A atenção plena foi definida em termos psicológicos modernos como "prestar atenção para aspectos relevantes da experiência de uma maneira livre de julgamentos" e manter a atenção na experiência do momento presente com uma atitude aberta e de aceitação. A meditação é uma plataforma usada para alcançar a atenção plena. Ambas as práticas, de atenção plena e de meditação, foram "diretamente inspiradas na tradição budista" e foram amplamente promovidas por Jon Kabat-Zinn. A meditação de atenção plena demonstrou ter um impacto positivo em diversos problemas psiquiátricos, como a depressão, e, portanto, compôs a base de programas de atenção plena, como a terapia cognitiva a base de atenção plena, redução de estresse a base de atenção plena e manejo da dor a base de atenção plena. As aplicações da meditação de atenção plena são bem estabelecidas, porém, os mecanismos subjacentes a essa prática ainda não são inteiramente compreendidos. Muitos exames e estudos em soldados com TEPT demonstraram resultados positivos tremendos na diminuição dos níveis de estresse e na capacidade de lidar com problemas do passado, abrindo o caminho para que mais exames e estudos normalizem e aceitem a meditação e pesquisas baseadas na atenção plena, não somente para soldados com TEPT, mas com inúmeras incapacidades ou deficiências mentais. direita|miniaturadaimagem| Meditação de atenção plena Quatro componentes da meditação de atenção plena foram propostos para descrever grande parte do mecanismo de ação pelo qual ela pode funcionar: regulação da atenção, consciência corporal, regulação emocional e mudança na perspectiva própria. Todos os componentes descritos acima são interconectados. Por exemplo, quando uma pessoa é acionada por um estímulo externo, o sistema de atenção executiva tenta manter um estado pleno. Também há uma consciência corporal acentuada, como batimento cardíaco acelerado que acarreta uma resposta emocional. A resposta é então regulada para que ela não se torne habitual, mas constantemente mude na experiência de momento para momento. Isso, eventualmente, leva a uma mudança na perspectiva própria.
Regulação da atenção direita|miniaturadaimagem|Córtex cingulado anterior A regulação da atenção é a atividade de focar a atenção em um objeto, reconhecer quaisquer distrações e, em seguida, retornar o seu foco de volta para o objeto. Algumas evidências para os mecanismos responsáveis pela regulação da atenção durante a meditação de atenção plena são dispostas abaixo.
Meditadores de atenção plena mostraram maior ativação do córtex cingulado anterior rostral (AAC) e córtex pré-frontal medial dorsal (MPFC). Isso sugere que meditadores têm um processamento de conflito/distração mais forte e são mais engajados na regulação emocional. Porém, na medida em que os meditadores se tornam mais eficientes na atenção focada, a regulação se torna desnecessária e, consequentemente, diminui a ativação do AAC a longo prazo. A espessura cortical no AAC dorsal foi, também, verificada como sendo maior na substância cinzenta de meditadores experientes. Há um um ritmo theta na linha média frontal aumentado, que é relacionado com atividades que exigem atenção e acredita-se ser um indicador da ativação do ACC. O ritmo theta na linha média alto foi associado com a menor pontuação de ansiedade na Manifest Anxiety Scale (MAS), a maior pontuação na escala extrovertida do Maudsley Personality Inventory (MPI) e a menor pontuação na escala neurótica do MPI.
O AAC detecta informação conflituosa proveniente de distrações. Quando uma pessoa é apresentada a um estímulo conflituoso, o cérebro inicialmente processa o estímulo incorretamente. Isso é conhecido como negatividade relacionada ao erro (ERN). Antes da ERN chegar a um limite, o conflito correto é detectado pelo N2 frontocentral. Após a correção, o AAC rostral é ativado e permite a atenção executiva ao estímulo correto. Portanto, a meditação de atenção plena poderia, potencialmente, ser um método para o tratamento de distúrbios relacionados à atenção, como o TDAH e o transtorno bipolar.
Consciência corporal direita|miniaturadaimagem|Substância cinzenta & ínsula A consciência corporal refere-se a focar em um objeto/atividade dentro do corpo, como a respiração. De uma entrevista qualitativa com dez meditadores de atenção plena, algumas das respostas seguintes foram observadas: "Quando eu estou caminhando, eu conscientemente percebo as sensações do meu corpo se mexendo" e "Eu percebo como comidas e bebidas afetam os meus pensamentos, sensações corporais, e emoções". Os dois possíveis mecanismos pelos quais um meditador de atenção plena pode experienciar a consciência corporal são discutidos abaixo.
Meditadores mostraram uma espessura cortical maior e uma maior concentração de substância cinzenta na ínsula anterior direita. Por outro lado, sujeitos submetidos a 8 semanas de treinamento de atenção plena não mostraram mudanças significativas na concentração de substância cinzenta na ínsula, mas sim um aumento na concentração de substância cinzenta na junção temporoparietal.
A ínsula é responsável pela consciência a estímulos e a espessura de sua substância cinzenta é correlacionada à precisão e detecção dos estímulos pelo sistema nervoso. Evidências qualitativas sugerem que a meditação de atenção plena impacta a consciência corporal, porém, esse componente não é bem caracterizado.
Regulação emocional As emoções podem ser reguladas cognitivamente ou comportamentalmente. A regulação cognitiva (em termos de meditação de atenção plena) significa ter controle sobre dar atenção a um determinado estímulo ou por mudar a resposta a aquele estímulo. A mudança cognitiva é alcançada através de reavaliação (interpretar o estímulo de uma maneira mais positiva) e extinção (revertendo a resposta ao estímulo). A regulamentação comportamental refere-se a inibir a expressão de certos comportamentos em resposta a um estímulo. Pesquisas sugerem dois mecanismos principais pelos quais a meditação de atenção plena influencia a resposta emocional a um estímulo.
A meditação de atenção plena regula as emoções por meio da ativação aumentada do PFC dorso-medial e do AAC rostral. A ativação aumentada do PFC ventrolateral pode regular as emoções por diminuir a atividade da amígdala. Isso também foi previsto por um estudo que observou o efeito do humor/atitude de uma pessoa durante a atenção plena na ativação cerebral.
O córtex pré-frontal lateral (lPFC) é importante para a atenção seletiva, enquanto o córtex pré-frontal ventral (vPFC) é envolvido na inibição de uma resposta. Como foi mencionado anteriormente, o córtex cingulado anterior (AAC) foi destacado por manter a atenção em um estímulo. A amígdala é responsável por gerar emoções. Acredita-se que a meditação de atenção plena é capaz de regular pensamentos negativos e diminuir a reatividade emocional através dessas regiões do cérebro. Déficits de regulação emocional foram destacados em distúrbios como transtorno de personalidade borderline e depressão. Esses déficits foram associados com a redução da ativação pré-frontal e o aumento da atividade da amígdala, que a meditação de atenção plena pode ser capaz de atenuar.
Dor Sabe-se que a dor ativa as seguintes regiões do cérebro: o córtex cingulado anterior, a ínsula anterior/posterior, os córtices somatossensoriais primários/secundários e o tálamo.
A meditação de atenção plena pode fornecer diversos métodos pelos quais uma pessoa pode conscientemente regular a dor.
Brown e Jones relataram que a meditação de atenção plena diminuiu a antecipação de dor no córtex parietal direito e no córtex cingulado do médio. A meditação de atenção plena também aumentou a atividade do córtex cingulado anterior (AAC) e do córtex pré-frontal ventromedial (vm-PFC). Já que o vmPFC é envolvido na inibição de respostas emocionais a estímulos, concluiu-se que a antecipação à dor foi reduzida por controle cognitivo e emocional. Outro estudo por Grant revelou que meditadores demonstraram maior ativação da ínsula, do tálamo e do córtex cingulado do meio e, ao mesmo tempo, menor ativação das regiões responsáveis pelo controle emocional (PFC medial, OFC e amígdala). Acredita-se que os meditadores estavam em um estado mental que lhes permitiu prestar muita atenção às entradas sensoriais dos estímulos e, simultaneamente, inibir qualquer avaliação ou reatividade emocional.
Brown e Jones relataram que os meditadores não mostraram nenhuma diferença na sensibilidade à dor, mas sim na antecipação da dor. Porém, a pesquisa de Grant demonstrou que os meditadores experienciaram menor sensibilidade à dor. Esses estudos conflituosos ilustram que o mecanismo exato pode variar de acordo com com o nível de experiência ou a técnica de meditação.
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