Osmundastrum é um género monotípico de fetos leptosporangiados, da família Osmundaceae, cuja única espécie extante é Osmundastrum cinnamomeum, o feto-canela. A espécie é nativa das Américas e do leste da Ásia, ocorrendo em pântanos, charcos e bosques húmidos. O registo fóssil do género estende-se até ao Triássico. Os fetos-canela não produzem canela, o seu nome comum deve-se apenas à cor das frondes férteis quando maduras. Descrição Morfologia A espécie Osmundastrum cinnamomeum é uma planta herbácea, caducifólia que produz frondes férteis e estéreis separadas, com elevado dimorfismo. As frondes estéreis são largas, {com 30-150 cm de altura e 15-20 cm de largura, pinadas, com pínulas com 5-10 cm de comprimento e 2-2,5 cm de largura, profundamente lobadas (de modo que as frondes são quase, mas não totalmente, bipinadas). As frondes férteis que contêm esporos são erectas e mais curtas, com 20-45 cm de altura, que se tornam cor de canela na maturação, o que dá o nome à espécie. As folhas férteis aparecem primeiro; a sua cor verde torna-se lentamente castanha à medida que a estação avança e os esporos são largados. Os caules portadores de esporos persistem depois das frondes estéreis serem mortas pela geada, até à estação seguinte. Os esporos devem desenvolver-se dentro de algumas semanas ou falham.

O feto Osmundastrum cinnamomeum forma enormes colónias clonais em zonas pantanosas. Estes fetos formam massas radiculares maciças, com raízes densamente emaranhadas e rijas. Esta massa de raízes é um excelente substrato para muitas plantas epífitas. As massas radiculares são muitas vezes recolhidas como fibra de osmunda (ou osmundina) e usados em horticultura, especialmente na propagação e crescimento de orquídeas. Distribuição Na América do Norte, ocorre do sul do Labrador, para oeste até ao Ontário, e para sul desde o leste dos Estados Unidos até ao leste do México e Índias Ocidentais. Na América do Sul, ocorre para oeste até ao Peru e para sul até ao Paraguai. Na Ásia, ocorre do sudeste da Sibéria para sul, passando pelo Japão, Coreia, China e Taiwan, até Myanmar, Tailândia e Vietname. O género Osmundastrum cinnamomeum tem um registo fóssil que se estende até ao Cretáceo Superior da América do Norte, há cerca de 70 milhões de anos, o que faz dele uma das mais antigas espécies de plantas vivas. Os registos fósseis do género estendem-se até ao Triássico.

Taxonomia e filogenia miniaturadaimagem|Osmundastrum cinnamomeum. Tradicionalmente, esta espécie tem sido classificada como Osmunda cinnamomea L.. No entanto, evidências genéticas e morfológicas recentes (Metzgar et al. 2008; Jud et al. 2008) demonstram claramente que ao feto-canela é uma espécie irmã de todo o resto das Osmundaceae extantes. Cladisticamente, é necessário então incluir todas as espécies de Osmundaceae, incluindo Todea e Leptopteris, no género Osmunda, ou então é necessário segregar o género Osmundastrum. O. cinnamomeum é a única espécie extante do género, embora seja possível que alguns fósseis adicionais devam ser atribuídos a Osmundastrum.

Anteriormente, alguns autores incluíam a espécie Osmunda claytoniana no género ou secção Osmundastrum, devido às suas aparentes semelhanças morfológicas grosseiras. No entanto, a morfologia detalhada e a análise genética provaram que aquela espécie é de facto um verdadeiro Osmunda. Isto é confirmado pelo facto de se saber que hibridiza com o feto-real-americano, Osmunda spectabilis, para produzir Osmunda × ruggii numa família em que os híbridos são raros, enquanto Osmundastrum cinnamomeum não tem híbridos conhecidos.

A espécie Osmundastrum cinnamomeum é considerado um fóssil vivo porque foi identificada como presente no registo geológico desde há 75 milhões de anos atrás. O membro mais antigo do género é a espécie O. indentatum, do Triássico da Tasmânia, Austrália.

As populações asiáticas e americanas do feto-canela são geralmente consideradas como variedades de uma única espécie, mas alguns botânicos classificam-nas como espécies separadas. O táxon asiático é, nessa aceção, designado por Osmundastrum asiaticum.

Etnobotânica De acordo com a Native American Ethnobotany Database, o feto-canela tem sido historicamente utilizado pelas tribos das primeiras nações (especialmente Abnaki e Menominee) como fonte de alimento. As tribos Iroquois e Cherokees utilizavam o feto para uma grande variedade de fins medicinais, incluindo como remédio para a constipação, ajuda ginecológica, ajuda venérea e como remédio para picadas de cobra.Native American Ethnobotany Database.

Referências

Bibliografia Metzgar, Jordan S., Judith E. Skog, Elizabeth A. Zimmer, and Kathleen M. Pryer (2008). "The Paraphyly of Osmunda is Confirmed by Phylogenetic Analyses of Seven Plastid Loci." Systematic Botany, 33(1): pp. 31–36. Serbet, Rudolf, and Gar W. Rothwell (1999). "Osmunda cinnamomea (Osmundaceae) in the Upper Cretaceous of western North America: Additional evidence for exceptional species longevity among filicalean ferns." International Journal of Plant Sciences, 160: 425–433. Galeria

USDA Plants treatment: Osmundastrum cinnamomeum (Cinnamon fern) Flora of North America: Flora of North America treatment: Osmunda cinnamomea Flora of North America: RangeMap: Osmunda cinnamomea

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