A língua ocidental (արեւմտահայերէն լեզու; romaniz.: arewmdahayerēn lezu) é uma das duas formas padronizadas do armênio moderno, sendo a outra o armênio oriental. Teve grande influência da língua turca do Império Otomano, ao contrário do armênio oriental, que foi principalmente influenciado pela língua russa do Império Russo.

O armênio ocidental é uma língua majoritariamente diaspórica e que não é uma língua oficial de nenhum estado, o armênio ocidental enfrenta a ameaça de extinção, pois seus falantes nativos perdem a fluência no armênio ocidental em meio a pressões para se assimilarem em seus países anfitriões. De acordo com o Ethnologue, há 2,03 milhões de falantes nativos do armênio ocidental, principalmente na Turquia, Arménia, Geórgia, Líbano e Iraque, além de países como Chipre, Hungria, Polónia, Romênia e Ucrânia que o reconhecem como língua minoritária pela Carta Europeia das Línguas Minoritárias. A língua é classificada como ameaçada, com interrupções na transmissão intergeracional.

A língua se encaixa na família indo-europeia pertencendo ao ramo armênio, ao lado do armênio oriental e clássico. Ambos são, na maior parte, mutuamente inteligíveis a depender do nível de proficiência dos usuários. Apesar das diferenças expressivas na gramática, observam-se diferenças regulares, por exemplo, na passagem fonológica das oclusivas sonoras no armênio oriental para as surdas no armênio ocidental.

Etimologia miniaturadaimagem|Recorte da inscrição de Beistum O termo em armênio para o armênio ocidental, arewmdahayerēn (արեւմտահայերէն), é derivado da junção dos termos arewmudkʿ (արեւմուտք) com hayerēn (հայերէն), utilizando o interfixo aglutinador -a- . O primeiro é o termo usado para se referir ao oeste ou ao ocidente. Já o segundo foi formado pela derivação sufixal hay (հայ) + -erēn (-երէն). A palavra hay é usada para se referir ao povo armênio e o sufixo -erēn é formador de nomes de idiomas.

A origem do termo hay, por outro lado, é bastante controversa, com alguns autores defendendo sua origem pela herança uratiana e outros pelo contato com o Reino de Hayasa. Entretanto, a teoria mais aceita pelo povo armênio é a ligação com Haico (Hayk), o patriarca lendário fundador da nação armênia.

Quanto à forma latinizada, também existem diversas expeculações. O primeiro registro do exônimo data do na inscrição de Beistum, na qual os nomes Armina (em persa antigo), Harminuya , e Urashtu (em babilônico) foram usados para se referir à Armênia.

Distribuição A distribuição do armênio ocidental é bastante dispersa devido a diáspora armênia, tendo falantes presentes em todos os continentes. A variação de dados é explicada pela baixa disponibilidade de registros referentes aos falantes do idioma, sendo a grande parte dos dados composta apenas por número de descententes, e não de falantes. Segue uma tabela com estimativas do número de falantes por país: + Falantes de armênio ocidental, Ethnologue (26th ed., 2023) País Falantes de armênio 473.000 259.000 239.000 149.000145.00084.000 82.600 81.00068.400 67.30050.400 47.000 44.500 32.600 32.00016.00015.00015.000 13.100 11.000 10.000

miniaturadaimagem|Tabela sobre riscos de extinção do armênio ocidental|179x179px

Alfabetização De acordo com dados de escolas armênias ao redor do mundo, cerca de 125.000 estudantes frequentam essas escolas e sabem ler e falar o armênio ocidental. Entretanto, esse número não leva em consideração estudantes falantes de armênio que ou fazem cursos externos, mas não estão efetivamente matriculados em escolas armênias, ou possuem tal proeficiência por causa do contato com parentes sem necessáriamente estudarem a língua em instituições de ensino, nem os alunos matriculados que não possuem essas habilidades, o que pode fazer com que o número varie consideravelmente.

Dialetos esquerda|miniaturadaimagem|Distribuição dos dialetos armênios na região do Cáucaso do Sul: Até o início do século XX, vários dialetos armênios ocidentais eram falados no Império Otomano, predominantemente nas regiões historicamente povoadas por armênios da Armênia Ocidental.

As variedades dialetais do armênio ocidental atualmente em uso incluem o Hemichi, falado pelos povos Hemichis; os dialetos dos armênios em Kessab, Lataquia e Jisr al-Shughur na Síria, Anjar no Líbano e Istambul e Vakıflı, na Turquia (parte do dialeto "Sueidia"). Os dialetos de Sassúnia e Muxe também são falados em vilas armênias modernas, como Bazmaberd e Sasnashen. O dialeto cilício também é falado em Chipre, onde é ensinado em escolas armênias (), e é a primeira língua de cerca de 3.000 pessoas de ascendência armênia.

Formas do Dialeto de Carim do armênio ocidental são faladas por centenas de milhares de pessoas no norte da Armênia, principalmente em Guiumri, , e cerca de 130 aldeias na província de Xiraque, e por armênios na província de Mesquécia-Javaquécia da Geórgia (Akhalkalaki, Akhaltsikhe).

Línguas relacionadas O armênio ocidental está diretamente relacionado ao armênio oriental, visto que derivam do armênio clássico. Em geral, falantes de um são intelegíveis para os falantes do outro, mas existem algumas diferenças entre eles na fonologia, ortografia e gramática. Algumas diferenças comparativas são:

Fonologia:

Tripartição vs. bipartição: o oriental preserva a tripartição dos sons consonantais do armênio clássico, enquanto que o ocidental simplificou para um sistema bipartido. Ao invés de apresentar consoantes sonoras, surdas não-aspiradas e surdas aspiradas, o armênio ocidental apresenta apenas sonoras e surdas aspiradas. Um exemplo dessa ocorrência são os sons das letras բ, փ e պ, que, na transição do armênio clássico para o moderno ocidental, se transformaram /b/ → /pʰ/, /pʰ/ → /pʰ/ e /p/ → /b/, fazendo com que բ e փ sejam homófonas, sendo a causa de erros comuns de pronúncia para os falantes. +Diferenças entre pronúnciasVozeadasA. orientalԲԳդՁ ՋA. ocidentalSurdas vozeadasA. orientalՊԿՏԾՃA. ocidentalSurdas aspiradasA. orientalՓՔԹ ՑՉA. ocidental Róticas: o armênio ocidental transformou o som da letra ռ para , tornando-a homófona à ր, diferente do oriental, que preservou a distinção entre elas.

Ortografia:

Sistema ortográfico: a variante ocidental continua a usar a ortografia tradicional (também chamada de Mesropiana), enquanto que a oriental adotou a reforma ortográfica na era soviética, a qual ocorreu durante 1922 a 1924, sendo posteriormente revisada em 1940. Um exemplo de mudança implementada foi a padronização dos grafemas utilizados para representar vogais no meio e final palavra, pois, no sistema tradicional, um pode ser representado como է ou ե e um como ո ou օ, e no sistema reformado, apenas ե e ո são utilizados nesses casos, respectivamente. Exemplos: gochig (կօշիկ) → kochik (կոշիկ) "sapato"; yergat'e (երկաթէ) → yerkat'e (երկաթե) "ferro".

Gramática:

Casos gramaticais: o sistema oriental, assim como o armênio clássico, é constituído de sete casos gramaticais (nominal, acusativo, genitivo, dativo, instrumental, ablativo e locativo), enquanto que o ocidental reduziu essa quantidade para 4 casos para substantivos (nominal-acusativo, genitivo-dativo, instrumental e ablativo) e 6 casos pronominais (nominal, acusativo, genitivo, dativo, instrumental e ablativo), tendo perdido completamente o locativo. Presente do indicativo: uma das diferenças mais clássicas entre armênio ocidental e oriental é a formação do presente do indicativo. O primeiro forma usando a partícula /gə/ (կը), derivada do verbo ka do armênio clássico, que significa "estar de pé" ou "existir". O segundo utiliza o sufixo (-ում), que simboliza uma ação contínua no presente, transformando o verbo em um converbo imperfectivo, semelhante ao gerúndio no português. Exemplo com o verbo sirem (սիրեմ) "gostar":

+Diferença de conjugaçãoEm armênioPronúnciaA. Ocidentalկը սիրեմɡə-siɾ-e-mA. Orientalսիրում եմsiɾ-um e-m

História

História da língua O proto-armênio é o estágio intermediário entre o proto-indo-europeu e o armênio clássico, datando aproximadamente de . Durante esse período, os falantes de línguas indo-europeias que migraram para o Planalto Armênio passaram por um processo de etnogênese, sofrendo forte influência de línguas locais não indo-europeias, como o uraniano, o hurrita e o assírio. Essa interação moldou características únicas do armênio, como a perda do gênero gramatical e a adoção de posposições em vez de preposições. Alguns linguistas referem-se ao ancestral comum de todos os dialetos modernos como armênio comum, um estágio que pode ser ainda mais antigo que o clássico documentado. miniaturadaimagem|Epitáfio em armênio clássico para Jakub e Marianna Minasowicz, na Igreja de São Jacinto, em Varsóvia O período do armênio clássico (ou antigo) começa formalmente no (), com a invenção do alfabeto armênio. O termo nativo para esta variante é krapar (գրաբար), que significa literalmente "escrito" ou "língua dos livros". É considerada a língua da "Idade de Ouro" da literatura armênia, usada para traduzir a bíblia e obras teológicas, filosóficas e históricas do grego e siríaco. Linguisticamente, era um idioma fusional e conservador, com um sistema complexo de sete casos gramaticais (nominal, acusativo, genitivo, dativo, instrumental, ablativo, locativo) e quatro conjugações verbais. Embora tenha deixado de ser falado por volta do , permaneceu como a única língua literária e litúrgica até o .

O armênio médio floresceu entre os séculos XI e XVI, intimamente ligado ao Reino Arménio da Cilícia (1080–1375). Pela primeira vez, o armênio foi usado como língua administrativa e científica, enquanto o grabar permanecia restrito aos ritos religiosos e tratados eruditos. Este período marca a transição de um sistema fusional para um aglutinante (típico das línguas modernas) e mostra uma influência crescente do turco, árabe e persa no léxico. O armênio médio é considerado o precursor direto das variantes ocidentais modernas.

A história moderna do armênio ocidental é consolidada no século XIX, com a busca de uma padronização para o dialeto vernacular, como o armênio civil, por exemplo. Entretanto, o Genocídio armênio marcou uma pausa nessa evolução, resultando na aniquilção de boa parte dos falantes originais, o que forçou uma diáspora mundial, conhecida como diáspora armênia. Desde então o armênio ocidental é uma língua sem Estado e com diversidade dialetal grande devido às influencias que os idiomas de cada país exercem sobre os falantes.

História da documentação esquerda|miniaturadaimagem|168x168px|Estátua de David de Sassoun em Erevã A documentação do armênio é iniciado no período clássico, com a criação do alfabeto armênio pelo monge Mesrobes Mastósio com necessidade de tradução da bíblia e textos patrísticos, já que, no início do , a Armênia adotou o cristianismo como religião oficial, além de fomentar a criação de uma identidade étnica. Diversas obras historiográficas, filosóficas, teológicas e gramaticais, foram baseadas em traduções do grego. De acordo com Corium, discípulo de Mesrobes, os primeiros textos traduzidos com o armênio foram os Provérbios de Salomão.

Diversos textos armênios foram preservados pela tradição oral, como Sasuntsi Davit (também chamado de Os Aventureiros de Sassoun) criado no , mas foi registrado de forma escrita apenas em 1873. É um poema épico que narra a expulsão dos árabes do território armênio por 4 gerações de uma família, sendo David o mais conhecido.

A primeira gramática armênia foi escrita por Francisco Rivola, em 1624. Entretanto, ela foi registrada em latim, abordando o armênio da era medieval. Já a primeira gramatica em armênio foi produzida por Mequitar de Sebaste, em 1730, o qual aborda a língua de um modo mais formal, literário e purista. Em inglês, a primeira gramática foi escrita pelo Lorde Byron, que durante seus estudos em San Lazzaro degli Armeni (Mosteiro de São Lázaro), fundado por Mequitar, a escreveu no ano de 1873.

Fonologia

Consoantes