Gaspar Conqueiro (ou Conquero, Conqueyro) (25-11-1555 Triana, Sevilha, Andaluzia, Espanha; após 1625, lugar desconhecido), foi um navegador, político, cavaleiro fidalgo e administrador colonial luso-espanhol. Foi Capitão-Mor da Capitania de São Vicente e da Capitania de Santo Amaro, no início do século XVII, durante o período da União Ibérica. +Gaspar ConqueiroCapitão-mor da Capitania de São VicentePeríodo1607 até 1612PredecessorAntônio Pedroso de BarrosSucessorLuís de Freitas Matoso

Em 1577, conquistou o título de Piloto (de navio), pela "Casa de la Contratación de las Indias Españoles". Emigrou ao Brasil na época da União Ibérica, no final do século XVI, como piloto da nau "São Nicolau", que fazia parte da armada de D. Diogo Flores de Valdés. Em 1584, como piloto da Caravela "San Antonio", recebeu ordens da Coroa Espanhola para cruzar o Estreito de Magalhães. Por ordem de Salvador Correia de Sá, em acordo com o Almirante Diego de Ribera, Gaspar Conqueiro fez duas viagens de transportes de mantimentos para aldeias na região do Estreito de Magalhães. miniaturadaimagem|Naus espanholas no Estreito de Magalhães - Álvaro Zenteno. Seu início na vida pública se deu como auxiliar avaliador de inventários na Vila de Santos, nos anos 1590. Tinha negócios com Afonso Sardinha, como este declarou em seu testamento em 1592. Em 1598, foi nomeado pelo então Capitão-Mor da Capitania de São Vicente, Roque Barreto, para o cargo de Capitão dos Índios. Em 1599, era Vereador em São Vicente.

Foi membro da Confraria dos Marinheiros de Sevilha, com admissão em 26 de dezembro de 1606. Sevilha era a sede da coroa espanhola durante a União Ibérica e sua admissão nesta data indica que o mesmo retornou à Europa neste período. miniaturadaimagem|São Vicente, Santos e seus arredores. Gravura de ca. 1615, feita pelo capitão holandês Joris Van Spilbergen, publicada em 1621. Nesta época, a Vila de São Vicente era cercada por uma paliçada de madeira.

Nomeação e governo como Capitão-Mor das Capitanias de São Vicente e de Santo Amaro De forma mais importante, exerceu o cargo de Capitão-Mor da Capitania de São Vicente e da Capitania de Santo Amaro de 6 de outubro de 1607 a 1612,https://www3.al.sp.gov.br/historia/governadores-do-estado/governantes3.htm nomeado pelo Donatário Lopo de Sousa, irmão de Martim Afonso de Souza, do qual herdou a Capitania após sua morte em batalha. A transcrição da carta de nomeação:

"Lopo de Sousa governador da capitania de São Vicente do Brasil senhor da villa de Prado e de Alcoentre alcaide mór de Rio Maior etc faço saber aos juizes e vereadores e a todas as mais justiças da minha capitania de São Vicente e Santo Amaro a que esta minha carta for apresentada e o conhecimento della com direito pertencer que eu hei por bem de prover de capitão e ouvidor logar tenente da dita capitania a Gaspar Conqueiro por que bem e fielmente e como convem ao bem commum dessa capitania servirá o dito cargo por tempo de tres annos que começará do dia que tomar posse té fim dos ditos tres annos pelo que vos mando o mettaes de posse eo por capitão e ouvidor logar tenente da dita capitania e lhe obedeçaes tomando lhe primeiro a homenagem e dando lhe jura mento dos Santos Evangelhos em Camara com as mais solennidades devidas e acostumadas de que se fará assento nas costas desta para que bem e verdadeiramente sirva o dito cargo guardando em tudo o serviço de Deus e de sua magestade e meu e ás partes seu direito com o qual haverá de ordenado em cada um anno cincoenta mil réis que se pagará nos rendimentos da dita capitania contados os mais prós e percalços que lhe direitamente pertencerem a qual posse lhe dareis posto que o capitão que lá estiver não tenha acabado os seus tres annos de que o provi sem embargo de os não ter cumpridos por justos respeitos que para isso tive e por serviço de sua magestade que assim o haverá por bem e porque eu tambem disso sou contente lhe mandei passar a presente por mim assignada e sellada com o sello de minhas armas e mando que se cumpra e guarde inteiramente como nella se contem sem duvida nem embargo algum que lhe seja posto a qual se registará no livro da Camara dessa capitania de São Vicente e com é costume Gaspar de Aranha a fez a vinte de março de mil e seiscentos e sete. Lopo de Sousa." miniaturadaimagem|Mapa das Capitanias de São Vicente e de Santo Amaro em 1611, durante o Governo do Capitão-Mor Gaspar Conqueiro. Durante seu governo na Capitania, Gaspar Conqueiro era o responsável pela distribuição de Sesmarias, que deram origem a povoados que depois se tornaram diversos municípios do Estado de São Paulo, como Caraguatatuba e São Sebastião. Em 22 de janeiro de 1609, Conqueiro concede à família do bandeirante Fernão Dias uma data de terras próximas às possessões de Afonso Sardinha (sobejos das terras que foram de Domingos Luís Grou), partindo de Carapicuíba até a barra de Jerobatiba. Afonso Sardinha, antigo habitante da Vila de São Paulo dos Campos de Piratininga, havia recebido as referidas terras por ato administrativo de Gaspar Conqueiro em 3 de novembro de 1607. Durante seu governo, em 1610, concedeu uma Sesmaria de uma légua de terras a João Alves, dando origem ao povoado que mais tarde se tornou o município de Mogi das Cruzes. Em 8 de março de 1610, o Capitão-Mor Gaspar Conqueiro concede ao Padre João Alvres uma légua de terras, na região do Anhembi. A taxa média cobrada por Gaspar Conqueiro por cada sesmaria era de 300 réis. No livro Sesmarias 1602-1642, são transcritos os termos originais de concessões de dezenas de Sesmarias por pelo Capitão-Mor Gaspar Conqueiro.

Em 15 de março de 1611, Amador Bueno, morador em S. Paulo, em petição ao Capitão-Mor Gaspar Conquero, requereu terras na região de Mogi. Posteriormente, o genro de Garpar Conqueiro, o bandeirante Manuel Lourenço de Andrade, foi um dos grandes artífices do movimento conhecido como Aclamação de Amador Bueno, episódio onde este colonizador teria sido aclamado como Rei do Brasil, numa revolta e tentativa incipiente de instauração de independência do país em relação à Coroa na metrópole ibérica, quase 150 anos antes da Inconfidência Mineira.

Além de distribuir Sesmarias, o Capitão-Mor Gaspar Conqueiro era o responsável pela nomeação dos Capitães das Vilas que constituíam a Capitania de São Vicente. Em 1607, nomeou João Soares Capitão da aldeia de Guarapiranga. Em 1609, nomeou o Cavaleiro da Casa Real Sebastião de Freitas como Capitão da Vila de São Paulo dos Campos de Piratininga.

Em 1o de setembro de 1611, Gaspar Conqueiro presidiu a solenidade de elevação de categoria de Povoado à Vila a localidade de Mogi das Cruzes, instalando ali o aparato burocrático necessário para esta promoção. Uma rua em Mogi das Cruzes leva o nome de Gaspar Conqueiro, em sua homenagem.

Promoção a Capitão por Sua Majestade o Rei Felipe III e retorno à Armada Espanhola Após cinco anos como Capitão-Mor da Capitania de São Vicente, durante a União Ibérica, Gaspar Conqueiro foi promovido em 1612 a Capitão por Sua Majestade (Capitão por SM), retomando atividades na Armada Espanhola, agora não mais como Piloto, e com novo contrato para navegação assinado em 1615. Em 30-08-1615, capitaneando a embarcação "San Miguel", enfrentou grandes tormentas na costa do México, onde viu seu navio, carregado de pipas de vinho e de cargas de mercúrio para mineração de ouro, se partir em dois e afundar nas proximidades das Ilhas Tranquilo e Arena.

Em 1619, seguindo notável espírito aventureiro, peticiona à Coroa Ibérica autorização para rumar às Filipinas, então colônia espanhola, para procurar uma suposta ilha abundante em ouro. Entretanto, a expedição não iniciou bem, com o galeão Santa Ana la Real, pilotado por Conqueiro, sofrendo grandes avarias e encalhando nas proximidades do Estreito de Gibraltar, durante uma tempestade. Conqueiro foi absolvido das acusações de negligência na condução da embarcação e prosseguiu em viagem para as Filipinas.

Em 1624, Salvador, capital do Brasil colonial, foi invadida por uma esquadra holandesa da Companhia das Índias Ocidentais, liderada por Jacob Willekens, com 26 navios e 3.400 homens. Durante a União Ibérica (1580-1640), o Brasil estava sob domínio espanhol, e os holandeses, inimigos da Espanha, buscavam controlar o comércio de açúcar. A cidade caiu rapidamente, mas a resistência local, liderada pelo bispo Dom Marcos Teixeira, organizou guerrilhas contra os invasores. Em resposta, a Coroa espanhola enviou a Jornada dos Vassalos, uma frota luso-espanhola com 52 navios e cerca de 12.000 homens, sob o comando de D. Fadrique de Toledo Osório. Entre os capitães da esquadra estava o já experiente Gaspar Conqueiro, na época com 69 anos de idade. Após intensos combates, os holandeses se renderam em 30 de abril de 1625, e Salvador foi retomada em 1º de maio. A vitória reforçou o controle ibérico na colônia, frustrando temporariamente as ambições holandesas. Trata-se do último relato oficial da participação de Gaspar Conqueiro como Capitão por Sua Majestade em missão oficial. Segundo o texto de Don Juan de Valência e Guzman, os Capitães que participaram do conflito se dividiram entre aqueles que rumaram para Pernambuco, os que retornaram para a Espanha e os que ficaram no Brasil, não havendo relato subsequente do paradeiro de Gaspar Conqueiro após esta última empreitada. Seu nome não consta na lista de mortos durante o conflito.

Sesmaria do Capitão-Mor Gaspar Conqueiro A carta de concessão da Sesmaria de Calixto da Motta, de 1637, descreve em detalhes em sua petição de terras, algumas léguas que se estendiam do Planalto ao sopé interno da Serra, mais especificamente na região de Caucaia do Alto, no que seria atualmente na área compreendida entre as rodovias SP-250 e a BR-116. Nela, são descritas as cabeceiras da Sesmaria de Gaspar Conqueiro:

"Terra de Caaucaia (atual Caucaia do Alto) pelo caminho que vae da Villa de São Paulo para a Villa de Nossa Senhora da Conceição (de Itanhaém), correndo para a banda do leste cortando o rio Jarabatiba indo para o mar da banda esquerda légua e meia até chegar ao rio de Capi...ry e do dito rio irá cortando para o mar cortando o rio arriba irá cortando da banda do sul até chegar ao rio de Cabi com todas as cabeceiras das terras do Capitão Gaspar Conqueiro".

Esta descrição sugere que a Sesmaria do Capitão-Mor Gaspar Conqueiro estaria localizada no que é atualmente a região entre os municípios de Carapicuíba, Cotia e Vargem Grande Paulista, região compreendida entre as atuais rodovias SP-250 e SP-270. O historiador Tito Lívio Ferreira, em seu artigo "Gênese Social da Gente Bandeirante", mostra que Gaspar Conqueiro recebeu esta Sesmaria no ano de 1598.

Apesar de pouco preservada, trechos de uma carta de concessão de um terreno a Gaspar Conqueiro foram reportados no livro "Cartas de Datas de Terra". Em 21 de novembro de 1598, recebeu estas terras, sabidamente vizinhas à sesmaria de Domingos Luíz, que se situava em Carapicuíba. A transcrição da carta:

"XLIV 21 11 1598 Outra para Gaspar Conqueiro