Yago de Castro Martins (Fortaleza, 1 de junho de 1992) é um teólogo, escritor, pastor batista, podcaster e youtuber brasileiro, sendo um dos principais expoentes do Novo Calvinismo no Brasil.PEIXOTO, Pedro André de Sousa. A Igreja de Genebra no Brasil : a expansão do calvinismo no campo evangélico contemporâneo. 2021. 162 f. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2021. É presidente do Instituto Schaeffer de Teologia e Cultura e dono do canal do YouTube Dois Dedos De Teologia, o maior canal de teologia reformada do Brasil. É membro da Mensa, a maior e mais antiga sociedade de alto QI do mundo, que congrega os 2% com os QIs mais elevados da população global.
Formação acadêmica Foi aluno de ciências contábeis na Universidade Federal do Ceará, mas largou o curso inconcluso para fazer a formação em Teologia Ministerial no Seminário e Instituto Bíblico Maranata (antigamente chamado de bacharelado livre, de natureza intra-corpus nas comunidades religiosas). Após o seminário, tornou-se bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica Sul Americana (Londrina/PR) e mestre (Th.M.) em Teologia Sistemática pelo Instituto Aubrey Clark (Fortaleza/CE), onde foi aluno de renomados teólogos como Douglas Moo, Darrell Bock, John Feinberg e Michael Vlach. Também é pós-graduado em Neurociência e Psicologia Aplicada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (São Paulo/SP) e formado na primeira turma de pós-graduação em Escola Austríaca de Economia do Centro Universitário Ítalo-Brasileiro (São Paulo/SP), onde foi orientado pelo Dr. Martim Vasques da Cunha de Eça e Almeida, tendo também estudado com vários personagens relacionados ao início do governo de Jair Bolsonaro, como Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente. Em 2024, foi visiting fellow no Center for Social Flourishing da Acton Institute, no Michigan, onde morou por 6 meses. Atualmente, é doutorando em Teologia Pública pelo Richard John Mouw Institute of Faith and Public Life do Fuller Theological Seminary.
Premiações e homenagens Em 2017, seu artigo Escatologia e Utopia: as origens religiosas da esperança socialista recebeu o Prêmio Gabriel Oliva como melhor artigo na categoria Ciência Política na 5° edição da Conferência de Escola Austríaca no Brasil, recebido das mãos de Bruno Garschagen.
Em 2018, foi homenageado pela Câmara Municipal de Fortaleza pelo seu protagonismo na luta pela liberdade religiosa.
Em 2019, recebeu magna cum laude em seu Sacrae Theologiae Magister em Teologia Sistemática do Instituto Aubrey Clark.
Em 2025, foi contado entre os 20 Melhores do Brasil no Prêmio iBest Top20 na categoria Influenciador de Religião.
Em 2026, foi indicado na categoria Creator do Ano no Insider Creator Awards.
Histórico religioso e ministerial Em entrevista a Luciano Potter, Yago Martins narra que encontrou a Deus quando era um adolescente com medo da morte, o que o fez questionar como a vida poderia ser vivida diante da inevitabilidade da morte. A partir desse ponto de inflexão, ela começou a ponderar sobre a justificativa da existência. Tal reflexão o levou a considerar a existência de algo além da realidade imediata, envolvendo não apenas um esforço intelectual, mas uma busca emocional e volitiva para encontrar um propósito maior. O pressuposto que guiou essa busca foi a crença de que a vida precisava ter uma razão mais significativa do que interesses individuais. Foi nesse contexto, em 2006, com 14 anos, que Martins encontrou no cristianismo uma estrutura que oferecia sentido e justificava sua própria existência.
Foi entre 2010 e 2011 que como um jovem evangélico, com cerca de vinte anos de idade, que Martins adere a fé reformada, e tão logo inicia trabalhos de produção, tradução e divulgação de conteúdo calvinista, principalmente por meio da Internet, de início participando da equipe do Voltemos ao Evangelho. Em 2012 ele ingressa no seminário de Teologia, formando-se em 2016. Em 2014, Yago iniciou seu canal Dois Dedos de Teologia no YouTube, apresentando conteúdos calvinistas e tratando de variados temas sob sua ótica, frequentemente mostrando a literatura que embasa suas falas.
Ainda em 2013, ele foi considerado um dos 20 cristãos mais influentes da internet brasileira, mas foi após a publicação de A Máfia dos Mendigos, em 2019, que Martins começou a participar da grande mídia para discutir questões relacionadas a pobreza, desabrigo e outros temas de cunho religioso. Em 2020, a Comunhão, revista evangélica de maior circulação do país, publicou: "Aos 27 anos ele virou um fenômeno na internet, [...] levando milhões de pessoas a refletirem sobre assuntos atuais". Em 2021, o rockstar português Tiago Cavaco o descreveu na obra Arame farpado no paraíso como "um justo fenômeno público teológico".
Instituto Schaeffer de Teologia e Cultura Fundada por Yago Martins em 2013, o Instituto Schaeffer de Teologia e Cultura é uma organização educacional cristã brasileira voltada à formação teológica e cultural, com ênfase na cosmovisão cristã e no engajamento público da fé, debaixo da influência teológica do ministério do teólogo evangélico americano Francis Schaeffer. Sua origem está ligada a iniciativas missionárias e educacionais desenvolvidas na cidade de Fortaleza, no estado do Ceará.
As raízes do Instituto Schaeffer remontam à fundação da Academia de Formação em Missões Urbanas (AFMU). O projeto surgiu da cooperação entre diferentes ministérios cristãos comprometidos com a missão no contexto urbano de Fortaleza, atuando em frentes como evangelismo entre dependentes químicos, população em situação de rua, prostituição, além de ambientes universitários e educacionais. Nos primeiros anos, a AFMU promoveu eventos de capacitação teológica e missionária, além de mobilizar cristãos para atividades evangelísticas nas cidades. Posteriormente, a iniciativa evoluiu para um formato digital, passando a existir como a escola online Academia de Missionários.
Ainda em 2013, foi realizada, no Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esporte (CUCA) da Barra do Ceará, a Conferência Missões Urbanas, considerada o evento precursor do Fórum Nordestino de Cosmovisão Cristã. Em 2014, o movimento foi ampliado com a criação do Núcleo de Estudos em Cosmovisão Cristã, que expandiu o foco da missão urbana para a reflexão teológica e cultural mais ampla, visando à formação de um pensamento cristão consistente diante dos desafios contemporâneos. Como resultado desse desenvolvimento, foi realizado, em 2015, o primeiro Fórum Nordestino de Cosmovisão Cristã, evento que se consolidaria como referência no calendário evangélico da região Nordeste do Brasil.
Ao longo dos anos, o Fórum Nordestino tornou-se um espaço de ensino, diálogo e mobilização, reunindo líderes, acadêmicos e estudantes interessados na integração entre fé cristã e cultura. Já participaram do Fórum grandes nomes do movimento reformado, como Solano Portela, Norma Braga, Guilherme de Carvalho, Igor Miguel, Rodrigo Brotto, Franklin Ferreira, Filipe Fontes, Pedro Dulci, Emílio Garófalo Neto, Victor Fontana, Heber Carlos de Campos Jr., Andréa Vargas e Wilson Porte, além de figuras conhecidas do movimento conservador, como Francisco Razzo, Glauco Barreira Magalhães Filho e Miguel Nagib. Na música, já houve participação de Marco Telles, do Coletivo Candiero, além de Guilherme Iamarino e Guilherme Andrade, ambos do Projeto Sola.
Em 2019, durante a quinta edição do Fórum, ocorreu a formalização jurídica do Instituto Schaeffer de Teologia e Cultura, que passou a centralizar e organizar as iniciativas educacionais desenvolvidas desde 2013. A partir desse momento, o Instituto assumiu a coordenação de projetos de ensino, produção intelectual e eventos voltados à formação cristã integral.
A Máfia dos Mendigos
Martins passou um ano como morador de rua para compreender as razões que explicariam a falta de sucesso das obras sociais realizadas por sua própria igreja junto aos sem-teto, com isso, escreveu "A Máfia dos Mendigos: Como a caridade aumenta a miséria". Para Martins, há muitos grupos de voluntários que vão entregar doações e comida para as pessoas em situação de rua e, o que deveria ser um ato de bondade, acaba se transformando em comodismo, em entrevista à Jovem Pan, diz que "Algumas pessoas que estão na rua estão lá porque existe uma cultura de caridade irrestrita e impessoal. Se não estivermos envolvidos com trabalho com morador de rua ou ações de caridade, talvez a gente não veja isso e, dependendo do modo como interpretamos a vida, a gente nem acredite".
A tese central de A Máfia dos Mendigos é que uma comunidade de "parasitas da miséria" tem se aproveitado da caridade irrestrita e impessoal que, para o autor, inunda as ruas das grandes cidades do pais, prejudicando aqueles que realmente dependem de ajudas emergenciais. No capítulo "Parasitas da miséria: como ONGs e igrejas têm criado novos mendigos", Martins escreve: Não poucos trabalhos sobre mendigos os descrevem como homens que se encontram no limite da sobrevivência e dignidade humanas, mas os que dormem na rua não são exatamente miseráveis, pelo menos não no sentido absoluto de miséria. Sua miséria é relativa. São pobres em comparação com a riqueza de quem imediatamente os rodeia. No entanto, considerando as possibilidades reais de miséria que se manifestaram ao longo da história da humanidade e que podem ser encontradas em vários países subdesenvolvidos da Ásia ou da África hoje, não existe miséria real na vida do mendigo comum das grandes cidades de países economicamente mais prósperos. Para o autor, o processo de transformação dos homens em situação de rua se dá pelo engajamento pessoal em devolver dignidade: "Se queremos convencer um homem a sair da rua, precisamos ser instrumentos em um esforço de longo prazo para fazê-lo recuperar seu senso de dignidade". Crítico das esmolas desengajadas, Martins defende que pedintes sejam ajudados principalmente com envolvimento, na construção de comunidades terapêuticas: "Interpretar os chamados à esmola como chamados ao envolvimento. Estabelecer contatos humanos sérios, olho no olho, e pegar pelas mãos aqueles que não estão conseguindo andar. A esmola não é necessariamente a postura mais cristã a se tomar diante do miserável: a cura milagrosa — das formas mais rotineiras que milagres acontecem nos corações —, sim."