O assassinato de Natany Alves Sales, uma jovem de 20 anos de idade, ocorreu na comunidade de Quixeramobim, no Ceará, em fevereiro de 2025. Natany, estudante de Licenciatura em Química no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) em Quixadá, foi sequestrada e brutalmente assassinada após sair de um culto religioso.
O enterro de Natany, realizado em 17 de fevereiro de 2025, reuniu centenas de pessoas, incluindo familiares, amigos e moradores de Quixeramobim, que prestaram suas últimas homenagens à jovem. As investigações continuam em andamento para esclarecer todos os detalhes e motivações do crime, enquanto a comunidade local permanece abalada com a tragédia.
Sequestro e assassinato
No domingo, 16 de fevereiro de 2025, por volta das 13h30, Natany foi abordada por três homens enquanto entrava em seu veículo, um Renault Kwid branco, estacionado em frente à Pousada Libanesa, no centro de Quixeramobim. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que os suspeitos se aproximaram e entraram no carro junto com a vítima. Após o sequestro, os criminosos conduziram Natany até a localidade de Laranjeiras, no município vizinho de Banabuiú, onde a assassinaram a pedradas. O corpo da jovem foi encontrado horas depois, apresentando marcas de violência.
Os criminosos pararam o carro em uma estrada vicinal na localidade de Laranjeiras. Lá, Francisco Márcio Freire determinou que os dois comparsas permanecessem no carro e conduziu a vítima a uma área 100 metros distante do veículo.
De acordo com o delegado William Lopes, da Delegacia Municipal de Quixeramobim, durante esse percurso, Natany tentou se defender e atingiu Francisco Márcio com uma pedra. O criminoso reagiu, segurou-a pelo pescoço e a arremessou contra o chão. Em seguida, com a mesma pedra com a qual Natany havia tentado se defender, Francisco Márcio passou a golpeá-la.
Ao ouvirem gritos, os outros dois criminosos, Francisco Teodósio Ramos e Jardson do Nascimento Silva, foram até o local onde Francisco Márcio matava Natany. Nessa hora, mandou que os outros dois acabassem com a vida de Nathany, sendo que Jardson pegou uma pedra, a deu a Teodósio e este desferiu vários golpes contra a cabeça da vítima. Exames preliminares indicaram que Natany não sofreu abuso sexual antes de ser assassinada, mas, conforme denúncia do MPCE, um dos criminosos, Francisco Márcio Freire fez comentários de cunho sexual sobre a vítima, assim como tocava no braço dela de forma lasciva e perguntava se ela namorava. Para o delegado William Lopes, essa maneira de agir configurou o crime de estupro. “Qualquer toque invasivo, imposto sob violência e medo, configura violação da dignidade sexual da vítima, caracterizando estupro”, consta no relatório final da Polícia Civil do Estado do Ceará sobre o crime.
Investigação e prisões
As forças de segurança do Ceará, incluindo a Polícia Militar, a Polícia Civil e a Célula de Inteligência do Estado, iniciaram imediatamente as buscas pela jovem. O veículo de Natany foi localizado abandonado nas proximidades do Terminal Rodoviário de Quixadá. Os três suspeitos foram presos e confessaram o crime, alegando que o objetivo inicial era roubar o carro da vítima para vendê-lo.
Os presos pelo crime foram Francisco Márcio Freire, de 43 anos de idade, que já chegou a se apresentar como pastor, natural de Quixadá e possui antecedentes criminais por roubo; Francisco Teodósio Ramos, 43 anos, natural de Fortaleza e com antecedentes criminais por violência doméstica e Jardson do Nascimento Silva, 23 anos, natural de Russas e sem antecedentes criminais.
Julgamento e Condenações Em março de 2025, o Tribunal de Justiça do Estado do Ceará recebeu denúncia do Ministério Público do Estado do Ceará, e em agosto do mesmo ano condenou Francisco Márcio Freire, Francisco Teodósio Ramos Neto e Jardson do Nascimento Silva pelos crimes de latrocínio (roubo seguido de morte), ocultação de cadáver e associação criminosa cometidos contra Natany. O réu Márcio Freire também foi condenado pelo crime de estupro, na forma tentada. Francisco Freire recebeu pena de 43 anos e dois meses de prisão; Francisco Teodósio e Jardson receberam penas de 28 anos, três meses e 15 dias de prisão.
Ver também Crime no Brasil
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