Patricia de Oliveira Souza Lélis Bolin (Taguatinga, 30 de janeiro de 1994) é uma influenciadora digital e ex-assessora parlamentar brasileira,Ao longo dos anos, repercutiu na mídia após diversos ataques e controvérsias com diferentes personalidades e políticos, como Gleisi Hoffmann, Glauber Braga (que depois disse que foi fruto de uma invasão hacker) , Eduardo Bolsonaro, Nikolas Ferreira e Maria Corína Machado, que resultaram em processos contra ela na justiça. Ela também respondeu e perdeu processos por transfobia e homofobia.

Lélis ganhou repercussão nacional em 2016 após acusar o pastor e ex Deputado Federal Marco Feliciano de assédio e cárcere privado. No fim desse inquérito, a polícia indiciou Lélis por denunciação caluniosa e extorsão, concluindo que ela teria mentido na investigação sobre esse episódio baseado em provas e gravações no caso com o assessor.

Em janeiro de 2024, o FBI emitiu seu pedido de prisão sob a acusação de fraude eletrônica, transações monetárias ilícitas e roubo de identidade agravado. Depois do ocorrido a ré se tornou foragida e debochou do FBI em postagens nas redes sociais.

Em fevereiro de 2026, a apresentadora Luciana Gimenez e a modelo Izabel Goulart obtiveram decisões judiciais favoráveis em uma ação contra Lélis. O processo foi motivado por publicações em que Lélis associava as duas a um suposto envolvimento com Jeffrey Epstein.

As acusações foram contestadas judicialmente. No caso de Gimenez, foram apresentados documentos, incluindo registros bancários, como forma de refutar as alegações. A Justiça, ao analisar o caso, entendeu que os conteúdos publicados configuravam potencial caráter difamatório e determinou a remoção dessas postagens das redes sociais.

Vida pessoal Patrícia Lélis nasceu em Taguatinga, Distrito Federal. Segundo relatos da própria, cursou o ensino fundamental e o ensino médio em instituições privadas da região administrativa onde cresceu

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Brasília (UniCeub), Patrícia Lélis estagiou em redações e em assessorias de Brasília. Em entrevistas para portais como o G1 e Uol, ex-colegas de universidade e ambientes profissionais afirmaram que Lélis era conhecida por narrar episódios considerados contraditórios ou fantasiosos acerca de sua trajetória pessoal e profissional.

Após disputar eleições no Brasil e enfrentar controvérsias relacionadas à prestação de contas de campanha e calote em funcionarios, Patrícia mudou-se para os Estados Unidos, onde passou a residir na região de Arlington, na área metropolitana de Washington, D.C., no estado da Virgínia. No período em que viveu no país, seu nome voltou a ser associado a novas controvérsias divulgadas pela imprensa. Entre elas, estiveram alegações de que teria utilizado imagens de bebês encontradas na internet como se fossem de seu filho . Em dezembro de 2020 foi presa por "falsa comunicação de crime" (denunciação caluniosa), conforme noticiado por veículos de comunicação. Os episódios ampliaram a repercussão pública em torno de sua trajetória e passaram a integrar o conjunto de controvérsias envolvendo seu nome.

Ainda nos Estados Unidos, participou de pelo menos duas edições programa “Your Voice Your Future Town Hall”, da rede de televisão ABC7. Em 2025 ela também atuou como informante do grupo norte-americano Project Veritas, organização conhecida por divulgar conteúdos de viés conservador nos Estados Unidos. Em declarações públicas, Lélis afirmou ter tido acesso a documentos sigilosos relacionados a investigações e figuras públicas. Informações posteriormente contestadas em uma extensa reportagem publicada pela renomada revista norte-americana Rolling Stone, que questionou a veracidade das informações apresentadas, apontou falhas e falsificações nos documentos e relatos de Lelis. Na matéria, Lélis foi descrita como “uma golpista foragida que promove teorias da conspiração contra seus inimigos”, caracterização atribuída pelo veículo no contexto da apuração jornalística.

Após se tornar foragida do FBI, se encontra fora dos EUA, não trabalhando em qualquer veículo de comunicação e não ocupando cargos públicos. Atua principalmente como influencer na rede social TikTok, onde realiza acusações contra personalidades públicas e divulga prints de supostos processos que move contra opositores.

Patrícia também é chamada de "ruiva do CAPS" por seus haters, um apelido pejorativo que associa uma característica física dela (pintar o cabelo de ruivo) somado a um estigma relacionado à saúde mental, reforçando preconceitos contra pessoas que frequentam centros de atenção psicossocial (CAPS).

Carreira no PSC e acusação contra Glauber Braga e Marco Feliciano Segundo Lélis, em 2016, após vídeos com teor antifeminista da jovem viralizarem, Patrícia foi convidada pela ex-feminista Sara Winter para se filiar ao Partido Social Cristão (PSC), logo passando a servir como assessora e líder do núcleo jovem da sigla. Em maio de 2016 Patrícia ganhou certa atenção após publicar um texto no facebook onde chamava uma professora de "feminazi", "feinha" e zombava dos cabelos cacheados da moça. Em abril do mesmo ano, ela afirmou em vídeo: "nunca vi uma feminista bonita". Segundo Patrícia, no seu período no PSC, participava de churrascos com notórias figuras de direita como o Pastor Everaldo e o ex-senador Magno Malta.

No mesmo ano, Patricia voltou a circular na mídia após, supostamente, acusar o deputado Glauber Braga do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) de agressão. No vídeo, Patrícia aparece com o rosto machucado falando de seu "ex-namorado de esquerda", mostrando um suposto boletim de ocorrência onde é possível ver a denuncia contra "Glauber de Medeiros Braga", nome do deputado. O PSOL Rio soltou uma nota negando que o deputado conhecesse Patrícia, e o parlamentar publicou um vídeo onde dizia que a denúncia era caluniosa e pedia a investigação no caso. No entanto, Patrícia passou a dizer que se tratava de um ex-namorado que também se chamava "Glauber de Medeiros Braga", e que também era de esquerda. Anos depois ela declarou que a acusação teria sido feita por um hacker Uma apuração do portal Uol apontou que Patrícia nunca fez qualquer B.O contra o deputado ou qualquer "Glauber Braga", contradizendo o vídeo de Patrícia. O assunto passou a ser abordado pelo veículos de mídia como uma notícia falsa.

Ainda em 2016, gerou forte repercussão após acusar o pastor e deputado federal Marco Feliciano (PSC) de assédio e cárcere privado. Segundo ela, ao ficar a sós com o deputado, ele teria tentado beijá-la à força e arrastá-la para o quarto. Ela teria recusado o assédio e recebido um chute na perna e um soco na boca. No entanto, o processo foi arquivado e a polícia de São Paulo anexou ao inquérito um laudo de mitomania que teria sido emitido em 2015 por duas psicólogas do Instituto Médico Legal de Brasília.

No dia 10 de agosto de 2016, a Folha de S.Paulo obteve um vídeo em que Patrícia Lélis conversa com o chefe de gabinete do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) sobre o pagamento de uma quantia em dinheiro. Na gravação, o assessor Bauer afirma ter entregado R$ 50 mil a um emissário de Lélis, identificado como Artur Mangabeira. No vídeo, ao alegar que Artur não repassou o dinheiro a ela, Patrícia declara que iria "enfiar a cara de Artur no chão" e exige que Bauer prometa que vai "acabar com ele".

A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia feita pelo Ministério Público (MP), que acusou Patrícia de denunciação caluniosa e extorsão contra Talma de Oliveira Bauer, o então assessor do deputado federal Marco Feliciano.

Adesão ao feminismo e carreira política Patrícia passou a se identificar como uma pessoa de esquerda e feminista depois da denúncia contra Marco Feliciano. Após o caso ganhar força, Patrícia declarou: “Hoje, quem faz barulho na internet e na mídia para o meu caso não ser esquecido é o grupo feminista” e pediu desculpas pelos ataques que fez a feministas no passado.

Em 2017 anunciou sua pré-candidatura à deputada federal por São Paulo pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) para as eleições do ano seguinte. Em 2018 porém optou pela candidatura pelo Partido Republicano da Ordem Social (PROS), obtendo pouco mais de 1.000 votos, não sendo eleita.Na época, o Jornal Metrópoles publicou matéria com o relato de 12 pessoas que trabalharam na campanha de Lélis e que a acusaram de calote.

Acusação contra Eduardo Bolsonaro Em 2017 Patrícia se tornou ré na Justiça de São Paulo por falsa comunicação de crime após afirmar ser ex namorada de Eduardo Bolsonaro e que estava sendo ameaçada por ele. Contudo, o Relatório da Polícia Civil do Distrito Federal aponta a existência de indícios de crime de denunciação caluniosa cometido pela jornalista Patrícia Lélis contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). A conclusão do inquérito afirma que as supostas mensagens de ameaça enviadas pelo congressista teriam sido simuladas e falsificadas. O caso foi tratado como mais uma denúncia caluniosa.

Mudança aos Estados Unidos Após perder as eleições e enfrentar controvérsias relacionadas ao não pagamento de integrantes de sua equipe de campanha, Patrícia Lélis mudou-se para os Estados Unidos.

Segundo informações divulgadas pelo site Arrests.org, plataforma que compila registros públicos de detenções em diferentes estados norte-americanos, Lélis teria sido detida em 20 de dezembro de 2019, às 16h33, sob a acusação de “false report to police”, expressão utilizada no sistema jurídico local para designar falsa comunicação de crime.

O registro também consta no portal oficial do sistema judiciário do Estado da Virgínia, onde o processo aparece identificado pelo código GC19005382-00, com indicação de tramitação em tribunal de jurisdição local.De acordo com os dados públicos disponíveis, a acusação está relacionada à comunicação às autoridades de um suposto crime cuja veracidade foi posteriormente questionada no curso da apuração..

Filiação e expulsão do PT Em 2021, ainda morando nos EUA, filiou-se ao Partido dos Trabalhadores, causando polêmica após realizar declarações consideradas transfóbicas e de “incitação ao ódio”. Em redes como Instagram e X, ela reiterou a afirmação de que mulheres trans não são mulheres. Ela também se envolveu em uma polêmica ao compartilhar e expressar apoio a um vídeo que se referia à então deputada estadual do PSOL, Erika Hilton, como "homem". Lélis também compartilhou um vídeo dizendo que uma mulher trans “mostrou seu pênis a outras mulheres e adolescentes” ao entrar em um banheiro em Los Angeles.

Em 8 de julho de 2021, o PT emitiu uma nota intitulada "Transfobia não tem lugar no PT", na qual rechaçava a postura de Patrícia e afirmava "Patrícia vem repetidamente expressando opiniões transfóbicas em suas redes sociais". Após essa nota, o partido iniciou uma investigação interna, o que resultou na expulsão de Patrícia do PT.

Várias lideranças do PT apoiaram a nota. Na ocasião, a então presidente do partido, Gleisi Hoffmann, compartilhou a nota em suas redes, o Instituto Lula também corroborou com a nota. Patrícia processou tanto a ANTRA (Articulação Nacional de Travestis e Mulheres Transexuais) quanto o Partido dos Trabalhadores (PT) pela acusação pública de transfobia, mas acabou derrotada em ambas as ações judiciais.

Em Julho de 2024 Patrícia processou a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) e o twitter, contudo, mais uma vez, ela perdeu a ação pois o Tribunal de Justiça de São Paulo reconheceu que as críticas da associação contra Lélis se mantiveram dentro dos limites da liberdade de expressão.

Eleições de 2022 e acusações de homofobia Patrícia voltou a ser acusada de fake news e discurso de ódio durante as eleições de 2022, quando compartilhou montagens, imagens falsas e atribuiu vídeos de conteúdo adulto ao deputado Nikolas Ferreira, do Partido Liberal (PL)