A Classe Kronshtadt, designada oficialmente como Projeto 69, foi uma classe de cruzadores de batalha planejada pela Frota Naval Militar Soviética. Dezesseis embarcações foram originalmente concebidas, mas apenas duas tiveram suas obras iniciadas em 1939, alguns meses depois do início da Segunda Guerra Mundial: o Kronshtadt e o Sebastopol, porém nenhuma foi finalizada. A ideia da classe se originou em meados da década de 1930 para embarcações capazes de destruir cruzadores inimigos que aderiam aos limites do Tratado Naval de Washington. Vários projetos com diferentes especificações foram desenvolvidos e descartados até que uma versão foi finalmente aprovada em 1939.

Os cruzadores de batalha da Classe Kronshtadt, de acordo com o projeto original, seriam armados com uma bateria principal de nove canhões de 305 milímetros montados em três torres de artilharia triplas. Teriam um comprimento de fora a fora de 250 metros, boca de 31 metros, calado de nove metros e um deslocamento carregado de mais de 41 mil toneladas. Seus sistemas de propulsão seriam compostos por doze caldeiras a óleo combustível que alimentariam três conjuntos de turbinas a vapor, que por sua vez girariam três hélices até uma velocidade máxima de 31 nós (57 quilômetros por hora). Os navios teriam um cinturão principal de blindagem com 230 milímetros de espessura.

As indústrias de construção naval e armamentos soviéticas foram incapazes de lidar com o tamanho dos navios, com protótipos dos canhões e maquinários ainda não estando prontos dois anos depois do início das obras. Os soviéticos acabaram comprando torres de artilharia e canhões de 380 milímetros da Alemanha e alteraram o projeto da Classe Kronshtadt para acomodá-los, mas nenhuma entrega foi feita antes da invasão alemã da União Soviética em 1941. As construções dos navios foram interrompidas depois disso. Após a guerra a classe foi considerada obsoleta e houve planos de convertê-la em porta-aviões, mas os dois cascos incompletos foram desmontados entre 1947 e 1948.

Desenvolvimento Projeto 69 A Classe Kronshtadt teve suas origens em um requerimento emitido em meados da década de 1930 para um cruzador grande capaz de destruir cruzadores de 10,1 mil toneladas construídos dentro dos limites impostos pelo Tratado Naval de Washington, que a União Soviética não fazia parte. Vários projetos foram apresentados até o final de 1935, mas a Frota Naval Militar Soviética não ficou satisfeita e rejeitou todos. Outro pedido foi feito no início de 1936 para um projeto de 23 mil toneladas e armado com canhões de 254 milímetros, o que acabou levando ao Projeto 22, mas este foi cancelado no meio do ano depois dos soviéticos terem iniciado negociações com Reino Unido que levaram ao Acordo Quantitativo Naval Anglo-Soviético de 1937. Neste a União Soviética concordava em seguir os termos do Segundo Tratado Naval de Londres, que limitava o deslocamento padrão de couraçados a 35,5 mil toneladas. Os soviéticos na época estavam trabalhando também em um pequeno couraçado para o Mar Báltico e Mar Negro e precisaram reduzi-lo para o tamanho do Projeto 22 como resultado dessas discussões, sendo depois cancelado. O couraçado foi redesignado Projeto 25 e encarregado de destruir cruzadores de tratado e os cruzadores pesados da Classe Deutschland alemã. O Projeto 25 foi aceitou em meados de 1937 depois de grandes revisões em seu esquema de blindagem e disposição de maquinários, com a construção de quatro navios sendo encomendada para começar no final do ano e no início de 1938. Entretanto, esta decisão ocorreu pouco antes do Grande Expurgo chegar na Frota Naval Militar em agosto de 1937 e dois dos projetistas foram presos e executados até o ano seguinte. O Projeto 25 foi rejeitado por ser considerado muito fraco diante de navios estrangeiros e todo o programa foi cancelado no início de 1938 depois de uma tentativa de modificar o projeto com canhões maiores.

A Frota Naval Militar ainda tinha necessidade para um navio rápido que pudesse lidar com cruzadores inimigos e assim o conceito original foi reavivado como o Projeto 69. Ela queria uma embarcação de até 23 mil toneladas com velocidade de 34 nós (63 quilômetros por hora) e armamento de nove canhões de 254 milímetros, mas estas especificações mostraram-se muito ambiciosas para o tamanho e este foi aumentado para 26,2 mil toneladas quando o projeto foi apresentado em junho de 1938. Entretanto, nesta altura ficaram disponíveis detalhes sobre os couraçados alemães da Classe Scharnhorst e o navio soviético foi considerado inferior. O Comitê de Defesa do Estado revisou os requerimentos para um tamanho de 31 mil toneladas, armamento de nove canhões de 305 milímetros, cinturão de blindagem de 250 milímetros e velocidade de 31 a 32 nós (57 a 59 quilômetros por hora). Um projeto revisado foi finalizado em outubro e usado em jogos de guerra contra os couraçados da Classe Scharnhorst, da Classe Kongō da Marinha Imperial Japonesa e da Classe Dunkerque da Marinha Nacional Francesa. Foi considerado superior à Classe Kongō em distâncias médias e inferior à Classe Dunkerque nas mesmas distâncias, mas de forma geral superior à Classe Scharnhorst. Todavia, é pouco provável que os soviéticos sabiam das verdadeiras especificações da Classe Kongō após modernizações e que o deslocamento da Classe Scharnhorst era na verdade mais de cinco mil toneladas a mais do que o relatado. A Administração de Construção Naval considerou que o armamento secundário de armas de 130 milímetros era muito pequeno e que as blindagens das torres de artilharia, torre de comando e antepara transversal de vante eram muito finas. Um projeto revisado de 35 mil toneladas com canhões de 152 milímetros e blindagem adicional foi apresentado em janeiro de 1939 ao Conselho de Defesa do Estado.

Isto foi aprovado e o trabalho de detalhamento de projeto começou com o conceito básico de que o navio deveria ser superior à Classe Scharnhorst e capaz de fugir dos couraçados da Classe Bismarck. A proteção horizontal foi revisada depois de testes revelarem que bombas de quinhentos quilogramas penetrariam tanto o convés superior de quarenta milímetros quanto o mediano de cinquenta. O convés mediano teve a espessura aumentada para noventa milímetros para que o convés inferior parasse estilhaços que penetrassem o convés blindado. Isto forçou o cinturão principal ser estendido para cima a fim de se encontrar com o convés blindado principal, mas ao custo de mais peso. O Comitê de Defesa aprovou o esboço em 13 de julho de 1939, mas o projeto detalhado só foi aprovado em 12 de abril de 1940, depois das construções já terem começado.

Projeto 69-I Logo ficou aparente que os canhões e torres de 305 milímetros estavam atrasados, assim o ditador Josef Stalin perguntou a representantes alemães em Moscou em 8 de fevereiro de 1940 se seria possível usar torres de artilharia triplas de 283 milímetros alemãs no lugar das de 305 milímetros soviéticas. Os representantes responderam que essas torres estavam fora de produção, mas que seria possível construir novas. Stalin então indagou sobre se torres duplas de 380 milímetros poderiam ser usadas, com os alemães respondendo que precisariam checar detalhes técnicos. A Krupp tinha em mãos seis torres incompletas que originalmente tinham sido encomendadas antes da Segunda Guerra Mundial para rearmar a Classe Scharnhorst, mas este projeto tinha sido cancelado após o início do conflito porque os alemães decidiram que não poderiam se dar ao luxo de tirar os couraçados de serviço. Um acordo preliminar de compra foi feito no final do mês para doze canhões e seis torres de artilharia, muito antes de qualquer estudo ter sido conduzido se tal substituição seria mesmo possível. O Comissariado de Construção Naval relatou em 17 de abril que seria sim possível, então o acordo foi finalizado em novembro com as entregas programadas para outubro de 1941 até 28 de março de 1943. A encomenda também incluía telêmetros de dez metros e holofotes de 150 centímetros.

Os soviéticos nunca receberam os dados completos necessários para mudar o projeto das barbetas e depósitos de munição, mas eles sabiam que as barbetas de 380 milímetros tinham um diâmetro maior que as de 305 milímetros e que as torres de artilharia eram mais altas. Desta forma, a barbeta da segunda torre foi elevada para ficar fora do caminho da primeira, com a altura da torre de comando também precisando ser elevada para liberar espaço para a segunda torre de artilharia. As armas antiaéreas de 37 milímetros à ré da terceira torre de artilharia também precisaram ser elevadas. As novas torres presariam de mais energia elétrica, forçando o aumento da potência dos turbogeradores para 1,3 mil quilowatts. Todas essas mudanças adicionaram mais de mil toneladas ao deslocamento. O esboço de projeto foi finalizado em 16 de outubro e designado como Projeto 69-I, mesmo os soviéticos ainda não tendo os dados para as torres e suas barbetas. Isto foi apresentado ao Comitê de Defesa do Estado em 11 de fevereiro de 1941, mas o projeto só foi ser aprovado em 10 de abril, quando foram emitidas ordens que os primeiros dois navios fossem finalizados com as armas alemãs e os restantes com os canhões originais de 305 milímetros. O projeto detalhado deveria ser completado até 15 de outubro, mas isto não ocorreu porque a Alemanha invadiu a União Soviética em junho.

Projeto Características O Projeto 69 teria 240 metros de comprimento da linha de flutuação e 250,5 metros de comprimento de fora a fora. Teria uma boca de 31,6 metros e um calado máximo de 9,45 metros. Foi projetado para ter um deslocamento padrão de toneladas e um deslocamento carregado de toneladas. O Projeto 69-I teria toneladas de deslocamento padrão e toneladas de deslocamento carregado, o que aumentaria o calado para 9,7 metros e o comprimento da linha de flutuação para 242,1 metros simplesmente porque o calado extra submergeria mais da proa e popa. A velocidade máxima permaneceria a mesma pois o calado mais fundo seria compensado por hélices de formato mais eficiente. Os navios da classe seriam equipados com dois hidroaviões KOR-2 que seriam lançados por uma catapulta localizada entre as chaminés.

O casco teria um coeficiente de bloco de 0,61, mais elevado que o 0,54 da Classe Dunkerque, o 0,52 dos cruzadores de batalha alemães da Classe O e o 0,5266 dos cruzadores de batalha norte-americanos da Classe Alaska. Isto significaria que maior potência seria necessária para alcançar até mesmo velocidades modestas. A decisão de Stalin de que a classe deveria ter três hélices aumentou a carga de cada eixo e reduziu a eficácia propulsiva, porém diminuiu o comprimento da cidadela blindada e o deslocamento. O casco seria rebitado e subdividido por 24 anteparas transversais. Armações longitudinais seriam usadas na cidadela, porém armações transversais para as estruturas à vante e à ré. A altura metacêntrica seria de 2,8 metros para o Projeto 69 e 2,58 metros para o Projeto 69-I. O diâmetro tático foi estimado em aproximadamente 1,2 quilômetros.

Propulsão