Universidade Cheikh Anta Diop (), também conhecida como Universidade Cheikh Anta Diop de Dacar, é uma universidade pública localizada em Dacar, Senegal. Mantém a reputação de ser uma das instituições mais prestigiadas de África. A maior parte da geração de líderes senegaleses pós-independência são egressos da universidade e os seus ex-alunos lecionam em universidades de todo o mundo.
Seu nome homenageia o físico, historiador e antropólogo senegalês Cheikh Anta Diop.
História A tradição acadêmica da Universidade Cheikh Anta Diop é anterior à independência do Senegal, e remonta a instituições educacionais francesas criadas pela administração colonial. Em 1918, o governo francês liderado pela coalizão centrista União Sagrada criou a Escola de Medicina da África Ocidental Francesa, principalmente para servir estudantes brancos e métis (ou senegamétis), mas também aberta à pequena elite educada das quatro cidades livres do Senegal com cidadania francesa nominal. Em 1936, sob o governo da coalizão de esquerda Frente Popular na França, Dacar tornou-se sede do Instituto Fundamental da África Negra (IFAN), um instituto para o estudo da cultura africana.
Na década de 1950, com a descolonização já iminente, a administração francesa expandiu as referidas instituições, acrescentou a faculdade de ciências e combinou-as no "Instituto de Altos Estudos de Dacar". Em 1957, um novo campus foi construído como a 18ª universidade pública francesa, dependente academicamente da Universidade de Paris e da Universidade de Bordéus. Passou assim a existir a Universidade de Dacar, a maior e mais prestigiada universidade da colônia África Ocidental Francesa.
Pós-independência nacional esquerda|miniatura|200px|Campus da Universidade Cheikh Anta Diop no ano de 1967. No centro, o edifício original da biblioteca Na independência, em 1960, haviam 1108 alunos, apenas 39% senegaleses, a maior parte restante proveniente de outras ex-colônias francesas. Em 1976, esse número cresceu para 8014.
Em 1968, foi fundada a Escola Interestatal de Ciências Veterinárias e Medicina, uma unidade orgânica da UCAD, que servia e era mantida como instituição de cooperação regional de ensino da União Africana e Malgaxe. Por sua vez, em 1979 fundou-se a Escola Superior de Formação de Professores para Educação Técnica e Profissional (ENSETP), que, em 1989, vinculou-se à UCAD.
Na década de 1970, uma época de crise financeira estatal durante o governo de Léopold Sédar Senghor causada pelos choques petrolíferos internacionais e a má gestão orçamentária, o financiamento para o ensino superior foi cortado. O sistema educacional senegalês necessitou ser socorrido por agências internacionais para evitar seu colapso, porém, a maior parte deste financiamento foi destinada a satisfazer as necessidades da educação primária e da educação secundária.
Em 1987, o nome da instituição foi alterado para homenagear o filósofo e antropólogo senegalês Cheikh Anta Diop, que também foi professor e pesquisador da universidade.
Em meados da década de 1980, cerca de 20% do financiamento do Banco Mundial para a educação senegalesa foi para o ensino superior, mas este número caiu para 7% em meados da década de 1990. Aliado a essa restrição orçamentária do Banco Mundial, a aplicação de políticas neoliberais no Senegal a partir da década de 1990 reduziu drasticamente o financiamento interno disponível para programas universitários. A Universidade Cheikh Anta Diop teve seus recursos, então já escassos, ainda mais esgotados pelas políticas do presidente Abdou Diouf. Tal cenário levou a comunidade acadêmica da UCAD promover uma enorme greve estudantil, entre 1993 e 1994, em protesto contra as políticas de arrocho orçamentário, com o período mais duro de protestos ocorrendo durante as eleições presidenciais de 1993.
Mesmo diante da insatisfação da comunidade estudantil diante das políticas neoliberais, no ano de 2000 cerca de 5 mil estudantes senegaleses obtiveram um diploma de bacharelado, enquanto o número total de matrículas ultrapassou os 40 mil, num campus construído para suportar apenas 5 mil dormitórios.
A universidade teve uma série de incidentes notáveis de violência durante a primeira metade da década de 2010. Uma organização LGBTQIA+ senegalesa observou em 2016 que dez casos de violência homofóbica grupal ocorreram na universidade desde 2012. Uma delas, após um motim na universidade, resultou na morte do estudante suspeito de ser gay. O motim ocorreu após uma tentativa de detenção do estudante, que havia buscado refúgio no banco e na segurança da universidade.
A partir de novembro de 2025, ocorreram protestos estudantis contra o governo de Bassirou Diomaye Faye devido ao não pagamento de bolsas de estudo durante vários meses, inclusive na UCAD. Em 16 de fevereiro de 2026, tropas do governo invadiram o campus e usaram violência contra os estudantes. Um estudante foi morto e vários outros ficaram feridos. Diversas organizações de direitos humanos, incluindo a Anistia Internacional, condenaram o "uso desproporcional da força".
Organização institucional esquerda|miniatura|200px|Edifício da biblioteca da Universidade Cheikh Anta Diop, mostrando acréscimos, 2005 O sistema educativo segue o padrão francês, com exames finais orais e/ou escritos aplicados no final do ano. Todos os cursos da universidade são ministrados em francês, exceto aqueles em departamentos de línguas diferentes do francês.
Faculdades, escolas e institutos A Faculdade de Medicina inclui departamentos de Farmácia e Odontologia. Outras faculdades incluem a de Ciências e Tecnologia, a de Educação e Formação (antiga ENSETP), a de Artes e Humanidades, a de Direito e Ciência Política e a de Economia e Gestão. As escolas superiores ligadas à UCAD sãoː Doutorado em Direito, Ciência Política, Economia e Gestão; Artes, Culturas e Civilizações; Física, Química, Ciências da Terra, Ciências do Universo e Engenharia; Matemática e Ciência da Computação; Água, Qualidade e Uso da Água; Ciências da Vida, Saúde e Meio Ambiente.
Dentre os centros de pesquisa há o Instituto Fundamental da África Negra (IFAN), instituição fundada em 1936 e que associou-se à universidade em 1960, e que continua a ser um dos centros de referência em Estudos Africanos. O Museu Théodore Monod de Arte Africana, anexo a este, exibe e conserva uma coleção de artes africanas de renome mundial. Outro centro de pesquisa e extensão é o Centro de Linguística Aplicada de Dacar da UCAD, o órgão regulador da língua uolofe, além de letras-árabe, letras-russo, letras-inglês, letras-castelhano, letras-português, letras-italiano, letras-latim, letras-alemão, línguas e civilizações e linguística. A universidade supervisiona uma escola de idiomas: Instituto de Francês Para Estrangeiros (IFE). O IFE é especializado em estudos de língua francesa destinados a estudantes estrangeiros em preparação para cursos regulares ministrados em francês.
Programas estrangeiros A UCAD hospeda uma série de programas de estudos estrangeiros no exterior, incluindo aqueles administrados pelo Wells College, pela Universidade de Indiana e pela Universidade de Oregon, dos Estados Unidos, e por várias universidades europeias. Os participantes do programa normalmente fazem um curso obrigatório de uolofe introdutório e um curso de francês (se aplicável) através do IFE, além de cursos universitários regulares ministrados em francês.
Uma divisão da universidade oferece cursos para estudantes estrangeiros em estudos senegaleses e africanos, incluindo literatura africana, história, política, filosofia e sociologia.
A UCAD é membro da Organização do Mundo Islâmico para Educação, Ciência e Cultura e da Agência Universitária da Francofonia.
Vida estudantil A UCAD tem um corpo discente diversificado vindo de muitos países, incluindo Senegal, Chade, Burquina Fasso, Costa do Marfim, França, Togo, Benim, Nigéria, Estados Unidos, Mauritânia, Mali, Marrocos, Ruanda, Camarões, Bélgica e Reino Unido .
Com mais de estudantes e apenas dormitórios, a maioria dos estudantes de fora de Dacar deve procurar outras acomodações. Muitos estudantes vivem na Cité Aline Sitoe Diatta, perto do campus universitário, e aqueles que não podem pagar os aluguéis muitas vezes altos de Dacar costumam dividir quartos.
Egressos e professores notáveis Professores notáveis Souleymane Bachir Diagne, filósofo senegalês, ex-vice-reitor e professor de filosofia. Souleymane Mboup, microbiologista, líder da equipe que descobriu o HIV-2, e dirige o Laboratório de Bacteriologia-Virologia do Hospital le Dantec. Khady Sylla, romancista senegalês Louis-Vincent Thomas, sociólogo, antropólogo, etnólogo francês, ex-professor. Abdoulaye Wade, ex-presidente do Senegal, ex-reitor da faculdade de direito e economia.
Alunos notáveis Simeon Aké, ex-ministro das Relações Exteriores da Costa do Marfim e embaixador da ONU. Sokhna Benga, romancista e poeta senegalês Emmanuel Bombande, cofundador e diretor executivo da Rede da África Ocidental para a Construção da Paz, Presidente do Conselho da Parceria Global para a Prevenção de Conflitos Armados Yayi Boni, Presidente do Benim. Ousmane Camara, ex-presidente do Supremo Tribunal do Senegal. Awa Marie Coll-Seck, ex-Ministra da Saúde do Senegal. Mbaye Diagne, oficial do exército senegalês e observador militar das Nações Unidas durante o genocídio de Ruanda em 1994. Souleymane Bachir Diagne (Filosofia), professor da Universidade Columbia. Cheick Sidi Diarra, Conselheiro Especial das Nações Unidas para África e Alto Representante para os Países Menos Desenvolvidos, Países em Desenvolvimento sem Litoral e Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (OSAA/OHRLLS). Ousmane Tanor Dieng: primeiro secretário do Partido Socialista do Senegal, vice-presidente da Internacional Socialista. Abdou Diouf, 2º Presidente do Senegal Teguest Guerma, Diretor Associado do Departamento de HIV/AIDS, da Organização Mundial da Saúde. Ibrahim Boubacar Keïta, presidente do Mali Souleymane Mboup, microbiologista e líder da equipe que descobriu o HIV-2 Erin Pizzey, ativista e fundadora do primeiro abrigo contra violência doméstica do mundo. Théodore-Adrien Sarr, Arcebispo de Dacar, licenciado em Grego e Latim. Soham El Wardini, prefeita de Dacar (primeira mulher a ser prefeita pós-independência)
Cheikh