Mary Guilhermina Sylvia Tarrant Rodrigues (c. 1908 - c. séc. XX) foi uma radialista portuguesa que se notabilizou por ser a primeira mulher pioneira no percurso radiofónico quando começou a actuar como locutora de rádio a partir de fevereiro de 1936 em transmissões no Rádio Clube Português, sendo uma das mais longevas e destacadas na profissão.

Biografia Nascida numa época em que as mulheres enfrentavam inúmeras barreiras de gênero e filha de pai Inglês e Mãe Indiana, Mary Guilhermina S. Tarrant desafiou as normas sociais existentes na Portugal das primeiras décadas do século XX. Assim, Mary desde cedo demonstrou uma paixão pela comunicação e pela arte de contar histórias. O seu interesse pela rádio foi despertando numa época em que a rádio estava a começar a estebelecer-se como uma poderosa forma de Mídia.

Apesar das barreiras sociais e da resistência enfrentada por ser mulher, Mary manteve-se determinada e forte nas suas palavras e ideias. Por meio de sua voz e habilidade em se comunicar com o público, ela chamou a atenção de produtores portugueses de rádio. E, em fevereiro de 1936, quando tinha 28 anos de idade e era mãe de 3 filhos, Mary tornou-se a primeira locutora de rádio de Portugal e da Europa, ao ser contratada pela emissora Rádio Clube Português (RCP), abrindo assim novos caminhos para outras mulheres seguirem os seus passos. A locutora também seria uma das faces da rádio durante décadas.

Mary fez quase tudo o que era possível dentro de uma estação de rádio, incluindo a montagem de programas. Um dos programas em que mais colaborou como locutora foi o da APA (Agência de Publicidade Artística), principalmente o "Passatempos APA".

Ao longo da sua carreira, se destacou como uma presença familiar na rádio através de notícias, entretenimento e mensagens de esperança para um público cativo. Fora do estúdio era uma defensora da igualdade de género e dos direitos das mulheres. Mary usou a sua posição de destaque para inspirar outras mulheres a perseguirem os seus sonhos e acreditarem no seu potencial, buscando deixar um impacto na sociedade.

Fez teatro radiofónico e, nos anos finais de sua actividade profissional, Mary apresentou o programa "Nunca é Tarde" de 1983, sobre a prática de desporto dos idosos, e com conselhos para o seu quotidiano.

Condecorações Mary foi galardoada com a "Medalha de ouro" atribuída pelo RCP em virtude de seus 30 anos de serviço. Na mesma década, ela havia recebido a estatueta do prémio da Imprensa de 1964.

Em 1985, ela foi condecorada pelo Presidente da República Portuguesa António Ramalho Eanes com a Ordem do Infante, juntamente com outras 6 mulheres que "promovendo a melhoria e a dignificação da condição feminina, melhoraram e dignificaram a condição humana".

A titulo póstumo, Mary foi homenageada na 3ª edição do "Só pela Voz".

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