Civil War é um filme distópico britânico-estadunidense de 2024, dos gêneros drama bélico e ação, dirigido por Alex Garland, e estrelado por Kirsten Dunst, Wagner Moura, Cailee Spaeny, Stephen McKinley Henderson, Sonoya Mizuno e Nick Offerman. Com um roteiro do próprio Garland, a trama retrata a história de uma equipe de jornalistas que viaja pelos Estados Unidos durante uma guerra civil, que se intensifica progressivamente enquanto envolve toda a nação.

"Civil War" estreou no South by Southwest (SXSW) em 14 de março de 2024. Nos Estados Unidos, o filme foi distribuído nos cinemas em 12 de abril de 2024, pela A24, mesmo dia em que foi lançado no Reino Unido, pela Entertainment Film Distributors. No Brasil e em Portugal, o filme foi lançado nos cinemas em 18 de abril de 2024.

O filme obteve uma recepção geralmente positiva da crítica especializada, que elogiou amplamente as atuações de Dunst e Moura, além de ter arrecadado mais de US$ 120 milhões mundialmente. A produção também recebeu elogios pela sua abordagem aos temas políticos contemporâneos, incluindo preocupações com o declínio democrático e o aumento da polarização política.

Enredo 279px|thumb|Mapa representando a divisão dos Estados Unidos no filme. Estados Lealistas da Ditadura Forças Ocidentais Separatistas Aliança da Flórida Novo Exército Popular|esquerda

Em um futuro próximo e distópico, os Estados Unidos são rasgados por uma guerra civil entre o governo estadunidense e as "Forças Ocidentais (FO) Separatistas", lideradas pelo Texas e pela Califórnia. Durante a cobertura de um protesto em Nova Iorque, a experiente fotojornalista Lee Smith (Kirsten Dunst) salva a novata Jessie Cullen (Cailee Spaeny) de um atentado a bomba. Mais tarde, Lee e seu colega Joel (Wagner Moura) discutem seus planos para irem a Washington, D.C. tentar uma entrevista com o presidente dos Estados Unidos, cuja queda é considerada iminente. O jornalista veterano Sammy (Stephen McKinley Henderson) se oferece para ir com eles pelo menos até Charlottesville, ciente de que sua idade e condição física limitarão seus movimentos em caso de emergência. Antes de iniciarem a jornada, Lee descobre que Joel aceitou levar também Jessie e tenta convencê-lo a não levá-la por ser muito jovem, mas acaba cedendo.

A caminho da capital, o grupo para em um posto controlado por uma milícia e consegue negociar gasolina em troca de dólares canadenses. Durante a parada, Jessie é levada por um miliciano para um local onde dois reféns são torturados. Lee se aproxima e registra fotos. Jessie mais tarde lamenta ter "petrificado" diante da situação em vez de fotografar.

No dia seguinte, o grupo acompanha de perto um grupo de milicianos que cerca, encurrala e enfim executa soldados aliados ao governo. Jessie perde um pouco do seu medo e consegue registrar fotos em meio ao tiroteio.

Adiante na jornada, o grupo passa em uma cidade que parece seguir a vida à revelia do que acontece no resto do país, apenas para descobrir na partida que o local é guardado por homens armados no topo dos prédios. Mais tarde, eles são atacados por um franco-atirador e acompanham dois soldados que tentam derrubá-lo a distância até terem sucesso. Conforme suas habilidades melhoram, Jessie pergunta se Lee a fotografaria sendo morta, e a fotojornalista responde "O que você acha?".

Após sair da cidade, o quarteto percebe estar sendo seguido, mas são apenas Tony (Nelson Lee) e Bohai (Evan Lai), dois repórteres de Hong Kong conhecidos de Joel e Lee. Num momento de descontração, Tony e Jessie trocam de carro com os veículos em movimento e Bohai acelera até sair de vista.

Logo depois, o carro é encontrado à beira da estrada e com as portas abertas. Com sua teleobjetiva, Lee observa que Jessie e Bohai estão na mira de militares que se preparam para dar fim a cadáveres em uma vala comum. Lee, Joel e Tony tentam se aproximar para dialogar, mas um miliciano (Jesse Plemons) executa Tony e Bohai ao descobrir que não são "americanos de verdade". Sammy, que ficou para trás por conta de suas limitações, usa o carro da equipe para atropelar o miliciano e seu parceiro e resgatar o trio, mas acaba baleado e morto por um terceiro miliciano durante a fuga.

Ao chegarem a Charlottesville, a equipe se frustra ao descobrir que as FOs já estão prontas para o ataque final contra o presidente, inviabilizando, portanto, a desejada entrevista e tornando a morte de Sammy um sacrifício em vão. O trio decide acompanhar os militares até Washington, de qualquer forma. Na capital, Lee, Joel, Jessie e uma dupla de jornalistas concorrentes (Sonoya Mizuno e Jefferson White) registram vários momentos do intenso conflito conforme as FOs fecham o cerco na Casa Branca.

A limusine presidencial é vista deixando o local com dois outros carros de escolta, mas todos acabam cercados e mortos. Lee deduz que o presidente nunca entrou em nenhum dos veículos e ainda está na Casa Branca. Enquanto a dupla concorrente foca na limusine, o trio entra com exclusividade no local e acompanha mais tiroteios.

Em dado momento, Jessie se coloca no fogo cruzado para pegar uma foto e Lee se sacrifica para salvá-la, tendo sua morte fotografada momento a momento pela pupila. Findada a batalha, Joel entra no Salão Oval com três soldados e pede que o presidente, já rendido, não seja morto. Ele então solicita uma declaração do mandatário, e ele responde: "Não deixe que eles me matem!". Joel se diz satisfeito com a frase e vai embora. O presidente é executado e Jessie fotografa o momento com exclusividade.

Elenco Kirsten Dunst como Lee Smith, uma renomada fotojornalista de guerra do Colorado Wagner Moura como Joel, um jornalista da Reuters e colega de Lee da Flórida Cailee Spaeny como Jessie Cullen, uma jovem do Missouri aspirante a fotógrafa que acompanha Lee e Joel em sua jornada Stephen McKinley Henderson como Sammy, um jornalista veterano e mentor de Lee e Joel que trabalha para o The New York Times Sonoya Mizuno como Anya, uma repórter britânica cobrindo a guerra civil Nick Offerman como o Presidente dos Estados Unidos, um presidente ditatorial atualmente cumprindo seu terceiro mandato Nelson Lee como Tony, um repórter de Hong Kong que é amigo de Lee e Joel Evan Lai como Bohai, um repórter de Hong Kong que é colega de Tony Jefferson White como Dave, o cinegrafista de Anya Juani Feliz como Joy Butler Edmund Donovan como Eddie Karl Glusman como Atirador de Tocaia Jin Ha como Atirador Especial Jojo T. Gibbs como Sargento da Casa Branca Juani Feliz como Joy Butler, uma agente do Serviço Secreto James Yaegashi como Cabo Comercial, líder de um grupo de milicianos Greg Hill como Pete Jess Matney como Soldado do Posto de Controle Notas Jesse Plemons fez uma participação não-creditada como um miliciano ultranacionalista e racista.

Produção Desenvolvimento e escolha de elenco Em janeiro de 2022, Alex Garland concordou em escrever e dirigir o filme para a A24, com Kirsten Dunst, Wagner Moura, Stephen McKinley Henderson e Cailee Spaeny no elenco. Em abril, Karl Glusman foi escalado para o filme. Em uma entrevista para o The Telegraph em maio, Garland descreveu a produção como um complemento ao seu filme de 2022, "Men", e disse que se passa "em um ponto indeterminado no futuro – apenas o suficiente para que eu possa adicionar um conceito – e serve como uma alegoria de ficção científica para a nossa atual situação polarizada". Na mesma entrevista, Sonoya Mizuno, que participou de todos os filmes anteriores de Garland, foi anunciada como parte do elenco.

Jesse Plemons, que é casado com Dunst, foi rapidamente adicionado ao elenco em um papel não-creditado por sugestão de sua esposa, depois que o ator originalmente escalado ficou indisponível alguns dias antes do início das filmagens. Garland chamou a disponibilidade de Plemons de "uma sorte impressionante".

Filmagens As filmagens começaram em 15 de março de 2022, em Atlanta. Em maio, a locação das gravações mudou para Londres. O orçamento de produção do filme foi de US$ 50 milhões, tornando-se o filme mais caro da A24. A produção foi filmada com a câmera para amadores avançados (prosumer, em inglês) DJI Ronin 4D. O final do filme, ambientado em Washington, D.C., exigiu meses de planejamento, com Alex Garland e o diretor de fotografia Rob Hardy conduzindo uma série de discussões com a designer de produção Caty Maxey, o supervisor de efeitos visuais David Simpson, o supervisor militar Ray Mendoza e o coordenador de dublês Jeff Dashnaw.

Em uma entrevista para o The Guardian em março de 2024, Garland afirmou que, após a distribuição do filme, pretende deixar de dirigir produções e se concentrar apenas em escrever.

Pós-produção O editor de cinema, Jake Roberts e o editor de som Glenn Freemantle se uniram novamente com Garland, assim como o supervisor de efeitos visuais David Simpson, com a Framestore.

Lançamento A estreia do filme aconteceu no festival South by Southwest (SXSW), em 14 de março de 2024, com reações favoráveis do público e respostas positivas da crítica especializada.

Nos Estados Unidos, o filme foi distribuído nos cinemas em 12 de abril de 2024, pela A24, mesmo dia em que foi lançado no Reino Unido, pela Entertainment Film Distributors. A produção também foi lançada em IMAX e Dolby Cinema. No Brasil e em Portugal, foi lançado nos cinemas em 18 de abril de 2024, pela Diamond Films e Cinemundo, respectivamente.

Inicialmente, o lançamento estava previsto para 26 de abril de 2024. A Guerra Civil dos Estados Unidos também começou em 12 de abril, exatamente 163 anos antes da estreia do filme.

O filme também foi convidado para ser exibido no 29.º Festival Internacional de Cinema de Busan, com transmissões em um cinema ao ar livre em outubro de 2024.

Mídia doméstica Em 24 de maio de 2024, o filme foi lançado em vídeo sob demanda; e em 9 de julho de 2024, também foi lançado em DVD, Blu-ray e Ultra HD Blu-ray, pela Lionsgate Home Entertainment.

Marketing e controvérsia Em 17 de abril de 2024, a A24 promoveu o filme no Instagram postando cinco imagens criadas por inteligência artificial (IA), cada uma mostrando uma cidade dos Estados Unidos em um caos pós-apocalíptico. As imagens foram criticadas por representarem incorretamente certos cenários urbanos: A imagem gerada por inteligência artificial de Chicago erroneamente retratou o complexo de apartamentos Marina City, com os prédios representados como separados por uma ilha inexistente no Rio Chicago. Na vida real, os prédios estão localizados diretamente um ao lado do outro.

Dado que o uso de inteligência artificial continua sendo um tema controverso na comunidade cinematográfica, e após apelos no início do ano para um boicote ao filme "Late Night with the Devil" pela utilização de inteligência artificial, as imagens promocionais obtiveram uma reação negativa. Uma fonte ligada à produção confirmou para a The Hollywood Reporter que eram "imagens de IA inspiradas no filme. O filme inteiro é um grande 'e se' e por isso queríamos continuar esse pensamento nas redes sociais – imagens poderosas de marcos icônicos com aquele realismo distópico".

Recepção

Peter Debruge, em sua crítica para a revista Variety, escreveu: "Garland é a última pessoa a sugerir um abraço em grupo. Como declaração, sua poderosa visão nos deixa abalados, efetivamente repetindo a pergunta que acalmou os distúrbios em Los Angeles: Será que todos podemos nos dar bem?" Robbie Collin, para o The Telegraph, deu ao filme 5/5 estrelas, escrevendo que "a visão do diretor de Ex Machina de uma América implodindo não é nem anti-Trump nem anti-woke. Em vez disso, é tão cativante quanto o cinema pode ser". Matt Zoller Seitz, para o RogerEbert.com, deu ao filme 4/5 estrelas e comparou-o a filmes sobre "jornalistas ocidentais cobrindo o colapso de países estrangeiros", como "The Year of Living Dangerously" e "Welcome to Sarajevo", elogiando o filme como "furiosamente convincente e perturbador".