miniaturadaimagem|A múmia do Edmontosaurus, foto da publicação de 1912. A Múmia do Edmontosaurus é uma múmia de dinossauro formada naturalmente e que está excepcionalmente bem preservada. Ela foi descoberta em 1908 em Wyoming nos Estados Unidos e foi atribuída à espécie Edmontosaurus annectens (originalmente conhecida como Trachodon annectens), um membro da família Hadrosauridae (“dinossauro bico-de-pato”). A Múmia do Edmontosaurus é o primeiro fóssil de dinossauro a ser encontrado com uma grande parte de seu esqueleto coberto com impressões de pele, dando origem ao nome “Múmia de Dinossauro”. A maneira incomum na qual esse fóssil ficou preservado com tantos detalhes fez com que cientistas formassem substancialmente a representação biológica dos hadrossaurídeos. Impressões de pele encontradas entre os dedos da múmia foram interpretadas como membranas natatórias, na qual serviu para reforçar o argumento que diz que os Hadrossaurídeos eram animais aquáticos. Hoje essa teoria não é mais aceita.
A múmia foi descoberta e escavada pela família Sternberg (Charles H. Sternberg e filhos), na qual é famosa pelas suas numerosas descobertas, especialmente pelos fósseis de dinossauros. Hoje a múmia se encontra em exibição no Museu Americano de História Natural (AMNH) em Nova Iorque, o seu número de exemplar é AMNH 5060. Em 1910 a família Sternberg encontrou uma segunda múmia de Edmontosaurus no mesmo local, e a vendeu para o Museu de História Natural Senckenberg em Frankfurt am Main, aonde está exposta até hoje.
A Descoberta miniaturadaimagem|Terras baldias (Badlands) da Formação Lance. miniaturadaimagem|A múmia do Edmontosaurus no Museu Americano de História Natural, Nova Iorque (2008). A Múmia do Edmontosaurus foi descoberta e escavada em 1908 por Charles Hazelius Sternberg e seus três filhos, George, Charles e Levi. Sternberg era um casador de fósseis independente, que oferecia seus achados a venda a vários museus na América do Norte e Europa. Seus filhos começaram a trabalhar primeiro como assistentes de Sternberg, todavia conseguiram mais tarde por si só se tornarem Paleontólogos reputados. Em 1908 Sternberg queria explorar uma nova área, o Lance Creek no leste de Wyoming. De antemão Sternberg procurava clientes para comprar possíveis achados de fósseis, e escreveu ao Museu de História Natural de Londres, dizendo que ele sabia aonde em Wyoming encontrar um fóssil de dinossauro com chifres, ou mais conhecido como Tricerátops. O museu concordou com a proposta, e eles iriam comprar as descobertas de fósseis se alguma fosse feita. A expedição Sternberg saiu de seu domicílio no Kansas e partiu de viagem no começo do ano, chegando na região do Lance Creek em julho. Estava planejado a ser explorado uma área de 2590 quilômetros quadrados localizada no norte do Rio Platte Norte e ao sul do Rio Cheyenne no Condado de Converse (hoje Condado de Niobrara). As terras baldias também chamadas de Badlands predominantes neste local expõe a camada do estágio Maastrichtiano da época Superior Cretácea, na qual é conhecida hoje como Formação Lance. O local já tinha anteriormente sido bastante explorado por expedições paleontólogas e antes de começar suas buscas Sternberg ficou sabendo que o Museu Americano de História Natural já avia trabalhado no local por muitos anos sem ter sucesso.
As primeiras semanas da expedição não tiveram resultados. Sternberg escreveu em seu livro The Life of a Fossil Hunter:
“Dia após dia tendo muita fé a gente segue lutando bravamente. Toda noite os meninos respondem a minha questão inquietante, O que vocês encontraram? Nada.”
Mas no fim de agosto Sternberg finalmente se deparou com um chifre degradado pelo tempo saindo de uma rocha, a escavação subsequente trouxe a luz um crânio de 19 centímetros (7.5 pol) pertencente a um Tricerátops. Logo depois enquanto sondavam uma área ainda não explorada, George encontrou ossos saindo de uma rocha e nos arredores Levi encontra ainda mais ossos que aparentemente pertenciam ao mesmo esqueleto. A essa altura o grupo já tinha se deslocado 105 quilômetros do seu acampamento e as provisões estavam acabando. Sternberg então instruiu George e Levi a removerem com cuidado a parte de arenito acima do esqueleto, para que mais tarde junto a Charles poderem o levar até Lusk aonde comprariam mais provisões e enviariam o crânio de Tricerátops para o Museu Britânico. No terceiro dia depois da partida de seu pai, George e Levi já reconheceram que estavam diante a um exemplar aparentemente completo no qual se encontrava deitado de costas. Quando George removeu um grande pedaço de arenito da região do peito do esqueleto, ele descobriu para sua surpresa uma impressão de pele em condições quase perfeitas. Em 1930 o George escreveu:
“Imagina o sentimento que me tomou quando eu me toquei que aqui pela primeira vez um esqueleto de dinossauro foi descoberto embrulhado em sua própria pele. Aquela noite eu não consegui nem dormir.”
Quando Sternberg finalmente voltou no quinto dia, George e Levi não tinham mais o que comer, nos últimos dois dias ele tiveram que sobreviver somente de batata. Mas apesar de tudo eles removeram por completo o arenito que se encontrava sobre o esqueleto, a escavação no fim media 3,6 metros de largura por 4,5 metros de comprimento e tinha 3 metros de profundidade.
Quando Henry Fairfield Osborn, diretor do Museu Americano de História Natural soube da descoberta, ele mandou imediatamente o funcionário e paleontólogo Albert Thomson a Wyoming para assegurar o fóssil. Osborn sabia do acordo entre Sternberg e o Museu Britânico, contudo ele apelou pro patriotismo de Sternberg e lhe prometeu uma exibição permanente do fóssil. Quando Thomson chegou ao local, ele foi incapaz de avaliar o fóssil pois ele já estava encaixotado e pronto para transporte. No mesmo dia o diretor do Museu Carnegie de História Natural chegou a Lusk também interessado em comprar o fóssil, o que fez com que Osborn se apressasse a comprar o espécime por qualquer que fosse o valor. Se estima que por fim o museu comprou a múmia por US$ 2 mil dólares o equivalente a US$ 65 mil dólares nos dias atuais (2022). No Museu Americano a limpeza das impressões de pele foram completadas pelo preparador Otto Falkenbach. Subsequentemente junto a Barnum Brown, Osborn publicou três artigos científicos sobre a múmia nos anos de 1911 e 1912. Na exibição, cercada por uma proteção de vidro, a múmia está exposta na mesma posição em que foi encontrada, nenhuma parte perdida do fóssil foi reconstruída. Hoje ele é considerado um dos itens mais importantes do museu.
Importância e Classificação miniaturadaimagem|A Múmia do Edmontosaurus vista de lado. miniaturadaimagem|Impressões de pele da múmia. O valor científico da múmia se da ao seu alto nível de preservação de seus ossos ainda ligados anatomicamente no seu lugar de origem, bem como os extensos restos de pele envoltos a espécime. Osborn escreveu em 1911:
“Esse maravilhoso espécime, nos dá quase o dobro de compreendimento sobre os hábitos e a maneira de viver de um notável grupo de répteis.”
Como as impressões de pele dos Hadrossaurídeos eram antes conhecidas somente por alguns fragmentos, a Múmia do Edmontosaurus envolta com impressões de pele se tornou uma sensação paleontóloga. Osborn escreveu em 1912, que o famoso holótipo do Trachodon mirabilis (AMNH 5730), que foi descoberto por Jacob Wortman em 1884, era do mesmo modo, originalmente embrulhado em impressões de pele, mas quando ele foi escavado a sua maioria foi destruída, por isso não mais de três fragmentos da região da calda remanesceram. Como Osborn comentou, é muito difícil de detectar uma camada tão fina de pele em uma escavação. Muitos fósseis de pele podem ter sido perdidos nos anos anteriores, mesmo por não serem esperados ou ainda também por não serem reconhecidos.
A Múmia do Edmontosaurus foi classificada como Hadrosauridae (“dinossauro bico-de-pato”), um grupo pertencente aos Ornithischia. Barnum Brown identificou a múmia no começo como Trachodon annectens. Na época, o gênero Trachodon englobava quase todas os achados de Hadrossaurídeos. A partir de 1942 a múmia entrou para então nova espécie dos Anatosaurus copei, na qual em 1990 ganhou seu próprio gênero Anatotitan. Hoje o Anatotitan copei é visto por uma grande parte dos pesquisadores como uma espécie idêntica aos Edmontosaurus annectens. Uma grande parte das impressões de pele de dinossauros são referenciadas a dos Hadrossaurídeos. Na América do Norte, fósseis de Hadrossaurídeos do estágio Maastrichtiano são encontrados com impressões de pele 31 vezes mais frequentes do que qualquer outro grupo. O motivo para essa distribuição não é claro. De todas as impressões de pele dos Hadrossaurídeos, 25% pertencem ao gênero dos Edmontosaurus.
Descrição e Interpretação miniaturadaimagem|Rascunho da múmia, vista ventral. A múmia está em sua maior parte muito bem conservada e os ossos ainda se encontram conectados ao seu lugar anatômico de origem. Partes como, as patas traseiras, um pedaço traseiro da pélvis e a cauda se desfizeram devido a erosões já antes da descoberta. Fósseis são frequentemente achatados durante o processo de fossilização, no entanto a Múmia do Edmontosaurus está preservada tridimensionalmente. O exemplar está de costas, com a cabeça e o pescoço para baixo e virada para o lado direito do corpo. Os joelhos estão puxados para cima, enquanto as pernas dianteiras estão estendidas para fora. A caixa torácica está aberta e quase dois terços do total da superfície de pele se encontra em excelente condições, na qual levou Osborn a nomear ela como “Múmia de Dinossauro”. As impressões de pele estão fortemente pressionadas sobre os ossos e parcialmente sugadas para dentro do corpo entre os ossos. Provavelmente o esqueleto estava inteiro coberto por impressões de pele quando foi descoberto, nas quais no entanto foram parcialmente destruídas durante a escavação. As impressões de pele se encontram na região das pernas dianteiras, pescoço e garganta, no tórax e também do lado direito do tronco. Sternberg notou também a preservação de impressões de músculo. Kenneth Carpenter alegou em 2007 que impressões de órgãos internos também estavam presentes, mas para provar está possibilidade seriam necessários análises bem detalhadas de tomografia computadorizada e raio-x.
Pele miniaturadaimagem|Desenho de uma parte da pele na região da barriga. A pele da múmia aparenta ser muito fina e delicada em relação ao tamanho de seu corpo. Como típico para dinossauros, a pele é composta por escamas que não se sobrepõe, chamadas de tubérculos. A base é formada por “tubérculos de base” arredondados de 1 a 3 mm de diâmetro, nos quais são interrompidos por conjuntos de “tubérculos de pavimento” poligonais, medindo até 5 mm de diâmetro cada. Os conjuntos podem ser compostos por vinte ou até mais de cem “tubérculos de pavimento”. Eles são cercados por tubérculos intermediários, mediando em tamanho e forma entre o tubérculo de base e o de pavimento. No peito e na região da barriga os conjuntos são pequenos, em formato oval e dispostos em fileiras irregulares longitudinais. Dos lados do tronco eles são maiores tendo um tamanho de 5 a 10 centímetros e em formas irregulares. Os maiores conjuntos se encontram na parte superior da pélvis e medem 50 centímetros em diâmetro, supostamente toda as costas era coberta por conjuntos de tamanhos parecidos.