Cafiristão ou Cafirstão (; ) é uma região histórica que cobria a atual província de Nuristão, no Afeganistão, e seus arredores. Esta região histórica fica (e compreende principalmente) nas bacias dos rios Alingar, Pech (Kamah), rio Landai Sim e Kunar e nas cadeias de montanhas intermediárias. É delimitada pela cadeia principal do Indocuche, ao norte, o distrito de Chitral, do Paquistão, a leste, o vale Kunar, ao sul, e o rio Alishang, a oeste.

O Cafiristão recebeu o seu nome dos duradouros habitantes nuristaneses cafires (não muçulmanos) que seguiam uma forma distinta de hinduísmo antigo misturado com acréscimos desenvolvidos localmente; eles eram, portanto, conhecidos pela população muçulmana predominantemente sunita circundante como cafires, que significa "descrentes" ou "infiéis".  Eles estão intimamente relacionados aos calaxes, um povo independente com uma cultura, língua e religião distintas.

A área que se estende do moderno Nooristão até a Caxemira era conhecida como "Peristão", uma vasta área contendo uma série de culturas cafir e línguas indo-europeias que se tornaram islamizadas ao longo de um longo período de tempo, o que eventualmente as levou a se tornarem muçulmanas sob as ordens do emir Abderramão Cã, que conquistou o território em 1895-1896. A região era cercada anteriormente por Estados budistas que temporariamente trouxeram alfabetização e governo estatal para as montanhas; o declínio do budismo isolou fortemente a região. Foi cercada por Estados muçulmanos no século XVI.

Etimologia Cafiristão ou Cafirstão é normalmente entendido como "terra [-stan] dos cafires" na língua persa, em que o nome کافر kafir é derivado do árabe كافر kāfir, significando literalmente uma pessoa que se recusa a aceitar um princípio de qualquer natureza e figurativamente como uma pessoa que se recusa a aceitar o islamismo como sua fé; é comumente traduzido para o português como um "descrente". No entanto, a influência de nomes de distritos no Cafiristão de Katwar ou Kator e o nome étnico Kati também foi sugerida. O Cafiristão era habitado por pessoas que seguiam uma forma de paganismo antes de sua conversão ao islamismo, em 1895-1896.

Aparições na cultura

Cafiristão é o cenário da maior parte da famosa novela de Rudyard Kipling O Homem Que Queria Ser Rei (), de 1888. Foi adaptada para o filme de 1975 de mesmo nome. O livro de 1958 A Short Walk in the Hindu Kush, do escritor de viagens inglês Eric Newby, descreve as aventuras dele e de Hugh Carless no Nuristão e sua tentativa de realizar o feito, até então sem precedentes, de escalar a montanha Mir Samir. O autor alemão Herbert Kranz escolheu o Cafiristão como cenário de seu romance de aventura de 1953, Nas Garras do Sem Nome: Aventuras nas Gargantas do Hindu Kush. A Viagem ao Cafiristão () é um filme alemão de Donatello Dubini e Fosco Dubini que narra uma viagem terrestre de Annemarie Schwarzenbach e Ella Maillart de Genebra a Cabul. Umberto Eco menciona o Cafiristão (como Kefiristan) em Como Viajar com um Salmão, onde um carregador falava um dialeto que foi ouvido pela última vez no Cafiristão na época de Alexandre, o Grande. Nile, uma banda americana de death metal, escreveu a música Kafir para seu álbum Those Whom the Gods Detest, que foi inspirado no Cafiristão. Nos romances baseados em Doom, escritos por Dafydd ab Hugh e Brad Linaweaver, e publicados entre junho de 1995 e janeiro de 1996, há um país chamado Kefiristan. O Cafiristão é o cenário do romance Stormswift, de Madeleine Brent. Foi citado no episódio 4 da 5.ª temporada da série de sucesso Hot in Cleveland como o destino onde o marido de Victoria, Emmett, está se escondendo.

Ver também Nuristão Povo Kalash Língua shina Língua khovar Badaquexão

Cafiristão Categoria:Indocuche Categoria:Budismo no Afeganistão Categoria:Rudyard Kipling