Invincible é o décimo e último álbum de estúdio do cantor estadunidense Michael Jackson lançado ainda em vida, em 30 de outubro de 2001 pela gravadora Epic Records. O álbum conta com participações de Carlos Santana, The Notorious B.I.G., Fats e Slash. Incorpora R&B, pop e soul e, assim como os trabalhos anteriores de Jackson, Invincible explora temas como romance, isolamento e críticas à mídia. Foi o último álbum lançado por Jackson antes de sua morte em 25 de junho de 2009.
A criação de Invincible foi cara e trabalhosa, envolvendo dez produtores musicais e mais de 100 músicos. Jackson iniciou a produção multigenérica em 1997 e só a concluiu oito semanas antes do lançamento do álbum. Com custos estimados em cerca de 30 milhões de dólares, permanece o álbum mais caro já produzido. O primeiro single, "You Rock My World", foi o último grande sucesso de Jackson em sua carreira, alcançando a décima posição da Billboard Hot 100 nos Estados Unidos. A canção foi indicada ao prêmio de Melhor Performance Vocal Pop Masculina no Grammy Awards de 2002.
Invincible estreou no topo da Billboard 200, com vendas de 363.000 cópias na primeira semana. Também alcançou o primeiro lugar em outros 13 países ao redor do mundo. Além de "You Rock My World", "Cry" também foi lançada como single, e SSppeechless" e "Buutterflies" foram lançadas como singles promocionais. Inicialmente, Invincible recebeu avaliações medianas a negativas, tornando-se o álbum mais criticado de Jackson. No entanto, em análises retrospectivas, passou a ser visto de forma mais positiva, com elogios à sua musicalidade e produção em particular.
Em julho de 2002, após a decisão da Sony de encerrar abruptamente a promoção de Invincible, Jackson condenou abertamente o CEO da Sony Music, Tommy Mottola. Jackson se recusou a fazer turnê para promover o álbum, aumentando o crescente desentendimento entre ele e a Sony Music. Apesar disso, Invincible recebeu certificação de platina dupla nos Estados Unidos. O álbum vendeu mais de oito milhões de cópias em todo o mundo. Em 2009, Invincible foi eleito pelos leitores online da Billboard como o melhor álbum da década de 2000.
Antecedentes e desenvolvimento Concepção e contexto Jackson gravava álbuns de estúdio solo desde Got to Be There (1971), todos lançados pela gravadora Motown. Durante seu tempo como membro do conjunto musical Jackson 5, ele frequentemente escrevia material para o grupo depois que eles deixaram o selo em 1975 e começou a trabalhar em outros projetos como artista solo, o que eventualmente o levou a gravar seus próprios álbuns pela Epic Records, notadamente Off the Wall (1979), Thriller (1982), Bad (1987) e Dangerous (1991), HIStory (1995) e Blood on the Dance Floor: HIStory in the Mix (1997), sendo Bad, Dangerous, Off the Wall, HIStory, Invincible e Thriller os principais álbuns de estúdio. O álbum "Thriller" é e até hoje mantém e será pra sempre o único álbum mais vendido de todos os tempos, com mais de 124 milhões de cópias comercializadas até hoje, que por vezes ofuscava os projetos subsequentes do cantor. Antes do lançamento de Invincible, Jackson não havia lançado nenhum material desde os singles e do álbum de estúdio Blood on the Dance Floor: HIStory in the Mix em 1997. Invincible era visto como um lançamento muito aguardado por seus fãs.
O trabalho foi dedicado ao garoto afro-norueguês de quinze anos, Benjamin "Benny" Hermansen, que foi esfaqueado até a morte por um grupo de neonazistas em Oslo, na Noruega, em janeiro de 2001. A razão para esta homenagem foi parcialmente devido ao fato de que outro jovem da mesma cidade, Omer Bhatti, amigo de Jackson, também era amigo de Hermansen. A dedicatória do álbum diz: "Michael Jackson dá 'agradecimentos especiais': este álbum é dedicado a Benjamin 'Benny' Hermansen. Que possamos continuar a lembrar de não julgar alguém pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Benjamin... nós te amamos... que você descanse em paz". O projeto também é dedicado a Nicholette Sottile e aos pais do cantor, Joseph e Katherine Jackson.
Produção miniatura|150px|Rodney Jerkins produziu diversas faixas contidas na obra. Jackson entrou em estúdio para gravar material para o novo álbum entre outubro e novembro de 1997, antes do hiato, e terminou com "You Are My Life" 2001 sendo gravada apenas oito semanas antes do lançamento, sendo que, a partir de janeiro 1998, depois de muitos anos consecutivos, entrou em hiato enquanto produzia Invincible (1998-2001). Além disso, ele fez um concerto beneficente MJ & FRIENDS em 1999, sendo o último show em 25 de junho daquele ano. No mesmo ano, planejava o seu concerto do MILLENIUM, que não aconteceu, e, em 2000, recebeu homenagens e reconhecimento antes do seu retorno do novo milênio — foi a gravação mais longeva da carreira do cantor entre os anos de 1997-2001. As faixas com o produtor Rodney Jerkins foram gravadas no estúdio Hit Factory em Miami, Flórida. Jackson demonstrou interesse em incluir um rapper em pelo menos uma música e notou que ele não queria um 'que já fosse conhecido'. O porta-voz do cantor sugeriu o rapper de Nova Jérsia chamado Fats; depois que Jackson ouviu o produto final da música, os dois concordaram em gravar outra música juntos para o álbum. Rodney Jerkins afirmou que Jackson estava procurando gravar material em uma direção musical diferente da de seu trabalho anterior, descrevendo a nova direção como "mais ousada".
O cantor recebeu crédito por escrever e produzir a maioria das músicas contidas em Invincible. Além de Jackson, o álbum apresenta produções de Jerkins, Teddy Riley, Andre Harris, Andraeo "Fanatic" Heard, Kenneth "Babyface" Edmonds, R. Kelly e Dr. Freeze, embora também tenha creditado Fred Jerkins III, LaShawn Daniels, Nora Payne e Robert Smith. Invincible é a terceira colaboração entre o cantor e Riley; os dois já haviam colaborado juntos em Dangerous e Blood on the Dance Floor: HIStory in the Mix e HIStory. O álbum é o décimo e antepenúltimo trabalho em estúdio lançado por Jackson durante sua vida. Foi relatado que o projeto teve um custo de produção orçado em 30 milhões de dólares, tornando-o a produção mais cara de um disco já feita por um artista.
Letras e musicalidade Invincible é descrito como uma combinação entre as sonoridades do rhythm and blues (R&B), hip hop e dance-pop. A duração total do álbum é de mais de setenta minutos e contém dezesseis músicas — quinze das quais foram escritas (ou coescritas) pelo próprio intérprete. Observou-se que o álbum alterna entre músicas agressivas e baladas. Invincible abre com "Unbreakable"; a última linha do primeiro verso recita a letra "Com tudo o que passei / ainda estou por aí". Em uma entrevista de 2002 à revista Vibe, Jackson comentou sua inspiração para escrever "Speechless", dizendo:
"Privacy", uma reflexão sobre as experiências pessoais do cantor, trata de invasões da mídia e imprecisões nos tabloides. "The Lost Children" é sobre crianças em perigo. Jackson canta em uma terceira pessoa em "Whatever Happens". A letra da música, foi descrita pela revista Rolling Stone como tendo uma "intensidade irregular", que narra a história de duas pessoas envolvidas em uma situação ameaçadora desconhecida. Invincible apresenta quatro baladas: "You Are My Life", "Butterflies", "Don't Walk Away" e "Cry". "Cry" é semelhante a "Man in the Mirror", do mesmo intérprete; é sobre curar o mundo juntos. As letras de "Butterflies" e "Break of Dawn" foram vistas como "flagrantemente banais" e estava implícito que elas poderiam ter sido escritas por qualquer outra pessoa. "Threatened" foi vista como um conto de histórias. A música foi descrita como "Thriller redux". A faixa "You Are My Life" é sobre os dois filhos do cantor na época, Prince e Paris. A música mostra Jackson cantando: "Você é o sol, você me faz brilhar, mais como as estrelas".
Crítica profissional
Invincible foi recebido com opiniões mistas por críticos especializados em música contemporânea. No Metacritic, um site musical que atribui classificações normalizadas de cem a opiniões críticas, atribuiu ao projeto uma pontuação média de cinquenta com base em dezenove avaliações — o que indica "em geral, opiniões favoráveis". David Browne, da revista eletrônica Entertainment Weekly, sentiu que Invincible é o "primeiro álbum de Jackson desde Off the Wall, que praticamente não oferece novas reviravoltas", mas comentou que a obra "parece uma coletânea de maiores sucessos, só que [em vez disso] reúne seus piores". Em sua análise do material para a revista Rolling Stone, James Hunter fez críticas às baladas do álbum, escrevendo que elas o tornaram muito longo. Hunter também comentou que Jackson e Riley fizeram de "Whatever Happens" "algo realmente bonito e inteligente", permitindo que os ouvintes "se concentrassem nos ritmos momentosos da faixa", como "interjeições apaixonadas de Santana e varreduras sinfônicas maravilhosamente arranjadas de Lubbock". Mark Beaumont, da NME, o considerou "um álbum de retorno relevante e rejuvenescido", porém "muito longo", enquanto um revisor da revista Blender também o considerou de "demasiada duração".
Analisando o material para o jornal nova-iorquino The Village Voice, Robert Christgau disse que as habilidades de Jackson como músico são frequentemente esquecidas, mas observou que o álbum parecia muito longo em comparação com outros trabalhos do cantor. Embora Christgau considerasse que Invincible soava "ofensivo", ele descreveu as três primeiras faixas contidas no projeto como sendo os "melhores trabalhos de Rodney Jerkins no ano", acrescentando que não "acreditava que a musicalidade do álbum fosse importante". Nikki Tranter, em sua resenha para a página online PopMatters, considerou Invincible inovador e significativo ao mesmo tempo, porque músicas excepcionais como "The Lost Children" e "Whatever Happens" compensavam faixas excessivamente sentimentais como "Heaven Can Wait" e "You Are My Life". A revista britânica Q o considerou um trabalho interessante, embora inconsistente. Em uma crítica negativa para o portal The New York Times, o jornalista Jon Pareles sugeriu que o álbum é um tanto impessoal e sem humor, enquanto Jackson refaz ideias de suas músicas anteriores, parecendo "tão ocupado tentando deslumbrar os ouvintes que esquece de se divertir". Em uma revisão retrospectiva inclusa no livro The Rolling Stone Album Guide, Pareles disse que Invincible mostrava que o cantor havia transformado sua qualidade suave em "cálculos sombrios".
Em análises retrospectivas, o Invincible ganhou mais críticas positivas e foi citado como um percussor no desenvolvimento inicial do dubstep. Jonathan Harris, em sua coluna musical no portal Medium, escreveu: "O sucesso de Invincible e 'You Rock My World' provou que o estilo icônico e a fórmula musical de Jackson ainda eram viáveis e comercializáveis no e para mais uma geração". Harris elogiou ainda mais o produto, considerando-o uma "obra brilhante, com cada faixa sintonizada com um pop perfeito e, com dezesseis faixas e mais de setenta minutos, há algo para todos, independentemente da época ou estilo do Rei do Pop. Invincible também envelheceu muito bem. Jackson sabiamente não estava em conformidade com os padrões da música pop no momento da produção, deixando o disco soar hoje tão fresco e distinto quanto no dia em que foi lançado". Stephen Thomas Erlewine, editor do banco de dados AllMusic, comentou que a obra tem uma "faísca" e "soa melhor do que qualquer coisa que o cantor tenha feito pós-Dangerous". Erlewine observou que, embora o álbum tenha um bom material, "não era suficiente para torná-lo o retorno no qual Jackson precisava — para que isso funcionasse, ele realmente necessitava ter um álbum que soasse livre, em vez de algo restringido", mas Invincible oferece um lembrete de que ele pode realmente criar um bom trabalho pop".