Os ciclones extratropicais no sul do Brasil em 2023 foram uma série de ciclones extratropicais que ocorreram nos estados da Região Sul do Brasil em 2023. O ano foi marcado por uma sequência atípica de ciclones extratropicais, com três sistemas principais causando impactos severos entre maio e setembro e a Metsul classificando o ano como um dos mais ativos.

Contexto Ciclones extratropicais são fenômenos comuns em áreas de clima temperado (latitudes médias) em todo planeta, onde ocorrem principalmente no inverno, podendo se formar também no outono e na primavera e mais raramente, no verão. A Região Sul do Brasil está no meio do caminho entre o Polo Sul e a região tropical, com grande contraste térmico, o que favorece a formação de ciclones deste tipo nesta área e nos países vizinhos.

Em 2023, diversos desses sistemas afetaram o sul do Brasil, incluindo três sistemas principais, o ciclone que em junho atingiu os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina causando mais de 30 mortes, outro que em julho deixou 3 mortos e milhares de residências sem energia elétrica nos mesmos estados e outro em setembro, que causou um dos maiores desastres naturais no sul do Brasil em décadas recentes.

Um raro "ciclone extratropical de verão" também se formou pouco antes do Natal.

Ciclones São sistemas de baixa pressão atmosférica de escala sinótica com ventos rotativos e dividem-se em três tipos principais, tropicais, extratropicais e subtropicais, classificados de acordo com sua estrutura térmica, o local onde se formam e a fonte de energia que os alimenta.

Ciclones extratropicais São ciclones que ocorrem nas regiões de latitudes médias e que obtêm sua energia por métodos diferentes daqueles usados por outros fenômenos ciclônicos, tais como ciclones tropicais e as baixas polares, permitindo a sua classificação como sistemas de "núcleo frio". Algumas de suas características incluem:

é o único tipo de ciclone que tem uma frente fria associada são muitas vezes associados à queda de neve no Rio Grande do Sul e Santa Catarina e a fortes nevascas nos Estados Unidos e na Europa devido aos impactos que causam na Europa, recebem nomes durantes as temporadas anuais de tempestade ciclônicas invernais causam tempo adverso em grande escala [como outros tipos de ciclones], como ventos que podem passar de 120 km/h e chuvas intensas

Resumo da temporada

28 de maio - teve origem em uma área de baixa pressão que se deslocou do Paraguai perpendicularmente sobre o Rio Grande do Sul 15 e 16 de junho - teve origem próximo à costa do Rio Grande do Sul (RS) e de Santa Catarina (SC) 8 de julho - surgiu junto ao litoral do RS e de SC 12 e 13 de julho - ganhou força e se estruturou sobre o território do RS 26 de julho - se desenvolveu no mar, na costa do Uruguai, próximo ao extremo sul do RS 18 de agosto - se formou sobre o oceano, entre o litoral do Uruguai e o da província de Buenos Aires 4 de setembro - teve formação marítima, no litoral do Uruguai e no sul do RS 8 de setembro - surgiu no mar, entre a costa do Uruguai e da província de Buenos Aires 13 de setembro - se originou nas proximidades do litoral do RS e de SC 26 e 27 de setembro - teve origem na costa gaúcha

Ciclones extratropicais notáveis

Ciclone de 28 de maio No final de maio de 2023 se formou o primeiro ciclone extratropical importante da "temporada" no Sul do Brasil. O sistema teve origem em uma área de baixa pressão que se deslocou do Paraguai perpendicularmente sobre o Rio Grande do Sul no dia 28 e desembocou no Atlântico na altura da Lagoa dos Patos. A Defesa Civil do RS emitiu dois alertas de "risco moderado" para ventos no sul e leste do estado, com previsão de rajadas de até 90 km/h, enquanto o portal Metsul alertava para rajadas que poderiam alcançar 100 km/h e descrevia "um cenário de elevado perigo por vento muito forte a significativamente intenso". Além dos ventos, prefeituras como a de Torres também emitiram alertas para alagamentos, deslizamentos e queda de árvores, orientando a população a evitar deslocamentos desnecessários. Um destaque desse evento foi a interação do ciclone com uma massa de ar polar vinda do sul, que criou condições ideais para neve. Na manhã do dia 29, o Inmet confirmou a ocorrência de neve em São José dos Ausentes-RS e em São Joaquim-SC, na Serra Gaúcha.

Ciclone de 15-16 de junho thumb|O ciclone na tarde de 16 de junho de 2023, já com o centro organizado, sobre o Oceano Atlântico O ciclone extratropical no sul do Brasil de 15-16 de junho de 2023 atingiu os estados do Rio Grande do Sul (RS) e de Santa Catarina (SC). A maior intensidade foi observada entre a noite de 15 e a manhã de 16 de junho de 2023, principalmente na região nordeste do RS e sudeste de SC. O ciclone extratropical causou o "maior desastre natural das últimas quatro décadas no estado" do RS. O sistema começou a se formar no dia 13 de junho a partir de uma área de baixa pressão perto de São Paulo, que, conforme se deslocou para o sul, começou a ser organizar num ciclone, cujo centro, entre 15 e 16 de junho, se aproximou muito da costa entre a divisa do RS e SC.

Na manhã de 15 de junho o INMET emitiu um alerta laranja, de "perigo", para chuvas intensas que poderiam chegar a 100 mm em 24h e ventos de até 100 km/h para áreas do Rio Grande do Sul (RS) e Santa Catarina (SC). À tarde, esse alerta foi elevado para vermelho, de "grande perigo", sendo que o acumulado de chuva poderia "superar os 100 mm em 24h, com ventos de mais de 100 km/h". O portal especializado Metsul chamava a situação de "perigosa". "Este ciclone será o mais forte a atuar junto ao Rio Grande do Sul e o Sul Catarinense desde a passagem em maio do ano passado da tempestade subtropical Yakecan", avisava a Metsul também. Em 15 de junho o ciclone propriamente dito começou a se formar, causando chuvas intensas e ventania em toda região nordeste do Rio Grande do Sul e em algumas cidades mais a sudeste de Santa Catarina. Segundo o INMET, até o início da manhã do dia 16 havia chovido 206,2 mm em Teutônia, no RS, e ventos de 112 km/h em Bom Jardim da Serra (SC) e de 102 em Tramandaí (RS) haviam sido registrados.

No dia 17, uma comitiva formada pelo governador Eduardo Leite, pelo ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, e pelo ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Paulo Pimenta, vistoriou as áreas mais atingidas. Dezesseis (16) pessoas morreram no RS, no chamado "maior desastre natural relacionado a chuvas intensas das últimas quatro décadas no Estado". 54 municípios tiveram danos ou pessoas atingidas, incluindo 15 mil pessoas desabrigadas e desalojadas. Cerca de 3 mil produtores rurais também tiveram perdas, numa região que é grande produtora de hortigranjeiros. O total de perdas financeiras, segundo o governo estadual, girava em torno de R$ 91 milhões. Em Santa Catarina um barco com 8 pescadores virou no mar no dia 16 devido à agitação marítima provocada pelo ciclone. Seis pessoas foram resgatadas e duas morreram. No estado, a cidade de Praia Grande decretou Situação de Emergência ainda na sexta-feira, 16. Outros 20 municípios também foram atingidos.

Cickone de 12-13 de julho thumb|Ciclone extratropical na costa do Brasil em 13 de julho de 2023

O ciclone extratropical no sul do Brasil em julho de 2023 atingiu os estados do Rio Grande do Sul (RS) e de Santa Catarina (SC). A região mais atingida por essa série de tempestades desde o dia 12 foi o litoral do Rio Grande do Sul, onde ocorreram ventos de até 140 km/h e granizo.

No município de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, um idoso perdeu a vida quando sua residência foi atingida por uma árvore. Na cidade costeira de Itanhaém, no litoral do estado de São Paulo, uma idosa foi eletrocutada por fios derrubados devido à queda de galhos. Em São José dos Campos, no interior de São Paulo, outra mulher perdeu a vida após ser atingida por um tronco de árvore.

Mais de um milhão de pessoas na região Sul do país ficaram sem energia elétrica devido aos fortes ventos, que também causaram a suspensão dos voos no Aeroporto Internacional de Florianópolis por quase 24 horas, afetando também as operações nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos, na Grande São Paulo. Os portos nas regiões Sul e Sudeste também tiveram seu funcionamento prejudicado. Na Serra do Mar, no estado do Paraná, turistas ficaram presos por 10 horas em um trem devido às condições climáticas adversas.

Ciclone de 4-5 de setembro

thumb|Ciclone extratropical na costa do Brasil em 4 de setembro de 2023 O ciclone extratropical no sul do Brasil em setembro de 2023 foi um ciclone extratropical que ocorreu entre os dias 4 e 5 de setembro de 2023 na costa leste do estado brasileiro do Rio Grande do Sul. A tempestade trouxe chuvas e ventos fortes que resultaram em perdas de vidas e danos econômicos de 1,3 bilhões de reais. As enchentes também afetaram vários municípios do Rio Grande do sul, incluindo Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Ibiraiaras, Lajeado do Bugre, Nova Bassano, Santo Expedito do Sul, e São Jorge. As cheias levaram à declaração de estado de emergência no estado pelo governador Eduardo Leite.

A frente fria e uma corrente de jato em baixos níveis que atuaram junto ao ciclone agravaram a situação meteorológica e provocaram uma enorme quantidade de chuva, fortes rajadas de vento e queda de granizo no estado e em partes de Santa Catarina. O desfecho mais impactante das severas condições meteorológicas combinadas foram as enchentes no Vale do Taquari, que afetaram cerca de 359 mil pessoas, deixaram 5 mil desabrigados e mais de 21 mil desalojados, além de 54 mortos e quatro desaparecidos, o que fez deste o maior desastre natural no Rio Grande do Sul em mais de seis décadas e o segundo maior em número de mortes, atrás somente das enchentes de 1959 [e depois das enchentes de 2024]. Em Santa Catarina houve uma morte e registros de feridos.

Ciclone de 4 de novembro Houve avisos sobre o ciclone desde o início de novembro, com alertas para chuva e vento intensos. O Inmet emitiu um alerta de cor laranja, indicando "perigo" moderado, com previsão de rajadas de vento de mais de 90 km/h e chuva de mais de 100 milímetros.

Entre a noite de 3 de novembro de manhã do dia 4, o ciclone provocou ventania ao estado, com rajadas de vento acima de 100 km/h em várias regiões. A Metsul confirmou ventos "muito fortes e em alguns pontos até violentos", com pico de 127,1 km/h em Cambará do Sul. Em alto mar, as rajadas passaram de 150 km/h.

Houve destelhamentos, queda de árvores e postes em diversos municípios e mais de 1 milhão de pessoas ficaram sem luz apenas na área da empresa CEEE Equatorial.

Ver também Ciclone bomba no sul do Brasil em 2020 Ciclones do Atlântico Sul Ciclone Catarina Impactos do aquecimento global no Brasil

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