O Acordo de Charaña, também conhecido como Ata de Charaña ou Abraço de Charaña, refere-se a ata assinada no encontro entre os ditadores da Bolívia e do Chile, os generais Hugo Banzer e Augusto Pinochet, respectivamente, realizado na estação ferroviária boliviana de Charaña em 8 de fevereiro de 1975.
Este acordo permitiu o restabelecimento das relações diplomáticas boliviano-chilenas, rompidas em 1962, e o projeto de uma proposta para resolver a mediterraneidade da Bolívia, originada após a derrota do referido país na Guerra do Pacífico e a posterior assinatura do Tratado de Paz e Amizade de 1904.
A ditadura militar chilena propôs, mediante a uma troca territorial, a transferência de uma faixa de terra ao longo da sua fronteira norte com o Peru, entre o Oceano Pacífico e a fronteira com a Bolívia. No entanto, a fórmula foi contestada pelo governo peruano liderado pelo ditador Francisco Morales Bermúdez;O Peru deveria ser consultado de acordo com o artigo primeiro do Protocolo Suplementar ao Tratado de Lima (1929): «Os Governos do Peru e do Chile não poderão, sem acordo prévio entre eles, ceder a um terceiro poder a totalidade ou parte dos territórios que, nos termos do Tratado desta mesma data, permanecem sob as respectivas soberanias, nem poderão, sem esse requisito, construir, através deles, novas linhas ferroviárias internacionais». os acordos assinados entre a Bolívia e o Chile foram dissolvidos e as relações entre os dois países foram rompidas em 1978, sem implementar nenhuma das propostas originais.
A disputa territorial culminaria posteriormente em uma ação movida pela Bolívia perante o Tribunal Internacional de Justiça de Haia contra o Chile, que foi vencida pelo Chile em 2018.
Notas
Bibliografia
Categoria:Relações entre Bolívia e Chile Categoria:1975 nas relações internacionais Categoria:Ditadura militar no Chile (1973-1990)