thumb|A Queda dos Anjos Rebeldes, de Luca Giordano; uma imagem comum de batalha espiritual. A batalha espiritual ou guerra espiritual, é o conceito cristão de lutar contra as obras de forças malignas sobrenaturais. Baseia-se na crença bíblica em espíritos malignos, ou demônios, que supostamente intervêm nos assuntos humanos de várias maneiras. Embora a guerra espiritual seja uma característica proeminente das igrejas neocarismáticas (neopentecostais), várias outras denominações e grupos cristãos também adotaram práticas embasadas nos conceitos de guerra espiritual, com a demonologia cristã muitas vezes desempenhando um papel fundamental nestas práticas e crenças, ou tinham tradições mais antigas de tal conceito, sem relação com o movimento neocarismático, como as orações exorcísticas da Igreja Católica e das várias igrejas ortodoxas orientais.

A oração é uma forma comum de "guerra espiritual" praticada entre estes cristãos. Outras práticas podem incluir exorcismo, imposição de mãos, jejum com oração, louvor e adoração, e unção com óleo.

Doutrinas de Guerra Espiritual e Exorcismo Demonologia cristã convencional O cristianismo convencional normalmente reconhece uma crença na existência (ou existência ontológica) de demônios, anjos caídos, Diabo e Satanás. No evangelismo cristão, as doutrinas da demonologia são influenciadas pelas interpretações do Novo Testamento, nomeadamente interpretações dos Evangelhos, na medida em que lidar com espíritos se tornou uma atividade habitual do ministério de Jesus. O Evangelista Marcos afirma que "ele percorreu toda a Galileia, pregando nas sinagogas e expulsando os demônios" (Marcos 1:39).Arnold, 1997, p. 20

Guerra Espiritual e o Apóstolo Paulo Ao apóstolo Paulo tem sido tradicionalmente atribuída a escrita da Epístola aos Efésios, o décimo livro do Novo Testamento, embora este seja mais provavelmente o trabalho de um de seus discípulos. Em Efésios 6:10-12, Paulo aborda a guerra espiritual e como combater os ataques espirituais:

Demonologia cristã evangélica As denominações cristãs evangélicas normalmente acreditam que Satanás e os seus agentes exercem uma influência significativa sobre o mundo e as suas estruturas de poder. Eles acreditam que existe um conflito envolvendo espíritos territoriais ou outras forças espirituais hostis, com base em passagens como 1 João 5:19 ("o mundo todo está sob o poder do Maligno") e João 12:31, João 14:30 e João 16:11, onde Jesus se refere a Satanás como "o príncipe deste mundo". Outros versículos citados incluem a elaboração do apóstolo Paulo sobre uma hierarquia de "poderes", em Efésios 6:12, considerada "demoníaca" na interpretação. Eles também acreditam que as epístolas de Paulo enfocam a vitória de Jesus sobre esses poderes. Para tanto, as interpretações evangélicas dividem a história em duas eras: a "era presente do mal" e a "era por vir", em referência à Segunda vinda de Jesus.

As imagens evangélicas da guerra espiritual são derivadas de várias partes da Bíblia, particularmente do Livro do Apocalipse, onde a "besta" e os "reis da terra" travam guerra contra o povo de Deus (Apocalipse 19:19) depois da Guerra no céu (Apocalipse 12:7), desencadeando uma batalha final de Satanás e das nações terrenas contra Deus (Apocalipse 20:8).

Os cristãos evangélicos promovem a prática do exorcismo, com base na sua compreensão da declaração de Jesus: "se é pelo Espírito de Deus que eu expulso demônios, então chegou a vocês o Reino de Deus", em Mateus 12:28, Lucas 11:20.

Práticas no Cristianismo thumb|A Guerra Espiritual (c. 1623), uma gravura de Martin Droeshout representando o exército do Diabo sitiando uma cidade murada, mantida por um "ousado soldado cristão" guardado por figuras que representam as virtudes cristãs. Foi sugerido que esta impressão pode ter influenciado John Bunyan a escrever The Holy War.Jones, Malcolm, "The English Print", in Hattaway, Michael, A Companion to English Renaissance Literature and Culture, John Wiley & Sons, 2008, p. 360.Zinck, Arlette, "Dating The Spiritual Warfare Broadsheet", The Recorder: Newsletter of the International John Bunyan Society, 2007, pp. 3–4.

Práticas católicas A mais notável das orações de guerra espiritual na tradição católica é conhecida como Oração de São Miguel Arcanjo.

O papa João Paulo II afirmou que "o 'combate espiritual'... é uma arte secreta e interior, uma luta invisível na qual os monges se envolvem todos os dias contra as tentações".

Nos tempos modernos, as opiniões individuais dos católicos romanos sobre a guerra espiritual tendem a dividir-se em entendimentos tradicionais e mais modernos do assunto. Um exemplo de uma visão mais moderna do demoníaco é encontrado na obra do estudioso dominicano Richard Woods, The Devil.

A perspectiva tradicional é representada pelo Padre Gabriele Amorth, que escreveu três livros sobre suas experiências pessoais como exorcista para o Vaticano: An Exorcist Tells His Story, An Exorcist: More Stories e An Exorcist Explains the Demonic: The Antics of Satan and His Army of Fallen Angels. Francis MacNutt, que era sacerdote do Movimento Carismático Católico Romano, também abordou o tema do demoníaco nos seus escritos sobre cura.

Luteranismo, Anglicanismo e Cristianismo Reformado A prática do exorcismo também era conhecida entre a primeira geração de professores e pastores da Reforma Luterana. Johannes Bugenhagen (também conhecido como Doutor Pomerano) era o pastor da igreja da cidade de Wittenberg e oficiou o casamento de Martinho Lutero. Numa carta dirigida a Lutero e Melâncton, datada de novembro de 1530, Pomerano relatou sua experiência ao lidar com uma jovem que apresentava sinais de possessão demoníaca. O método de Pomerano envolvia aconselhar a menina sobre seus votos batismais anteriores, ele invocava o nome de Cristo e orava com ela. (Carta reproduzida em Montgomery, Principalities and Powers).

O escritor anglicano-puritano William Gurnall escreveu uma longa obra de três volumes, The Christian in Complete Armour, que foi publicada entre 1662 e 1665. Nesta obra, Gurnall enfatizou o lugar da leitura das Escrituras, da oração e do nome de Cristo.

Evangelicalismo As práticas de "guerra espiritual" variam em todo o cristianismo. O desenvolvimento de técnicas específicas de guerra espiritual também gerou muitas discussões na comunidade missionária cristã. Trocas críticas de pontos de vista podem ser encontradas em periódicos como o Evangelical Missions QuarterlyTais como no volume 31, número 2, publicado em 1995. e em conferências patrocinadas pela Evangelical Missions Society. Em 2000, uma tentativa de colaboração internacional foi feita por evangélicos e carismáticos no Comitê de Lausanne para a Evangelização Mundial para chegar a algum acordo comum sobre a guerra espiritual. A conferência reuniu-se em Nairobi, no Quénia, e produziu um documento de consulta, bem como muitos documentos técnicos publicados como o livro Deliver Us from Evil ("Livrai-nos do Mal").

Os expositores da guerra espiritual incluem Jessie Penn-Lewis, que em 1903 publicou o livro pentecostal War on the Saints. O prolífico autor pastor Win Worley começou a publicação de sua série Hosts of Hell em 1976, e Kurt E. Koch publicou Occult ABC em 1973;"Occult ABC", Kurt E. Koch, 1973 todos contêm elementos do conceito de guerra espiritual, embora possam não usar explicitamente a expressão.

Em 1991, C. Peter Wagner publicou Confronting the Powers: How the New Testament Church Experienced the Power of Strategic-Level Spiritual Warfare and edited Territorial Spirits ("Confrontando os Poderes: Como a Igreja do Novo Testamento Experimentou o Poder da Guerra Espiritual de Nível Estratégico e editou Espíritos Territoriais")."Confronting the Powers: How the New Testament Church Experienced the Power of Strategic-Level Spiritual Warfare", C. Peter Wagner, 1991 Em 1992, o Dr. Ed Murphy escreveu um livro moderno de 600 páginas sobre o assunto, O Manual de Guerra Espiritual, do ponto de vista do ministério de libertação."The Handbook of Spiritual Warfare", Ed Murphy Laws of Deliverance, From Proverbs, 1980, 1983, 1995, 2000, 2003, escrita por Marilyn A. Ellsworth, é outra importante obra bíblica de autoridade, assim como seu livro ICBM Spiritual Warfare, God's Unbeatable Plan.

Na tradição de reavivamento estadunidense entre os evangélicos, pregadores proeminentes como D. L. Moody, Billy Sunday, R. A. Torrey e Billy Graham afirmaram em diversas ocasiões a sua crença na existência do demoníaco. No século XIX, uma das maiores autoridades evangélicas em possessão demoníaca foi um missionário na China, John Livingstone Nevius.

Durante o final do século XX, escritores evangélicos como Mark Bubeck e Merrill Unger apresentaram sua resposta teológica e pastoral aos fenômenos demoníacos. O problema da possessão demoníaca e da guerra espiritual tornou-se o tema de um simpósio da Christian Medical Association (Associação Médica Cristã) realizado em 1975. Este simpósio reuniu uma série de estudiosos evangélicos em estudos bíblicos, teologia, psicologia, antropologia e missiologia.

Um dos escritores alemães mais importantes é o luterano Kurt E. Koch, cujo trabalho influenciou grande parte do pensamento evangélico e carismático no final do século XX. O impacto das suas ideias foi recentemente examinado pelo especialista em folclore Bill Ellis.

Pentecostalismo A guerra espiritual tornou-se uma característica proeminente nas tradições pentecostais. O conceito está bem enraizado na história pentecostal, particularmente através do livro de Jessie Penn-Lewis, War on the Saints, resultante do Reavivamento Galês no início do século XX. No entanto, Jessie Penn-Lewis prega um tipo de guerra espiritual muito diferente daquela pregada pela terceira onda do movimento carismático de hoje – notadamente C. Peter Wagner e Cindy Jacobs. Outros pastores pentecostais e carismáticos incluem Don Basham, Derek Prince, Win Worley, Bispo Larry Gaiters, Rev. Miguel Bustillos, Dr. Marcus Haggard e Missionário Norman Parish, que enfatizaram o uso do poder do sangue de Cristo no ministério de libertação.

Mapeamento espiritual e o movimento neopentecostal O mapeamento espiritual refere-se à uma crença evangélica do século XXI, de que há uma batalha histórica entre Satanás e Deus, e que existem atualmente demônios específicos associados a locais específicos. Os neopentecostais que seguem o movimento de mapeamento espiritual, acreditam que estes demônios são a razão do insucesso dos missionários cristãos, e que podem usar a oração e outras práticas religiosas evangélicas para neutralizar e expulsar estes demônios. Isto, por sua vez, acelerará a segunda vinda de Cristo. A prática tem sido denunciada como antibíblica e até mesmo maniqueísta, por seus críticos.