ª Bienal em apenas pouco mais de um ano. Sob sua gestão, a instituição manteve a realização da Bienal de 2010, que se caracterizou por um pavilhão plenamente ocupado por obras de arte, em contraste direto com o vazio da edição anterior. Martins também conduziu a 30ª Bienal de São Paulo, em 2012, que inovou ao trazer pela primeira vez um curador estrangeiro, o venezuelano Luis Pérez-Oramas, então ligado ao MoMA de Nova York.
Ele permaneceu na presidência da Bienal até 2013, período em que a fundação recuperou sua estabilidade financeira e reforçou seu prestígio no circuito internacional de arte.
Museu de Arte de São Paulo (MASP) Em novembro de 2014, Heitor Martins foi convidado a assumir a presidência do MASP, encontrando o museu em meio a uma grave crise financeira e institucional. Sua gestão implementou uma reestruturação do modelo de governança do museu, estabelecendo novas parcerias com a iniciativa privada e ampliando o conselho deliberativo e o grupo de patronos do museu.
Martins liderou um esforço de captação de recursos junto a colecionadores e empresários: em poucos meses, foram levantados recursos para sanar as dívidas da instituição. Além disso, Martins realizou uma ampla reforma administrativa, racionalizando gastos e melhorando processos e fortalecendo a gestão do museu. Esse saneamento das contas, aliado à atração de novos doadores, permitiu ao MASP estabilizar suas finanças e retomar projetos estratégicos.
Para ampliar as fontes de financiamento da instituição e engajar apoiadores, a gestão Martins lançou programas de patronato e doações, a exemplo do Amigo MASP (voltado a pessoas físicas) e do Empresa Amiga do MASP, além de Patronos e Jovens Patronos do MASP. Esses programas, junto a uma política de ingressos gratuitos em dias específicos, contribuíram para o aumento do público e da receita própria do museu.
Martins reforçou a equipe e a programação cultural do museu, nomeando o curador Adriano Pedrosa como diretor artístico em 2014, medida que aumentou a visibilidade do MASP e resultou em exposições de grande repercussão, como Tarsila Popular (2019) e Histórias Afro-Atlânticas (2018), eleita pelo New York Times como a melhor mostra do ano. Em 2022, em reconhecimento ao trabalho realizado no MASP, Adriano Pedrosa foi apontado curador-geral da Bienal de Veneza.
Em 2015, a gestão Martins resgatou um elemento icônico da museologia do MASP ao reinstalar os cavaletes de cristal de Lina Bo Bardi – suportes de vidro e concreto para expor pinturas – quase vinte anos após terem sido retirados. Essa iniciativa fez parte de um esforço maior de revitalização do museu, incluindo a revisão de expografia, publicações de catálogos e revalorização do acervo.
Sob a liderança de Martins, o MASP também passou a investir na diversificação de seu acervo, orientando novas aquisições para artistas e narrativas historicamente sub-representadas. Obras exibidas em exposições da série “Histórias” (como Histórias das Mulheres em 2019 e Histórias Brasileiras em 2021-22) tornaram-se foco de aquisição para o museu, aumentando significativamente a presença de artistas negros e mulheres em seu acervo. Como resultado, a proporção de obras de artistas mulheres na coleção, que era de apenas 6%, ultrapassou 20% nos anos recentes.
Ao longo da gestão de Martins, o público do museu cresceu de forma contínua: de 314.859 visitantes em 2015, para 440.000 em 2022 e 580.508 em 2024. Em 2025, a exposição A ecologia de Monet tornou-se a mais visitada da história do museu, com 502.642 visitantes até a data de encerramento em 6 de setembro.
Durante a gestão de Martins, foi iniciada a restauração do edifício projetado por Lina Bo Bardi, contemplando a recuperação de elementos da arquitetura original, melhorias nas reservas técnicas e salas expositivas, modernização de sistemas de climatização e iluminação, substituição dos elevadores, assim como a atualização do sistema de segurança.
Também foi concebido e realizado um ambicioso projeto de expansão e modernização da infraestrutura do MASP, que adicionou 7.680 m² ao complexo do museu com a construção de um novo prédio anexo de 14 andares, o Edifício Pietro Maria Bardi, inaugurado em 2025. A ampliação resultou em um aumento de 66% da área expositiva disponível e cinco novas galerias, permitindo ao museu projetar um aumento significativo de público anual. O projeto de expansão, elaborado originalmente pelo arquiteto Júlio Neves e desenvolvido pelo escritório Metro Arquitetos Associados (liderado por Martin Corullon e Gustavo Cedroni), incluiu a construção de uma galeria subterrânea de 48,8 metros ligando as duas edificações e a incorporação de docas para carga e descarga de obras de arte, solucionando limitações logísticas do edifício histórico. A nova torre foi revestida de chapas metálicas perfuradas, com proporções que dialogam com o prédio de Lina Bo Bardi, e equipada com sistemas modernos de climatização e iluminação em LED, reduzindo pela metade o consumo de energia do museu. Todo o investimento, da ordem de R$ 250 milhões, foi custeado integralmente por doações de pessoas físicas e famílias patronas, sem uso de leis de incentivo fiscal.
Em novembro de 2024, a Prefeitura de São Paulo anunciou a concessão gratuita do vão livre (espaço sob pilotis do MASP) ao museu, pelo período de 20 anos, para a realização de atividades culturais. Com essa medida, o vão livre passou a funcionar como uma extensão pública do MASP, recebendo programação cultural gratuita e de livre acesso a toda a população, desde instalações artísticas interativas, como a obra O Outro, Eu e os Outros do colombiano Iván Argote (montada em abril de 2025 no local), até eventos pedagógicos e comunitários.
Conselhos e atividades institucionais Além de suas posições executivas, Heitor Martins participa de conselhos em organizações culturais, educacionais e do terceiro setor. Foi vice-presidente do Conselho de Administração da Fundação Osesp (entidade gestora da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) de 2013 a 2016, período em que colaborou para a criação de um conselho na instituição e para a expansão de mecanismos de captação de recursos voltados à música erudita.
No âmbito das políticas públicas, entre 2019 e 2022 integrou o Conselho Estadual de Cultura e Economia Criativa da Secretaria da Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, órgão responsável por avaliar programas e propor diretrizes para a política cultural do Estado.
Atualmente, é membro dos conselhos do Insper e Fundação Itaú para Educação e Cultura.
Reconhecimentos Em 2010, a APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) homenageou a guinada promovida na Fundação Bienal sob a liderança de Heitor Martins, concedendo à instituição o prêmio de Iniciativa Cultural na premiação referente àquele ano.
Em 2015, o trabalho de reestruturação do MASP sob a gestão de Heitor Martins foi reconhecido pela APCA, que concedeu o prêmio na categoria Patrimônio Cultural (Arquitetura e Urbanismo) à recuperação da expografia original do museu – honraria dividida entre Martins (como presidente do MASP), Adriano Pedrosa (curador) e os arquitetos Martin Corullon e Gustavo Cedroni.
Em 2022, Heitor Martins foi agraciado pelo Governo do Estado de São Paulo com a Medalha Mário de Andrade, distinção que homenageia personalidades de destaque na cultura e economia criativa.
Em 2023, Martins foi listado pela Bloomberg Línea entre as 500 pessoas mais influentes da América Latina, em reconhecimento à sua atuação de destaque no cenário das artes e da cultura na região.
Por duas vezes, em 2010 e 2024, foi entrevistado no programa Roda Vida da TV Cultura, onde discutiu temas relacionados à gestão cultural e o panorama das artes no Brasil.
Categoria:Naturais de Marília Categoria:Empresários brasileiros do século XX Categoria:Empresários brasileiros do século XXI