thumb|250px|Astronauta Marcos Pontes (esquerda), da Agência Espacial Brasileira; astronauta Jeffrey Williams, oficial e engenheiro de voo, da NASA; e cosmonauta Pavel Vinogradov, comandante, da Agência Espacial da Federação Russa, no Centro Espacial Lyndon Johnson.

A Missão Centenário (ISS EP-10) nasceu de um acordo entre a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Agência Espacial da Federação Russa (Roscosmos) em 30 de março de 2006. O principal objetivo deste tratado seria enviar o primeiro brasileiro ao espaço, o tenente coronel aviador Marcos Pontes.

O nome da missão é uma referência à comemoração do centenário do primeiro voo tripulado de uma aeronave, o 14 Bis de Santos Dumont, Paris, 23 de outubro de 1906.

O veículo utilizado para o lançamento da missão foi a nave Soyuz TMA-8, da Roscosmos, e o seu lançamento aconteceu em 30 de março de 2006 (23h30 horário de Brasília) no Centro de Lançamento de Baikonur (Cazaquistão), tendo como destino a Estação Espacial Internacional (ISS).

Acordo bilateral para a missão A Missão Centenário se tornou possível devido a um acordo comercial assinado em outubro de 2005 entre Brasil e Rússia, sendo representantes destas a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Agência Espacial Federal Russa (Roscosmos).

Com isso, o astronauta Marcos Cesar Pontes passou a treinar na Cidade das Estrelas, centro de treinamento para cosmonautas próximo a Moscou.

Lançamento thumb|direita|Lançamento da Soyuz TMA-8 com Jeffrey Williams, Pavel Vinogradov e Marcos Pontes em 30 de março de 2006 A espaçonave Soyuz TMA-8 transportando o tenente-coronel Marcos Pontes foi lançada às 23 horas e 30 minutos de (horário de Brasília, 8 horas e 30 minutos da manhã de no horário do Cazaquistão). Além do astronauta brasileiro, faziam parte da tripulação o russo Pavel Vinogradov e o americano Jeffrey Williams, sendo estes dois membros da Expedição 13.

Quando Pavel Vinagrodov ligou a câmera da cabine para o Marcos Pontes durante o lançamento, o brasileiro não sabia o que dizer. Pensou em acenar, mas isso não expressava o que sentia, então apontou para a bandeira e, após, para cima, querendo dizer que estavam todos juntos, mas pensou "um momento, apontar com um só dedo não dá a impressão de 'juntos'!". Por isso, ele apontou com dois, como se pode observar no vídeo da missão. A nave acoplou à Estação Espacial Internacional (ISS) na madrugada de sábado, 1 de abril.

Antes da entrada na Estação Espacial Internacional, o protocolo internacional previa a seguinte ordem: Pavel, Jeff e Marcos. Porém, quando Pavel observou Marcos com a bandeira do Brasil nas mãos, disse-lhe para entrar primeiro. Marcos respondeu-lhe que talvez teria problemas. A isso, o russo replicou que não seria o Marcos que estaria entrando na frente, mas sim uma nação inteira e nem ele, nem Jeff teriam o direito de entrar antes de uma nação.

Experimentos Marcos Pontes realizou na ISS oito experimentos científicos, para que pudesse ser analisado o comportamento destes em um ambiente de microgravidade. Eis os experimentos realizados:

Nome Tipo Pesquisador(a) Ref. Pesquisa biomédicaGOSUM Germinação de sementes em microgravidade (Embrapa). Dra. Antonieta Nassif Salomão. Pesquisa em biotecnologiaDNARMDanos e reparos do DNA na microgravidade (UERJ e INPE).Dr. Heitor Evangelista da SilvaSMEKEfeito da microgravidade na cinética das enzimas (FEI)Dr. Alessandro La NeveNIPNuvens de interação proteica (CenPRA/MCT) Dr. Aristides Pavani Filho Pesquisa tecnológicaCEMEXTeste de evaporadores capilares em ambiente de microgravidade (UFSC)Dr. Edson BazzoWMHPMinitubos de calor (UFSC)Dra. Márcia Barbosa Henriques Mantelli Projetos educacionaisSEEDSGerminação de sementes de feijão (Secretaria Municipal de Educação de São José dos Campos-SP)CHROPHYLCromatografia da clorofila (Secretaria Municipal de Educação de São José dos Campos-SP)

Os experimentos educacionais acima foram acompanhados por alunos de escolas de São José dos Campos por meio da Internet, enquanto realizavam os mesmos experimentos em terra. Artigo

Entrevistas thumb|Presidente Lula durante videoconferência com o astronauta brasileiro, Marcos Pontes.

Durante sua estadia na ISS, Marcos Pontes concedeu algumas entrevistas por videoconferência.

No dia 3 de abril de 2006, foi transmitida a entrevista com homenagem a Santos Dumont, na qual Marcos Pontes usou um chapéu Panamá igual ao do inventor e um lenço com as siglas SD.

Retorno

A Nave Soyuz TMA-7 trouxe na noite de 8 de abril de 2006 no horário de Brasília, o Ten. Cel. Marcos Pontes e mais outros dois astronautas da Expedition 12 (o russo Valery Tokarev e o americano William McArthur) que já estavam na ISS. O ponto de aterrissagem foi no Cazaquistão.

Para o resgate foram utilizados 17 helicópteros russos MI-8, e a área do pouso foi no entorno da cidade Arclalic, num raio de 60 a 80Km de distância desta.

Após o retorno, os três astronautas passaram por um período de readaptação à gravidade.

Duração total da missão Marcos Pontes realizou 155 órbitas e a duração total de sua missão foi de 9 dias, 21 horas e 17 minutos. Insígnia A insígnia da Missão Centenário foi produzido em conjunto pelo Secom, MCT e AEB.

Atos comemorativos thumb|direita|Discurso de Sergio Gaudenzi durante o lançamento de selo e medalha comemorativas. Como celebração desta missão ter sido a primeira a levar um astronauta brasileiro ao espaço, assim como ser uma homenagem ao centenário do primeiro voo de uma aeronave mais pesada que o ar de Santos Dumont, foram lançados selos e uma medalha.

Críticas A missão recebeu críticas por parte da comunidade científica, como da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), segundo a qual o dinheiro investido na missão deveria ser utilizado para a capacitação de pessoal, assim como investido em outros tipos de pesquisas científicas. Além disso, relatam o não cumprimento da participação brasileira na construção da ISS. Outros críticos denunciaram o uso político e tacharam a viagem ao espaço de turismo espacial.

A Agência Espacial Brasileira e Marcos Pontes rebate, essas críticas, informando que nunca o programa espacial teve tanta visibilidade na imprensa, o que possibilitaria no futuro maior alocação de verbas para a exploração espacial. Além disto, a missão poderá incitar às crianças maior desejo de estudar e seguir a carreira científica."Marcos Pontes rebate críticas e defende missão brasileira" "07/04/2006"

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Ligações externas

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