Ivan Valente (São Paulo, 5 de julho de 1946) é um engenheiro, professor"Partido dos Professores" (Gonçalves, 2013) e político brasileiro filiado ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Exerceu o cargo de presidente nacional do PSOL, partido pelo qual é deputado federal no Estado de São Paulo.Marques, José. "O encontro das ondas". Istoé. 24 de setembro de 2010."Presidência da Câmara deverá ficar com o PT na próxima legislatura". Câmara dos Deputados do Brasil. 7 de outubro de 2010."Saiba a nova composição da Câmara". G1. 4 de outubro de 2010.Placar UOL Eleições 2010: Apuração de votos em São Paulo. Acessado em dezembro de 2010.

Na década de 1960 se tornou líder comunitário, estudantil e militante do movimento sindical. Foi criado num bairro pobre de São Caetano do Sul, no ABC paulista, onde reside até hoje. Começou atuando nas pastorais da Igreja Católica, um celeiro de quadros políticos do PT. Em 1997 encabeçou a apresentação ao Congresso Nacional do Plano Nacional de Educação elaborado pelos educadores brasileiros, e é autor de várias outras importantes iniciativas e projetos em defesa de uma escola pública de qualidade.

Na Câmara dos Deputados, tem atuação nas áreas de educação, saúde, reforma agrária, combate à corrupção, gestão ambiental, divida pública, habitação popular, entre outros. Em 2009, conseguiu a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Dívida Pública da União, estados e municípios, para investigar os impactos sociais e econômicos da dívida dos Municípios, Estados e União.http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/Arquivos/conhecimento/especial/Priv_Gov.PDF É também titular das Comissões de Relações Exteriores e de Educação, além de integrar a Comissão Especial do Plano Nacional de Educação. No Parlamento, Ivan Valente preside a Frente Parlamentar pelo Voto Aberto no Congresso e integra a Frente pela Liberdade de expressão e o Direito à Comunicação com Participação Popular e a Frente Ambientalista. Durante todo o ano de 2012, foi voz ativa na defesa do Código Florestal e contra as mudanças propostas pela bancada ruralista. Tem sido um dos parlamentares mais ativos na luta pela destinação de 10% do PIB brasileiro para a educação. Em 17 de abril de 2016, Ivan Valente votou contra a abertura do processo de impeachment de Dilma Rousseff.

É um dos deputados de maior expressão, segundo pesquisa do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP). Está na lista dos "100 parlamentares mais influentes do Congresso", divulgada anualmente pelo Diap.Os “cabeças” do Congresso Nacional - uma pesquisa sobre os 100 parlamentares mais influentes. Diap: Brasília, 2015] Também foi eleito um dos quatro melhores deputados do Brasil no último Prêmio Congresso em Foco e, em dezembro de 2011, assumiu a presidência nacional do PSOL, estando a frente do partido até dezembro de 2013. EM 2016 nas eleições municipais foi candidato a vice-prefeito de São Paulo.

Carreira política

Perseguido pela ditadura Iniciou sua militância ainda na juventude, no movimento estudantil. Durante os anos de chumbo, combateu o regime militar, sendo diretor do centro acadêmico da Escola de Engenharia Mauá. Ajudou a fundar o Comitê Brasileiro pela Anistia/SP e dirigiu o jornal socialista Companheiro.Fundos MEP - Movimento pela Emancipação do Proletariado (jornal Companheiro). Centro Sérgio Buarque de Holanda - Fundação Perseu Abramo. O regime militar instituído em abril de 1964 impôs um longo período de clandestinidade. A repressão que se seguiu ao golpe, afetando o conjunto das forças democráticas, atingiu fortemente as bases estudantis da época. A recusa ao foquismo e às várias formas de intervenção armada propostas por diversos grupos de esquerda desde 1961 Cuba apoiou guerrilha já no governo Jânio. Por Mário Magalhães. Folha de S.Paulo, 8 de abril de 2001. custou a perda de importantes dirigentes. Dirigente do Movimento de Emancipação do Proletariado (MEP), Ivan foi obrigado a deixar o cargo, por conta da ditadura militar, passando a viver na clandestinidade em um dos períodos mais sombrios da história do Brasil. Ivan foi perseguido, preso, torturado e condenado Auditoria da Aeronáutica lê sentença dos 17 do MEP. Jornal do Brasil, 9 de janeiro de 1979. 1º Caderno, p. 9 pelo regime militar.

Tardiamente, no dia 30 de março de 2023, foi oficialmente anistiado e recebeu pedido formal de desculpas do Estado brasileiro pela perseguição sofrida durante a ditadura militar.

Fundação do PT Os anos que se seguiram à promulgação do Ato Institucional Número Cinco, de 13 de dezembro de 1968, foram de intensificação da repressão. Entre 1973 e 1975 centenas de militantes foram submetidos à tortura, alguns até a morte, dentre os quais o jornalista Vladimir Herzog. Durante o processo de abertura do regime militar, iniciado em 1979, o MEP passou da clandestinidade para a legalidade, e com o fim do bipartidarismo, participou, com muito outros coletivos e militantes, da fundação do Partido dos Trabalhadores. É nesse período que o sindicalismo se organiza e obtém importantes conquistas na luta contra a ditadura a partir da ação estruturada dos metalúrgicos do ABC e, posteriormente dos bancários de São Paulo, dentre outras categorias. Com a anistia em setembro de 1979, esse movimento constituiu-se no embrião do futuro Partido dos Trabalhadores, que agregaria vários movimentos populares. Em 1985, com o fim da ditadura militar e o início da Nova República, o PT passa a funcionar como partido político legal.

Votou a favor das Diretas Já em 25 de abril de 1984, que clamava pela volta de eleições presidenciais diretas no país e, com a derrota dessa proposição, votou em Tancredo Neves no Colégio Eleitoral em 15 de janeiro de 1985 para a eleição presidencial brasileira de 1985.

No PT, Ivan foi eleito deputado estadual em São Paulo em 1987 e 1991 e, substituindo Florestan Fernandes, foi para a Câmara Federal em 1994. Durante sua permanência no PT, chegou a compor o seu Diretório Nacional por 17 anos.

Em 1989, apoiou Lula na primeira eleição direta para presidente desde o golpe militar de 1964. Ivan Valente, hoje grande critico do PT, na época declarou apoio oficial a Lula já no primeiro turno daquelas eleições e subiu em palanques ao lado de Lula em defesa da candidatura petista.

Foi deputado estadual pelo PT por dois mandatos (1987/90 e 1991/94), quando foi considerado pelo movimento “Voto Consciente” um dos deputados mais ativos da Assembleia Legislativa de SP. Se notabilizou por seus projetos e ações em defesa da despoluição da represa Billings e em favor da Universidade Pública do ABC. Como deputado Federal (1994/98 e 2001), se destacou pela posição firme no combate à política neoliberal do governo FHC e foi coautor do pedido de criação da CPI dos Bancos. Nessa época, dirigente nacional da legenda, apoiou projeto da gestão de Erundina, sua compartidária de partido em São Paulo e prefeita da cidade, colocou a problemática habitacional como prioridade ao apoiar a implantação da habitação de interesse social por mutirão autogerido, o que ajudou a diminuir o deficit habitacional no município. A prática do mutirão foi descontinuada por seus sucessores, como Paulo Maluf, os quais priorizaram a construção de edifícios de apartamentos por métodos convencionais, visto que os mutirões proporcionavam um certo nível de organização política aos envolvidos, assim como possibilitavam sua mobilização com relação ao atendimento de suas demandas, o que não ocorria nos projetos habitacionais de Maluf e dos demais prefeitos.ARANTES, 2004

Em 1992, participou dos movimentos Fora Collor e dos Caras-pintadas. que culminaram no Impeachment de Fernando Collor. Ivan foi candidato a prefeito de São Caetano do Sul pelo PT, em 1992, mas foi boicotado pela Direção Nacional do Partido.

Crítico ao Governo FHC Combateu o neoliberalismo do Governo FHC, (1994/2002) e tornou-se um dos principais opositores da política econômica do governo tucano, sobretudo da política de privatização de empresas estatais realizadas nesse período. Foi favorável à limitação do direito de propriedade privada, parcialmente ao aborto em alguns casos, à jornada semanal de 40 horas, à soberania popular, ao voto aos 16 anos, à estatização do sistema financeiro, à criação de um fundo de apoio à reforma agrária e ao rompimento de relações diplomáticas com países que adotassem políticas de discriminação racial. A desvalorização do real em janeiro de 1999, logo após a eleição de 1998, as crises internacionais, deficiências administrativas como as que permitiram o apagão de 2001, e principalmente o pequeno crescimento econômico no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso fortaleceram a posição petista nos quatro anos seguintes. Após as eleições gerais de 1998, 400 dos 513 deputados federais e 70 dos 81 senadores eram filiados a partidos governistas. Durante o segundo mandato, a oposição teve mais inserção e o governo FHC teve maior dificuldade de governar devido à reorganização das oposições. No Congresso Nacional, Heloísa e o Partido dos Trabalhadores (PT) liderou a oposição, articulando os movimentos sociais e sindicais de esquerda e formando uma ampla frente de oposição parlamentar (PT, PCdoB, PSB, PDT, PCB, PPS). Entre as ações da oposição, destaca-se a Marcha dos 100 mil de Brasília em agosto de 1999, considerado o maior protesto contra seu governo.

Apesar das críticas dos partidos de oposição às alianças políticas firmadas pelo governo, sua base parlamentar de apoio contribuiu para a estabilidade política, considerada um dos traços importantes do governo FHC. Atuou fortemente no pedido de impeachment contra FHC em seu segundo mandato, sobretudo alegando denuncias no PROER. Fernando Henrique sofreu dezessete denúncias que, se comprovadas, poderiam levá-lo ao impeachment. As denúncias foram apresentadas com maior frequência durante o segundo mandato, sendo arquivados pelos então presidentes da Câmara dos Deputados, responsáveis pela validação de um processo de impeachment contra o presidente da República. Um desses pedidos baseava-se em uma escuta telefônica em que o presidente autorizava André Lara a pressionar o fundo de pensões do Banco do Brasil a participar em um dos consórcios do leilão de privatização da Telebrás. Desde a redemocratização do país, o Partido dos Trabalhadores solicitou formalmente o impeachment de todos os presidentes da República. Apesar disso, Fernando Henrique conseguiu aprovar com facilidade seus projetos, reformas constitucionais e conteve a oposição graças a uma ampla maioria na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Ivan é reeleito para a Câmara dos deputados federais em 2002 e vê seu candidato a presidente, Lula, vencer o tucanato nas urnas e assumir o governo do país. A eleição de Lula, que havia sido derrotado nos anos de 1989, 1994 e 1998, é marcada por ter sido a primeira na história brasileira de um ex-operário ao posto mais importante do país. Com a continuidade das políticas econômicas do Governo do Fernando Henrique Cardoso e com as denúncias de corrupção, adveio uma crise política que ocasionou a cisão do Partido dos Trabalhadores em Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) em 2004.Brasil: oportunidade perdida - Corrupção e política econômica neoliberal transformam governo Lula em sonho por por Ignacio Ramonet (Le Monde Diplomatique)

"Pro PT voltar a ser PT"