Novy Mir (, significando em português "Novo Mundo") é uma revista grossa mensal em língua russa.

História Novy Mir é publicada em Moscou desde janeiro de 1925. A revista foi criada com inspiração na popular revista literária pré- soviética Mir Bozhy ("Mundo de Deus"), que foi publicada de 1892 a 1906, e na sua continuação, Sovremenny Mir ("Mundo Contemporâneo"), que foi publicada de 1906 a 1917.

A primeira editoria de Simonov (1946-1950) O escritor russo Konstantin Simonov se tornou Editor em Chefe em 1946, e recebeu permissão de Stalin para aumentar o número de páginas da revista, mas teve negado um pedido para aumentar o número de volumes em circulação. Ele também pediu permissão para publicar histórias de Mikhail Zoshchenko, que tinha apenas sofrido perseguição durante a Doutrina Zhdanov. Em 1948, ele publicou Longe de Moscou, de Valeri Azhaev, que se tornou um clássico do socialismo realismo. O romance desde então foi reavaliado, com a descoberta de um código secreto nos arquivos do autor pelo historiador alemão Thomas Lahusen.

Em 1950, Simonov deixou a Novyi Mir para assumit a editoria de outra revista grossa, Literaturnaya Gazeta.

A primeira editoria de Tvardovski (1950-1954) O poeta russo Aleksandr Tvardovski assumiu a editoria da revista Novyi Mir em 1950, e modificou o seu perfil cultural, publicando obras mais arriscadas, e que foram consideradas como dissidentes pelo governo. A sua influência foi tamanha que a historiadora francesa Cecile Vaissié alegou que sem ele, os anos 60 na Rússia teriam sido radicalmente diferentes.

Durante a primeira editoria de Tvardovsky, ele enfrentou duas grandes controvérsias, devido à publicação do romance Por uma Causa Justa, de Vasili Grossman, e do artigo Sobre Sinceridade na Literatura, de Vladimir Pomerantsev. O artigo, principalmente, foi visto como um ataque ao Realismo Socialista, que seria desprovido de sinceridade. Depois das duas polêmicas, Tvardovski foi removido como Editor-em-Chefe, e Simonov retornou ao posto.

A segunda editoria de Simonov (1954-1957) A publicação mais famosa da segunda editoria de Simonov foi o romance Nem Só de Pão Vive o Homem, de Vladimir Dudintsev.

O escândalo da publicação de Doutor Jivago também atingiu a revista. Boris Pasternak tinha submetido o manuscrito à Novyi Mir, e meses depois recebeu a notícia que eles resolveram não publicar o romance. Quando ele foi publicado pela editora Feltrinelli, em Milão, e o autor começou a ser atacado pela imprensa soviética, a Novyi Mir recebeu centenas de cartas de leitores a esse respeito. Alguns leitores condenaram a revista por ter aceito outros trabalhos de Pasternak, enquanto outros condenaram a decisão, declarando que o público soviético era maduro o bastante para ler uma crítica da Revolução de 1917. Essas cartas se tornaram famosas entre a intelligentsia soviética, já que os autores não tinham lido o romance, gerando a expressão "Eu não li, mas quero opinar" (em russo: Не читал, но скажу). A revista publicou na íntegra a carta de rejeição a Doutor Jivago, tentando se distanciar da polêmica.

A segunda editoria de Tvardovski (1957-1970) Tvardovski aceitou retornar à revista com a condição de poder escolher o seu conselho editorial. A partir desse momento, ele perseguiu uma política ainda mais liberal.

Em Novembro de 1962, a revista publicou o romance Um Dia na Vida de Ivan Denisovich, de Aleksandr Soljenitsin. A publicação causou uma reação enorme do público, que enviou centenas de cartas à redação. Eles também receberam centenas de memórias e romances sobre o GULAG, recusando a publicação de vários outras obras que depois se tornaram simbólicas do período, como Sofia Petrovna, de Lidiia Chukovskaia, e Into the Whirlwind, de Evgenia Ginzburg.

O julgamento dos escritores Andrei Siniavskii e Yuli Daniel, considerado um dos eventos que pôs fim ao Degelo de Khrushchev, também afetou a revista, já que Siniavskii era membro do corpo editorial e amigo de Tvardovskii. A revista também publicou uma carta aberta de Larisa Bogoraz, esposa de Daniel, e famosa ativista pelos direitos humanos.

Em 66, outra controvéria envolveu a publicação de Lendas e Fatos da História Soviética, que questionava a historicidade de vários mitos fundadores da União Soviética, como o salvo do navio Aurora, as batalhas de Pskov e Narva durante a Segunda Guerra, e os 28 Panflovitas, a história de 28 soldados que cometeram uma ação suicida para parar tanques alemães durante a Segunda Guerra, que ele apontou como uma fabricação.

Em 1970, Tvardovskii perdeu a editoria da Novyi Mir. Ele faleceu pouco tempo depois.

Estagnação e Perestroika Com a nomeação de Sergey Zalygin em 1986, no início da perestroika, a revista praticou críticas cada vez mais ousadas ao governo soviético, incluindo figuras como Mikhail Gorbachev . Também publicou ficção e poesia de escritores anteriormente proibidos, como George Orwell, Joseph Brodsky e Vladimir Nabokov .

Editores-chefes

Ivan Skvortsov-Stepanov (1925–1926) Viatcheslav Polonsky (1926–1931) Ivan Gronsky (1931–1937) Vladimir Stavsky (1937–1941) Vladímir Shcherbina (1941–1946) Konstantin Simonov (1946–1950) Aleksandr Tvardovski (1950–1954) Konstantin Simonov (1954–1957) Aleksandr Tvardovski (1958–1970) Valéry Kosolapov (1970–1974) Sergei Narovchatov (1974–1981) Vladimir Karpov (1981–1986) Serguei Zalygin (1986–1998) Andrei Vasilevsky (1998- )

Autores contemporâneos Hoje, a Novy Mir é considerada uma das principais revistas literárias russas e é conhecida por ter uma orientação liberal.

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