Odemira é uma vila portuguesa localizada no sudoeste do Distrito de Beja, inserida na subregião do Alentejo Litoral (NUT III), pertencente à região do Alentejo (NUT II).
É sede do Município de Odemira que tem habitantes e uma extensão total de km2, sendo em área o maior de Portugal, subdividido em 13 freguesias.Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013. O município é limitado a nordeste pelo município de Sines, a norte por Santiago do Cacém, a leste por Ourique, a sudeste por Silves, a sul por Monchique, a sudoeste por Aljezur e a oeste tem litoral no oceano Atlântico. O limite sudoeste, com o município de Aljezur, é marcado pela Ribeira de Seixe. A faixa litoral do município e o vale do Mira até à vila de Odemira faz parte do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. O município é atravessado pela Linha do Sul.
Tem como slogan Odemira, Alentejo singular.
Caracterização
Geografia miniaturadaimagem|360x360px|Barragem de Santa Clara O município de Odemira caracteriza-se pela imensa diversidade paisagística, estendendo-se entre a planície, a serra e o mar.
Na faixa litoral, surgem pequenas praias que recortam as falésias e os portos de pesca tradicionais. Dos seus 55 km de costa atlântica, 12 km são de praia, das quais merecem destaque pela sua beleza natural: Malhão, Milfontes, Franquia, Farol, Furnas, Almograve, Zambujeira e Carvalhal. Toda a zona costeira do município está integrada no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.
O litoral conhece a maior expressão do turismo concelhio nos seus principais aglomerados urbanos de vocação turística, sobretudo nas localidades de Vila Nova de Milfontes, Almograve e Zambujeira do Mar (alojamento, empresas de animação e restauração). Neste ocorre também o grosso da produção pecuária (fundamentalmente a produção de bovinos da raça Limousine e de Holstein Frísia) e o fundamental da produção agrícola do território, designadamente a horticultura, fruticultura e floricultura. Toda esta área beneficia da infraestrutura de rega do rio Mira e de um micro-clima assente em zero geada.
A faixa central, recortando o município de sul para norte, faz a transição orográfica entre a charneca, dominante na faixa litoral, e a serra, dominante na faixa interior. Neste espaço, encontramos os principais aglomerados urbanos do município, tais como São Teotónio, Boavista dos Pinheiros, Odemira e São Luís. Esta faixa central corresponde ao espaço dos serviços públicos, das principais unidades comerciais e dos principais parques de fixação de empresas.
A faixa interior do município, marcada por uma orografia bastante acidentada, é palco para a maior mancha florestal do país, seja ela autóctone (sobreiro e azinheira), seja ela exótica (como o eucalipto).
Associado a essa mancha florestal, o setor agrícola e pecuário de sequeiro extensivo (bovinocultura, ovinocultura e caprinocultura) marcam a paisagem física e económica de uma grande área do município que é estruturada, a sul, pela barragem de Santa Clara-a-Velha e a norte pela integração na planície alentejana.
Clima Odemira apresenta um clima quente e temperado. O clima é classificado como Csa de acordo com a classificação climática de Köppen-Geiger. A temperatura média anual em Odemira é de 17.1 °C. A média anual de pluviosidade é de 516 mm.
O mês mais seco é Julho e tem 1 mm de precipitação. Em Janeiro cai a maioria da precipitação, com uma média de 80 mm. O mês mais quente do ano é Agosto, com uma temperatura média de 23.1 °C. Ao longo do ano, Janeiro tem uma temperatura média de 11.9 °C, sendo esta a temperatura média mais baixa do ano.
Demografia A população registada nos censos foi:
(Obs.: Número de habitantes que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram.)
Por decreto de 21/09/1875, a freguesia de Cercal, deste concelho, passou a fazer parte do concelho de Santiago do Cacém. Por decreto lei de 26/06/1875, a freguesia de Santa Luzia, deste concelho, passou a fazer parte do concelho de Ourique.
Número de habitantes por Grupo Etário INE - http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 20210-14 Anos 7 325 8 853 10 382 12 061 14 691 14 012 12 491 7 840 5 800 4 381 3 370 3 162 2 95515-24 Anos 3 748 4 285 5 054 6 395 7 217 8 374 7 982 5 030 4 165 3 146 3 109 2 427 2 73625-64 Anos 8 647 9 851 10 812 13 037 16 257 18 620 20 878 17 355 14 838 13 656 13 131 13 642 17 158= ou > 65 Anos 674 1 013 1 080 1 173 1 756 2 067 2 648 3 010 4 660 5 235 6 496 6 835 6 689 (Obs.: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população presente no município à data em que eles se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente.)
Freguesias thumb|direita|Freguesias do município de Odemira.|318x318px O município de Odemira está dividido em 13 freguesias:
+ Freguesias do município de Odemira Freguesia Residentes (2011) Residentes (2021) Boavista dos Pinheiros 1633 1975 Colos 1061 820 Longueira / Almograve 1356 2334 Luzianes-Gare 429 374 Relíquias 931 995 Saboia 1152 922 Santa Clara-a-Velha 873 633 São Luís 1989 1883 São Martinho das Amoreiras 1006 1047 São Salvador e Santa Maria 3119 3373 São Teotónio 6439 8699 Vale de Santiago 1047 823 Vila Nova de Milfontes 5031 5650 Total 26066 29538
História miniaturadaimagem|260x260px|Igreja de Santa Clara-a-Velha O povoamento do município é bastante remoto, como o provam os numerosos vestígios de culturas anteriores à romanização e os testemunhos das culturas posteriores.
A explicação do topónimo Odemira tem várias versões. A versão lendária sobre a origem do nome remonta à altura da sua povoação árabe: um alcaide mouro, de nome Ode, habitava o castelo com a sua mulher, uma moura encantadora, como todas as outras mouras das lendas populares. Quando esta viu chegar as tropas cristãs, terá gritado: “Ode, mira para os inimigos, donde vêm sobre nós“, tendo estado este aviso na origem do nome Odemira.
Estudos históricos e semânticos revelam que o termo Ode deriva do árabe Wad, que significa "rio", e o elemento Mira terá origem pré-céltica, estando relacionada, também, com a palavra "água". Pode-se, então, concluir que o topónimo Odemira se refere, em diferentes línguas, à noção de curso de água, o que denota a importância do rio.
A região terá sido habitada desde tempos remotos, desconhecendo-se, contudo, a sua origem. Aqui estabeleceram-se vários povos, entre os quais se destacam os romanos e árabes, que marcaram os usos e costumes das gentes da região. A reconquista de Odemira foi tardia e realizada, pensa-se, pelos frades guerreiros da Ordem de Santiago; em 1238, toda a região do Alentejo (incluindo Odemira) estava nas mãos dos cristãos. miniaturadaimagem|Fortaleza de Vila Nova de Milfontes. Em 1245, D. Paio Peres Correia, mestre da Ordem de Santiago, doa o castelo de Odemira ao bispo do Porto, D. Pedro Salvadores. Em 1256, D. Afonso III concretiza a apropriação da vila para a coroa, concedendo-lhe carta de foral em 28 de março do mesmo ano. Este foral estabelece o termo do concelho e denota uma realidade profunda que já vinha do passado, retendo uma certa continuidade em relação à herança árabe.
Odemira, situada perto do limite do troço navegável do rio Mira, ergue-se num local dominante sobre este, constituindo-se como centro aglutinador de uma vasta região. Reflete, assim, um modelo territorial comum no sudoeste da Península Ibérica: uma povoação relativamente recuada em relação à linha de costa, mas que a ela tem acesso por via fluvial, controlando economicamente uma área circundante relativamente vasta, neste caso a bacia do Mira. Trata-se da mesma lógica territorial a que obedeceram as povoações de Alcácer do Sal, Silves, Mértola, Santarém, Coimbra e, em Espanha, Sevilha e Niebla. miniaturadaimagem|248x248px|Capela de Nossa Senhora do Mar No reinado de D. Dinis, o senhorio de Odemira é doado a Manuel Pessanha (1319), um genovês que terá ajudado a organizar a marinha portuguesa. Com D. Afonso IV, Odemira passa, por alguns anos, para a Ordem de Santiago, acabando por voltar à coroa em 1352. D. Pedro volta a entregar o castelo de Odemira à família Pessanha, desta vez a Lançarote Pessanha (1357), um filho de Manuel Pessanha.
Posteriormente, em 1387, Lourenço Anes Fogaça recebe de D. João I a vila de Odemira. O último elemento desta família a deter o senhorio de Odemira foi João Fogaça, escudeiro da casa do infante D. João.
O primeiro conde de Odemira foi D. Sancho de Noronha (1446), que obteve o título por carta passada por D. Afonso V.
No âmbito da reforma dos velhos forais levada a cabo por D. Manuel, Odemira recebeu foral novo em 1510, nele se revela a importância do porto de mar, dos montados de gado e dos filões de metais existentes.
O condado de Odemira extinguiu-se no século XVII (1661), tendo sido incorporado na casa de Cadaval.
No século XIX, o regime liberal reestrutura os limites do concelho, dando-lhe a sua configuração atual. O concelho abrange uma área extensa ao longo da costa e no seu interior uma vasta área de serras e campos com uma fauna e flora diversas, fazendo parte deste freguesias de outros concelhos, alguns deles extintos, como é o caso de Colos e Vila Nova de Milfontes.
Também no século XIX, o território de Odemira foi atingido pelas Guerras Liberais, devido em grande parte aos conflitos entre os proprietários rurais e os trabalhadores, situação que se verificou na região meridional do pais, levando à formação de um grande número de guerrilheiros.QUARESMA, 2009:89 Mesmo após o final das guerras continuou a insegurança na região, tendo em 1839 a Câmara Municipal de Odemira estabelecido uma «sentinela avançada no moinho», provavelmente na colina onde se ergue o Moinho de Vento de Odemira, como medida de prevenção contra ataques de surpresa por parte das tropas do comandante miguelista Remexido.QUARESMA, 2009:67 Estes problemas sociais prosseguiram ao longo dos séculos XIX e XX, tendo-se acentuado nos primeiros anos após a implantação da república, devido a maus anos agrícolas e aos efeitos da Primeira Guerra Mundial. Por exemplo, nos princípios da década de 1920 a Junta de Freguesia de Sabóia criticou a escassez de farinha no seu território, tendo acusado os moageiros de venderem a farinha para o Algarve, onde atingiam um preço mais elevado.QUARESMA, 2009:93 Também em 1920 a Câmara Municipal pediu a criação de um quartel da Guarda Nacional Republicana na vila, alegando que no concelho «se desenvolvem extraordinariamente as ideias mais avançadas, nocivas e e perigosas ao sossego, à tranquilidade pública e ao próprio regime». Porém, pouco depois de ter sido instalada, a divisão de Odemira da Guarda Nacional Republicana foi transferida para Aljustrel, pelo que em 1931 o Grémio Alentejano pediu que fosse reestabelecida, afirmando que «já há anos na região que, segundo nos informam, é um foco de ideias extremistas, os lavradores tiveram de defender-se reunindo-se armados nas casas da Câmara, dos assaltos eminentes às suas habitações. E neste ano, na expectativa de um Inverno de fome e de miséria, torna-se necessário restabelecimento da referida secção da GNR, a fim de poder ser evitada a repetição desses actos». Em 1935 verificou-se uma grande falta de trabalho rural, devido em parte a problemas climatéricos, tendo sido resolvido pelo governo com recurso a emprego nas obras públicas.QUARESMA, 2009:94-95
Na segunda metade do século XX a exploração agrícola no Alentejo conheceu profundas alterações, causadas em grande parte pelos planos de rega, que no caso de Odemira estiveram ligadas à Barragem de Santa Clara.QUARESMA, 2009:96