A Fortaleza de São Miguel de Socotorá foi uma fortificação portuguesa na Ilha de Socotorá, que hoje faz parte do Iémen.
O rei D. Manuel mandou conquistar Socotorá, fundar na ilha uma fortaleza e estabelecer lá uma frota. A armada portuguesa, comandada por Tristão da Cunha, alcançou a vila de Suq em Abril de 1507 e conquistou o forte muçulmano construído pela dinastia maráida de Caxém.Julian Jansen van Rensburg: The Maritime Traditions of the Fishermen of Socotra, Yemen, p. 29.José Pereira da Costa: "Socotorá e o Domínio Português no Oriente" in Revista da Universidade de Coimbra volume XXIII, Coimbra, 1973, pp. 6-21 Dispunha de um pátio-de-armas, torre de menagem e reservatórios com canos para drenar a água. A mesquita no seu interior foi reconsagrada como uma igreja dedicada a Nossa Senhora da Piedade ou Nossa Senhora da Vitória. Constatou-se não ter espaço para albergar a projectada guarnição de 200 soldados, portanto foi feito um forte novo e parte da guarnição alojada em casas construídas não muito longe. Ficou como capitão D. Afonso de Noronha, Jácome de Tomar como alcaide-mor e Pero Vaz da Orta como feitor régio, encarregue do comércio. O forte foi dedicado a São Miguel. Situava-se perto da praia, tinha uma planta quadrada e baluartes redondos nos vértices.Joaquim Manuel Ferreira Boiça: "Fortaleza de São Miguel" in hpip.org.
Os socotorinos nestorianos apreciaram serem libertados do domínio muçulmano.Danvers, 1894, pp. 155-157. Frei Francisco do Loureiro e outros franciscanos baptizaram considerável número de naturais da ilha entre grandes celebrações, construíram uma igreja dedicada ao apóstolo São Tomé e, na vila, um mosteiro, o primeiro construído pelos portugueses a leste do Cabo da Boa Esperança. A mesquita e as plantações de palmeiras que pertenciam aos muçulmanos foram então redistribuídas entre os cristãos.Frederick Charles Danvers: The Portuguese in India, volume I, W. H. Allen & Co. Limited, London, 1894, pp. 155-157. A 10 de Agosto de 1507 Tristão da Cunha partiu para a Índia com os seus navios e para trás ficou Afonso de Albuquerque como capitão-mor-do-mar-da-Arábia com uma frota.The Cambridge History of the British Empire, Volume IV, British India, H. H. Dodwell, Cambridge University Press, pp. 8-9. Dez dias mais tarde, Afonso de Albuquerque partiu à conquista do Reino de Ormuz, no Golfo Pérsico.
As condições em Socotorá revelaram-se menos vantajosas do que antecipado, pois a ilha era remota, o clima agreste, escasseavam as provisões, ao passo que os socotorinos e os árabes do Iémen entravam muitas vezes em confronto com a guarnição portuguesa. Promovido a governador da Índia em Dezembro de 1509, Afonso de Albuquerque decidiu evacuar a fortaleza de Socotorá e enviou três navios para a ilha, quando já não restavam mais que 120 portugueses.
Ver também Socotorá Portuguesa Índia Portuguesa Conflitos Luso-Mamelucos Conflitos Luso-Otomanos Primeira Guerra Luso-Malabar Omã Português
Categoria:História de Socotorá Socotorá Categoria:Patrimônio Mundial da UNESCO no Iémen