Miriam Pillar Grossi (Porto Alegre, 1958) é uma antropóloga e acadêmica brasileira. Professora emérita da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) onde atua desde 1989, atualmente aposentada e atuando como voluntária junto ao Programa de Pós-graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas (PPGICH) e pesquisadora destacada pelos trabalhos na área de gênero, sexualidade e violências, educação, história da antropologia e ciências. Atribui ao ativismo político aproximação ao seu campo de pesquisa, tendo tido cargos de relevância política e institucional no campo da ciência, como na presidência da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), presidência da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Ciências Sociais (ANPOCS), na vice-presidência da International Union of Anthropological and Ethnological Sciences (IUAES) e como membro da diretoria da Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC), entre outros, ao longo da carreira.
Vida
Miriam Pillar Grossi nasceu em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. De uma família de professores, seu pai foi pediatra e professor da Faculdade de Medicina da atual Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), ao passo que sua mãe, Esther Pillar Grossi, além de carreira na política, é renomada educadora, tendo sido uma das fundadoras, na década de 1970, do Grupo de Estudos Sobre Educação, Metodologia de Pesquisa e Ação (GEEMPA). Miriam se habituou desde muito nova com a circulação de intelectuais, cientistas e artistas envolvidos nos ideais políticos progressistas, devido ao engajamento de seus pais, que se conheceram nos anos 1950 na JUC (Juventude Universitária Católica). Mudou-se pela primeira vez para França em 1968, acompanhada dos pais, onde frequentou a escola primária em Boulogne Billancourt, retornando ao Brasil em 1970. Após sua volta, estudou na Aliança Francesa de Porto Alegre, onde, após finalização dos 3 anos de Diploma Superior de Língua Francesa da Universidade de Nancy - atuou por vários anos como professora de francês. Em Porto Alegre, estudou no Colégio Israelita Brasileiro, onde teve participação em Grêmios Estudantis e no campo do teatro.
Estudou na Universidade Federal de Rio Grande do Sul (UFRGS), onde concluiu sua graduação em Antropologia, em 1981, atribuindo a Maria Noemi Castilhos de Brito e Cláudia Fonseca a mentoria na sua formação inicial na área de gênero.
Em 1983, obteve o título de DEA (Dipôme d'Études Approfondies) em Antropologia Social e Cultural pela Université de Paris, Paris V com pesquisa de campo sobre alimentação na região da Bretanha. Na continuidade, desenvolveu seu doutorado sobre feministas e frequentadores do SOS Mulher de Porto Alegre, defendido na Université Paris Descartes em 1988, com título “Représentations sur les femmes battues - la violence contre les femmes au Rio Grande do Sul”, sob a orientação de Louis Vincent Thomas.
É companheira de Carmen Rial, antropóloga brasileira.
Realizações Desde 1991 é docente e pesquisadora na Universidade Federal de Santa Catarina, onde é fundadora e coordenadora do Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades (Nigs) e pesquisadora do Instituto de Estudos de Gênero (IEG), grupos de pesquisa referência nacional nas áreas do feminismo, educação, gênero e sexualidade. Orientou, desde o final dos anos 1980, mais de 200 estudantes em pesquisas de Iniciação Científica, Mestrado, Doutorado e Pós-doutorado.
Fo professora visitante na Universidade de Brasília (UNB), Universidad de Chile, Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (EHESS), Instituto Universitário de Lisboa (ICTE) e ocupou a cátedra Ruth Cardoso junto à Columbia University em 2017 e Chercheur invité no IHEAL – Institut des Hautes Études en Amérique Latine da Université Sorbonne Nouvelle – Paris 3 em 2022.
Ao longo da carreira, destacou-se também pela contribuição na gestão de instituições ligadas ao desenvolvimento do ensino e da pesquisa no Brasil e no exterior, de associações científicas e em conselhos. Foi presidente da ABA – Associação Brasileira de Antropologia (gestão 2004/2006), vice-presidente da International Union of Anthropological and Ethnological Sciences (IUAES) na gestão 2013-2018 e 2024-2027, presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Ciências Sociais - ANPOCS (gestão 2019-2020), do Conselho Deliberativo (CD) do CNPq como representante da comunidade científica (2020/2024) e membro da diretoria da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência - SBPC (gestão 2021-2023).
Prêmios
Prêmio Pierre Verger, “Mauss e suas alunas”, Associação Brasileira de Antropologia - ABA, 2000 Melhor livro acadêmico sobre sexualidade para o livro “Conjugalidades, Parentalidades e Identidades Lésbicas, Gays e Travestis” - Sociedade Brasileira de Sexologia, 2007 Medalha Roquette Pinto de Contribuição à Antropologia Brasileira, Associação Brasileira de Antropologia - ABA, 2008 Medalha Professor João David Ferreira Lima pela prestação de serviços relevantes ao ensino superior no Município de Florianópolis - Câmara Municipal de Florianópolis, 2008 Prêmio de Excelência no Ensino de Antropologia no Brasil, Associação Brasileira de Antropologia - ABA, 2022
Ligações externas Página Pessoal Publicações do Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades - NIGS Centro de Documentação - CEDOC do Instituto de Estudos de Gênero - IEG que reúne um conjunto de materiais digitais e físicos do campo dos estudos de gênero, feminismos e sexualidades.
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