A língua alabama (alabama: Albaamo innaałiilka), também conhecida como alibamu, é uma língua falada pelo povo alabama nos Estados Unidos, pertencendo ao ramo ocidental da família muscogee. Nos dias de hoje, ela é encontrada na reserva de Alabama-Coushatta, no estado do Texas, com cerca de 370 falantes em 2015. Ela também é utilizada como segunda língua pelo povo que habita a reserva de Alabama-Coushatta.

A língua se originou no estado do Alabama, onde o povo de mesmo nome havia se estabelecido. Porém, devido ao processo de colonização dos Estados Unidos, o povo teve que desocupar o seu território e se dispersou para outros estados, como Oklahoma, Mississippi, e então Texas, onde se aliaram ao povo coushatta e formaram a reserva Alabama-Coushatta de Texas, que existe até os dias atuais e é onde os falantes do idioma se encontram. Também é possível encontrar parte do povo alabama na reserva de Alabama-Quassarte, localizada em Oklahoma, porém nenhum de seus habitantes fala a língua.

O idioma atualmente se encontra em estado "definitivamente em ameaça de extinção" pela UNESCO, causado principalmente pela aculturação estadunidense, com relatos de gerações antigas sendo punidas por falar o idioma. Prezando pela preservação da cultura alabama, a reserva de Alabama-Coushatta tem feito esforços para documentar e revitalizar o idioma em parceria com o Laboratório WOLF (Working On Language in the Field) da Universidade Harvard. Esta parceria tem o objetivo de, em cinco anos, documentar a língua, estudar seu léxico e gramática e produzir recursos educacionais para a comunidade da reserva de Alabama-Coushatta.

Os alabamas não utilizam um sistema de escrita próprio, mas por questões de registro e pesquisa foi criado uma escrita utilizando o alfabeto latino. A língua é notável pela sua complexidade morfológica em relação aos verbos, sua ordem de sujeito-objeto-verbo e sua natureza aglutinante. Pode-se mencionar também seu inventário fonológico limitado, tendo apenas quatorze consoantes e três vogais.

Etimologia miniaturadaimagem|Um menino da reserva Alabama-Coushatta plantando uma árvore de Natal.|200x200px A origem da palavra alabama ainda é desconhecida, mas acredita-se que ela surgiu na língua choctaw primeiro, pois antigamente os alabamas habitavam um território próximo aos choctaw, e é comum que uma comunidade nativa americana aceite o nome dado a eles por outra comunidade vizinha. Em relação ao seu significado, existem algumas teorias, mas duas principais prevalecem:

Que alabama significa "aqui nós descansamos". Foi sugerida pela primeira vez em 1842 na revista Jacksonville Republican e popularizada por textos de Alexander Beauford Meek, procurador-geral do estado do Alabama, nos anos 1850. Apesar disso, especialistas nas línguas muscogeanas não conseguiram encontrar nenhuma frase ou palavra similar à alabama com o significado descrito no vocabulário das línguas; Que a palavra alabama foi derivada a partir da junção das palavras em choctaw alba, que significa "plantas grossas" ou "ervas", e amo, que significa "coletar". O significado exato é desconhecido, mas poderia significar algo como "coletores de ervas".

Até agora, nenhuma das teorias propostas foram confirmadas, tornando a origem do termo alabama ambígua. Cronistas estrangeiros que passaram pela região utilizavam grafias diversas para escrever sobre o povo, como "albamu", "alibamon", "alibamou" dentre muitas outras.

O endônimo Albaamo innaałiilka significa "língua alabama", originado a partir da junção dos termos Albaamo "indígena/pessoa alabama" e o substantivo naałiilka "língua", com o prefixo dativo im-.

Distribuição A língua alabama é uma língua com distribuição geográfica limitada, encontrada apenas na comunidade de Alabama-Coushatta. Antigamente, havia falantes do idioma em outras comunidades, como a reserva de Alabama-Quassarte, porém ao longo do tempo alguns grupos do povo alabama acabaram tendo sua língua suplantada por outros idiomas mais predominantes na região, como o creek. Línguas relacionadas O primeiro estudo sobre o alabama em comparação com as línguas muscogeanas surgiu nos ano de 1884, escrita por Albert S. Gatschet, teorizando que o alabama fazia parte desta família. A primeira divisão das línguas muscogeanas também foi feita por Gatschet, que as dividiu em dois grupos: ocidental e oriental. Posteriormente, a linguista Mary R. Haas publicou, em 1941, a primeira classificação e agrupamento das línguas, baseado em uma análise fonética de sons recorrentes dentre a família.

Além desta árvore, algumas outras propostas de conexões entre as línguas foram sugeridas. Uma delas, proposta por Pamela Munro, foi organizada de acordo com aspectos fonológicos e morfológicos desenvolvidos de forma similar entre as línguas. Ela as divide em outras duas categorias principais, muscogeano sul e norte, com algumas subdivisões a mais.

Alguns autores também mencionam a possibilidade de uma subfamília muscogeana central, em que apenas o alabama e o koasati fazem parte dela. A quantidade de evidências a favor de qualquer uma das divisões é considerável, fazendo com que o debate sobre qual modelo é mais preciso seja um tema complicado no qual linguistas não conseguem chegar em um consenso.

Não há registros de dialetos da língua alabama, mas muitos afirmam que a língua koasati é extremamente similar ao alabama. Esta semelhança é tanta que alguns falantes, especialmente aqueles mais jovens, têm dificuldades de diferenciar as duas línguas. Boa parte das palavras em ambas as línguas são extremamente similares, se não iguais. Apesar disso, grande parte dos linguistas acreditam que a relação entre os dois é distante o suficiente para não considerar nenhuma das línguas como dialeto da outra, justificado pela diferença morfológica e sintática considerável entre ambas. Segue uma tabela com algumas palavras nas línguas muscogeanas, em que palavras similares ao vocábulo alabama estão grifadas em negrito: +Palavras nas línguas muscogeanasPortuguêsAlabamaKoasatiCreekSeminoleChoctawChickasawMikasukiHitchiti"Inverno"hastolałafiłáfołáfohaštola - -łaafí"Pato"chooskanicoskanifócofócofočoš - -foci"Fogo"tikbatikbatótkatótkalowaklowak -iti"Cinco"taɬɬàapicahoppakakahkipinkahkipintaɬɬapi - -kahkipan"Homem"naaninaanihonánwahonánwanakni -nakninakni"Gambá"konokonokónokónokoni -koonikooni"Cem"táɬɬìipacokpícokpícokpítaɬɬiipa - -cokpí"Galinha"akaakakoloositottolôositottolôosiakanka - - -"Jacaré"hachonchobaalbataalpatá, halpatáalpatá, halpatáhačonnčoba - -halpatí"Tartaruga"sattasattalócalócaloksiyokcí"Sapo"okwalaokwalasopáaktasopáaktašilokwa - - -Fazendo esta análise entre línguas, Haas notou que, em alguns casos, o alabama têm uma associação com o choctaw, enquanto o koasati tem uma associação com o hitchiti e o mikasuki. Não se sabe o motivo exato, mas ela teorizou que isso seja causado pelo eventual contato entre outros povos: em algum momento, os alabamas se aproximaram mais do povo choctaw e os koasatis se aproximaram dos micosuques, gerando estas semelhanças.

História miniaturadaimagem|280x280px|Distribuição das línguas muscogeanas pré-contato europeu O povo alabama vem ocupando os Estados Unidos por mais de 10 mil anos, possivelmente migrando do Mississippi até o estado do Alabama por volta de A.D. 800-1200. miniaturadaimagem|260x260px|Aproximação da rota de migração dos alabamas e dos coushattas, c. 1763-1780:Os primeiros registros do povo alabama surgiram em 1541, durante a colonização espanhola da América, quando Hernando de Soto realizou uma expedição na atual região nordeste dos Estados Unidos em busca de ouro. Foi registrado que, até o final do século 17, os alabamas habitavam uma região próxima do rio Alabama, quando em 1763 a França cedeu a região à Inglaterra, e como o povo não era próximo dos ingleses, eles migraram para outras regiões. Com isso, a maior parte dos alabamas decidiu imigrar para o oeste, chegando ao Texas por volta da década de 1780. Em 1854, os alabamas receberam 1280 hectares de terra, localizados no condado de Polk. Posteriormente, parte dos coushatta ficaram sem terras para habitar, e como os alabamas tinham uma proximidade tanto linguística quanto cultural em relação aos coushattas, eles permitiram que os coushattas se juntassem aos alabamas na reserva em que eles viviam, formando o que é a atual reserva de Alabama-Coushatta, onde a língua é falada até hoje. Em 1998, a linguista Helena Halmari conduziu uma pesquisa empírica na reserva, e viu que todos os respondentes tinham algum entendimento do idioma, mesmo que mínimo.

Hoje em dia, o alabama é utilizado majoritariamente em residências e entre famílias, com o inglês sendo utilizado em escolas e em serviços de igrejas. Entretanto, houve esforços para introduzir o idioma em pré-escolas e em programas de verão para crianças jovens. Apesar disso, a língua é classificada como "definitivamente em ameaça de extinção" pelo Atlas Mundial de Línguas da UNESCO, fenômeno recorrente entre as línguas indígenas americanas e causado principalmente pelo processo de aculturação e que ocorreu na década de 1800. Vendo isso, em janeiro de 2024, a estudante alabama da Universidade Harvard Ava E. Silva iniciou uma colaboração com o Laboratório WOLF (Working On Language in the Field) da universidade, visando preservar a língua de sua comunidade através da documentação e de estudos do léxico e da gramática da língua dentro de um período de cinco anos. Tal colaboração foi feita com o intuito de realizar pesquisas mais atualizadas sobre o idioma e produzir materiais educativos para a comunidade.

Fonologia

Consoantes A língua alabama possui 14 fonemas consonantais, que ocorrem ou no início de palavras ou entre vogais. Nenhuma palavra nativa da língua dita isoladamente termina em uma consoante, e o vozeamento segue o mesmo padrão para todas as consoantes: as consoantes plosivas, fricativas e africadas são obstruentes (desvozeadas), enquanto as nasais e a aproximante lateral são vozeadas. A única exceção para esta regra é a plosiva bilabial vozeada /b/. +Fonemas consonantais do alabamaBilabialLabiodentalAlveolarLabiovelarpós-alveolarPalatalVelarGlotalPlosivaNasalAfricadaFricativaFricativa lateralAproximanteAproximante lateral

Além das consoantes acima, existem mais de 90 encontros consonantais registrados. Nenhum dos encontros ocorre ao final de uma palavra e nunca começam com /b/, /c/ e possivelmente /w/. No caso de uma composição ou uma afixação em que ocorra um encontro entre três consoantes, ele é simplificado para um encontro de duas, onde geralmente ocorre a perda da consoante central. Quando há um encontro vocálico entre /o/ e outra vogal, a consoante /w/ pode ser adicionada entre as vogais como um off-glide (uma semivogal que ocorre durante a mudança de articulação entre sons) e realizando um processo de epêntese, como na palavra oyba () "chuva".

Alofonia consonantal No alabama, muitos dos sons, tanto vocais como consonantais, possuem alofones, visto que seu inventário fonológico é muito pequeno. A tabela a seguir mostra todos os alofones consonantais presentes da língua, junto com locais onde eles ocorrem e exemplos: