A perereca do Grande Sertão (Nyctimantis diadorim) pertence ao grupo das “pererecas-de-capacete”, é uma espécie nativa da América do Sul, pouco abundante e pouco conhecida, até agora só foi descoberta uma população. Pertence ao gênero Nyctimantis e representa a primeira espécie do gênero encontrada no Bioma Cerrado, com topótipo localizado no município de Chapada Gaúcha, Minas Gerais, no Parque Nacional Grande Sertão Veredas, em matas associadas a veredas. Outras espécies do gênero estão distribuídas pelo Brasil em biomas distintos consideradas globalmente como ameaçadas.
Ecologia e Ciclo de Vida A espécie é encontrada na “cabeceira da Santa Rita” em área alagada de pântano, mata paludosa (Ribeiro, Walter, 2008). Algumas spp usam buracos nas árvores ou cavidade no bambu e outras plantas, como refúgio durante o dia (e.g., Lutz e Barrio,1966; Trueb 1970a; Duellman, Trueb 1976). O ciclo de vida da espécie ainda é desconhecido. No caso da N. diadorim, a espécie provavelmente se reproduz em poças de água lótica.
alt=Brandão R.A, 2024|miniaturadaimagem|252x252px|Nyctimantis diadorim
Origem do nome
O nome foi batizado em homenagem ao Parque Nacional Grande Sertão Veredas e ao escritor João Guimarães Rosa, autor do romance brasileiro Grande Sertão Veredas. Diadorim e Riobaldo, homem bruto machista, atraído por Diadorim, mas por profundo preconceito, nunca se permitiu viver este amor. Estes homens vão em busca de vingar a morte do pai de Diadorim e seu líder, pelo Cerrado em Minas Gerais. Narra conflitos que refletem a luta do Império e início da Republica. “Diadorim, que foi batizada às margens do Rio São Francisco e aos pés do Peruaçu, fazia, portanto, aniversário no mesmo dia no qual comemoramos o Dia do Cerrado.
Diadorim é um guerreiro esquivo que vive no coração do Grande Sertão, lutando para sobreviver no Cerrado, uma paisagem repleta de grande beleza e com diversas ameaças à sua biodiversidade.
Anatomia e Morfologia A espécie é diagnosticada como Nyctimantis por ter a íris dos olhos vermelha a marrom-escura sem padrões de reticulações, e diversas outras características como a pupila romboidal comparada a outras espécies do gênero. É considerada uma nova espécie do gênero por possuir a coloração do padrão dorsal marrom-escuro formando padrão reticulado gradual no dorso por pequenas manchas creme e difere de espécies parecidas do gênero por não possuir membranas entre os dedos e a região loreal (órgão sensorial que permite percepção de mudança de temperatura) pouco côncava. Nyctimantis diadorim, N. galeata, e N. siemersi são as únicas espécies do gênero que apresentam sacos vocais pareados, essa característica em Diadorim sugere que ela também se reproduz em lagoas.
Coloração: Os tons de marrom podem variar entre cada espécime, mas no geral o dorso é marrom coberto por um padrão intrincado formado por manchas creme-claras irregulares e bem delimitadas (menos evidentes durante o dia) com a superfície dorsal da cabeça mais escura, e a região loreal que é mais escura ainda. Lábio superior possui faixa marrom-claro não completa, mancha mais clara na parte superior dorsal do braço, sacos vocais cinza escuro, o ventre é creme com algumas manchas e a região peitoral quase não apresenta manchas. As fêmeas são maiores que os machos
Algumas características presentes em machos incluem: língua grande, em forma de coração, com margem posterior irregular, cobrindo quase todo o assoalho bucal. Fendas vocais longas e estreitas, nas laterais da língua. Sacos vocais pareados, evidente lateralmente em cada lado.
Quando a espécie é manuseada, produz uma secreção cutânea pouco viscosa, branca e pegajosa sem odor e efeitos na pele do manuseador.
Categoria:Anfíbios descritos em 2024 Categoria:Nyctimantis Categoria:Anfíbios de Minas Gerais