The Velvet Underground & Nico é o álbum de estreia da banda norte-americana de rock The Velvet Underground e da cantora alemã Nico, lançado em 12 de março de 1967 pela Verve Records.
Foi gravado em 1966, enquanto a banda participava da turnê experimental de Andy Warhol, "Exploding Plastic Inevitable". O álbum apresenta uma forte performance experimental e tópicos líricos controversos, incluindo abuso de drogas, prostituição, sadomasoquismo e desvio sexual. Sua venda foi baixa e foi praticamente ignorado pelos críticos da época, porém depois se tornou um dos álbuns mais influentes da história do rock e da música pop.
Descrito como "o embrionário álbum do art rock", serviu como uma grande influência em muitos subgêneros do rock e da música alternativa em geral, incluindo o punk rock, rock de garagem, krautrock, pós-punk, shoegaze, gótico e indie. – "Só naquele primeiro álbum, os Velvets inventaram – ou pelo menos inspiraram – art rock, punk, garage, grunge, shoegaze, gótico, indie e qualquer outra música alternativa que você queira mencionar." Em 1982, o músico Brian Eno afirmou que enquanto o álbum vendeu aproximadamente trinta mil cópias em seus primeiros cinco anos, todos que compraram uma dessas trinta mil cópias começaram uma banda.Fontes discutindo a citação:
A citação referenciada: Em 2003, ficou na 13º posição na lista da Rolling Stone dos "500 Maiores Álbuns de Todos os Tempos", e em 2006, foi introduzido no Registro Nacional de Gravações pela Biblioteca do Congresso.March 6, 2007 – Recordings by Historical Figures and Musical Legends Added to the 2006 National Recording Registry , Notícias da Biblioteca do Congresso, 2006 National Recording Registry – The Library Today (Biblioteca do Congresso). Gravação e produção Histórico de gravação The Velvet Underground & Nico foi gravado com a primeira formação profissional do grupo: Lou Reed, John Cale, Sterling Morrison e Maureen Tucker. Por recomendação de seu empresário Andy Warhol, e seu colaborador Paul Morrissey, a cantora alemã Nico foi apresentada; ela tinha ocasionalmente realizado vocais para a banda. Ela faria o vocal principal em três das onze faixas do álbum – "Femme Fatale", "All Tomorrow's Parties" e "I'll Be Your Mirror" – e faria vocais de apoio em "Sunday Morning". Em 1966, enquanto o álbum estava sendo gravado, este também foi o line-up dos shows da turnê experimental "Exploding Plastic Inevitable" de Warhol.
A maior parte das canções que entrariam no álbum foram gravadas em meados de abril de 1966, durante um período de quatro dias no Scepter Studios, um decadente estúdio de gravação em Manhattan. Esta sessão de gravação foi financiada por Andy e pelo executivo de vendas da Columbia Records, Norman Dolph, que também atuou como engenheiro de som com John Licata. Embora o custo total exato do projeto seja desconhecido, as estimativas variam de US$1.500 a US$3.000.
Logo após a gravação, Dolph enviou um disco de acetato das gravações para a Columbia na tentativa de interessá-los na distribuição do álbum, mas eles recusaram, assim como a Atlantic Records e a Elektra Records – de acordo com Sterling Morrison, a primeira se opôs às referências a drogas em canções de Reed, enquanto a segunda não gostava da viola de Cale. Finalmente, a Verve Records, de propriedade da MGM Records, aceitou as gravações, com a ajuda do produtor da Verve, Tom Wilson.
Um mês depois, em maio de 1966, com o apoio da gravadora, três canções, "I'm Waiting for the Man", "Venus in Furs" e "Heroin", foram regravadas no TTG Studios durante um tempo em Hollywood. Quando a data de lançamento do disco foi adiada, Wilson trouxe a banda para o Mayfair Studios em Manhattan em novembro de 1966, para adicionar uma canção final à lista de faixas: o single "Sunday Morning".
Produção miniaturadaimagem|O artista Andy Warhol desenhou a capa do álbum e teve um papel importante em sua produção.|229x229pxEmbora Andy Warhol seja o único produtor formalmente creditado, ele teve pouca influência direta além de pagar pelas sessões de gravação. Vários outros que trabalharam no álbum são frequentemente mencionados como produtores técnicos.
Norman Dolph e John Licata são algumas vezes atribuídos à produção das sessões no Scepter Studios, já que eles foram responsáveis pela gravação e engenharia, embora nenhum deles seja creditado. Dolph disse que John Cale era o produtor criativo, já ele lidava com a maioria dos arranjos. No entanto, Cale lembrou que Tom Wilson produziu quase todas as faixas e disse que Warhol "não fez nada". Lou Reed também disse que o "verdadeiro produtor" do álbum foi Wilson. Reed alegou que foi a MGM que decidiu trazer Wilson, e creditou a ele a produção de faixas como "Sunday Morning": "Andy absorveu todas as críticas. Então a MGM disse que queria trazer um produtor de verdade, Tom Wilson. Você tem 'Sunday Morning', com todos aqueles overdubs – a viola no fundo, Nico cantando. Mas ele não podia desfazer o que já havia sido feito."
No entanto, Sterling Morrison e Reed citaram a falta de manipulação de Warhol como um método legítimo de produção. Morrison descreveu Warhol como o produtor "no sentido de produzir um filme"."An Interview with Sterling Morrison", Fusion, 6 de março de 1970. Reproduzido em
Música e letras
Temas O álbum foi notável por suas descrições abertas de tópicos como abuso de drogas, prostituição, sadomasoquismo e desvio sexual. "I'm Waiting for the Man" descreve os esforços de um homem para obter heroína, enquanto "Venus in Furs" é uma interpretação quase literal do romance BDSM de mesmo nome. "Heroin" detalha o uso da droga por um indivíduo e a experiência de sentir seus efeitos.
Lou Reed, que escreveu a maioria das letras do álbum, nunca teve a intenção de escrever sobre esses tópicos para chocar. Reed, fã de poetas e autores como Raymond Chandler, William S. Burroughs e Hubert Selby Jr., não via razão que o conteúdo de suas obras não pudesse traduzir bem o rock and roll. Reed disse em uma entrevista que ele achava que juntar os dois era "óbvio". "Esse é o tipo de coisa que você pode ler. Por que você não ouve? Você se diverte lendo isso, e tem a diversão do rock em cima disso."
Embora o tema sombrio do álbum seja hoje considerado revolucionário, várias das músicas do álbum são centradas em temas mais típicos da música popular. Certas músicas foram escritas por Reed em vivências diárias. "Femme Fatale" em particular foi escrita sobre Edie Sedgwick a pedido de Warhol. "I'll Be Your Mirror", inspirada em Nico, é uma música terna e afetuosa; em contraste com uma música como "Heroin". Um equívoco comum é que "All Tomorrow's Parties" foi escrito por Reed a pedido de Warhol (como declarado na biografia Up-Tight: The Velvet Underground Story). Embora a música pareça ser sobre as experiências dos frequentadores da Factory, Reed escreveu a canção antes de conhecer Warhol, tendo gravado uma demo em julho de 1965. Esta versão primária da faixa tinha sons de música folclórica, possivelmente inspirados por Bob Dylan.
Instrumentação e performance Musicalmente, o álbum tem sido geralmente descrito pelos escritores como art rock, rock experimental, proto-punk, rock psicodélico e avant-pop. Muito do som do álbum foi concebido por John Cale, que destacou as qualidades experimentais da banda. Ele foi muito influenciado por seu trabalho com John Cage e o movimento Fluxus, e encorajou o uso de formas alternativas de produzir som na música. Cale achava que sua sensibilidade combinava bem com a de Reed, que já estava experimentando afinações alternativas. Por exemplo, Reed "inventou" a afinação da "ostrich guitar" para uma música que ele escreveu chamada "The Ostrich" para a banda The Primitives. A afinação da "guitarra avestruz" consiste em todas as cordas sendo afinadas na mesma nota. Este método foi utilizado nas músicas de "Venus in Furs" e "All Tomorrow's Parties". Muitas vezes, as guitarras também eram afinadas uma oitava inteira, o que produzia um som mais baixo e mais cheio.
A viola de Cale foi usada em várias canções do álbum, notoriamente em "Venus in Furs" e "Black Angel's Death Song". A técnica da viola de Cale geralmente envolvia pedais, desafinação e distorção. De acordo com Robert Christgau, o pedal não apenas sustenta o sadomasoquismo em "Venus in Furs", mas também "identifica e unifica o (álbum) musicalmente". Das performances vocais, ele acreditava que "a sexualidade contida de Nico" complementava "o desapaixonado abandono vocal de Reed". Em 1966, Richard Goldstein descreveu o vocal de Nico como "algo como um violoncelo se levantando de manhã".Ulf Lindberg et al. Rock Criticism from the Beginning: Amusers, Bruisers, and Cool-headed Cruisers. Peter Lang, 2005. p. 115.
Capa The Velvet Underground & Nico é geralmente chamado de "disco ou álbum da banana", reconhecível por apresentar um desenho de uma banana feita por Andy Warhol. As primeiras cópias do álbum convidavam o ouvinte a "descascar lentamente e ver" ("peel slowly and see"), e descascar a casca da banana revelava uma banana cor de carne por baixo. Uma máquina especial foi necessária para fabricar essas capas (uma das causas do atraso no lançamento do álbum), porém a MGM pagou pelos custos imaginando que qualquer vínculo com Warhol aumentaria as vendas do álbum.
A maioria dos relançamentos em vinil do álbum não apresentam o adesivo removível; cópias originais do álbum com este adesivo agora são itens raros de colecionador. Um relançamento japonês em vinil no início da década de 1980 foi a única versão a incluir o adesivo de banana por muitos anos. No relançamento em Compact Disc de 1996, a imagem da banana está na capa enquanto a imagem da banana descascada está na parte interna da caixa, abaixo do próprio CD. O álbum foi reimpresso em vinil em 2008, com o adesivo da banana.
Lançamento
Após o lançamento, o álbum foi em grande parte mal sucedido e um fracasso financeiro. O conteúdo controverso do álbum levou à sua proibição quase instantânea em várias lojas de discos, muitas estações de rádio se recusaram a tocá-lo e as revistas se recusaram a publicar anúncios para ele. Sua falta de sucesso também pode ser atribuída à atuação da Verve, que não conseguiu promover ou distribuir o álbum com nada além de atenção modesta. No entanto, Richie Unterberger, um revisor do AllMusic, também observa que:
O disco entrou pela primeira vez nas paradas de álbuns da Billboard em maio de 1967, no número 199, deixando-as em junho do mesmo ano, no número 195. Voltaria a entrar nas paradas em novembro, no número 182, atingindo o número 171 em dezembro e novamente as deixando em janeiro de 1968, no número 193.
O músico Brian Eno afirmou em 1982 que, embora o álbum tenha vendido apenas aproximadamente trinta mil cópias em seus primeiros cinco anos, todos que compraram uma dessas trinta mil cópias começaram uma banda.Fontes discutindo a citação:
A citação referenciada:
Os escritores costumam usar essa citação como um número definitivo de quantas cópias foram vendidas nos primeiros anos. Embora de fato tenha vendido menos do que Warhol e a banda esperavam, de acordo com uma declaração de royalties, 58.476 cópias do álbum foram vendidas até fevereiro de 1969 – um número decente para um LP do final da década de 1960.
Recepção crítica
Avaliações contemporâneas