A Família Nunes Leite é uma tradicional e abastada família de Alagoas, Brasil e Portugal, de origem portuguesa, radicada na cidade de Maceió em meados do século XIX. Seus membros atuaram na indústria e no comércio, com empreendimentos nos ramos têxtil, metarlúgico, latifundiário, comercial e público. Os registros da família remontam até o século XVII, no norte de Portugal.

Origem A família remonta à região de Travanca em Amarante, Portugal, havendo registros que remontam ao século XVII. O tronco remonta ao casal José Antonio e Ana Borges, casados em meados do século XVII, o casal residia na localidade do Carvalho. O sobrenome Carvalho era utilizado como sobrenome do tronco até que ao longo das gerações a adoção de sobrenomes maternos fez com que o sobrenome do tronco transitasse de Carvalho para variantes contendo Sousa e, por fim, Nunes Leite.

A família dispunha de boas condições financeiras e boa posição social em sua região. Em Portugal era uma família de homens bons e fidalgos pertencentes a baixa e média nobreza.

O sobrenome Nunes é um patronímico que significa filho de Nuno. O sobrenome Leite, por sua vez, surgiu no norte de Portugal como um apelido do cavaleiro português Álvaro Péres.

História O sobrenome composto da família tem como tronco o casal Manuel Nunes de Sousa e Ana Maria Leite, casados em Travanca, Amarante a 5 de junho de 1757. Ana Leite era prima legítima do pai de António Augusto Teixeira de Vasconcelos.

Em Portugal, o abastado comerciante Jacinto José Nunes Leite produzia azeitonas, figos e azeite, que eram exportados para outras regiões, incluindo o Brasil. Ele era filho de José Nunes Leite e Josefa Maria da Silva, e se casou com Maria Joaquina de Jesus, filha de José Gomes da Costa e de Maria Joaquina de Jesus.

Em 1841, nasceram os trigêmios: Comendador Jacinto José Nunes Leite, Coronel João Nunes Leite e Antonio Nunes Leite. Quando jovens, eles estudaram no Porto, e em 1861, nasceu, Domingos Nunes Leite.

O Comendador Jacinto foi o primeiro de seus 12 filhos a se estabelecer no Brasil. No início da década de 1860, ele embarcou no paquete Guadiana com sua esposa, Maria Thereza de Jesus, e desembarcou no Recife, seguindo depois para a capital de Alagoas, Maceió, onde residiu.

Inicialmente, atuou como comerciante, rapidamente se destacando. Ele participou da fundação da Associação Comercial de Maceió em 1866. Já havia participado da fundação da Companhia União Mercantil em 1857, que tinha como principal fundador o Barão de Jaraguá. Em 1867, fundou a primeira loja de ferragens de Maceió e já possuía uma refinaria de açúcar.

Os próximos membros da família a chegarem ao Brasil foram Francisco Nunes Leite e João Nunes Leite, irmãos do Comendador. Francisco e João também atuaram no comércio.

Entre 1870 e 1873, o Comendador Jacinto Nunes Leite construiu a Igreja Matriz de Santo Antônio de Pádua e um coreto na praça em frente ao Solar Nunes Leite. Ele também construiu um novo cemitério.

Em 1882, o Liceu Provincial de Alagoas realizou os exames preparatórios de julho com a ajuda financeira de Jacinto José Nunes Leite, do Dr. Joaquim Pontes de Miranda e de Cândido Venâncio, no valor de 700 mil-réis. Cândido Venâncio era o único que tinha filhos no Liceu Provincial.

Em 1883, o Comendador inaugurou a primeira fundição de Alagoas, chamada Fundição Alagoana, e no mesmo ano criou a empresa Água Potável Maceioense juntamente a Manuel José de Pinho. Em 23 de outubro de 1885, a empresa implantou água encanada nos bairros de Bebedouro e Mutange, e um tempo depois, em toda a cidade de Maceió.

O Comendador Jacinto José Nunes Leite foi fundador, acionista e diretor da primeira companhia de bondes de Maceió, a Companhia Alagoana de Trilhos Urbanos (CATU), cujos bondes eram inicialmente movidos a tração animal.

Entre 1880 e 1899, o Comendador construiu o Solar Nunes Leite.

No final do século XIX, o irmão Domingos Nunes Leite atuou no comércio, foi suplente do distrito da Levada, vice-presidente da Sociedade e Perseverança e Auxílio em 1883, e diretor de tráfego da primeira companhia de bondes de Maceió, que pertencia a seu irmão.

Domingos Nunes Leite teve seu projeto de doação do pavilhão Domingos Nunes Leite para a Santa Casa de Misericórdia de Maceió financiado por seu irmão, o Comendador Jacinto Nunes Leite.

Em 1895, Domingos Nunes Leite realizou uma reforma e expansão da Matriz de Nossa Senhora das Graças.

Em 1889, o Comendador já havia recebido o título de comendador de Dom Pedro II. Ele também era abolicionista, comprando escravos para logo em seguida alforriá-los.

O Comendador construiu um novo cemitério para a cidade chamado Memorial Santo Antônio. Os portões do cemitério foram feitos em sua fundição. A Paróquia de Santo Antônio de Pádua foi construída por ele entre 1870 e 1873, substituindo a capela anterior. O sino da paróquia foi feito em sua fundição e os azulejos foram importados diretamente de Portugal por ele.

Em 12 de novembro de 1909, Jacinto José Nunes Leite Filho era diretor técnico da Fábrica da União Mercantil, a primeira fábrica de tecidos de Alagoas, e foi responsável pela instalação dos maquinários importados. Seu pai, o Comendador, foi o segundo proprietário.

O irmão do Comendador, João Nunes Leite, possuía a única empresa especializada no abastecimento de navios, chamada Importadora e Exportadora de Molhados, localizada na Rua Sá e Albuquerque, nº 75.

O filho do Comendador, Dr. Antônio Nunes Leite (também conhecido como bacharel Nunes Leite), foi o juiz de gol e de campo da primeira partida do primeiro clube de futebol de Alagoas, o Alagoano Foot-ball club, em 31 de março de 1909, às 16 horas.

thumbnail|direita|Fotografia de Luiz Nunes Leite em jornal de 1917

Em 28 de agosto de 1917, o filho do Comendador, Luiz Nunes Leite, matou uma pessoa por acreditar que estava sendo perseguido. Em alguns jornais, o Comendador Jacinto Nunes Leite era considerado "chefe político em Bebedouro".

Em 31 de janeiro de 1920, o filho do Comendador, Jacinto José Nunes Leite Filho, inaugurou a primeira fábrica de vidros de Alagoas, considerada uma das maiores e mais bem equipadas do Brasil na época.

Em 1920, surgiu o Hotel Atlântico, que ocupou o prédio construído pelo próspero comerciante João Nunes Leite.

Em 1928, a esposa de Antônio Nunes Leite, Astrogilda Alves Ether, fez parte da Associação Protetora das Obras do Bom Pastor e foi responsável por arrecadar cerca de 55 mil-réis para a compra e instalação do Asilo do Bom Pastor.

Em 1936, o bacharel Nunes Leite foi o advogado responsável pela defesa dos presos políticos por suspeita de comunismo na Intentona Comunista de 1936. Entre os presos estava o escritor Graciliano Ramos.

Em 1944, o Dr. Cecil George Brotherhood Filho, neto do comendador, foi convocado para servir como segundo-tenente médico na Segunda Guerra Mundial.

Em 1959, o Dr. Antônio Nunes Leite realizou o calçamento do bairro de Bebedouro em Maceió.

O filho do Dr. Antônio Nunes Leite, o Dr. Antônio Ricardo de Nunes Leite, foi um Procurador da República e um dos primeiros promotores em Brasília. Ele foi presidente da Associação dos Amigos de Planaltina e sócio fundador da Academia de Letras, Artes e Pesquisas de Alagoas (ALAPA). Conhecia Juscelino Kubitscheck, Mario Pinotti, Nelson Hungria e Silvestre Péricles.

A escritora portuguesa Agustina Bessa-Luís (que era tetraneta de Manuel Nunes de Sousa) foi galardoada com o prémio Camões em 2004 e, em 2006, foi elevada ao grau de Grã-Cruz da Antiga, Nobilíssima e Esclarecida Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, do Mérito Científico, Literário e Artístico.

Em 2014, foi comemorado o centenário da morte do Comendador.

Família centro|miniaturadaimagem|500x500px|Genealogia da família Nunes Leite (século XVIII-XX) Jacinto José Nunes Leite faleceu em 1878, e Maria Joaquina de Jesus em 1892. Os quatro irmãos – João Nunes Leite, Francisco Nunes Leite, o Comendador Jacinto José Nunes Leite e Domingos Nunes Leite – faleceram respectivamente em 1906, 1911, 1914 e 1931, em Maceió, exceto Francisco, que faleceu no Rio de Janeiro.

A família se dividiu em diferentes ramos, principalmente entre Portugal e o Brasil. No Brasil, os descendentes estão concentrados no Nordeste, entre os estados de Alagoas e Pernambuco.

Ao longo das gerações a família se ligou a outras tradicionais famílias, como: Albuquerque, Ether, Dubeux Brotherhood, Tenório e Pacheco.

Personalidades

Comendador Jacintho Nunes Leite Coronel Domingos Nunes Leite Dr. Antonio Nunes Leite Dr. Jacintho Leite Filho Agustina Bessa-Luís

Categoria:Família Nunes Leite Nunes Leite Nunes Leite