Igreja Católica Ortodoxa de Portugal é uma comunidade cristã de tradição ortodoxa que atua em Portugal. A sua própria história interna situa o início da obra em , com o padre João (Eduardo Henrique Pinto da Rocha), e a estruturação eclesial ao longo das décadas seguintes. A entidade encontra-se registada como pessoa coletiva no ordenamento jurídico português (v. atos publicados no Diário da República) e opera ao abrigo da Lei da Liberdade Religiosa e respetiva regulamentação do registo das pessoas coletivas religiosas.
A literatura acadêmica sobre as comunidades ortodoxas em Portugal distingue as jurisdições canônicas (ligadas aos patriarcados históricos) de outras expressões ortodoxas com situação canônica «indefinida»; é neste quadro que vários estudos colocam a Igreja Católica Ortodoxa de Portugal, não a incluindo entre as Igrejas ortodoxas canônicas presentes no país. Por isso, a própria página da Igreja usa com frequência a designação «autônoma» e «nacional», mas essa auto-qualificação não implica reconhecimento canônico pelas Igrejas ortodoxas de comunhão universal (Constantinopla, Moscou, etc.).
História A tradição interna refere que Eduardo H. P. da Rocha (depois «João Gabriel I») iniciou, em 1966, a vida monástica e, a partir de 1968, recebeu ordens e exerceu ministério, vindo a ser apresentado como primeiro metropolita e primaz da Igreja. Após o seu falecimento (1997), foi eleito «João I», indicado como atual metropolita e primaz da Igreja; fontes ligadas à Igreja Hispânica referem a sua entronização em junho de 1997 e contatos com a Igreja Ortodoxa da Polônia na década de 1990. A existência pública da Igreja é ainda atestada por registos jornalísticos e institucionais portugueses ao longo dos anos 2000–2020.
Situação jurídica Em Portugal, as comunidades religiosas podem adquirir personalidade jurídica e registo próprio, de acordo com a Lei da Liberdade Religiosa (Lei n.º 16/2001) e o respetivo Decreto-Lei n.º 134/2003 (registo das pessoas coletivas religiosas). O Diário da República regista atos da «Igreja Católica Ortodoxa de Portugal» desde 2000, através da Conservatória de Cascais, evidenciando a sua existência como pessoa coletiva no ordenamento nacional. Existem ainda referências arquivísticas municipais a um reconhecimento, em 2006, do «caráter de confissão religiosa». A supervisão geral do regime jurídico da liberdade religiosa e dos atestados de radicação cabe à Comissão da Liberdade Religiosa (Ministério da Justiça).
Organização e atividades Fontes da própria Igreja indicam que a sede eclesial se encontra na região de Lisboa e que, ao longo dos anos, foram criadas paróquias e um mosteiro (Mosteiro do Nascimento da Mãe de Deus, concelho de Vila Franca de Xira, 2001). A Igreja adota a liturgia e a teologia de matriz ortodoxa oriental e apresenta-se como «Igreja nacional» de tradição bizantina, mantendo culto, pastoral e ações de caridade em território português, sobretudo em pequenas comunidades locais.
História
Origens e Fundação A história da Igreja Ortodoxa em Portugal teve início com o padre João (Eduardo Henrique Pinto da Rocha), um ex-soldado do Exército Português que se converteu à fé ortodoxa. Inicialmente, ele fazia parte da Igreja Ortodoxa Russa no Exterior sob a jurisdição do arcebispo Antonio Bartosheviche de Genebra. Em 1968, o padre João celebrou a primeira Divina Liturgia segundo o rito bizantino em Portugal. Nos anos seguintes, ele trabalhou ativamente para estabelecer a presença ortodoxa no país, atraindo novos convertidos e fundando comunidades.
No dia 13 de junho de 1978, o padre João se colocou sob a jurisdição do arcebispo Auxêncio de Atenas da Igreja Ortodoxa Grega Veterocalendarista. Foi sagrado bispo no mesmo ano com o nome de João Gabriel, tornando-se assim o primeiro bispo ortodoxo português da atualidade. Em 1984, a Igreja recebeu autonomia do Sínodo Grego e o bispo João Gabriel foi elevado à dignidade de metropolita primaz, tornando-se o chefe da nova Igreja Autônoma Ortodoxa de Portugal.
Rompimento com a Igreja Grega e comunhão com a Igreja Polonesa Em 1988, a Igreja cortou relações com a Igreja Veterocalendarista Grega por razões teológicas, disciplinares e canônicas. De 1988 a 1990, permaneceu sem comunhão com qualquer outra Igreja ortodoxa. Entrou em comunhão com a Igreja Ortodoxa Autocéfala da Polônia em 1990, mantendo seu status autônomo reconhecido pelos poloneses. Esta comunhão foi reforçada em 1997 quando o metropolita Basílio I da Polônia entronizou solenemente o novo primaz português, o metropolita João Gabriel.
Autonomia e rompimento com a Polônia Em 2001, a Igreja rompeu a comunhão com a Polônia por razões pastorais locais. Desde então, a Igreja Ortodoxa Portuguesa mantém status autônomo e não está em comunhão com nenhuma outra Igreja Ortodoxa.
Estrutura e Hierarquia A Igreja é atualmente liderada pelo metropolita João II, que serve como primaz e chefe da Igreja. Ele sucedeu o falecido metropolita João Gabriel, o fundador da Igreja.
Outros bispos importantes incluem:
Tiago, arcebispo emérito de Coimbra e Aveiro; Teodoro, arcebispo de Évora e Setúbal e chanceler da Igreja; Paulo, bispo de Silves e Portimão.
A sé primacial e catedral principal da Igreja fica na Igreja da Santíssima Trindade do Santuário de Nossa Senhora das Graças em Torres Novas.
Instituições e mosteiros A Igreja Ortodoxa Portuguesa possui várias instituições e mosteiros importantes, incluindo:
Academia Ortodoxa de Teologia de São Martinho de Dume - instituição teológica fundada em 1976; Mosteiro da Transfiguração em Sintra - primeiro mosteiro ortodoxo fundado em Portugal em 1976; Mosteiro da Dormição da Mãe de Deus em Sintra; Mosteiro de São João Teólogo em Torres Novas; Mosteiro de Santa Catarina na Mealhada; Mosteiro do Nascimento da Mãe de Deus em Vila Franca de Xira.
Estes mosteiros seguem a tradição monástica ortodoxa e alguns têm vínculos espirituais com importantes mosteiros do Monte Atos na Grécia.
Atividades e presença A Igreja Ortodoxa Portuguesa realiza atividades pastorais, educacionais, sociais e missionárias em todo o país português e na diáspora portuguesa. Possui paróquias em várias cidades, incluindo Lisboa, Sintra, Torres Vedras, Marinha Grande, Mafra, Arganil e até em cidades da Galiza, Espanha.
Ver também Igreja Ortodoxa Religião em Portugal
Categoria:Igreja Ortodoxa Categoria:Jurisdições ortodoxas extracanônicas