Elizabeth Bowen CBE (7 de junho de 1899 – 22 de fevereiro de 1973) foi uma escritora e autora de romances e contos irlandesa-britânica, reconhecida pelos seus livros ambientados nas "casas grandes" dos protestantes irlandeses ou ainda em Londres durante os anos de guerra.

Em 1958, foi nomeada ao Prêmio Nobel de Literatura pelo linguista russo-americano Roman Jakobson.

Biografia miniaturadaimagem| Fotografia da casa onde Elizabeth Bowen nasceu e passou seus primeiros sete anos de vida.|265x265px Elizabeth Dorothea Cole Bowen nasceu a 7 de junho de 1899 em casa de sua família, localizada no número 15 de Herbert Place em Dublin. Era filha do advogado Henry Charles Cole Bowen (1862–1930), cuja família era de pequena nobreza irlandesa e ancestralmente de origem galesa, e de Florence Isabella Pomeroy (1864-1912), filha de Henry FitzGeorge Pomeroy Colley, de Mount Temple, Clontarf, Dublin, neto do 4º Visconde de Harberton, e de Elizabeth Isabella Wingfield, neta do 4º Visconde de Powerscourt. Foi batizada na Igreja de Saint Stephen, na Upper Mount Street.

Durante a sua infância, passou os verões em casa da família paterna, Bowen's Court, em Farahy, perto de Kildorrery, Condado de Cork, onde travou amizade com as artistas Mainie Jellett e Sylvia Cooke-Collis. Quando o seu pai adoeceu, tendo desenvolvido um transtorno mental, em 1907, ela e a sua mãe mudaram-se para Inglaterra, estabelecendo-se em Hythe. Anos mais tarde, após a morte de sua mãe em setembro de 1912, Elizabeth Bowen foi criada pelas suas tias e educada na Downe House School, sob a direção de Olive Willis.

Após alguns anos a frequentar a escola de arte em Londres, decidiu que o seu talento estava na escrita e integrou o Grupo de Bloomsbury, tornando-se muito próxima de Rose Macaulay, que a ajudou a encontrar uma editora para o seu primeiro livro, uma coleção de contos intitulada Encounters (1923).

Em 1923, casou-se com Alan Cameron, um administrador educacional que posteriormente trabalhou para a BBC. Apesar do seu casamento ter sido descrito como "uma união assexuada, mas feliz", nunca tendo sido sexualmente consumado, Elizabeth Bowen era bissexual e teve durante a sua vida vários relacionamentos extraconjugais, incluindo um com Charles Ritchie, um diplomata canadiano, sete anos mais novo que ela, cuja relação durou mais de trinta anos, ou ainda com o escritor irlandês Seán Ó Faoláin e a poetisa norte-americana May Sarton. Elizabeth Bowen e o seu marido viveram inicialmente perto de Oxford, onde socializavam com Maurice Bowra, John Buchan e Susan Buchan, e onde ela escreveu os seus primeiros romances, incluindo The Last September (1929). Após a publicação de To the North (1932), o casal mudou-se para o número 2 de Clarence Terrace, em Regent's Park, Londres, onde ela escreveu The House in Paris (1936) e The Death of the Heart (1938).

Em 1930, tornou-se na primeira (e única) mulher a herdar a casa histórica e nobre de sua família, a Bowen's Court, permanecendo, no entanto a residir em Inglaterra. Fazia visitas frequentes à Irlanda, onde recebia os seus amigos e convidados, como Virginia Woolf, Eudora Welty, Carson McCullers, Iris Murdoch e a historiadora Veronica Wedgwood.

Em 1937, tornou-se membro da Academia Irlandesa de Letras.

Durante a Segunda Guerra Mundial, trabalhou para o Ministério da Informação Britânico, relatando a opinião pública, particularmente sobre a questão da neutralidade irlandesa. As opiniões políticas de Elizabeth Bowen tendiam ao conservadorismo burkeano. Durante e depois da guerra, escreveu sobre a vida na Londres durante o conflito em The Demon Lover and Other Stories (1945) e The Heat of the Day (1948), tendo sido premiada com o CBE no mesmo ano.

Após o seu marido se aposentar em 1952, o casal se estabeleceu em Bowen's Court, onde ele morreu alguns meses depois. Em 1957, o seu retrato foi pintado em Bowen's Court pelo seu amigo, o pintor Patrick Hennessy. Durante anos, Elizabeth Bowen lutou para manter a mansão em funcionamento, dando palestras nos Estados Unidos para ganhar dinheiro. Apesar dos seus esforços, em 1959 acabou por vender a mansão que necessitava de obras profundas, sendo demolida pelo novo proprietário em 1960.

Em 1958, viajou para a Itália a fim de pesquisar e preparar-se para a obra A Time in Rome (1960).

Durante a década de 1960, escreveu a narrativa do documentário intitulado Ireland the Tear and the Smile para a CBS, que foi realizado em colaboração com Bob Monks como cinegrafista e produtor associado, e mudou-se para "Carbery", Church Hill, Hythe. miniaturadaimagem| Igreja de St Colman, Farahy, Condado de Cork, local de sepultamento de Bowen|266x266px O seu último romance, Eva Trout, or Changing Scenes (1968), ganhou o Prêmio James Tait Black Memorial em 1969 e foi pré-selecionado para o Prêmio Booker em 1970. Posteriormente, fez parte do júri, ao lado do seu amigo Cyril Connolly, que concedeu o Prêmio Man Booker de 1972 a John Berger pela obra G.Em 1972, Elizabeth Bowen foi diagnosticada com cancro de pulmão. Nesse mesmo ano, passou a noite e o dia de Natal em Kinsale, Condado de Cork, com os seus amigos, Stephen Vernon e Ursula (filha do Duque de Westminster ), sendo hospitalizada ao regressar a casa. No hospital, foi visitada por Cyril Connolly, Ursula Vernon, Isaiah Berlin, Rosamund Lehmann e o seu agente literário Spencer Curtis Brown. Faleceu no University College Hospital em 22 de fevereiro de 1973, aos 73 anos de idade. Foi enterrada com ao lado do seu marido no cemitério de St Colman em Farahy, perto dos portões de Bowen's Court, onde existe uma placa memorial em homenagem à autora na entrada da Igreja de St Colman, onde anualmente é realizada uma cerimónia de homenagem à sua vida e obra. Legado Em 1977, Victoria Glendinning publicou a primeira biografia de Elizabeth Bowen, seguindo-se num outro livro em 2009, da mesma autora, sobre o relacionamento de Charles Ritchie e Elizabeth Bowen, baseado nos seus diários e cartas.

Em 2012, a English Heritage colocou uma placa azul na antiga casa de Elizabeth Bowen no Regent's Park, em Clarence Terrace. Uma outra placa azul foi inaugurada em 19 de outubro de 2014 para marcar a residência da escritora na Coach House, The Croft, Headington, de 1925 a 1935.

Temas Interessada na "vida com a tampa e no que acontece quando a tampa é aberta", na inocência da vida organizada e nas forças eventuais e irreprimíveis que transformam a experiência, também examinou a traição e os segredos que se escondem por trás de uma fachada de respeitabilidade. O estilo das suas obras é altamente elaborado e deve muito ao modernismo literário.Coughlan, P. (2018) ‘Elizabeth Bowen’, in Ingman, H. and Ó Gallchoir, C. (eds) A History of Modern Irish Women's Literature, 1st edn., Cambridge University Press, pp. 204–226. https://hdl.handle.net/10468/14892Coughlan, P. (2021) ‘“We get all sealed up”: an essay in five deaths’, Irish University Review, 51(1), pp. 9–23. . https://hdl.handle.net/10468/14882

Era uma admiradora de cinema e das técnicas de produção cinematográfica da sua época, deixando-se influenciar pelas localizações dos filmes que via para descrever os locais onde as suas obras se passavam.

O romance de guerra The Heat of the Day (1948) é considerado uma das representações essenciais da atmosfera de Londres durante os bombardeamentos da Segunda Guerra Mundial.

Também foi uma notável escritora de histórias de fantasmas. O escritor de ficção sobrenatural Robert Aickman considerou Elizabeth Bowen "a mais ilustre praticante viva" de histórias de fantasmas, incluindo o conto "The Demon Lover" de Elizabeth Bowen em sua antologia The Second Fontana Book of Great Ghost Stories.

Trabalhos selecionados

Romances

The Hotel (1927) The Last September (1929) Friends and Relations (1931) To the North (1932) The House in Paris (1935) The Death of the Heart (1938) The Heat of the Day (1948) A World of Love (1955) The Little Girls (1964) Eva Trout (1968)

Coletâneas de contos

Encounters (1923) Ann Lee's and Other Stories (1926) Joining Charles and Other Stories (1929) The Cat Jumps and Other Stories (1934) Look at All Those Roses (1941) The Demon Lover and Other Stories (1945) Ivy Gripped the Steps and Other Stories (1946, USA) Stories by Elizabeth Bowen (1959) A Day in the Dark and Other Stories (1965) The Good Tiger (1965, livro infantil) - ilustrado por M. Nebel (edição de 1965) e Quentin Blake (edição de 1970) Elizabeth Bowen's Irish Stories (1978) The Collected Stories of Elizabeth Bowen (1980) The Bazar and Other Stories (2008) - editado por Allan Hepburn Collected Stories (2019)

Não ficção

Bowen's Court (1942, 1964) Seven Winters: Memories of a Dublin Childhood (1942) English Novelists (1942) Anthony Trollope: A New Judgement (1946) Why Do I Write?: An Exchange of Views between Elizabeth Bowen, Graham Greene and V.S. Pritchett (1948) Collected Impressions (1950) The Shelbourne (1951) A Time in Rome (1960) Afterthought: Pieces About Writing (1962) Pictures and Conversations (1975), editado por Spencer Curtis Brown The Mulberry Tree: Writings of Elizabeth Bowen (1999), editado por Hermione Lee "Notes on Éire": Espionage Reports to Winston Churchill by Elizabeth Bowen, 1940–1942 (2008), editado por Jack Lane e Brendan Clifford People, Places, Things: Essays by Elizabeth Bowen (2008) - editado por Allan Hepburn Love's Civil War: Elizabeth Bowen and Charles Ritchie: Letters and Diaries, 1941–1973 (2009), editado por Victoria Glendinning e Judith Robertson Listening In: Broadcasts, Speeches, and Interviews by Elizabeth Bowen (2010), editado por Allan Hepburn Elizabeth Bowen's Selected Irish Writings (2011), editado por Éibhear Walshe The Weight of a World of Feeling: Reviews and Essays by Elizabeth Bowen (2016), editado por Allan Hepburn

Contos