O Orfeão Universitário do Porto (OUP) ComM • ComIP é uma Instituição de Utilidade Pública constituída apenas por alunos da Universidade do Porto com fins culturais, beneméritos e académicos. Originalmente fundado em 6 de Março de 1912, sob a designação de Orfeão Académico do Porto, é das poucas associações a reunir estudantes de todas as Faculdades da Universidade do Porto. Conheceu reorganizações em 1937 e em 1942, datando deste último ano a designação que perdura.
Entre outras músicas, tem no seu repertório de originais aquele que é considerado por muitos como o hino dos estudantes em Portugal, a música "Amores de Estudante", de 1937, de Paulo Pombo e Aureliano da Fonseca (antigos orfeonistas).
O OUP foi o primeiro grupo coral universitário a incluir naipes do sexo feminino em 1937 e, devido a esse facto, acabou por padronizar a partir de 1945 a versão feminina do traje académico português.
Integrando uma das tunas académicas mais antigas do país - a Tuna Universitária do Porto (iniciada em Março de 1890 como Estudantina Portuense/Tuna Académica do Porto) - em 1987 o OUP cria o primeiro festival de tunas de Portugal, o Festival Internacional de Tunas Universitárias - "Cidade do Porto" - e em 1988 vê nascer no seu seio a primeira tuna académica feminina do país: a Tuna Feminina do OUP.
Actualmente o OUP é reconhecido como extensão cultural da Universidade do Porto pela sua Reitoria e como Entidade de Utilidade Pública pelo Estado Português. Possui 20 trabalhos discográficos e apresenta-se regularmente por todo o país e no estrangeiro, levando a palco uma amostra diversa da cultura portuguesa desde canto coral, danças e cantares regionais, fados e tunas. O seu Regente Artístico é o Maestro António Sérgio Ferreira, no cargo desde Janeiro de 2006.
História
Do Orphéon Académico à Tuna e Orfeão Académicos (1912-1928) miniaturadaimagem|O Orphéon Académico do Porto de 1912O Orfeão Académico do Porto foi fundado em 6 de Março de 1912, nas Comemorações do primeiro aniversário da Universidade do Porto, por um grupo de estudantes entusiastas apostados em revitalizar a Canção Portuguesa. Torna-se assim o primeiro organismo de cariz extracurricular da Universidade do Porto a reunir estudantes de todas as Faculdades. A Direcção artística é atribuída ao Maestro portuense Fernando Moutinho e, após três meses de ensaios, o Orphéon apresenta-se pela primeira vez no dia 1 de Junho na Festa da Canção Portuguesa, no Teatro Sá da Bandeira.miniaturadaimagem|O Orfeão Académico do Porto de 1922|esquerda|200x200pxDesde cedo que o Orphéon se pretende mostrar fora de Portugal, apresentando-se então no vizinho Reino de Espanha nos anos de 1913, 1922, 1924 e 1928 e tendo obtido assinalado sucesso.miniaturadaimagem|Orfeão Académico e Tuna Académica após Digressão a Barcelona, 1928.Na digressão de 1922, apresenta-se em conjunto com a Tuna Académica do Porto e é recebido pelo rei de Espanha Afonso 13. Em 1928 tem a sua viagem celebrizada no livro Do Atlântico ao Mediterrâneo, de Parente de Figueiredo.
Sucedem a Fernando Moutinho, por ordem cronológica, Futuro Barroso (estudante de Engenharia), o Pe. Clemente Ramos, João Antunes e novamente Futuro Barroso (entretanto já formado). miniaturadaimagem|Apresentação do Orfeão no Teatro Rivoli, em 13 de Abril de 1937.|180x180px miniaturadaimagem|180x180px|Orquestra Universitária de Tangos, 1937. Enquadrado de uma forma mais ampla no Mouvement des Orphéons vivido em França desde os finais do século XIX, desde cedo que se manifesta imbuído de um profundo espírito patriótico e associativo, sendo plataforma privilegiada no florescer associativo académico portuense da primeira metade dos anos 20, onde pontificam a Associação Académica do Porto e a Associação dos Estudantes do Porto, o jornal Porto Académico e a Tuna Académica do Porto.
As circunstâncias sóciopolíticas da época, como a Primeira Guerra ou a Revolução de 28 de Maio, conduziram a frequentes hiatos na sua atividade, sendo que após a Digressão a Barcelona em 1928, o Orfeão Académico entra em crise profunda. Destino semelhante teriam a Associação Académica do Porto e a Faculdade de Letras, extinta polemicamente em 1928.
Renascimento e "Amores de Estudante" (1937-1940) Nas Comemorações do Centenário da Academia Politécnica e da Escola Médico-Cirúrgica do Porto, em Março de 1937, reorganiza-se o Orfeão e o Maestro Afonso Valentim assume o cargo de regente do então chamado Orfeão Académico da Universidade do Porto, que passa a incluir exclusivamente alunos da Universidade do Porto. esquerda|miniaturadaimagem|200x200px|Capa da pauta de "Amores de Estudante", 1937 O Orfeão apresenta-se então à cidade para uma Récita no Teatro Rivoli no dia 13 de Abril de 1937, onde para além de um grupo coral que pela primeira vez conta com presença de naipes femininos, leva igualmente a palco outras variedades musicais e performativas.
É nesta altura que, ao lado do Orfeão, surge também reorganizada a velha Tuna Académica do Porto como Tuna Universitária do Porto, assim como a Orquestra Universitária de Tangos. miniaturadaimagem|180x180px|Tuna Universitária do Porto, 1937. É ainda em 1937 que Aureliano da Fonseca (Medicina) e Paulo Pombo (Engenharia), elementos do Orfeão, da Tuna e da Orquestra de Tangos, fruto do sucesso que os tangos vinham obtendo entre as faixas mais jovens (muito por influência do artista Carlos Gardel) e da necessidade sentida de compor um tango português que traduzisse o sentir estudantil, compõem um tango-canção que intitularão de "Amores de Estudante". miniaturadaimagem|Primeiro retrato do OUP reorganizado em 1942/43. miniaturadaimagem|OUP que se deslocou a Angola em 1956 Aureliano da Fonseca compõe primeiramente a música e, associando Paulo Pombo (que mais tarde se tornará Presidente do Futebol Clube do Porto) ao processo, corporiza-se a letra que rapidamente se celebrizou entre o meio universitário e popular.
Este período dura até 1940/41, altura em que se dá nova crise e a actividade orfeónica cai uma vez mais adormecida.
A reestruturação definitiva (1942-1949) No ano lectivo de 1942/43, a intenção do Reitor José Pereira Salgado e do Maestro Afonso Valentim em não deixar morrer o Orfeão Académico encontra eco na acção dinâmica do estudante René Guimarães (Engenharia), que preside à comissão reorganizadora da qual resultará a reestruturação do agora renomeado Orfeão Universitário do Porto, nunca mais este cessando a sua actividade até aos dias de hoje.
É também nesta altura, em 1945, que o OUP passa a aceitar oficialmente como associados estudantes do sexo feminino que, dada a necessidade destes elementos envergarem traje académico à semelhança dos colegas homens, resultou na padronização no seio do OUP da versão feminina do traje académico que as universitárias portuguesas ainda usam actualmente.
Com a evolução gradual das várias "Festa da Pasta" no Porto para Queima das Fitas, o OUP e os orfeonistas estão desde logo envolvidos na sua génese, com René Guimarães a dinamizar o primeiro cortejo da Queima em 1945 e com o Orfeão a corporizar a componente artística da Queima das Fitas, nomeadamente os seus Saraus e Serenatas. Estabilizado e com actividade artística regular, o OUP parte de novo para deslocações mais distantes, com visitas a Espanha (1947) e à Madeira (1949).
Afirmação e projecção (1950-1973) esquerda|miniaturadaimagem|174x174px|Cartaz da Digressão a Angola, 1956. Com a sua actividade artística, associativa e académica crescentemente consolidada, o OUP entra na década de 50 com marcantes deslocações à Madeira e a Sevilha e vê a qualidade do seu trabalho intenso reconhecido pela Câmara Municipal do Porto, que lhe atribui em 1950 a Medalha de Ouro de Mérito Artístico da Cidade do Porto. Em 1951 e 1953 o OUP desloca-se novamente a Espanha, obtendo bastante sucesso com espectáculos na Galiza e em Madrid. Em 1952, o Estado Português, através do Presidente da República Craveiro Lopes, reconhece o OUP como Comendador da Ordem da Instrução Pública. O ano de 1956 marca a primeira deslocação orfeónica a outro continente, com a sua digressão a Angola que constitui um marco assinalável na sua história. Em 1957 o OUP celebra o seu 45º aniversário com um programa que inclui uma Missa pelos orfeonistas falecidos, sessão de cumprimentos ao Reitor Amândio Tavares, romagem ao túmulo do antigo Reitor Pereira Salgado, um Sarau e fechando com um banquete na Faculdade de Engenharia. Em 1959 o OUP volta a África, desta vez para uma digressão a Moçambique. miniaturadaimagem|Grupo de Fados do OUP, 1956 É durante a década de 50 que o OUP começa a integrar nos seus espectáculos de forma regular uma componente de variedades. Essa componente passava essencialmente pela etnografia, nomeadamente danças folclóricas e de Pauliteiros de Miranda e pelo grupo de fados. Na recolha de elementos etnográficos pelo OUP, contou-se com a colaboração preciosa do reconhecido poeta, professor e folclorista Pedro Homem de Melo. É também na década de 50 que o Orfeão arranca com uma regular edição de publicações próprias, através do jornal ORFEÃO que passará depois a formato de revista. Paralelamente, era hábito dos orfeonistas realizar publicações pontuais, normalmente de elevado teor satírico, no contexto das suas Digressões de Verão.
Em 1960 o Orfeão Universitário do Porto é reconhecido pelo Estado Português, através do Presidente da República Américo Thomaz, com o grau de Comendador da Ordem da Benemerência. Ainda em 1960 lança o primeiro dos trabalhos discográficos a serem gravados pela editora ORFEU, com um EP da sua Orquestra de Tangos. Em 1962 realiza novas digressões a Espanha (Santiago de Compostela e Salamanca) e a Angola. esquerda|miniaturadaimagem|200x200px|EP "Tuna do Orfeão Universitário do Porto", 1964 Durante o ano de 1964 lança três EP's pela ORFEU, com registos da Tuna, da Orquestra de Tangos e do Grupo de Mornas e Coladeiras de Cabo Verde. O EP da Tuna do OUP, com a primeira gravação do tema "Amores de Estudante", assume-se como um verdadeiro sucesso mediático que o cimenta como verdadeiro hino académico. Em 1965 desloca-se novamente a Espanha e pela primeira vez ao Brasil e em 1966 retorna às gravações discográficas, lançando dois novos EP's, pela sua Tuna e Orquestra de Tangos. miniaturadaimagem|Actuação no Rio de Janeiro, 1965Em 1967 dá-se a despedida do Maestro Afonso Valentim, regente artístico do OUP durante 30 anos, com um espectáculo de homenagem no Ateneu Comercial do Porto, sendo-lhe atribuída a categoria de Sócio Honorário do OUP. Foi ainda sob a sua regência que, no dito ano, o OUP saiu pela primeira vez da Península Ibérica, fazendo uma digressão a França.
Em 1968 o Orfeão é recebido no Palácio de Belém pelo Presidente da República e na Páscoa, já sob a regência do Maestro Gunther Arglebe, desloca-se à América do Norte para uma Digressão aos Estados Unidos da América. Em 1969 o OUP regressa a África para nova digressão a Moçambique.
O Professor Fernando Jorge Azevedo assume a regência artística do OUP em 1969 e, em 1970, o OUP visita pela primeira vez os Açores em digressão. Em 1971 regressa mais uma vez a África para a sua terceira digressão a Angola.
No contexto do seu 60.º aniversário, em 1972 o OUP lança pela editora ORFEU um LP do seu Sarau.
Em Agosto de 1973 realiza uma digressão à Venezuela e no Outono seguinte passa a ter como Regente Artístico o Maestro Mário Mateus.
Sobrevivência e adaptação (1974-1986) miniaturadaimagem|OUP em 1974 Com o Luto Académico decretado na Academia de Coimbra em 1969 e aplicado no Porto a partir de 1972 com o fim da Queima das Fitas, sentidos como culminar da Crise Académica que se vinha a prolongar, a grande maioria do corpo universitário suspende as tradições académicas. Assim, o uso da capa e batina e manifestações tradicionais de vertente artística (como a Canção de Coimbra) praticamente se extingue. esquerda|miniaturadaimagem|180x180px|OUP nos Açores, 1976.