thumb|right|upright=1.0|Retrato de Frederico IIAntoine Pesne, 1745 A sexualidade de Frederico II da Prússia (1712–1786) tem sido objeto de estudos e debates ao longo do tempo. A maioria dos biógrafos modernos concorda que Frederico, o Grande era homossexual e que sua orientação sexual era central em sua vida.; veja também: Krysmanski, Bernd (2019), "Belege für die Homosexualität und die analerotischen Gelüste des Preußenkönigs," in Nur Hogarth zeigt den Alten Fritz wahrheitsgemäß mit krummem "Zinken"die uns vertrauten Bilder von Pesne bis Menzel tun dies nicht (Heidelberg: arthistoricum.net). https://archiv.ub.uni-heidelberg.de/artdok/6399 ("Evidence for the Homosexuality and the Anal-Erotic Desires of the Prussian King," in Only Hogarth Depicts the Old Fritz Truthfully with a Crooked "Beak" – The Pictures Familiar to Us from Pesne to Menzel Don't Do This), p. 27: "Dass der Preußenkönig homosexuelle Neigungen hatte, war schon dem 18. Jahrhundert wohlbekannt." ("That the Prussian king had homosexual tendencies was well known as early as the 18th century.") No entanto, a natureza de seus relacionamentos reais permanece especulativa.
Embora tivesse um casamento arranjado com a duquesa Isabel Cristina de Brunsvique-Volfembutel-Bevern, Frederico não teve filhos e foi sucedido por seu sobrinho, Frederico Guilherme II. Seus cortesãos favoritos eram exclusivamente homens, e sua coleção de arte celebrava o homoerotismo. Rumores persistentes conectando o rei com atividades homossexuais circularam pela Europa durante sua vida, mas há menos evidências definitivas sobreviventes de quaisquer relacionamentos sexuais dele, homossexuais ou não. No entanto, em julho de 1750, o rei prussiano escreveu provocativamente ao seu secretário e leitor homossexual, Claude Étienne Darget: «Mes hémorroïdes saluent affectueusement votre v[erge]» (Minhas hemorroidas cumprimentam afetuosamente seu pênis), o que sugere fortemente que ele estava sexualmente envolvido com homens.Œuvres de Frédéric le Grand, Tome XX, Correspondance Tome V: IV. Correspondance de Frédéric avec M. Darget (Mai 1749 - 6 Septembre 1771), no. 6.Krysmanski, "Evidence for the homosexuality and the anal erotic desires of the Prussian king", p. 28. https://doi.org/10.11588/artdok.00008019
Além disso, em idade avançada, o rei aconselhou seu sobrinho em um documento escrito contra o sexo anal passivo, que, de acordo com sua própria experiência, "não era muito agradável".Vorberg, Gaston (1920). "Der Klatsch über das Geschlechtsleben Friedrichs II." (Gossip about Frederick II's sexual life), in Abhandlungen aus dem Gebiete der Sexualforschung (Treatises from the field of sexual research), vol. III, no. 6, p. 6-7. O seu desejo pelo sexo masculino também é evidenciado nas declarações de seus famosos contemporâneos, Voltaire e Giacomo Casanova, que o conheciam pessoalmente e suas preferências sexuais. Significativamente, Voltaire apelidou Frederico de "Luc". Quando lido ao contrário, significa cul (o termo francês vulgar para 'ânus' ou 'bunda').Oliver Das Gupta, "Der schwule Fritz," Süddeutsche Zeitung, 23 de janeiro de 2012. De acordo com Wolfgang Burgdorf, "Vários enviados estrangeiros [...] relataram o 'vício não natural' de Frederico. [...] Nenhum deles se preocupou com a ideia de influenciar a política da corte prussiana lançando uma nova amante. A Saxônia e a França, no entanto, repetidamente conseguiram colocar jovens bonitos perto dele. Sanssouci era uma zona livre de mulheres durante a era Fridericana."Wolfgang Burgdorf, "Königliche Liebschaften: Friedrich der Große und seine Männer," in Norman Domeier and Christian Mühling (eds.), Homosexualität am Hof: Praktiken und Diskurse vom Mittelalter bis heute (Frankfurt am Main and New York: Campus), p. 133.
A homossexualidade de Frederico foi rejeitada por historiadores mais tradicionais durante séculos após sua morte, mas desde o primeiro movimento homossexual na Alemanha de Weimar tem ocorrido um revisionismo das provas e fatos que circundam sua sexualidade.
Possíveis relacionamentos homossexuais
Quando ainda era um jovem príncipe herdeiro, Frederico confidenciou ao seu mentor, o general-marechal de campo Friedrich Wilhelm von Grumbkow, que se sentia muito pouco atraído pelo sexo feminino para poder imaginar entrar em um casamento.Reinhard Alings, "'Don't Ask, Don't Tell' - war Friedrich schwul?" in Friederisiko: Friedrich der Große: Die Ausstellung, edited by the Generaldirektion der Stiftung Preußische Schlösser und Gärten Berlin-Brandenburg (Munique, 2012), p. 238. Aos dezesseis anos, Frederico parece ter vivido em um romance juvenil com Peter Karl Christoph von Keith, um pajem um ano mais velho de seu pai, o rei Frederico Guilherme I. Rumores da ligação se espalharam na corte, e a 'intimidade' entre os dois meninos provocou os comentários da irmã de Frederico, a princesa Guilhermina, que escreveu: "Embora eu tivesse notado que ele estava em termos mais familiares com este pajem do que era apropriado em sua posição, eu não sabia o quão íntima era a amizade." Os rumores rapidamente chegaram ao pai de Frederico, que cultivava um ideal de ultramasculinidade em sua corte e ridicularizou as tendências supostamente efeminadas de seu filho. Como resultado, Keith foi demitido de seu serviço ao rei e enviado para um regimento na fronteira holandesa, enquanto o jovem príncipe herdeiro foi enviado para o pavilhão de caça do rei em Wusterhausen para "se arrepender de seu pecado"."
thumb|left|upright=0.8|Frederico quando príncipe herdeiro thumb|right|upright=0.8|Execução de Hans Hermann von Katte
Logo depois, em meados de 1720, o príncipe herdeiro Frederico conheceu o tenente Hans Hermann von Katte durante uma revista as tropas prussianas e iniciaram uma estreita amizade. Na corte prussiana alguns consideravam que a relação com Hans Hermann von Katte seria romântica.N. Mitford (1970). Frederick the Great, Nova Iorque Ao descobrir a relação de Frederico e von Katte, o rei Frederico Guilherme I tratou de arranjar um casamento para o filho. Frederico e seu pai sempre tiveram uma relação difícil, mas o estopim dessa relação conflituosa foi quando o pai de Frederico bloqueou a proposta de casamento feita por seu filho a princesa Amélia da Grã-Bretanha. Frederico Guilherme I almejava uma aliança com a Áustria, e queria que o filho se cassasse com a sobrinha do imperador Carlos VI do Sacro Império Romano-Germânico, a duquesa Isabel Cristina de Brunsvique-Volfembutel-Bevern. Juntamente com von Katte, Frederico planejou fugir para a Grã-Bretanha, contudo os planos foram descobertos por seu pai e ambos foram encarcerados na Fortaleza Küstrin. Von Katte foi sentenciado a morte e o próprio Frederico só escapou da sentença de morte graças à intervenção do Sacro-Imperador Carlos VI., p. 41
Hans Hermann von Katte e Frederico tiveram um último dialogo antes da execução:Theodor Fontane: Wanderungen durch die Mark Brandenburg, Band 2 (Oderland) „Jenseits der Oder“ – Küstrin: Die Katte-Tragödie.
— Frederico: "Por favor, meu querido Katte, perdoe-me pelo que faço a você."Richard Linsert: Kabale und Liebe. Über Politik und Geschlechtsleben. MAN-V.o.J., Berlin 1931,
von Katte respondeu:
— Hans Hermann von Katte: "Meu príncipe, eu faria isso por você milhares de vezes"
Após este último diálogo o príncipe-herdeiro desfaleceu, e von Katte foi executado pelo carrasco. Sua últimas palavras foram: "Senhor Jesus Cristo..."
Após o caso Katte, a irmã de Frederico, Guilhermina, escreveu sobre von Katte: "Ele desempenhou o papel de um espírito livre e levou sua vida ao excesso; grande ambição e arrogância andavam de mãos dadas com esse vício. Tal favorito estava longe de dissuadir meu irmão de suas aberrações".Wilhelmine of Prussia, Margravine of Brandenburg-Bayreuth: Mémoires de Frédérique Sophie Wilhelmine, Margrave de Bayreuthe, soeur de Frédéric le Grand, depuis L’année 1709 jusqu’a 1742, écrit de sa main. (Mercure de France, Paris 1967), translated into German and edited by Günther Berger as: Memoiren einer preußischen Königstochter. Markgräfin Wilhelmine von Bayreuth (Memoirs of a Prussian king's daughter. Margravine Wilhelmine of Bayreuth), publisher Ellwanger, Bayreuth 2007, 3rd edition, 2018, pp. 93−94
Enquanto estava confinado em Küstrin, Frederico tornou-se amigo íntimo de Michael Gabriel Fredersdorf, um valete com quem ele se correspondia 'romanticamente' e demonstrava preocupação frequente. Fredersdorf inicialmente se tornou o criado de Frederico, e quando de sua ascensão ao trono, ele recebeu uma propriedade e atuou de facto como um primeiro-ministro não oficial. Em 1789, o então jardineiro da corte prussiana, Heinrich Ludwig Manger, descreveu Fredersdorf como "o queridinho do rei na época".Heinrich Ludewig Manger's Baugeschichte von Potsdam, besonders unter der Regierung König Friedrichs des Zweiten, vol. 1 (Berlin and Stettin: Nicolai, 1789–90), p. 34. Reporting the dismissal of Friedrich Wilhelm Diterich, the building inspector of Sanssouci, Manger suspects that Diterich "did not court the king's darling at the time (i.e. Fredersdorf) enough". A historiadora Eva Ziebura mencionou que "Os dois provavelmente mantinham um relacionamento sexual no começo",War Friedrich schwul oder nur not-homosexuell?, Die Welt, 23 de janeiro de 2012. Eva Ziebura is a biographer of his brother Prince Henry: Eva Ziebura: Prinz Heinrich von Preußen. Biographie (in German), publisher; Aufbau-Taschenbuch-Verlag, Berlin, 496 páginas, 2004, mas que mais tarde trocavam cartas sobre seus problemas com constipação, impotência, etc.Oliver Das Gupta: Der schwule Fritz, in Süddeutsche Zeitung, 23 de janeiro de 2012
Outro confidente íntimo de Frederico era seu escudeiro Dietrich von Keyserling: "Nenhum amante pode ser mais agradável e prestativo do que Frederico com Dietrich von Keyserling", disse um conselheiro de guerra. Von Keyserling foi apelidado de Cesarion e chegou a ser promovido de escudeiro a general ajudante. O tenente-general Friedrich Rudolf von Rothenburg também foi um favorito de Frederico. Ele regularmente passava o tempo em um dos quartos de hóspedes em Sanssouci, que ainda hoje é chamado de Sala Rothenburg. Na verdade, o rei gostava de empregar soldados bonitos em sua comitiva e vários deles foram apontados como possíveis amantes de Frederico.
Possível relacionamento heterossexual
thumb|right|upright=0.7|Anna Karolina Orzelska em trajas de caça (1730)
Embora não haja documentação extensa de que Frederico tenha tido qualquer relacionamento íntimo de cunho heterossexual, especula-se que ele pode ter tido um breve relacionamento com Anna Karolina Orzelska, uma condessa poloca, cinco anos mais velha e filha ilegítima do rei Augusto II. Os dois se conheceram em Dresden em fevereiro de 1728, quando Frederico tinha apenas dezesseis anos e estava em uma visita diplomática com seu pai.Tim Blanning, Frederick the Great: King of Prussia (Penguin edition, 2016), p. 35. Os dois supostamente começaram um caso de amor secreto, com Frederico dedicando vários poemas e composições musicais a ela. Baseado em evidências positivas da irmã de Frederico, a princesa Guilhermina – que não apoiava as ligações de seu irmão com jovens pajens masculinos – Orzelska foi a primeira e única amante de Frederico.