miniaturadaimagem|Toda a extensão do império de Alexandre, o Grande, reunido no século 4 a.C. enquanto ele se esforçava para conquistar as terras da Ásia e do Mediterrâneo Expansionismo é a doutrina de ampliar a base territorial de um país, normalmente por meio da agressão militar.

Às vezes são usados irredentismo, revanchismo ou reunificação para justificar e legitimar o expansionismo, mas somente quando o propósito é reconquistar territórios que haviam sido perdidos ou tomar posse de terras ancestrais. Uma simples disputa territorial, como por exemplo, uma disputa de fronteira, normalmente não é considerado expansionismo.

Exemplos thumb|250px|Expansão do Império Mongol de 1206 a 1294. Todas as regiões do mundo vivenciaram o expansionismo ao longo da história.Ver Abernethy (2009); Darwin (2008).Wade, (2014). O imperialismo e o colonialismo de matriz religiosa no mundo islâmico tiveram início com as primeiras conquistas muçulmanas, prosseguiram com a expansão dos sucessivos califados e estenderam-se até a Partilha do Império Otomano. Nos séculos XV e XVI, o Império Otomano ingressou em um período de rápida expansão territorial, pondo fim ao Império Romano do Oriente com a conquista de Constantinopla em 1453 por Maomé II.

thumb|250px|Expansão territorial do Czarado da Rússia entre 1547 e 1725. O reinado militarista e nacionalista do czar russo Nicolau I (1825–1855) impulsionou guerras de conquista contra a Pérsia (1826–1828) e o Império Otomano (1828–1829). Diversos levantes tribais no Cáucaso foram subjugados e a Revolta Polonesa de 1830 foi duramente reprimida. Em 1848, tropas russas intervieram no Império Austríaco para esmagar a Revolução Húngara de 1848. Políticas sistemáticas de russificação foram implementadas para coibir minorias étnicas, e a retórica de solidariedade pan-eslavista culminou em novos conflitos com os otomanos (o "homem doente da Europa") em 1853, o que motivou a intervenção britânica e francesa na Guerra da Crimeia.Orlando Figes, Crimea (Penguin, 2011), capítulo 1.

Na Itália, Benito Mussolini proclamou a meta de erguer um "Novo Império Romano" centrado na bacia do Mediterrâneo. O Reino da Itália invadiu a Etiópia em 1935, a Albânia no início de 1939 e, posteriormente, a Grécia. O conceito de Spazio vitale ("espaço vital") constituiu a base ideológica do expansionismo territorial do Fascismo italiano, de forma análoga ao conceito de Lebensraum na Alemanha Nazista e ao "Destino Manifesto" nos Estados Unidos. O ideólogo fascista Giuseppe Bottai comparava essa política expansionista aos feitos históricos dos antigos romanos.

A partir de 1937, a Alemanha Nazista sob Adolf Hitler reivindicou a anexação dos Sudetos, consumou a unificação (Anschluss) com a Áustria em 1938 e promoveu a ocupação integral das terras checas no ano seguinte. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, Hitler e Josef Stalin dividiram a Polônia em esferas de influência entre a Alemanha e a União Soviética. Dentro da diretriz de marcha para o leste (Drang nach Osten) voltada à conquista do Lebensraum para a população alemã, o Terceiro Reich invadiu a União Soviética em 1941.Sebastian Haffner, The Meaning of Hitler, Phoenix, 2000, capítulos 2, 3 e 4.

thumb|350px|Comparativo da partilha colonial do continente africano entre os anos de 1880 e 1913. O nacionalismo expansionista é uma vertente radical de nacionalismo que combina sentimentos patrióticos com a defesa explícita da expansão militar ou econômica sobre territórios vizinhos. O conceito ganhou proeminência no final do século XIX durante a Partilha da África pelas potências europeias, associando-se no século XX a regimes militaristas e autoritários, como a Itália Fascista, a Alemanha Nazista, o Império do Japão e movimentos irredentistas nos Bálcãs, incluindo correntes na Albânia (Grande Albânia), Bulgária (Grande Bulgária), Croácia (Grande Croácia), Hungria (Grande Hungria), Romênia (Grande Romênia) e Sérvia (Grande Sérvia).

Na política norte-americana após a Guerra Anglo-Americana de 1812, a doutrina do Destino Manifesto serviu de sustentação ideológica para a expansão rumo ao oeste. O movimento combinou nacionalismo territorial com continentalismo, impulsionando a eclosão da Guerra Mexicano-Americana (1846–1848). Embora a expansão fosse justificada como forma de apoiar colonos e comerciantes com a proteção das forças armadas, grandes empreendimentos mercantis da fronteira — como a Bent, St. Vrain & Company — sofreram severos impactos decorrentes dos conflitos, incluindo a morte do sócio Charles Bent durante um levante em 1847. As populações indígenas locais (como os cheyennes, comanches, kiowas e pawnees) sofreram elevada mortalidade por epidemias de varíola (1839–1840), sarampo e coqueluche (1845) e cólera (1849) introduzidas pelo fluxo migratório. As manadas de bisões e os recursos hídricos e de pastagem da região sofreram rápido esgotamento com a intensificação do tráfego de colonos e garimpeiros em direção à Califórnia durante a Corrida do Ouro.

Ideologias No século XIX, desenvolveram-se teorias de unidade etnocultural e racial, tais como o pan-germanismo, o pan-eslavismo, o pan-turquismo e o correlato turanismo. Em cada um desses casos, a potência dominante (respectivamente, a Prússia; o Império Russo;Orlando Figes, Crimea, Penguin, 2011, p. 89. e o Império Otomano, particularmente sob a liderança de Enver Paxá) utilizou tais constructos ideológicos para legitimar suas políticas de expansão territorial e influência geopolítica.

Ideologia norte-americana

thumb|250px|Expansão territorial histórica dos Estados Unidos. A interpretação dos desdobramentos da expansão dos Estados Unidos remonta ao século XIX, quando Frederick Jackson Turner formulou a sua Tese da fronteira, sustentando o papel determinante do expansionismo na formação da identidade e das instituições norte-americanas.Richard Hofstadter, "Turner and the Frontier Myth". American Scholar 18#4 (1949), pp. 433–43. . A disponibilidade de terras livres na fronteira fomentou a independência econômica individual (em contraste com o modelo fundiário aristocrático europeu) e consolidou a democracia representativa na sociedade norte-americana.Stanley Elkins e Eric McKitrick, "A Meaning for Turner's Frontier: Part I: Democracy in the Old Northwest". Political Science Quarterly 69#3 (1954), pp. 321–53. . O êxito material dessa expansão consolidou a crença na superioridade do modelo de vida norte-americano (o American way of life), atraindo dezenas de milhões de imigrantes, aliando-se ao discurso etnocêntrico de que os povos anglo-saxões possuiriam uma aptidão singular para a governança institucional.

Na virada para o século XX, a projeção externa expandiu-se para além do continente americano com a intervenção e domínio sobre as Filipinas, impulsionada por uma retórica paternalista sintetizada pelo presidente William McKinley, que declarou em meados de 1899 quatro diretrizes centrais: "A paz em primeiro lugar, seguida por um governo de lei e ordem administrado com integridade, plena segurança à vida, à propriedade e ao trabalho sob a bandeira norte-americana". Contudo, a administração colonial nas ilhas teve de ser compartilhada com as elites políticas locais, que reivindicavam autonomia e soberania nacional. Em Washington, o Partido Democrata rechaçou a continuidade das diretrizes expansionistas de McKinley e, em 1934, aprovou a legislação que estabeleceu o cronograma para a emancipação política das Filipinas, consumada formalmente em 1946.Dean Kotlowski, "Independence or Not? Paul V. McNutt, Manuel L. Quezon, and the Re-examination of Philippine Independence, 1937–9" International History Review 32#3 (2010), pp. 501–531.

Expansionismo moderno Akhand Bharat (literalmente "Índia não dividida") busca resgatar a histórica pátria dos Hindus, antes da conquista islâmica e das divisões colonialistas, que resultou na subsequente conversão de um número significativo ao Islã e ao Cristianismo. Inclui todos os atuais países do Afeganistão, Bangladesh, Butão, Índia, Nepal, Mianmar, Paquistão, Sri Lanka, e Tibete. Aztlán, nome de vários movimentos políticos hispânicos nos Estados Unidos da América, como o Conselho Revolucionário, o Governo Provisiório de Aztlán e MEChA, também conhecido como Movimiento Estudiantil Chicano de Aztlán (Movimento de estudantes chicanos de Aztlán). Recorre frequentemente à luta irredentista para a independência ou reunificação com o México daqueles estados do sudoeste colonizados e ocupados pelos Estados Unidos depois da Guerra Mexicano-Americana e do Tratado de Guadalupe Hidalgo de 1848. Grande Albânia, é um movimento político que busca unir toda a etnia albanesa em uma única entidade. Grande Hungria, é uma meta dos irredentistas húngaros, que querem restaurar os limites históricos da Hungria como era antes de 1918. Grande Israel é um termo irredentista que busca restaurar os limites históricos e bíblicos da Terra de Israel. Grande Mongólia, busca unir toda a etnia mongol em um único país. Grande Marrocos, busca ampliar o território marroquino para abranger as áreas governadas pelo Império Almoravida no passado. Grande Sérvia, busca unir todos os Sérvios em um estado mais amplo. Grande Somália, busca unir todos os Somalis em um estado mais amplo. Grande Síria, busca criar uma Síria que englobe todos os territórios norte-oeste do Oriente Médio. Kahanismo, busca criar um estado incluindo toda a Israel bíblica. União Norte-americana, busca criar um Estados Unidos da América mais amplo com a fusão com o Canadá.

Expansionismo no passado O Afeganistão buscou criar o Grande Afeganistão, especialmente para absorver terras habitadas pelos pastós em Caiber Paquetuncuá, província do Paquistão. A Croácia buscou criar um país etnicamente 'puro', a Grande Croácia. A Grécia buscou ampliar seu território a fim de ter todos os gregos unidos (Enosis) em um só país. A Itália durante o governo de Benito Mussolini buscou ampliar seu território na Europa. O Japão buscou se expandir por um vasto território da China, sul da Ásia e Pacífico asiático durante a Segunda Guerra Mundial. A Alemanha nazista buscou juntar toda a etnia germânica e tomar as terras no leste, através do Lebensraum. Os Estados Unidos da América (veja Destino Manifesto) buscou ampliar seu domínio por todo o Canadá durante a Guerra de 1812 e mais tarde em 1866. Também buscou se expandir em direção ao México, tomando o que é hoje a Califórnia, Nevada, Texas e Novo México. Os europeus buscaram se expandir ao redor do mundo com o colonialismo (veja Imperialismo). A União Soviética buscou se expandir em direção à Europa Ocidental, Escandinávia e Ásia Central. Durante a Guerra Civil Americana os Estados Unidos da América se expandiram pelo Missouri e Texas em busca de mais terras para a agricultura.

Na cultura popular

A novela satírica A Revolução dos Bichos, de George Orwell, constitui uma alegoria ficcional baseada na União Soviética sob Josef Stalin, retratando uma nova elite que toma o poder, estabelece regras e hierarquias inéditas e expande-se economicamente à medida que corrompe seus ideais originais. O romance The Riddle of the Sands, de Robert Erskine Childers, retrata a ameaça imperialista do Império Alemão. O livro Red Strangers, de Elspeth Huxley, aborda os impactos da expansão colonial europeia sobre a cultura nativa na África subsaariana. A obra de história alternativa O Homem do Castelo Alto, de Philip K. Dick, descreve um cenário ficcional no qual os Estados Unidos foram derrotados e divididos territorialmente entre a Alemanha Nazista e o Império do Japão, premissa igualmente retratada na adaptação televisiva homônima.

Referências

Leitura adicional Abernethy, David B. The dynamics of global dominance: European overseas empires, 1415–1980 (Yale University Press, 2000). Darwin, John. After Tamerlane: the global history of empire since 1405 (Bloomsbury, 2008).